segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
domingo, 30 de dezembro de 2012
Uma mulher extraordinária
Rita Levi-Montalcino (1909-2012)
Lúcida até à morte, Rita
Levi-Montalcini, Prémio Nobel da Medicina, em 1986, foi, com certeza, das personalidades mais importantes do
nosso tempo.
Honra à sua memória.
Notícia e perfil:
http://www.corriere.it/cronache/12_dicembre_30/addio-a-rita-levi-montalcini_85411536-528a-11e2-90d5-1b539b66307f.shtml
Notícia e perfil:
http://www.corriere.it/cronache/12_dicembre_30/addio-a-rita-levi-montalcini_85411536-528a-11e2-90d5-1b539b66307f.shtml
A verdade é de oiro
"Jesus expulsando os vendilhões do templo", c. 1570, óleo de El Greco (Natinal Gallery, Londres)
“Muitas
vezes, quando a verdade é mais desagradável de ouvir e nos arriscamos a encontrar
fortíssima oposição –é que é necessário e útil dizê-la.”
sábado, 29 de dezembro de 2012
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
O melhor escritor português de 2012
Naturalmente, Camilo Castelo Branco com o seu "Amor de Perdição", que completou, em 2012, 150 anos de existência
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
2013
Será difícil que te encontres a meio desta massa despersonalizada e a caminho do matadouro chamado mercado...
Daqui a cinco noites, chega o novo ano: 2013.
Passando por cima do
danado número 13 e absolvendo-o do mal que aí vem, nada de sonhos: vai ser um
ano pior do que este. nem a crise se resolverá em doze meses, nem o péssimo
governo sairá de onde está: do poder.
Outro pormenor: a crise
não é uma crise económica: é uma crise moral.
A economia não é uma
ciência –tal qual se imponha e aplique, assiste-lhe, sempre, uma escolha ética:
organizar-se a sociedade justamente ou deixarem que se transforme numa praça
amoral, em que os mais fortes se alimentam da carne dos mais fracos.
Mas, da crise, tudo
pode sair: transformar ela, crise, a sociedade absurda, castradora, canibalesca…
numa sociedade humana.
O progresso imposto pelo capitalismo financeiro levou-nos à fome e
apagou o espírito.
Analfabetizou o homem,
destruiu os direitos do homem.
E topo este desabafo de
Gustave Flaubert, em carta a Louise Colet, datada de 22 de Setembro de 1853:
“Enterrámo-nos, e ao
mesmo nível, na mediocridade comum. Fazem-se livros para todos, arte para
todos, ciência para todos, como se constroem os caminhos de ferro e os banhos
públicos. A sociedade tem a paixão do rebaixamento moral.”
A castração do individuo
é, pois, um trabalho antigo –e em crescimento permanente.
Se vires por aí um
jovem ainda empenhado em salvar a sua personalidade e realizar a sua vocação –diz-lhe
que se ponha a pau e lute, dentro da crise, pela conquista da liberdade e do
direito ao conhecimento –à Cultura, onde tudo começa, até o conhecimento de nós
próprios.
Bom dia e o amor
"Mulher, na luz da manhã", 1875-1876, óleo de Auguste Renoir
Outra Canção
Outra Canção
Não
fiques aí,
Descansa
mais perto,
-Ao
menos aqui…
E
desfranze a ruga da tua boca
-Laivo
de tinta escarlate
Na
cor mate
Do
teu rosto.
Descansa
mais perto…
Com
as águas murmurantes
Do
meu cantar,
Farei
descer tuas pálpebras.
Silêncio.
–Parecia a voz do mar.
Agora?
Foi o vento.
E
tremes? Não é nada, meu amor.
Foi
o vento
Levantando
as areias do caminho.
Como
a tua carne escalda!
Beijos…
Ai, tantas estrelas.
Lá
vem a lua.
-Parece
um penso de linho.
António Botto in Alma Minha Gentil, Antologia da Poesia de
Amor Portuguesa, organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália
Editora, 1957
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Do inqualificável
“Cavaco acredita que emigrantes reforçam
prestígio de Portugal”
in Público de hoje
O homem de Boliqueime “emigrou” da freguesia para a capital, a
arranjar a vida, hoje, segundo o Público, "limpa" 999.000 euros de rendimento, por ano.
A terrinha não é longe, e dá para mamar em duas, ou mais tetas.
O emigrante português saiu daqui à rasca: com fome.
Eis a "bela" imagem deste país, que o homem de Boliqueime diz
que nos honra: milhões de portugueses, hoje, milhares por mês, que se vêem obrigados a deixar a terra para sobreviver.
Isto não honra nenhum país: envergonha-o.
Mas a vergonha… já se foi.
Não temas! Coelho vela por nós!
O mosquito do dengue está aterrorizado: mas ficou mais tranquilo quando lhe explicaram como o SNS funciona, entre nós... De qualquer modo não virá antes de 2013, a fim de aproveitar as benesses prometidas no OE, já promulgado...
“O surto de dengue na Madeira está na fase descendente, mas na Europa pede-se para avaliar o risco da entrada do mosquito e da doença no continente europeu. Por cá, uma rede quer detectá-lo assim que chegar.”
in Público de hoje
Inverno
Pintura japonesa
Haiki
Neve que desces sobre
nós os dois
-és tu este ano
a mesma?
Matsuo Bashô (1644-1694)
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Bom Dia de Natal!
Óleo de Aldo Zari, s.t., 2000
Preludio
Oh,
ritornate a me voce d’un tempo
care
voce discorde!
Chi sa che in nuovi
dolcissimi accordi
io non vi facia risuonare ancora?
L’aurora
è
lontada da me, la note viene.
Poche
ore serene
il
dolore mi lascia; il mio e di quanti
essere
ho intorno.
Oh,
fate a me retorno
voce
quasi obliate!
Forse è l’ultima volta che
in un cuore
-nel
mio- voi v’inseguite.
Come i parenti m’han dato
due vite,
e di fonderle in una io fui capace,
in pace
vi
componete negli estremo accordi,
voce
invano discordi.
La
luce e l’ombra, la gioia e il dolore
s’amano
in voi.
Oh,
ritornate a noi
care
voce d’un tempo!
Umberto Saba in Il Canzionere, Preludio e fughe (1928-1929),
Einaudi, 4ª edição, 1974
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Bom dia, com esperança
Há um murmúrio de
prece: -Vai nascer! Nascerá,
A coberto da noite, num
lugar ermo e puro!
O coração, alerta,
indaga: -Quem vem lá?
E responde-lhe a fé, a
vibrar: -O futuro!
Homem de Portugal, que
o ódio não reduz:
É Natal, é a hora da
alegria e da esperança!
Esquecidos o sangue, a
agonia da cruz,
Vilezas da traição e
crueza da lança!
Quem nascer fechará, na
mão breve, o teu mundo,
Tão pequeno ele é! Mas
tão denso e pesado!
Se a alma for além, se
o amor for profundo,
Sustentará, também, o peso
do passado.
E, sim, sustentará, por
vigor da vontade,
Para um alto ideal,
numa ascese de luz:
Tudo quanto é manhã
chama-se mocidade,
E a mocidade nasce
quando nasce Jesus!
António Manuel Couto
Viana in Uma Vez Uma Voz, Editorial
Verbo, 1985
domingo, 23 de dezembro de 2012
Uma prenda de Natal
Vicente Sanches
Ao anunciar, aqui, a
publicação de mais um livro de um excelente escritor, Vicente Sanches, Dezoito Aforismos ou Ordens Teatrais
Religiosas, Ordens Religiosas Teatrais, omiti a notícia constante das
badanas do volume:
“Nota
Explicativa: Encontram-se em fase tipográfica (e já relativamente adiantada)os
dois Volumes das minhas Obras Completas, que a Fundação Calouste Gulbenkian (em 2010)
programou editar (com simultânea saída para ambos os Volumes).”
Uma boa notícia, já que
Vicente Sanches, a publicar, há mais de 50 anos, em edições de autor, uma Obra de muita qualidade,
pertence ao número dos ignorados na Feira das Vaidades Literatas.
Uma novidade que
agitará essa Feira –onde tudo acontece em regime de socorros mútuos e tambores
e clarins espalhados pela comunicação social.
Daí que o cão de Pavlov
renasça entre nós, isto é, no campo da literatice, e os candidatos a leitores
que procuram autores caiam na artimanha do tocar da campainha e se comportem
pavloviana e caninamente.
A realidade é que, com
a morte e o rápido enterro de João Gaspar Simões, -e os gatos pingados foram os
literatos que o temiam e odiavam-, a crítica literária congelou, em Portugal.
E o leitor comum está
nas mãos dos artistas-arautos da banha da cobra.
Agora, conhecida a
notícia do interesse da Gulbenkian em Vicente Sanches, o público manipulado
pelos membros da sociedade de socorros mútuos (temporários…) que é a praça das
vaidades literatas, talvez veja uma luz ao fundo do túnel da pobreza cultural
comercializada.
E se liberte e escolha
por si.
Nota: é de elementar justiça sublinhar que a editora Cotovia publicou cinco volumes da vastíssima obra de Vicente Sanches
Bom dia!
(…)
Chamaste-me
amor perfeito,
Coisa
que a terra não cria!
Amor
perfeito é um só,
Filho
da Virgem Maria!
No
ventre da Virgem pura
Incarnou
divina graça:
Entrou
e saiu por Ela
Como
o sol pela vidraça.
(…)
(Freineda: Guarda)
Transcrito por Afonso
Duarte in Ciclo do Natal na Literatura
Oral Portuguesa, Barcelos, 1936
sábado, 22 de dezembro de 2012
O cliente (trabalhador), o gerente (insultador racista) e o Banco Santander Totta de ao pé de Braga
"Não aceito cheques de gente mal vestida e muito menos de romenos!"
Ler a notícia mais vergonhosa do dia:
Nestes dias...
"Adoração do Menino Jesus", 1668, por Josefa de Óbidos
A Meia-noite
Meia-noite dada,
Meia-noite em pino,
O galo cantando
Chorou o Menino.
E a mãe lhe disse
Com muita dolor:
-Calai-vos meu filho,
Jesus meu amor;
Dormide no feno,
Nesta lapa fria;
Que não tenho berço,
Nem no furtaria.
Ai, Senhor do mundo,
Tão pobre que estais,
Deitado no feno,
E entre animais!
Trovas
Populares in Na Mão de
Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, Organizada por José Régio e
Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Vicente Sanches
Recebi, agora, trouxe-me uma jovem e bela carteira, coisa sempre boa, quando o dia começa e abre a luz, o último livro de Vicente Sanches, Dezoito Aforismos ou Ordens Teatrais Religiosas, Ordens Religiosas Teatrais, edição de autor.
Vicente Sanches é um grande escritor.
Dos raros, nesta casa de mentiras.
Nesta feira das vaidades literatas.
Onde os concorrentes se despem, fisicamente se despem e
evocam a mãe que os pariu, para serem vistos; onde a banalidade comanda; onde
as pessoas se vendem, para agradar aos que não querem pensar.
Onde assassinam a Alma.
O Espírito.
A pergunta.
Onde as pessoas desistiram de pensar.
Onde as pessoas não vivem: são mortos vivos, podres,
vendidos, desistidos.
Eis um aforismo:
"Uma pequena formiguinha andando às
voltas no deserto imenso do pano claro da mesa onde estou sentado.
A certa altura, não sei porquê, pára,
deita-se de costas, estrebucha uns escassos minutos, e morre.
Pobre formiguinha.
Terá morrido por se haver perdido
relativamente, há muito do seu formigueiro?
Ou, sentindo-se mal, sentindo-se doente,
terá pressentido que ia morrer, e fugiu do formigueiro com vergonha de ser
vista moribunda e morta pelas companheiras ; pelas amigas; pelas outras
formiguinhas?
(É sabido: muitos animais, de muitas
espécies. Fogem, isolam-se, escondem-se para morrer)."
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Bom dia!
"Outono", 1876-1890, Arkip Kuinji
Ressurreição
Ressurreição
Desta minha janela,
agora aberta
Sobre uma quietação
nostálgica de Inverno,
Com um sol que é só
lembrança
De um outro sol mais
fúlgido e mais brando,
Que nunca mais senti
como em criança;
Desta janela que, a
sonhar, deserta,
Fica sem ver sua
paisagem, quando
Na manhã silenciosa que
desperta
Um vento frio e fino
vai passando;
Desta janela de
paisagem vária,
Como os meus olhos,
quando a via,
Onde tenho passado
instantes raros,
De uma sem par
melancolia;
Os desígnios de Deus
são-me hoje claros,
Leves e doces como a
luz do dia…
Francisco Bugalho in Na Mão de Deus, Antologia da Poesia
Religiosa Portuguesa, Organizada por José Régio e Alberto de Serpa,
Portugália Editora, 1958
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Pedido de discriminação racial: do incrível e inaceitável na República Portuguesa
“A gente da viagem”, o cigano não é igual aos
outros homens? Não tem direito ao respeito que é direito de todo o cidadão na
nossa democracia? Ou a democracia já foi suspensa -ou extinta- em Portugal?
“Director da Escola de
Almada negou à PSP informação sobre alunos ciganos”
in Público de hoje
Em plena democracia:
Holocausto cultural em Portugal: demissão em bloco da administração da Casa da Música
Entre outros crimes, o governo soma mais atentados contra a Cultura
“O compositor João Madureira diz-se muito apreensivo com a
demissão da Administração da Casa da Música, fruto de novos cortes orçamentais
impostos pela Secretaria de Estado da Cultura, e aguarda com ansiedade os
desenvolvimentos da situação.”
in
Público de hoje
Mais:
Bom dia, bom Natal!
"Adoração dos pastores", obra de Gregório Lopes, Séc. XVI
Cancioneiro do Menino
Jesus
Rosas de Nossa Senhora
A
Virgem colheu três rosas,
Todas
três juntas num pé:
Colheu
uma para Ela,
Outra
para São José
E
outra para o menino
Que
é Jesus da Nazaré.
(Vilarelho da Raia:
Chaves)
Afonso Duarte, poesia popular, recolhida in O Ciclo do Natal na Literatura Oral
Portuguesa, Barcelos, 1936
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Um piano que vale 455000 euros
O piano do filme de Michael Curtiz, "Casablanca", foi vendido por 455 000 euros, num leilão
da Sothebys, este último fim de semana -o piano da canção "As times goes by"...
O Padre Nosso que o povo pede
Erlich in El País de hoje
"-Pedem para mudar o Padre Nosso.
"-O quê?
"-Sim, que se diga: "E não nos deixes cair na inanição [fraqueza extrema por falta de alimentos]"
Alguma vez este governo se preocupou com a sociedade portuguesa que anda para aí aflita e tesa???
Será que este senhor ignora o mal que anda a fazer aos portugueses? A sua expressão leva a crer que ignora e, mais: ignora a asneira da política que, irresponsavelmente, obviamente irresponsavelmente, anda a aplicar, à custa do empobrecimento galopante do país
“O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou nesta
terça-feira que o problema da “adequação das prestações do Estado para aquilo a
que a sociedade portuguesa está disposta a pagar” é o “problema político mais
urgente”.
in Público de hoje
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