sábado, 31 de dezembro de 2011

É à custa dos desgraçados que este governo espera pagar as dívidas da banca



"Governo espera encaixar 200 milhões 

com taxas moderadoras em 2012"


in Público de hoje

Diante do dia



'Estrada de Saint-Siméon", 1864, óleo de Claude Monet


Estrofes II

Do largo e antigo imaginar profundo
Removam-se as proscritas maravilhas:
-As aparências fantásticas do mundo,
-Monstros do Mar sulcando à flor das ilhas.
Repassados de artísticos compassos
Aos flavos Sóis e aos tempos vos semeie,
Minha bátega fluida de pedraços,
Forte rima de versos que ideei.
Que o engenho do meu cântico se afoite
Às invocadas órbitas da Noite
Em que me envolve o espírito da vida.
E da força-mistério, no tormento
Da névoa, me desperte o Sentimento
Da grande fé que trago indefenida.

 Afonso Duarte, Estrofes Pagãs, in Cancioneiro das Pedras, 1912, Lisboa

In memoriam




Aldo Zari, pintor veneziano (1942-2011)


Óleo do pintor, s.d.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Bom 2012!


O novo ano que chega amanhã será o que tu aqui escreveres: tu é que vais construí-lo! (publicado na madrugada de 31 de Dezembro de 2011)

Venderam a EDP mas temos uma arma escondida



Leituras



http://www.lemonde.fr/idees/article/2011/12/30/le-crepuscule-des-tyrans_1624353_3232.html


http://www.elperiodico.com/es/noticias/politica/gobierno-fija-deficit-recorta-8900-millones-1295663


http://www.temoignagechretien.fr/ARTICLES/International/Un-an-apres-le-point-sur-le-Printemps-arabe/Default-36-3395.xhtml


http://www.guardian.co.uk/commentisfree/belief/2011/dec/29/bethlehem-punch-up-monks-christianity


http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/idf-chief-nuclear-iran-a-threat-to-entire-region-not-just-to-israel-1.404652

Com tantos a rirem, pergunto: quem meteu ao bolso com este negócio?


O que se "abre" ainda mais, e bem esticadinha, é a nossa carteira...


"Negócio com a China abre novo capítulo no desenvolvimento da EDP"

in Jornal de Notícias de hoje

O crime organizado



"Sou a favor da igualdade de oportunidades mas dentro da mesma classe social, naturalmente"


El Roto in El País de hoje

Diz basta!: com tormentas pudemos nós bem!

Luta, não baixes os braços!


A finar-se o ano, diante de um país assaltado, de um povo perplexo a que aconselham desembuçados, indiferentes à vergonha e à moral, que se dissolva ou deixe abater, emigre ou morra aqui de fome e humilhação –em Camilo vou exumar o que sou e somos: poetas trágicos, bons e apaixonados, homens de honra.

Reabro Ensaios de Interpretação Crítica***, obra preciosa de José Régio, onde se guarda talvez o mais profundo ensaio sobre o torturado de Seide, como lhe chamou Alberto Pimentel; e leio:

Sem pretendermos negar as extraordinárias qualidades de Eça (num certo sentido discutível, mais "artista" que o nosso Camilo) não é no Eça mas em Camilo, e também em Júlio Dinis, que acharemos caracteres possivelmente característicos do génio português.

...génio de gente da periferia europeia, entre Castela e o mar, de quem Unamuno dizia ser de poetas trágicos e em que sinto a bondade inigualável e a força do sonho.

A grandeza e a coragem do sonho nos salvou e ainda a força de arrancar à escassa terra, contra todos, tudo.

Estamos ali, nas páginas de Camilo; agora, toca-nos recusar a ofensa.

*** Portugália Editora, 1964

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mosaico do século V roubado e estropiado em Espanha

Mosaico roubado em Valdearados, perto de Burgos 

Notícia:


http://www.elpais.com/articulo/gente/tv/cacos/chapuceros/destrozan/mosaico/romano/Burgos/elpepugen/20111229elpepuage_2/Tes

Leituras



http://www.elpais.com/articulo/opinion/era/limites/elpepuopi/20111229elpepiopi_4/Tes


http://www.lemonde.fr/idees/article/2011/12/28/les-militaires-egyptiens-doivent-ceder-le-pouvoir_1623316_3232.html


http://www.guardian.co.uk/artanddesign/interactive/2011/nov/09/leonardo-da-vinci-interactive-guide


http://next.liberation.fr/cinema/01012380191-cheetah-adorait-le-foot-us-et-les-chants-religieux

Sem competência e sem vergonha

Portugal está a arder

Havia que dar destaque à coluna de Manuel A. Pina, no Jornal de Notícias de hoje.

