sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Cada um deve encontrar o caminho que só a ele pertence

Liberdade,liberdade, quem na tem chama-lhe sua...


“Eis o que não passa de um erro e de um crime: querer fechar a diversidade do mundo em doutrinas e sistemas. É um erro afastar os outros homens do seu livre julgamento, da sua vontade própria, e impor-lhes aquilo que não lhes vai dentro. Agem assim aqueles que não respeitam a liberdade. Montaigne odiou o ‘frenesim’, o delírio furioso dos ditadores do espírito, que querem, com arrogância e vaidade, impor ao mundo as suas ‘novidades’, à maneira de única e indiscutível verdade.”

in Montaigne, de Stefan Zweig

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Saudando o capital selvagem

A escultura "L.O.V.E.", do italiano Maurizio Cattelan, que foi colocada em frente à sede da Bolsa de Milão


Se queres saber mais abre o link:


A Alemanha à conquista do mundo: não foi a tiro vai a cifrão...

Imagem dos tristemente famosos "panzer" alemães que se passearam pelo mundo a matar pessoas e a destruir cidades, durante a segunda grande guerra



Um "Land" português?


por Manuel António Pina


É difícil evitar a tentação de ver nas declarações de Merkel a pretexto da crise das dívidas soberanas sinais que evocam os fantasmas inquietantes do expansionismo alemão. Apoiada numa imprensa que todos os dias instila na opinião pública ideias perigosamente próximas do racismo acerca dos povos "preguiçosos" e "incapazes" do Sul (ainda não se chegou a "povos inferiores" mas já faltou mais), a actual política europeia alemã rompeu com os princípios de solidariedade e subsidiariedade consagrados no Tratado de Maastricht para fazer da UE e do euro meros instrumentos da edificação de um 'Lebensraum' dos seus próprios interesses.

Depois da sugestão de um comissário alemão para pôr a meia haste as bandeiras dos "países pecadores" (países com défices elevados; e, no entanto, segundo o 'Handelsblatt', a dívida oculta da Alemanha é actualmente de 5, e não 2, biliões de euros, ou seja, 185% do PIB em vez do 83% oficiais; como termo de comparação, a grega será, em 2012, de 186% do PIB...), Merkel pretende agora que as dívidas desses países sejam pagas com perdas de soberania, algo assim como conseguir com taxas de juro o que não se conseguiu com 'panzers'.


Isto quando governos como o português já são hoje meros mandatários dos 'Diktat' de Merkel. Ao menos vendendo o que resta da nossa soberania à Alemanha e tornando-nos mais um 'Land' votaríamos em quem realmente manda em nós e não nos seus feitores locais.


Transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias de hoje

O segundo dos dois únicos fados cantados Edmundo de Bettencourt que encontrei no youtube

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não é desacreditando o político que se defende a democracia

Quem não sabe é como quem não vê... ou a nossa incultura cívica

As palavras do Cardeal Patriarca sobre os políticos, cuja eventual venalidade generaliza, parecem-me não só excessivas -por generalizadoras- como infelizes.


Não é por elas que venho, ainda que ilustrem o que me preocupa e, mais uma vez, aqui me traz.


Antes do essencial, transcrevo o que diz Gérard Courtois, colunista de Le Monde (13/09/11), abordando, aliás, aquilo que tenho por básico.

Depois de assinalar o aumento, em França, da abstenção aos actos eleitorais (de 54% a 60%), alerta:


De que modo evitar que o combate político não surja aos olhos da maioria como um teatro de sombras, um jogo de falsários. À boca do palco, ouvem-se aparatosas tiradas acerca da “república intocável”, dos compromissos irrevogáveis, das virtudes orçamentais, do esforço de todos e juramentos de trabalhar para o bem comum. Nos bastidores, acontece a guerra sem mercê, em que os fins justificam todos os meios e todos os golpes baixos, desde que se trate de poder e dinheiro.”

Assinala Courtois o afastamento, a distância progressiva, entre os cidadãos e os políticos; acena à luta, sem escrúpulos pelo poder e pelo dinheiro.


E refere a França.

Lá como cá, sem dúvida, a corrupção tem minado a política, realmente e com frequência, tornada em comédia, em jogo, que acontece numa esfera alheia ao cidadão comum.


O que não quer dizer que, desde o 25 de Abril de 1974, todos os políticos tenham sujado as mãos e enchido os bolsos, com a sua actividade.

Aquilo que me preocupa é verificar o alarmante cavar e alargar de um fosso, entre cidadãos e políticos.


A França é um país de grandíssima tradição democrática e corrigirá, facilmente, o desvio.


Portugal renasceu para a democracia há 37 anos, saído de uma ditadura ancilosante e castradora, que durou quase 50 anos.


De uma ditadura que sonegou direitos cívicos e desenvolveu a ignorância.


País de gente pouco informada dos seus deveres e obrigações cívicas, do que possa ser um Contrato Social, um Estado, acontecer, nele, o divórcio dos cidadãos e da política é abrir a porta ao populismo, ao retrocesso, à desdemocratização do viver em comum.


Para o evitar, os partidos políticos deveriam ter presente essa realidade, essa situação muito grave.


Os seus lugares não podem ser à margem.


Os partidos não podem assumir-se como clubes nem escolas onde se conseguem carreiras rendosas e... elitistas.


Os seus deputados têm de conhecer quem os elege e debater com os eleitores as decisões a tomar –não pode ser deputado por um lugar quem nunca lá viveu ou, pura e simplesmente, o desconhece.


Os políticos têm de estar na rua, de encontrar as pessoas, de ouvir e responder -têm de se explicar.


As velhas “sessões de esclarecimento” deveriam ser recuperadas.


Elas ajudariam a diminuir a ignorância política do povo português.


Tudo isso recuperará a honra e a dignidade da política -que é, afinal, a discussão livre da organização da sociedade, a escolha e defesa de um contrato social.


O exercício da política é, há milhares de anos, a defesa da democracia, a defesa dos direitos e o cumprimento dos deveres dos cidadãos.


