segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

E... já agora...

E já agora...

Ramón in El País de hoje

Agora, quando talvez cheguem coisas novas...

Pintura japonesa


Com a papoila na mão
cruzo
a gente

Haiku de Kobayashi Issa (1763-1827)

domingo, 30 de dezembro de 2012

Uma mulher extraordinária


Rita Levi-Montalcino (1909-2012)

Lúcida até à morte, Rita Levi-Montalcini, Prémio Nobel da Medicina, em 1986, foi, com certeza, das personalidades mais importantes do nosso tempo.

A verdade é de oiro

"Jesus expulsando os vendilhões do templo", c. 1570, óleo de El Greco (Natinal Gallery, Londres)

“Muitas vezes, quando a verdade é mais desagradável de ouvir e nos arriscamos a encontrar fortíssima oposição –é que é necessário e útil dizê-la.”


André Gide in Journal, volume II, p. 995,16 de Julho de 1944, Bibliothèque de La Pléiade, Gallimard, 1997

sábado, 29 de dezembro de 2012

Na contagem decrescente

Obra de Ludovico Brea (1450-1523), 1513: aproxima-se o novo ano -e o que nos espera?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

2013

Será difícil que te encontres a meio desta massa despersonalizada e a caminho do matadouro chamado mercado...


Daqui a cinco noites, chega o novo ano: 2013.

Passando por cima do danado número 13 e absolvendo-o do mal que aí vem, nada de sonhos: vai ser um ano pior do que este. nem a crise se resolverá em doze meses, nem o péssimo governo sairá de onde está: do poder.

Outro pormenor: a crise não é uma crise económica: é uma crise moral.

A economia não é uma ciência –tal qual se imponha e aplique, assiste-lhe, sempre, uma escolha ética: organizar-se a sociedade justamente ou deixarem que se transforme numa praça amoral, em que os mais fortes se alimentam da carne dos mais fracos.

Mas, da crise, tudo pode sair: transformar ela, crise, a sociedade absurda, castradora, canibalesca… numa sociedade humana.

O progresso imposto pelo capitalismo financeiro levou-nos à fome e apagou o espírito.

Analfabetizou o homem, destruiu os direitos do homem.

E topo este desabafo de Gustave Flaubert, em carta a Louise Colet, datada de 22 de Setembro de 1853:

“Enterrámo-nos, e ao mesmo nível, na mediocridade comum. Fazem-se livros para todos, arte para todos, ciência para todos, como se constroem os caminhos de ferro e os banhos públicos. A sociedade tem a paixão do rebaixamento moral.”

A castração do individuo é, pois, um trabalho antigo –e em crescimento permanente.

Se vires por aí um jovem ainda empenhado em salvar a sua personalidade e realizar a sua vocação –diz-lhe que se ponha a pau e lute, dentro da crise, pela conquista da liberdade e do direito ao conhecimento –à Cultura, onde tudo começa, até o conhecimento de nós próprios.

Bom dia e o amor

"Mulher, na luz da manhã", 1875-1876, óleo de Auguste Renoir


Outra Canção

Não fiques aí,
Descansa mais perto,
-Ao menos aqui…

E desfranze a ruga da tua boca
-Laivo de tinta escarlate
Na cor mate
Do teu rosto.

Descansa mais perto…

Com as águas murmurantes
Do meu cantar,
Farei descer tuas pálpebras.

Silêncio. –Parecia a voz do mar.

Agora? Foi o vento.
E tremes? Não é nada, meu amor.
Foi o vento
Levantando as areias do caminho.

Como a tua carne escalda!

Beijos… Ai, tantas estrelas.

Lá vem a lua.
-Parece um penso de linho.

António Botto in Alma Minha Gentil, Antologia da Poesia de Amor Portuguesa, organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1957

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Do inqualificável


“Cavaco acredita que emigrantes reforçam prestígio de Portugal”
in Público de hoje


O homem de Boliqueime “emigrou” da freguesia para a capital, a arranjar a vida, hoje, segundo o Público, "limpa" 999.000 euros de rendimento, por ano. 