Em poucas palavras, Pina denuncia a irresponsabilidade de um governo, que foge, como gato de rabo incendiado, à crise socioeconómica que alastra por toda a Europa e destrói Portugal.

Os que mandam os jovens desempregados emigrar lamentam, agora, que os emigrantes não encontrem trabalho, mundo fora...


Hipocrisia?

Sim –mas junta-lhe, amigo, o desnorteio e a incompetência.

A amoralidade.

A crise tem uma pedalada que os acólitos do capitalismo financeiro ferido de morte -os nossos governantes- não conseguem acompanhar e muito menos suster.

A vergonha perdeu-se, desde que o sistema neo-capitalista percebeu -ou julgou perceber- que pode pôr e dispor e tratar os novos escravos -NÓS- como quiser.

Os “donos do mundo” perceberam que a fome é tal que o homem não reclama um pão: aceita trabalhar por meio pão.

Não bastando, vendem o que não lhes pertence e é do Estado (que somos nós todos), exemplo, a EDP.

Vão desfazer-se do SNS e vendê-lo, também, aos privados, isto é, a eles próprios ou aos seus amigos, que os comandam numa sombra já iluminadíssima (só quem é cego não vê e mesmo o cego cheira: o fedor é nauseabundo...).

Idem com o ensino.

Idem com tudo aquilo que tiverem à mão...

Esquece essa gente que, de facto, já começou a arder: agora o rabo, amanhã o resto.

Cabe-nos a nós, aos cidadão humilhados, ofendidos e espoliados, reconstruir o templo, a nação, a casa, expulsando os vendilhões do que não é deles.

E o mais depressa possível e antes do bíblico dilúvio.   
  

Portugal terra de abandonados

Sem eira nem beira


O português errante

Por Manuel António Pina

Através do secretário de Estado José Cesário, o Governo diz-se preocupado com o desemprego de milhares de portugueses emigrantes em países como, entre outros, o Luxemburgo, Reino Unido, Suíça ou Andorra. O Governo tem boas razões para se preocupar. Se toda essa gente resolver regressar a penates, para onde irá o Governo enxotá-la?


E se os 100 ou 120 mil portugueses (mas o número, admite o secretário de Estado, "pode ser muito superior") que emigraram em 2011- os tais "jovens [e] pessoas que se encontram na fase mais avançada da sua vida activa" que, segundo Passos Coelho, "uma sociedade que se preza não pode desperdiçar" - não encontrarem trabalho nos países de destino e regressarem também? Dir-lhes-á Passos Coelho, como aos professores, que Portugal não é uma sociedade que se preza e passa bem sem eles? Fechar-lhes-á a porta de entrada com a mesma diligência com que lhes abriu a porta de saída? Apelará, como o ministro Miguel Relvas, à sua "visão universalista" e mandá-los-á "ter sucesso na construção [doutro] país"? Ou pedir-lhes-á que esperem até que ele acabe a "democratização da economia" facilitando e embaratecendo os despedimentos, reduzindo férias e feriados e decretando trabalho forçado sem remuneração?

Indesejados no seu próprio país, resta hoje aos portugueses, como ao judeu errante, construir o Portugal futuro com que sonhou Ruy Belo "sobre o leito negro do asfalto da estrada".

Transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias, de 29/12/11

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Chimpanzé de Tarzan morreu aos 80 anos -só morrem os bons!


Ver:


http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1526743

Portugal dos pequeninos ou a conversa fiada: sem recusar o euro, pergunto: por onde andamos, hoje: não nos atiraram e nos enterram numa vida medíocre?



"Sair do euro condenaria Portugal “à mediocridade”, diz presidente do TC [Guilherme d'Oliveira Martins]"


in Público de hoje

Amor

"Anunciação", 1333, de Simone Martini (1284-1344), Galeria Uffizi, Florença

O blog Falcão de Jade publicou, e trouxe-me à lembrança, a esplêndida Anunciação de Simone Martini.

Pela primeira vez, e indo ao invés dos que vêem delicadeza espiritual, mística, ‘senti’ a poderosa voluptuosidade da obra de Martini, a violência do assalto do Anjo e a sensualidade da Virgem, graciosa e carnal, que se subtrai numa recusa ambígua.

Nada disso é pecado... ou mal... ou grosseria: é amor.

Assim, ao que dizem, Petrarca foi um dos admiradores e frequentadores de Simone Martini.    

Leituras que aconselho



http://www.elpais.com/articulo/opinion/leido/prensa/elpepuopi/20111228elpepiopi_5/Tes


http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2207205&opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina


http://www.lemonde.fr/idees/article/2011/12/27/quand-la-chine-ralentit_1623088_3232.html


http://www.temoignagechretien.fr/ARTICLES/Éditorial/La-fin-de-la-fin-de-lHistoire-?/Default-41-3371.xhtml


http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/dec/27/equality-legacy-arab-spring


http://www.corriere.it/editoriali/11_dicembre_23/romano-missione-mai-compiuta_35d454bc-2d2f-11e1-8aef-f6cc58616bde.shtml

"A Europa dos espíritos ou a fascinação do oculto, 1750-1950", no Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Estrasburgo


"Robin Goodfellow-Puck", 1787-1790, óleo de Johann Heinrich Füsssli (1741-1825)



sobre a exposição:

http://www.lemonde.fr/culture/article/2011/12/26/l-art-ses-fantomes-ses-spectres-et-ses-sorciers_1622796_3246.html

A frase do dia: a paixão de Camilo



Esboço de fresco, 1907, Kazimir Malevitch (1978-1935) 

“Ainda que o contrário se afigure a pessoas que têm a boa sorte de não escrever romances, a conclusão de um livro desta espécie é dolorosa de fazer-se, quer os personagens tenham existido, quer vivessem, como quimeras queridas, na fantasia do escritor.”

Camilo Castelo Branco, na Conclusão de O Bem e o Mal, 1863

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O que diz Coelho...

in Público de hoje

Liberdade


Plantu in Le Monde de hoje

Aviso à navegação dos socialistas... portugueses...

Partido Socialista Obrero Español


El País (22/12/11), anunciou, que um grupo de militantes do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE) lançou um Manifesto, em que se analisa a derrota do partido, nas eleições recentes; e se sublinha:

Quando tardámos em reconhecer e chamar a situação económica pelo mesmo nome pelo qual a chamaram os cidadãos comuns, perdemos uma boa parte do nosso crédito.


Acrescenta o articulista, A. Díez:


Também o perderam quando tomaram medidas contrárias à sua orientação ideológica. E, finalmente, quando não houve carga fiscal para os poderosos.”  

Leituras que aconselho



http://www.elpais.com/articulo/opinion/Despertar/salafi/elpepuopi/20111227elpepiopi_5/Tes


http://www.lemonde.fr/idees/article/2011/12/26/examen-de-conscience_1622795_3232.html


http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/dec/26/syria-story-follow-libyan-script


http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2205822&opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina

http://www.lastampa.it/_web/cmstp/tmplRubriche/editoriali/gEditoriali.asp?ID_blog=25&ID_articolo=9588

A frase do dia: e os anos passam...


'Luz e cor', 1843, de J. M. W. Turner


...a saudade, verdugo que mata acariciando, corda de estrangulação tecida com fios de oiro, segredo que Lúcifer, ao despenhar-se, roubou do céu, e nunca mais restituiu!”

Camilo Castelo Branco, in O Bem e o Mal, 1863  

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Conversa fiada

in Público de hoje

Florbela






Quem sabe?...

Queria tanto saber por que sou Eu!
Quem me enjeitou neste caminho escuro?
Queria tanto saber por que seguro
Nas minhas mãos o bem que não é meu!

Quem me dirá se, lá no alto, o céu
Também é para o mau, para o perjuro?
Para onde vai a alma que morreu?
Queria encontrar Deus! Tanto o procuro!

A estrada de Damasco, o meu caminho,
O meu bordão de estrelas de ceguinho,
Água da fonte de que estou sedenta!

Quem sabe se este anseio de Eternidade,
A tropeçar na sombra, é a verdade
É já a mão de Deus que me acalenta?

Florbela Espanca, transcrito in Na Mão de Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958

domingo, 25 de dezembro de 2011

Senhor, eu te agradeço esta noite...

Presépio popular, anónimo: e o presépio não pode morrer...

Senhor, eu te agradeço esta noite,
Esta noite leal, tímida, boa,
Após as horas baças do café,
A discutir o Lawrence e o Pessoa.

Senhor, eu te agradeço esta noite
Com tanta estrela pelo espaço,
Esta noite leal, límpida, mansa,
Que se me dá como um regaço
Onde a alma descansa.

Senhor, eu te agradeço esta noite
Toda incensada dos olores
Das árvores que fremem de desejos
E se recobrem de flores,
As flores, os seus beijos...

E eu te agradeço a graça de ser só
Nesta leda e serena madrugada;
E o rouxinol que canta ao desafio
Com as águas que correm na levada...
E o silêncio macio
Como um penso numa ferida...

Senhor, eu te agradeço a vida...

Fausto José, poema transcrito in Na Mão de Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958


sobre o poeta (tão pouco conhecido...):


http://gremio.cm-vilareal.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=153&Itemid=54

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Pai Natal não pode morrer



Dizer a uma criança:

-“O pai natal não existe.”

É uma imbecilidade como outra qualquer.

Ou -até rima...- uma maldade.

Faz parte de um racionalismo assassino, redutor, obscurecedor.

Não mata os sentimentos: abre uma ferida na alma.

O Pai Natal existe e não pode morrer, por uma razão muito singela e essencial, que nos salva.

Ora oiçam:

numa certa noite, alguém deixa-nos uma prenda.

Quem?

Veio do Norte, puxado por renas, envolto no vermelho da roupa e na brancura das barbas? Ouviu o nosso pedido? Leu a nossa carta? Sabe da nossa solidão, no deserto do mundo desumanizado, frio, indiferente? O velho, o eterno, o maravilhoso Pai Natal?

Ou vive em nossa casa?

Ou vive longe e, por portas travessas, enviou-nos o presente?

Que importa?

Seja quem for, é alguém que nos ama.

É a prova que o amor existe.

E, sem o amor, não passamos de mortos-vivos.

Eu acredito no Pai Natal, eu acredito no amor.

Natal

'Adoração dos magos', séc. XVI, Museu da Guarda, proveniente de Açores, Celorico da Beira


Nossa Senhora

Tenho ao cimo da escada, de maneira
Que logo, entrando, os olhos me dão nela,
Uma Nossa Senhora de madeira
Arrancada a um calvário de capela.

Põe as mãos com fervor e angústia. O manto
Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto;
E uma expressão de febre e espanto
Quase lhe afeia o fino rosto.

Mãe de Deus, seus olhos enevoados
Olham, chorosos, fixos, muito além...
E eu, ao passar, detenho os passos apressados,
Peço-lhe: -“A sua bênção, Mãe!”

Sim, fazemo-nos boa companhia,
E não me assusta a sua dor: quase me apraz.
O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluia!
Só isto bastaria a me dar paz.

-“Porque choras, Mulher? –docemente a repreendo.
Mas à minh’alma, então, chega de longe a sua voz
Que bem entendo:
-“Não é por Ele...”
-“Eu sei! Teus filhos somos nós”.

José Régio, in Mas Deus É Grande, 1945, Editorial Inquérito 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Morreu o escultor John Chamberlain (1927-2011)


´Dolores James', 1962, escultura de John Chamberlain

A verdade e a mentira



'Paraíso', 1960-19664, óleo de Nicolas Poussin (1594-1665)


O que tem as riquezas deste mundo e vê o irmão na indigência e lhe fecha as entranhas, como pode habitar nele o amor de Deus?


Meus filhos, não amemos em palavras e com a língua, mas sim em obras com a verdade.”

1ª Epístola de S. João Apóstolo, III, 17,18

domingo, 18 de dezembro de 2011

Natal: a vida pode não ser o Inferno



Cenni di Pietro GiovanniCimabue (1240-1302), Cristo curando um homem doente, fresco, Basilica de S. Francisco de Assis, Assis, Itália


“Quero a misericórdia e não o sacrifício, não condeneis os inocentes.”


in Evangelho segundo S. Mateus, XII, 7

Um primeiro-ministro cheio de esperança



Um homem de convicções...


Pensões serão cortadas a metade daqui a 20 anos


in Expresso de hoje

Passos Coelho é um homem de fé, um homem que acredita no futuro!

E TU acreditas que daqui a 20 anos ainda estaremos a ser trucidados pelos canibais do capitalismo selvagem?...


Abrir:


http://aeiou.expresso.pt/pensoes-serao-cortadas-a-metade-daqui-a-20-anos=f695022

Leituras que sugiro


sábado, 17 de dezembro de 2011

O poema de hoje, 18 de Dezembro: o grito



Los Ecuestres

Hay que destruir este Orden Estabelecido,
para levantar la res-plan-der-cien-te-casa-de-psyché
en el vasto império solar y en el corazón, y atreverse a matar;
como el enfermo desahuciado que desarmó a su enfermedad
palpando cada dia la verdad de sus muros en vez de adivinarlos,
y la verdad de su poder –o no poder- para destruirlos.

En estos hogares, banderas, templos, instituciones, libros de leyes, de misas, de cocinas, de contabilidades, deidades no sois más mis amigos, nunca lo fuisteis, sois mis enemigos.

Jamás el más mínimo cultivo, ni cocina ni sazón;
carne, alguna vez cruda o semicocida por el calor de los muslos.
frotando sobre el arnês;
mujeres cautivas, las necessárias para burlar alguna burda jornada,
en los carromatos sin roperos ni joyeros ni afeites ni tapicerías;
niños, muchos niños librés, sin propriedades sin rebaños
ni molinos de agua ni molinos de viento ni escuelas
de ésas que domestican la liberdad;
ambos sexos en toda edad com un mismo vestido,
para toda estación un mismo color, com groseras costuras
de pieles de roedores salvajes, animales resistentes por muchos años
y por todo saludo el saludo del Odio cuando há sido descuartizado
el Amor.

Pablo Guevara***, in Hotel del Cuzco y Otras Provincias del Peru, Lima, 2003

A falência do Ocidente: as razões





http://www.bbc.co.uk/programmes/b017znzt

Cesária viva

Morreu uma grande artista, morreu Cesária Évora


Na sua terra, o Mindelo

Cesária Évora, que, depois de uma tentativa sem êxito em Lisboa, Paris acolheu e lançou, nasceu em 24 de Agosto de 1941, no Mindelo, Cabo Verde, onde hoje morreu.

Hararkiri do capitalismo financeiro: mais 5 países para o galheto?



Todos pensamos o mesmo: entre as agências –Fitch, Moody’s, etc- e o capital há uma ligação; as agências comandam as subidas e descidas nas bolsas; os tubarões do capitalismo financeiro fazem fortuna com essas subidas e descidas.
Agora, a agência Fitch pôs no torniquete a Espanha e mais 5 países: Eslovénia, Itália, Irlanda, Chipre e França. 
Há um cheiro a enxofre, a inferno, a desespero: no limite da sobrevivência, o capitalismo financeiro esfaqueia-se a si próprio. Dispara para todos os lados. Mata para não morrer.
A descobrir uma luz ao fundo deste túnel tenebroso, não será o que deseja o capitalismo financeiro –cabe-nos a nós, vítimas da pouca vergonha do neo-liberalismo selvagem e a pagar o seu previsível enterro, acender a lanterna e indicar e impor a saída.

Leituras que sugiro





sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A notícia do dia: um novo livro de Américo Rodrigues



Hoje, dia 17 de Dezembro, na Biblioteca Municipal da Guarda, às 18 horas, Américo Rodrigues lança um livro de poesia, Acidente poético fatal. 

Às 23, no Café Concerto do TMG, lerá alguns dos seus poemas.

Creio que todos os acidentes são fatais, na vida de Américo Rodrigues: joga-se inteiro neles e paga a viagem.

A viagem para a autenticidade.

Personalidade complexa, sensibilidade superior, artista de veia excepcional, Américo Rodrigues busca-se, encontra-se, perde-se e continua a procurar-se, não desiste da Estrada Maestra.

Tenho, por ele e pelas suas obras de poesia, teatro, ensaio, intervenção, uma grande admiração e muito respeito.

Em tempo de falcatruas, é um Homem.

Um homem direito, talhado no granito da Guarda.