Da política sem mácula.


E o Cardeal Patriarca, generalizando a eventual desonestidade dos políticos, empurrou os cidadãos para a indiferença suicida:

para não quererem saber do governo, dos deputados... dos políticos... dos seus direitos e deveres...

...e entregarem a chave da casa a desconhecidos, eventualmente a vigaristas especializados no roubo, no autoritarismo, no abuso do mais fraco.

O crime da iniquidade, do abuso de poder e da corrupção

Confúcio, 551 a.C.-479 a.C.


Há 2500 anos, Confúcio sublinhava que os dirigentes não podem exigir ao povo que seja justo e honrado, se não vier deles, governantes, o exemplo.

Abre a tua semana com este belíssimo fado de Edmundo de Bettencourt


Apresentado, no youtube, por nadaniente 115

Para saber mais:

http://paginas.fe.up.pt/~fado/por/bettencourt.html

domingo, 25 de setembro de 2011

Hoje foi a última corrida de toiros na Praça Monumental de Barcelona -em boa hora, proibiu-se o martírio de animais indefesos

Touros felizes, nos prados da Catalunha

Um dia, o regresso?

Cesária Évora


A Véronique Mortaigne, jornalista de Le Monde de ontem, Cesária Évora confiou:

‘Sempre amei o palco, as digressões... Seria muito bom que eu voltasse um dia...”


Quem sabe?

Para as almas como a sua, não existe o fim.



P.S. Leio mesmo agora a notíca de que Cesária Évora sofreu, ontem, mais um AVC e se encontra internada no hospital, com prognóstico reservado.



É uma violência.



É a consequência da tristeza que sente, por abandonar a cena?



Repito: almas como a de Cesária Évora trazem a eternidade dentro.

Aos 70 anos Cesária Évora, por motivos de saúde, abandona a cena: a saudade será agora muito nossa



http://pt.wikipedia.org/wiki/Ces%C3%A1ria_%C3%89vora

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bom dia!

Vem aí a bengalada!

O pão e o pau


por Manuel António Pina

A propósito dos sacrifícios que o Governo vem impondo a trabalhadores, pensionistas, pobres e desempregados, Francisco Van Zeller, ex-patrão dos patrões, manifestou-se certo de que (disse-lho um passarinho) "não podemos evitar que haja manifestações na rua".


Se não "éramos um povo de molengas". "Já viu o ridículo que era este povo aceitar os sacrifícios e não ir para a rua, não fazer um desfile?" "Parecíamos parvos ou mortos."
Passos Coelho parece ter a mesma opinião e não acreditar que o Ministério da Caridade, por mais movimentos nacionais femininos que crie, resolva o assunto. Por isso, falando em Campo Maior no encerramento da "Festa do povo", deixou um solene aviso ao dito povo: "Pode haver quem se entusiasme com as redes sociais e com aquilo que vê lá fora, esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal", mas esses descobrirão "que também sabemos decidir".

E não foi preciso esperar muito para o ver "decidir": no Orçamento para 2012, o Ministério das polícias (vulgo da Administração Interna) é o único que, além de não sofrer cortes, será ainda reforçado com mais 400 milhões de euros. Parece, pois, que é com mais polícias e mais dinheiro para as polícias, que o Governo pensa resolver o problema de (citando fonte do executivo) "mais desemprego, mais carências e menos prestações sociais".


O povo é pobre e mal agradecido, sobretudo se lhe tiram o pão e, por isso, o melhor é preparar o pau.


transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje

O Prémio Nobel de Literatura de 2011





Aharon Appelfeld


O Prémio Nobel de Literatura está à porta –tal qual o mês de Outubro, altura em que a Academia Sueca o atribuirá.


O mundo literato, o mundo editorial faz contas.


Um pouco por todo o lado; mesmo aqui se agita a feira de prodígios, reforçada com a memória do que, em má hora, nos chegou e em má hora porque desperdiçado: havia nomes de autores superiores, na poesia e na prosa, os suecos optaram pelo medíocre em todos os géneros.


Entre nós, um colosso editorial não receia o ridículo e investe e alimenta, à maneira da engorda dos gansos, um neo-génio que, dizem eles, "limpa" o Nobel daqui a 20 anos...


O neo-génio ajuda e deixa-se fotografar com um olhar profundo. Promete.


Eu insistirei, este ano, para que seja um grande romancista israelita –um dos maiores romancistas do nosso tempo- a receber, justamente, o prémio: Aharon Appelfeld.


Já o referi, várias vezes, nos jornais e neste blog.


E podes ler a sua única obra traduzida para o português, Fragmentos de uma vida, Civilização Editora.


Junto o link que to mostrará ao pormenor:




quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os Pink Floyd regressam com 14 albuns em CD Collectors (EMI)



Perenidade ou nostalgia?

Júlio Resende, um Dom Quixote, em terra pasmada

Dom Quixote e Sancho Pança, de Júlio Resende (23 de Outubro de 1917-21 de Setembro de 2011)

O governo confirma que os trabalhadores não passam de roscas da grande máquina da produção

Ai de ti se não moeres bem!


"Governo quer despedir por quebra de produtividade


A introdução de uma nova modalidade de despedimento por inadaptação, em estudo, irá permitir o despedimento com justa causa dos trabalhadores cuja prestação decresça em termos de produtividade ou de qualidade."


in Jornal de Notícias de hoje

A vaca que ri



Finalmente falou


por Manuel António Pina


Muitos criticavam o presidente da República (PR) por não dizer nada sobre os buracos postos a descoberto nas contas da Madeira, agravando os défices de 2008, 2009 e 2010 e a factura dos "sacrifícios" impostos aos portugueses (o PR aparentava ser o único português sem coisa nenhuma a dizer sobre o assunto).


O caso afigurava-se ainda mais estranho considerando o memorável dia em que o PR interrompeu umas merecidas férias no Algarve para falar ao país do ingente problema de um artigo do Estatuto dos Açores.