A terrinha não é longe, e dá para mamar em duas, ou mais tetas.

O emigrante português saiu daqui à rasca: com fome.

Eis a "bela" imagem deste país, que o homem de Boliqueime diz que nos honra: milhões de portugueses, hoje, milhares por mês, que se vêem obrigados a deixar a terra para sobreviver.

Isto não honra nenhum país: envergonha-o.

Mas a vergonha… já se foi.  

A música, palavras, a beleza...

Não temas! Coelho vela por nós!

O mosquito do dengue está aterrorizado: mas ficou mais tranquilo quando lhe explicaram como o SNS funciona, entre nós... De qualquer modo não virá antes de 2013, a fim de aproveitar as benesses prometidas no OE, já promulgado...


“O surto de dengue na Madeira está na fase descendente, mas na Europa pede-se para avaliar o risco da entrada do mosquito e da doença no continente europeu. Por cá, uma rede quer detectá-lo assim que chegar.

in Público de hoje

Inverno


Pintura japonesa

Haiki

Neve que desces sobre nós os dois
-és tu este ano
a mesma?

Matsuo Bashô (1644-1694)

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Bom Dia de Natal!

Óleo de Aldo Zari, s.t.,  2000



Preludio

Oh, ritornate a me voce d’un tempo
care voce discorde!
Chi sa che in nuovi dolcissimi accordi
io non vi facia risuonare ancora?

L’aurora
è lontada da me, la note viene.
Poche ore serene
il dolore mi lascia; il mio e di quanti
essere ho intorno.
Oh, fate a me retorno
voce quasi obliate!

Forse è l’ultima volta che in un cuore
-nel mio- voi v’inseguite.
Come i parenti m’han dato due vite,
e  di fonderle in una io fui capace,

in pace
vi componete negli estremo accordi,
voce invano discordi.
La luce e l’ombra, la gioia e il dolore
s’amano in voi.
Oh, ritornate a noi
care voce d’un tempo!

Umberto Saba in Il Canzionere, Preludio e fughe (1928-1929), Einaudi, 4ª edição, 1974

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Bom dia, com esperança


"Adoração dos magos", Vasco Fernandes (Grão Vasco)

Anúncio para o Natal em Portugal

Há um murmúrio de prece: -Vai nascer! Nascerá,
A coberto da noite, num lugar ermo e puro!
O coração, alerta, indaga: -Quem vem lá?
E responde-lhe a fé, a vibrar: -O futuro!

Homem de Portugal, que o ódio não reduz:
É Natal, é a hora da alegria e da esperança!
Esquecidos o sangue, a agonia da cruz,
Vilezas da traição e crueza da lança!

Quem nascer fechará, na mão breve, o teu mundo,
Tão pequeno ele é! Mas tão denso e pesado!
Se a alma for além, se o amor for profundo,
Sustentará, também, o peso do passado.

E, sim, sustentará, por vigor da vontade,
Para um alto ideal, numa ascese de luz:
Tudo quanto é manhã chama-se mocidade,
E a mocidade nasce quando nasce Jesus!

António Manuel Couto Viana in Uma Vez Uma Voz, Editorial Verbo, 1985


domingo, 23 de dezembro de 2012

Coelho quer: "todos em força para a crise!"

in Público de hoje

O pão nosso de cada dia...

Desenho de Angel Boligán, "El Universal", México

Mário Botas faria hoje 60 anos


Um texto precioso:

Uma prenda de Natal

Vicente Sanches

Ao anunciar, aqui, a publicação de mais um livro de um excelente escritor, Vicente Sanches, Dezoito Aforismos ou Ordens Teatrais Religiosas, Ordens Religiosas Teatrais, omiti a notícia constante das badanas do volume:

“Nota Explicativa: Encontram-se em fase tipográfica (e já relativamente adiantada)os dois Volumes das minhas Obras Completas, que a Fundação Calouste Gulbenkian (em 2010) programou editar (com simultânea saída para ambos os Volumes).”

Uma boa notícia, já que Vicente Sanches, a publicar, há mais de 50 anos, em edições de autor, uma Obra de muita qualidade, pertence ao número dos ignorados na Feira das Vaidades Literatas.

Uma novidade que agitará essa Feira –onde tudo acontece em regime de socorros mútuos e tambores e clarins espalhados pela comunicação social.

Daí que o cão de Pavlov renasça entre nós, isto é, no campo da literatice, e os candidatos a leitores que procuram autores caiam na artimanha do tocar da campainha e se comportem pavloviana e caninamente.

A realidade é que, com a morte e o rápido enterro de João Gaspar Simões, -e os gatos pingados foram os literatos que o temiam e odiavam-, a crítica literária congelou, em Portugal.

E o leitor comum está nas mãos dos artistas-arautos da banha da cobra.

Agora, conhecida a notícia do interesse da Gulbenkian em Vicente Sanches, o público manipulado pelos membros da sociedade de socorros mútuos (temporários…) que é a praça das vaidades literatas, talvez veja uma luz ao fundo do túnel da pobreza cultural comercializada.

E se liberte e escolha por si.

Nota: é de elementar justiça sublinhar que a editora Cotovia publicou cinco volumes da vastíssima obra de Vicente Sanches

Bom dia!


"Adoração dos Pastores", por Bento Coelho da Silveira, séc. XVI

(…)

Chamaste-me amor perfeito,
Coisa que a terra não cria!
Amor perfeito é um só,
Filho da Virgem Maria!

No ventre da Virgem pura
Incarnou divina graça:
Entrou e saiu por Ela
Como o sol pela vidraça.


(…)

(Freineda: Guarda)

Transcrito por Afonso Duarte in Ciclo do Natal na Literatura Oral Portuguesa, Barcelos, 1936

sábado, 22 de dezembro de 2012

O cliente (trabalhador), o gerente (insultador racista) e o Banco Santander Totta de ao pé de Braga



"Não aceito cheques de gente mal vestida e muito menos de romenos!"

Ler a notícia mais vergonhosa do dia:

Nestes dias...

"Adoração do Menino Jesus", 1668, por Josefa de Óbidos


A Meia-noite

Meia-noite dada,
Meia-noite em pino,
O galo cantando
Chorou o Menino.
E a mãe lhe disse
Com muita dolor:
-Calai-vos meu filho,

Jesus meu amor;
Dormide no feno,
Nesta lapa fria;
Que não tenho berço,
Nem no furtaria.

Ai, Senhor do mundo,
Tão pobre que estais,
Deitado no feno,
E entre animais!

Trovas Populares in Na Mão de Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, Organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958

Bom dia, com um grande pintor de Veneza

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Vicente Sanches



Recebi, agora, trouxe-me uma jovem e bela carteira, coisa sempre boa, quando o dia começa e abre a luz, o último livro de Vicente Sanches, Dezoito Aforismos ou Ordens Teatrais Religiosas, Ordens Religiosas Teatrais, edição de autor.

Vicente Sanches é um grande escritor.

Dos raros, nesta casa de mentiras.

Nesta feira das vaidades literatas.

Onde os concorrentes se despem, fisicamente se despem e evocam a mãe que os pariu, para serem vistos; onde a banalidade comanda; onde as pessoas se vendem, para agradar aos que não querem pensar.

Onde assassinam a Alma.

O Espírito.

A pergunta.

Onde as pessoas desistiram de pensar.

Onde as pessoas não vivem: são mortos vivos, podres, vendidos, desistidos.