Afinal, o PR só aguardava o momento propício para dizer de sua justiça. E o momento chegou ontem (nos Açores, onde haveria de ser?). O país ficou a saber o que o PR pensa não só sobre a Madeira mas também sobre os demais problemas que afligem os portugueses e mantêm o país em estado de alerta laranja: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante".


Trata-se de uma tomada de posição enigmática mas que, devidamente decifrada, decerto tranquilizará os portugueses: quem sabe se "vacas" não será uma metáfora de "mercados" e se o "pasto que começava a ficar verdejante" não significará a diminuição do défice ou que o ministro Álvaro irá finalmente aparecer numa manhã de nevoeiro?


Ganha assim sentido o misterioso conceito de "magistratura activa" que Cavaco não se cansou de prometer aos portugueses durante a sua campanha eleitoral.


transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias de hoje

A farsa dos homens castrados

Óleo de Van Gogh


Neste tempo morto, em que nada vibra e os homens levam às costas o quotidiano vazio e sem sentido,


no deserto dos dias gelados,


nesta comédia trágica que enterra a alma e de todos faz bonecos sós, robertos remendados,


nesta impostura,


vieram ter comigo os versos de Henri Michaux:


“Se não ardermos, quem iluminará a noite?”


É urgente reconquistar a aventura!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma voz de África




Para saber mais:


O abandono dos valores morais e religiosos

'O Espólio de Cristo' 1577-1579, El Greco: o se lhe fariam, se Ele voltasse?



Estes são os dois primeiros parágrafos da Editorial do Le Monde, "Na Europa, ameaça pesada para os mais pobres", de hoje, cujo link te deixo abaixo.


Repara no seguinte: a origem do Estado Providência enraíza nos partidos sociais-democratas e democratas-cristãos, do após guerra. Hoje o assalto ao Estado Providência, conduzido pela vaga brutal do capitalismo selvagem, envolve movimentos político-sociais que se auto-declaram sociais-democratas e cristãos-democratas.


Adianto ainda (fundamental): aquilo que estará em jogo, no próximo dia 20, em Bruxelas, iniciativa da Alemanha, será a extinção da assistência de meio milhão de euros assegurada pela EU às associações que garantem refeições aos mais pobres... aos miserávei... aos esfomeados e sem casa...


Que diria Cristo desses Judas?



“A Europa orgulha-se -sem razão, muitas vezes- de dispor de um ‘modelo social’ particular. Neste dias em que o capitalismo se tornou no sistema económico dominante, a União Europeia (EU) seria um caso à parte: uma zona onde o Estado Providência, mais desenvolvido do que noutros espaços, humanizaria a lei do mercado.



Era o ideal nacional dos países do Velho Continente que originaram a integração europeia, da Alemanha à Itália, passando pela França e Benelux [Bélgica, Holanda e Luxemburgo]. Era o credo dos partidos sociais-democratas e democratas-cristãos, que, à saída da guerra, quiseram construir uma Europa à sua semelhança."



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um pintor de Veneza: Umberto Sartory

Obra de Umberto Sartory, Museo Nuovo Rinascimento, Veneza

A morte da árvore



Está dito e redito, provado e contraprovado, que o regime pluvial duma região é condicionado acima de tudo pela sua arborização. Mas não é tudo. A árvore com o seu reticulado subterrâneo reprime a água, disciplina-a de modo que, mercê da sua acção moderadora, nem estalam as madres das nascentes que arrasam os campos, nem os rios correm a monte levando pontigos e alpodras. A árvore, além de condensador ideal, é um repartidor exímio (...). Ora estes derradeiros tempos tem-se desarborizado desalmadamente sem rei nem roque. Oiteiros, outrora vestidos do verde movediço e espumoso dos bosques, estão hoje hediondamente nus. A falta de combustíveis por um lado, aa construção intensiva por outro, levou ao despovoamento das matas. Em breve os castanheiros serão tão raros como na fauna marítima o é a baleia, e os velhos pinheiros, donde era grato ouvir as rolas, e os carvalhos, onde pousavam os gerifaltes ufanos, são derrubados para sulipas e aplicações rendosas.


(...) O homem de hoje procede como se o mundo acabasse amanhã. Quão longe em seu ânimo daquele felá que aos cem anos andava a plantar árvores, com espanto do califa! A Lusitânia devia ter sido uma bela terra, habitada por gente ágil, esperta, valente e formosa, quando era floresta pegada desde o Minho ao Algarve. Hoje o que se vê são narizes tortos, os semblantes da vil tristeza.”


Aquilino Ribeiro, in Aldeia, Terra, Gente e Bichos, 1946

domingo, 18 de setembro de 2011

Alternativa socialista

Recusar compromissos que nos enterram



Uma opção que deve considerar-se desde já e não quando o país estiver definitivamente de rastos.



“Definitivamente”, nunca estará, mas tudo indica que aponta ao estado comatoso.



O Partido Socialista, toda a esquerda socialista, deve assumir-se como alternativa e

definir a meta à qual pretende chegar.


As palavras que transcrevo são de Martine Aubry, candidata à presidência da república francesa e secretária-geral do Partido Socialista cujo triunfo eleitoral se prevê.



Estas palavras, lúcidas, directas, pertinentíssimas, dizem claramente o que se espera dos socialistas:




“Verdadeira mudança, nenhum acordo, nenhum apoio e muito menos a adaptação à política que falha e ao sistema que se desmorona.”

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A Europa muda

Não ao crime organizado!


"A esquerda recupera o poder na Dinamarca, dez anos depois"


dos jornais


Depois da Noruega e, ao que tudo indica, antes da França, daqui a meia dúzia de meses, a esquerda ganha eleições na Europa.


Não admira: a direita e a crise do neo-liberalismo chegaram ao limite do insuportável –e a maioria esmagadora dos cidadãos, que paga os erros de uma política selvagem de exploração do homem e destruição do Estado Social, recusa.


A Europa muda. O mundo muda.


Estancar a sangria a que estamos sujeitos, depende da nossa vontade.


E da nossa consciência.


E, também, da nossa cultura cívica –é certo...

Nós e o ambiente em que vivemos



¿Sirven de verdad los pequeños gestos para ahorrar energía?


por Clemente Álvarez

Se suele decir que en medio ambiente cualquier gesto cuenta, por pequeño que sea.


Pero, al margen de buenas intenciones, la pregunta es: ¿merece de verdad la pena preocuparse por acciones que suponen consumos de energía muy reducidos? En los comentarios de uno de los últimos posts, algunos lectores consideraban exagerado un estudio llevado a cabo en Francia para medir el impacto de enviar un correo electrónico, realizar una búsqueda en Internet o utilizar un pendrive. ¿Estamos perdiendo el tiempo con lo superficial mientras se nos escapa lo realmente importante?


Para responder a esta cuestión empiezo por llamar a la institución francesa que encargó la investigación sobre el correo electrónico. “Parece que todo contamina, que todo tiene un impacto… Pues sí, es cierto. Vivimos en una sociedad que consume energía para todo, por eso hay que prestar atención a nuestros gestos”, asegura Pierre Galio, uno de los responsables de la Agencia del Medio Ambiente y Control de la Energía (Ademe) de Francia. Una de las conclusiones de aquel estudio era que enviar un email desde un ordenador en Francia(1) a un único destinatario y 1 mega de peso implica emitir unos 19 gramos de CO2. ¿Una cantidad muy pequeña? Por comparar, un coche moderno vendido en el año 2010 en Europa emite de media unos 140,3 gramos de CO2 en un solo kilómetro. Es decir, que para que saliesen por el tubo de escape 19 gramos bastaría que sus ruedas recorriesen 135 metros.


En el libro 'Energía sostenible - Sin palabrería' ('Sustainable Energy-Without the Hot Air'), el profesor de la Universidad de Cambridge David MacKay analiza el gasto de dejarse enchufado un cargador de móvil un día entero. Según ironiza el autor, esta conducta se considera a menudo como delictiva (pues una vez completa la batería del teléfono o cuando no hay teléfono, el cargador enchufado sigue consumiendo electricidad de forma inútil). Sin embargo, asegura que la realidad es que uno de estos aparatos gasta solo 0,01 kilovatios hora (kWh) al día, tanto “como la energía que se consume al conducir un coche normal durante un segundo”. MacKay no pretende que la gente deje de desenchufar los cargadores, pero cree que los pequeños gestos no sirven de mucho. “Obsesionarse con desenchufar el cargador es como achicar el Titanic con una cucharilla”.

Volvamos al estudio del correo electrónico: Para Galio, “aunque el impacto unitario de enviar un e-mail puede parecer ridículo, cuando se multiplica por decenas de correos todos los días el gasto de energía o las emisiones son ya muy superiores”. En concreto, como explica este ingeniero, el estudio estima que todos los correos enviados por un empleado francés(2) al cabo de un año suponen unos 137 kilos de CO2, una cantidad que no está ya tan lejos de los cerca de 190 kilos que emitiría el coche de antes si se condujese de Madrid a París para conocer en persona a Galio. Y todavía aumenta mucho más si se multiplica por todos los empleados de una oficina. El propósito no es, desde luego, que se dejen de enviar emails, pero el ingeniero francés incide en que el estudio realizado demuestra que sí se puede reducir el impacto prestando atención al peso de los correos, limitando el número de destinatarios o borrando de forma regular los mensajes. “No hay que volver a las cavernas, con el fuego, pero podemos actuar en nuestra vida cotidiana de forma responsable sin que suponga un fastidio enorme”.


¿Cuál de los dos expertos tiene razón? Aunque sea con una cucharilla, es cierto que se pueden conseguir ahorros significativos cuando el gesto se repite miles o millones de veces (así lo cree un directivo de Nokia sobre los cargadores de móvil que se dejan enchufados). Pero, también hay que ser conscientes de dónde se producen los mayores consumos de energía. “Resulta evidente que no tiene nada que ver el ahorro de poner una bombilla de bajo consumo con lo que gasta el coger un avión a las Bahamas”, incide el representante de Ademe. “Es importante empezar con los pequeños gestos, pero sin olvidar que las verdaderas claves son el transporte (el coche y el avión), el aislamiento de las viviendas y, en tercer puesto, los equipos de la casa: el frigorífico, la televisión, el ordenador…”.


Otro ejemplo llamativo: Una lavadora eficiente puede gastar 1 kWh en cada ciclo de lavado, bastante menos que otra que no lo sea. Sin embargo, ese ahorro se queda en nada cuando se compara con la energía que hizo falta para construir la vivienda donde va a enchufarse el electrodoméstico. Como ha estimado Alfonso Aranda, del Centro de Investigación de Recursos y Consumos Energéticos (CIRCE) de la Universidad de Zaragoza, mientras que el consumo anual de la lavadora puede ser de unos 150 kWh, para construir el simple metro cuadrado de vivienda donde se ponga el electrodoméstico se habrá utilizado el equivalente a gastar 192 kWh anuales en cada uno de los 50 años que se estima que puede durar la vida del edificio. “La mejora en eficiencia de la lavadora se queda en muy poco cuando se compara con los consumos grandes de energía, hay que replantearse el sistema”, incide Aranda, que no por ello cree que haya que dejar de intentar reducir el gasto de los electrodomésticos.


Según el Instituto para la Diversificación y Ahorro de la Energía (IDAE), las familias españolas suponen cerca del 30% del consumo energético total del país, un 18% se va en la vivienda (en calefacción y equipamiento) y un 12% en el coche privado. Parece claro que una forma de conseguir ahorros realmente importantes es dejar el automóvil en casa y utilizar otros medios de transporte. Ahora bien, ¿acaso este no es también un pequeño gesto si se compara con todos los automóviles del país, de China o de todo el mundo?


“Para interpretar bien cada cosa hay que dar con la escala adecuada”, incide el socioecólogo Ramón Folch, que habla del síndrome de la insignificancia: “Ninguno de nosotros por más que se esfuerce puede el solo condicionar nada, pero el todo es la suma de todas estas nadas”. Como explica, esta es una cuestión curiosa que proporciona "una coartada para no actuar”, pues ya sea desenchufando un cargador, cambiando bombillas o incluso dejando de usar el coche, una persona sola no va a cambiar la realidad. Eso sí, la realidad final será la suma de todos los gestos de cada uno.


Según Folch, resulta relativamente fácil actuar sobre las emisiones de dióxido de carbono de la gran industria cementera. En cambio, la contaminación difusa que generamos todos y cada uno de nosotros es muy difícil de controlar. Eso sí, convenientemente integrada la contaminación de las personas da un sumatorio mucho mayor que el de las cementeras. El socioecólogo catalán considera que hacen falta grandes gestos en forma de políticas que hagan actuar a todo el mundo en una misma dirección, pero luego hay que traducir esto a escala de una persona. “El gran gesto sin su implementación en forma de pequeños gestos se queda como una consigna vacía”, incide. “Me resultan incómodas esas posiciones que sólo pretenden encontrar las soluciones a una única escala: hay que buscar la transversalidad entre las distintas escalas, colocando cada cosa al nivel que le corresponde”.


¿Y no son estos pequeños gestos un incordio que nos amargan la vida? “Se considera que la menor limitación es una privación de libertad. Es como si se dijera que las leyes son una limitación que nos impide vivir con libertad, en lugar de un sistema de valores que nos permite vivir juntos”, incide el representante de la agencia de estado francesa Ademe. “El problema es que en nuestra sociedad no hay límites de consumo, no hay límites de comportamiento. Los cambios de hábitos son difíciles, pero cuando se convierten en una costumbre se vuelven algo natural. Los pequeños gestos son un comienzo”.


(1) Para realizar los cálculos, el estudio tiene en cuenta el mix energético de Francia (con más de un 80% de energía nuclear) para el gasto del ordenador y una media del mix energético mundial para el gasto de los centros de datos que intervienen en el proceso. Esta estimación no vale para otros países con un mix energético diferente. En el caso de España, se supone que la cantidad de CO2 sería mayor.


(2) El estudio de Ademe estima que cada empleado francés envía al día una media de 33 correos de 1 mega de peso. Esto al cabo de un año (en 220 días de trabajo) supondría 137 kilos de CO2. Y multiplicado por cien empleados de una oficina implicaría más de 13 toneladas de CO2.


transcrito, com a devida vénia, de El País de 15/09/11

A crise da direita

O barco está a ir ao fundo


Num excelente artigo, “Aqueles que já não acreditam...”, publicado em Le nouvel Observateur desta semana, Jean-Claude Guillebaud chama a atenção para a crise de consciência direitista, que começa a transpirar.


E cita dois textos, assinados por comentaristas conservadores.


O primeiro, de Claude Imbert, no semanário centrista Le Point:


os ricos dirigem um sistema mundial que lhes permite acumular capital e pagar o trabalho o mais barato possível, sendo os únicos a aproveitarem-se disso”.


O segundo, no prestigioso Le Figaro, assinado por Etienne Mougeotte, para quem, diante da crise, “[o conservadorismo dominante] aplica-se, sobretudo, a perpetuar um sistema que faz o jogo dos poderosos, multiplicando os planos de salvação e sem poder injectar nem inteligência, nem sentido”.


Cita, ainda, Guillebaud, o londrino Daily Telegraph, conectado à direita, onde Charles Moore desabafa:


precisei de trinta anos de jornalismo para me interrogar: e se, apesar de tudo, a esquerda tivesse razão?”


Esta mea culpa ou rebate de consciência conservador é um sinal positivo: há quem repense as situações aparentemente adquiridas (aparentemente, porque na corda bamba...) e tenda a reconhecer a injustiça delas.


Depois, e de certo modo, reconforta: ideias e desonestidade não coincidem, necessariamente.


O que abre as janelas a um diálogo, que é urgente e indispensável.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Virar costas ao que está a dar..., ir fundo dentro de nós

Longe da multidão que cega...


"Valéry, Proust, Suarès, Claudel e eu próprio, diferentes que fossemos uns dos outros, quando tento saber o motivo que levará a considerarem-nos aparentados, diria, membros da mesma família, creio que é o imenso desprezo que tínhamos pela actualidade.”

André Gide, in Journal, 19 de Janeiro de 1948

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Teatro Municipal da Guarda apresenta Domingo próximo, dia 18, às 21 horas, esta grande cantora israelita



Para saberes mais:

http://en.wikipedia.org/wiki/Mor_Karbasi

e

http://teatromunicipaldaguarda.blogspot.com/

A dívida




Dette et croissance : la quadrature du cercle

On ne reprochera pas aux ministres des finances du groupe des sept vieilles puissances industrielles (le G7), réunis le week-end dernier à Marseille, d'avoir été francs : ils ne comprennent pas les marchés. Ils ne s'expliquent pas les paniques qui saisissent les investisseurs et les conduisent, en dehors de toute rationalité, à faire plonger les Bourses.


La question sera pourtant à nouveau au coeur des réflexions de l'Ecofin, l'assemblée des 27 grands argentiers européens, vendredi 16 septembre en Pologne, à laquelle participera Timothy Geithner, le secrétaire américain au Trésor.



Quel discours pourrait bien redonner un minimum de confiance aux agents économiques - investisseurs et consommateurs ? Quel est le cocktail de politique conjoncturelle de nature à nous éviter de retomber dans la récession ? Personne ne semble avoir de joker dans la manche.



Le moral quelque peu en berne en cette rentrée déprimante, on se consolera en disant du mal des professionnels. Ceux qui devraient nous éclairer, les économistes, ne nous aident guère.



Il y a quelques mois, la priorité était à l'austérité budgétaire. Ce qui plombe la croissance, nous disaient les économistes, c'est la dette. La montagne de dettes souveraines accumulées au Nord (Etats-Unis et Europe, pour ne pas parler du Japon), voilà l'ennemi.



D'où les programmes draconiens d'assainissement des finances publiques adoptés de part et d'autre de l'Atlantique. A juste titre. Car, dans bien des cas, le coût du financement de ces dettes publiques était en passe d'étouffer les économies concernées.



Mais la majorité des économistes - les néo-keynésiens comme les libéraux les plus orthodoxes - tient aujourd'hui un autre discours : on est allé trop loin dans l'austérité. Face aux pressions récessionnistes, il faut faire de la relance.



Les taux d'intérêt étant déjà très bas, l'arme monétaire est passablement émoussée. Reste la dépense publique. Mais là, comme devant la mort ou la maladie, nous ne sommes pas à égalité : les Etats-Unis ont des marges que l'Europe n'a pas.



Pour lancer un programme de soutien à l'emploi, comme vient de le faire Barack Obama, l'Etat fédéral peut emprunter à bon prix. La confiance dans le dollar est telle qu'il place ses bons du Trésor plus facilement que jamais - moins de 2 % de taux d'intérêt sur des obligations publiques à 10 ans.



Tout se passe comme si les marchés se fichaient éperdument de la dégradation cet été de la note de la dette américaine. Banques centrales et investisseurs privés veulent du dollar. C'est peut-être irrationnel, injuste, mais c'est ainsi.



En Europe, seul le Trésor allemand emprunte à si bon compte. Ailleurs, le poids de la dette rend l'emprunt onéreux, donc l'investissement public hors de prix. C'est notamment le cas en France : ne peut être keynésien qui veut...



Pourtant, l'Ecofin devra s'efforcer d'esquisser ce qui manque tant - et pour cause - dans le paysage économique d'aujourd'hui : une stratégie de réduction de la dette à long terme qui laisse des marges de relance à court terme. Et là, toutes les bonnes idées sont bienvenues.



transcrito, com a devida vénia, de Le Monde de 14/09/11

Portugal moderno!

in Público de hoje

Quando escrever não é malabarismo e vaidade


“Julgo que não se deve escrever senão quando o que queremos comunicar é tão forte que não nos deixa em paz até o expressarmos. Todos os outros motivos (a vaidade e, sobretudo, o repugnante desejo de dinheiro)... destroem a sinceridade e a dignidade da escrita.”


Tolstoi, em carta a Leónidas Andreiev, de Novembro de 1907

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O mundo que vamos construindo...

El Roto, in El país de hoje

A Alemanha que ponha a bandeira a meio haste por pecado: é responsável pelo holocausto e por 6 milhões de mortos

Vala comum, no campo de extermínio de Belsen


"Países pecadores"


por Manuel António Pina


O meu amor pela língua alemã, berço, dir-se-ia "natural", de pensamento filosófico, e pelos poetas de língua alemã, e pela música "de língua alemã" (pois à linguagem da música talvez não seja indiferente o Ser da própria língua), fazem-me recalcar aspectos mais sombrios da cultura (isto é, da língua) alemã que, como vulcões adormecidos, não raro se manifestam sob a forma de barbárie.


Celan, que perdeu pais, família e amigos nos campos de extermínio (onde ele próprio sofreu durante anos, sujeito a todo o tipo de violências) , optou - mesmo dominando outras línguas, designadamente o yidiche, mas também o romeno, o russo, o francês, o inglês, até o português - por escrever a sua poesia atravessando desesperadamente a "escuridão assassina" da língua dos torcionários e procurando encontrar nela a perdida luz da língua de sua mãe.


É nas vertentes mais obscuras e sinistras da língua alemã que bebe a língua que fala o comissário europeu para a Energia, o alemão (do partido de Merkel) Guenther Oettinger que, em entrevista ao "Bild", propôs um "castigo" para os países com défice excessivo: a colocação das "bandeiras dos países pecadores a meia haste nas fachadas dos edifícios comunitários". "Países pecadores": a religião da usura evoca hoje perigosamente pecados mortais (que só Oettinger parece ter esquecido) da Alemanha pelos quais a sua bandeira haveria que ficar a meia haste durante muitos séculos.


transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 12709/11

domingo, 11 de setembro de 2011

Diz uma personagem de Anton Tchekhov...

Anton Tchekhov


O que me desagrada nos de hoje é cederem facilmente à influência dos escritores contemporâneos, muitas vezes medíocres, e serem-lhes indiferentes os clássicos, Shakespeare, Marco Aurélio, Epicteto ou Pascal...

...a independência, o sentimento da liberdade e da iniciativa pessoal são indispensáveis quer no domínio das ciências, quer no domínio das artes...”


in Uma história banal

Um pintor a viajar por dentro

sábado, 10 de setembro de 2011

O incomensurável amor



A riqueza, a profundidade dos Evangelhos! Que figura extraordinária, Cristo! Ou que formidáveis contadores, os narradores da sua vida! Que bela a tradução de Jean Grosjean, na Pléiade. Os Evangelhos são quatro discursos diferentes, o mais singelo e, por isso, essencial, o de Marcos.


João, águia do infinito.



Diz: “Ninguém tem maior amor que este, dar a sua vida pelos seus amigos.”

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O caminho

'Outono', 18761990, Arkhip Kuinj


Atravesso a vida como quem atravessa a noite, onde brilha o sol e tantas estrelas. Na incerteza do escuro e a agarrar cada bocadinho de luz, que acende e apaga. Volta sempre.

À atenção dos contribuintes




A prepotência dos poderosos, o assalto à Grécia ou o roubo descarado

É fartar vilanagem!


"Pecado contra a natureza"


por Manuel António Pina


Chama-se crime de usura ("pecado contra a natureza", como diz Pound): "Quem, com intenção de alcançar um benefício patrimonial (...), explorando situação de necessidade (...) fizer com que [o devedor] se obrigue a conceder ou prometa (...) vantagem pecuniária (...) manifestamente desproporcionada (...) é punido com pena de prisão até 5 anos (...) se fizer da usura modo de vida".


Em todas as legislações penais da UE existem normas semelhantes. E algo está mal quando comportamentos ética e criminalmente punidos tratando-se de comuns cidadãos deixam de o ser no caso de grandes usurários internacionais que "fazem da usura modo de vida" e dos seus cúmplices em instituições e governos europeus, e quando o devedor é, não apenas um, mas todos os cidadãos de um Estado.


Os juros exigidos à Grécia já vão em 94,59% (!) nas obrigações a um ano. É mais que usura, é terrorismo financeiro.


Pound previu dolorosamente a decadência civilizacional de uma Europa entregue a usurários: "Pietro Lombardo/ não veio via usura./ Duccio não veio via usura/ Nem Pier della Francesca; Zuan Bellini não pela usura/ nem foi pintada "La Calunnia" assim./ (...)/ Não veio igreja alguma de pedra talhada/ com a incisão: "Adamo me fecit"./ Nem via usura St Trophine/ Nem via usura Saint Hilaire/(...)/ O azul é necrosado pela usura/.../ A usura mata o filho nas entranhas. /(...)/ Cadáveres dispostos no banquete/ Às ordens da usura".


transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 09/09/11

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

É preciso ter asas para viver em verdade

“De quantos homens não se poderá pensar que é a sua mediocridade que os leva a ser sensatos!”


André Gide, in Diário, 16 de Julho de 1944

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Os tropeços de um governo incerto... que dão vontade de rir!



Faça feliz o seu médico


por Manuel António Pina


Joana Lopes dá, em entreasbrumasdamemoria.blogspot.com, uma boa ideia, inspirada na sempre inspiradora dra. Manuela Ferreira Leite que, no "Expresso", viu o óbvio ululante que só o esforçado (e "competente", dizem eles) ministro das Finanças não viu: com o fim das deduções de despesas de saúde no IRS, para que é que havemos de pedir recibos?, e, visto que, não exigindo nós recibo de, por exemplo, uma consulta médica, o médico poderá poupar em IRS e IVA mais de 50%, porque não pedir-lhe um desconto?, ou, no caso de pessoas tímidas como eu, ficar-se apenas por uma gentileza no momento do pagamento: "Não, Sr. Dr., não passe recibo, para que quero eu o recibo?".


Não sou dado a assinar petições mas assinaria uma apelando à desobediência civil (já que há muito perdi também o hábito dos "tumultos" de rua, como Passos Coelho diz) intitulada: "Não peça recibo ao seu querido médico. Você não ganha nada com isso, e ele ficará mais feliz".


Talvez, quem sabe?, quando chegar ao Ministério das Finanças a conta da receita fiscal, o dr. Vítor Gaspar descubra (ele e o primeiro-ministro, que já consegue vislumbrar o "princípio do fim da crise" em 2012 mas não vê o que tem debaixo dos olhos) que o que entrou pela porta do fim das deduções de despesas de saúde saiu, multiplicado, pela janela da evasão fiscal.


(Agora, antes que ler poesia seja tributado, vou continuar a ler "Punto cero", de José Ángel Valente).


transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias de 06/09/11

António Nobre visto por Mário de Sá-Carneiro

António Nobre


ANTO

Caprichos de lilás, febres esguias,
Enlevos de Ópio –Íris-abandono...
Saudades de luar, timbres de Outono...
Cristal de essências langues, fugidias...

O pajem débil das ternuras de cetim,
O friorento das carícias magoadas;
O príncipe das Ilhas transtornadas-
Senhor feudal das Torres de marfim...

Lisboa 1915 –fevereiro 14

domingo, 4 de setembro de 2011

O inaceitável





Ordem para morrer


por Manuel António Pina

O que, para além de toda a tagarelice justificativa, resulta das anunciadas medidas de redução da despesa (ainda apenas "planos"; "realizações" são, para já, a nomeação de centenas de 'boys' e dezenas de "grupos de trabalho", 11 só à conta de Relvas, três deles para o futebol) é que ou Passos e Portas não faziam a mínima ideia do que falavam quando criticavam as "gorduras" do Estado ou mentiam deliberadamente quando se atiravam como gatos a bofes contra Sócrates por aumentar os impostos (um e outro preocupavam-se então muito com as "famílias").


Andaram anos a chamar mentiroso e "Pinóquio" a Sócrates porque as suas políticas não coincidiam com as suas promessas e, em dois meses, não têm feito outra coisa senão desdizer-se. A solução que tinham na manga era, afinal, o empobrecimento geral (geral?, não: uma pequena aldeia de 25 magníficos continua a enriquecer escandalosamente à custa desse empobrecimento).


Agora, aos trabalhadores (Amorim excluído), pobres e pensionistas, juntam-se os doentes no lote dos "todos" a quem Passos e Portas cobram a factura da crise. No caso dos doentes, pagando com própria vida se for o caso: os responsáveis nacionais pelo programa de transplantações demitiram-se sexta-feira revelando que os cortes na Saúde "não respeitam a vida humana" e vão "matar pessoas". Não me parece que Paulo Macedo se preocupe com isso: trata-se de doentes crónicos, que só dão despesa...


transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 05/09/11

Protesta!| Diz que não! E tem a seguinte certeza, se os ricos querem pagar impostos é porque têm medo que a casa lhes vá abaixo




Fala Barreto

O conselheiro Acácio deste dias...


"Universidade de Verão do PSD


António Barreto defende nova Constituição aprovada com referendo popular"


in Público de hoje


E está tudo dito... o bicho que é. Olho no tacho. No cifrão.

Lá vai mais outro...

E no mundo de chacais que é o futebol, lá vai, para a Roménia, o que é o melhor guarda-redes de nacionalidade portuguesa... Razão terá o Carvalho que os mandou... para o sítio...

Fala a língua que aprendeste no berço!

A nossa língua!


Vou partilhar a entrevista de Edite Estrela, no Diário de Notícias.


Diz coisas muito verdadeiras.


E, mais uma vez, vou escrever: recuso o “Acordo (quem é que acordou?!) Ortográfico”.


A minha língua é a que me faz falar: comigo e com os outros.


Nem a Inglaterra, nem a França, nem a Espanha (haverá mais) cederam, adaptando a língua a outros povos que a falam.


Se o fizermos, perde-se a raiz.


E é mau para todos: para nós e para os outros.


Sou de Sá de Miranda; de Manuel Bernardes, de Camilo; de António Nobre; de João de Deus; de Aquilino; de Tomaz de Figueiredo; de Afonso Duarte, de Irene Lisboa, de Eugénio de Andrade, de Agustina, de Alexandre O’Neill –dos que me ensinaram a minha língua.


Repito: só morto é que me roubam a língua!

E tudo porque meia dúzia de catatuas e catateus andaram a “pensar” pelas "universidades"...


NÃO!



O autor de "Indignai-vos!" foi a Madrid falar com os que não amocham

STÉPHANE HESSEL


por Karmentxu Marín


Pregunta. Tras ¡Indignaos!, presenta ahora ¡Comprometeos! Está todo el tiempo poniéndonos deberes.


Respuesta. Eso es. Soy un viejo profesor, he vivido mucho tiempo y muchas experiencias, e intento decir a los jóvenes: sed valientes, tened confianza en vosotros mismos, no os preocupéis de esos Gobiernos que pueden hacer tonterías. Tenéis que decirles qué necesitáis realmente. Es lo que ustedes han hecho con su hermoso movimiento del 15-M.

P. Tiene una biografía de Resistencia, campos de concentración, lucha por los derechos humanos. ¿De niño ya era peleón?


R. Fui muy peleón hasta los cuatro años. Entonces tuve una gobernanta que me dijo: "Pequeño, la cólera es mala. Lo importante es que intentes ser seductor". Me pareció una buena idea.

P. ¿Ensayó sobre todo con las mujeres?


R. Cuando podía, pero alguna vez no funcionó. Intenté hacer la corte a una jovencita en el colegio y le mandé una nota. Nota que circuló por toda la clase y que me dejó en ridículo. A partir de entonces tuve mucho cuidado con enviar billetitos.

P. ¿Y ahora con quién lo intenta?


R. Hoy día intento seducir a los periodistas.

P. Pues empezamos bien.

R. Sí, porque los periodistas son los mejores embajadores del pensamiento. Los necesitamos.

P. ¿A qué edad empezó a indignarse?


R. Muy pronto. Pero, sobre todo, después de haber trabajado en la Declaración Universal de los Derechos Humanos, de 1945 a 1948. Cada vez que los derechos humanos son violados, como, por ejemplo, por el actual Gobierno de Israel, o cuando el señor Sarkozy hace cosas que no me gustan. Pero cuando vengo a España no puedo indignarme, porque es un hermoso país.

P. Si aquí lo ve todo ideal, es que no mira mucho.


R. Quizá no todo. Los jóvenes me dicen que hay cosas que no van, y si lo dicen ellos, les creo. Pero estoy seguro de que hay personas valientes que dicen que las cosas tienen que ir mejor. Yo estoy con ellos.

P. ¿Qué quería ser de niño, banquero?


R. Banquero, jamás. Filósofo. Solo el pensamiento. Pero después de la guerra mi profesor de Filosofía me dijo que tenía que comprometerme. Y me hice diplomático.

P. Pues es una profesión de mucha cara de póquer. No le habrá servido de entrenamiento para indignarse.


R. Justamente la diplomacia es perfecta para indignarse sin romper nada. Está bien indignarse, pero que no hay que convertirse en violento. Hay que negociar, ser mediador. Es lo que más me gusta.

P. ¿Y no se divirtió más luego de espía?

R. Fui espía durante la guerra, a favor de los Aliados. De entonces me queda un hermoso recuerdo de solidaridad con quienes corrían los mismos peligros que yo, y un recuerdo muy malo, porque aquello terminó con mi detención por la Gestapo.

P. Nada parecido a 007, que siempre gana.

R. Yo también gané, porque estoy aquí hablando con usted [ríe].

P. ¿Qué país le produce más indignación?


R. Actualmente, Israel. Es un país que amo, pero estoy muy irritado contra su Gobierno.

P. Esperanza Aguirre compara la Puerta del Sol con la Bastilla. ¿Ve usted a España mismamente al borde de la Revolución Francesa?


R. No. Por el contrario, estoy muy impresionado por la forma en que se comportan estos jóvenes indignados. No son violentos, sino pacíficos. No hacen la revolución. Quieren la democracia. Y eso me gusta.

P. ¿Hay que indignarse con el Papa?


R. El Papa es una gran figura respetable, pero da indicaciones peligrosas sobre la forma de comportarse: contra el aborto, contra los anticonceptivos... Yo no soy creyente, y los dioses que amo son los griegos, como Afrodita y Apolo.

P. ¿La recaudación de sus millones de ejemplares vendidos le servirá para indignarse menos?


R. No he ganado dinero. He renunciado a los derechos de autor. Todo el dinero ha ido a los editores, y para Indigène, mi maravillosa editorial francesa. Soy embajador de Francia, un bonito título, y eso me da una pensión suficiente. Cuanto menos dinero tengo, más tranquilo me siento.

P. A sus casi 94 años ¿cuáles son los placeres de la vida?


R. Primero, el amor y luego, la admiración. Me gusta mucho encontrar a jóvenes y a mujeres que hacen cosas y a las que admiro. Y me gustan las grandes ciudades: Barcelona, Madrid, una pequeña estancia que tuve en Toledo. Amo la vida, las mujeres y las ciudades.

PERFIL


Tiene casi 94 años y tres hijos, ha visitado esta semana España por cuarta vez, para presentar su nuevo libro, y está encantado con su reencuentro con algunos jóvenes del 15-M. Le gusta el cine, el mar y la natación, deporte que aún practica. Dice que necesita la ironía para protegerse de tomarse demasiado en serio. Y confiesa que, en el terreno gastronómico, solo se pierde por los buenos vinos y los buenos postres.