Eis um aforismo:

"Uma pequena formiguinha andando às voltas no deserto imenso do pano claro da mesa onde estou sentado.
A certa altura, não sei porquê, pára, deita-se de costas, estrebucha uns escassos minutos, e morre.
Pobre formiguinha.
Terá morrido por se haver perdido relativamente, há muito do seu formigueiro?
Ou, sentindo-se mal, sentindo-se doente, terá pressentido que ia morrer, e fugiu do formigueiro com vergonha de ser vista moribunda e morta pelas companheiras ; pelas amigas; pelas outras formiguinhas?
(É sabido: muitos animais, de muitas espécies. Fogem, isolam-se, escondem-se para morrer)."

Feliz Natal, Amigos!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Alguém sabe o que é humanidade?

in Público de hoje

Bom dia!

"Outono", 1876-1890, Arkip Kuinji

Ressurreição

Desta minha janela, agora aberta
Sobre uma quietação nostálgica de Inverno,
Com um sol que é só lembrança
De um outro sol mais fúlgido e mais brando,
Que nunca mais senti como em criança;

Desta janela que, a sonhar, deserta,
Fica sem ver sua paisagem, quando
Na manhã silenciosa que desperta
Um vento frio e fino vai passando;

Desta janela de paisagem vária,
Como os meus olhos, quando a via,
Onde tenho passado instantes raros,
De uma sem par melancolia;
Os desígnios de Deus são-me hoje claros,
Leves e doces como a luz do dia…

Francisco Bugalho in Na Mão de Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, Organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Pedido de discriminação racial: do incrível e inaceitável na República Portuguesa


“A gente da viagem”, o cigano não é igual aos outros homens? Não tem direito ao respeito que é direito de todo o cidadão na nossa democracia? Ou a democracia já foi suspensa -ou extinta- em Portugal? 

“Director da Escola de Almada negou à PSP informação sobre alunos ciganos”

in Público de hoje 


Em plena democracia:

Mike Kelley: retrospectiva em Amesterdão

"Day is done", instalação de Mike Kelly



Um alívio, o fim do mundo?...

in Público de hoje

Holocausto cultural em Portugal: demissão em bloco da administração da Casa da Música

Entre outros crimes, o governo soma mais atentados contra a Cultura

“O compositor João Madureira diz-se muito apreensivo com a demissão da Administração da Casa da Música, fruto de novos cortes orçamentais impostos pela Secretaria de Estado da Cultura, e aguarda com ansiedade os desenvolvimentos da situação.

in Público de hoje


Mais: 

Bom dia, bom Natal!


"Adoração dos pastores", obra de Gregório Lopes, Séc. XVI

Cancioneiro do Menino Jesus

Rosas de Nossa Senhora

A Virgem colheu três rosas,
Todas três juntas num pé:
Colheu uma para Ela,
Outra para São José
E outra para o menino
Que é Jesus da Nazaré.

(Vilarelho da Raia: Chaves)

Afonso Duarte, poesia popular, recolhida in O Ciclo do Natal na Literatura Oral Portuguesa, Barcelos, 1936

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Fim do mundo segundo os maias


Ler: 

A canção... depois do piano...

Um piano que vale 455000 euros




O piano do filme de Michael Curtiz, "Casablanca", foi vendido por 455 000 euros, num leilão da Sothebys, este último fim de semana -o piano da canção "As times goes by"...





O Padre Nosso que o povo pede

Erlich in El País de hoje


"-Pedem para mudar o Padre Nosso.
"-O quê?
"-Sim, que se diga: "E não nos deixes cair na inanição [fraqueza extrema por falta de alimentos]"

Alguma vez este governo se preocupou com a sociedade portuguesa que anda para aí aflita e tesa???


Será que este senhor ignora o mal que anda a fazer aos portugueses? A sua expressão leva a crer que ignora e, mais: ignora a asneira da política que, irresponsavelmente, obviamente irresponsavelmente, anda a aplicar, à custa do empobrecimento galopante do país 

“O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou nesta terça-feira que o problema da “adequação das prestações do Estado para aquilo a que a sociedade portuguesa está disposta a pagar” é o “problema político mais urgente”.

in Público de hoje

Ramsés III e a sua morte




Múmia de Ramsés III

Ler: