quarta-feira, 31 de agosto de 2016
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
domingo, 28 de agosto de 2016
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
terça-feira, 23 de agosto de 2016
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
domingo, 21 de agosto de 2016
sábado, 20 de agosto de 2016
Ainda para refrescar este verão: ''O Barão", de Branquinho da Fonseca, sem dúvida uma das novelas mais belas da Literatura Portuguesa... Já leste?
“Sim, Barão!... Hei-de voltar, um dia. E havemos de tornar a perder-nos pelos caminhos sombrios do nosso sonho e da nossa loucura; e mais uma vez havemos de cantar às estrelas, e dar a vida para ires depor outro botão de rosa lá na alta janela da tua Bela-Adormecida.”
(Parágrafo que fecha O
Barão)
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
"Você é o melhor de nós os dois", Fernando Pessoa para Mário de Sá-Carneiro
Dispersão
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.
(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:
Porque um domingo é familia,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem familia).
O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.
A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.
Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traíu a si mesmo.
Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projecto.
Regresso dentro de mim,
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.
Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.
Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo
A sua bôca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.
(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)
E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.
Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.
Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...
Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...
E tenho pêna de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...
Desceu-me nalma o crepusculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.
Alcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.
Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida,
Eu sigo-a, mas permaneço...
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.
(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:
Porque um domingo é familia,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem familia).
O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.
A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.
Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traíu a si mesmo.
Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projecto.
Regresso dentro de mim,
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.
Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.
Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo
A sua bôca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.
(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)
E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.
Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.
Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...
Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...
E tenho pêna de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...
Desceu-me nalma o crepusculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.
Alcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.
Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida,
Eu sigo-a, mas permaneço...
de Mário de Sá-Carneiro
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Fanciulle...
de Berthe Morisot
(...) Questa che ancora se stessa ama su tutto
ha bei capelli d’oro,
e le riveste un oro
impalpabile il corpo come un fruto. (...)
Umberto Saba, in Fanciulle,
Il Canzoniere, Einaudi, 1965
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
O amor e a liberdade
Laguna de Veneza
Caro luogo
Vagammo tutto il pomeriggio in cerca
d’un luogo a fare di due vita una.
Rumorosa la vita, adulta, ostile,
minacciava la nostra giovanezza.
Ma qui giunti ove ancor cantano i grilli,
quanto silenzio sotto questa luna.
Umberto Saba in Ultime Cose, Il Canzoniere, Einaudi,
1961
domingo, 14 de agosto de 2016
No intervalo do calor maligno...
de Michelangelo Merisi dito il Cravaggio
"(…)
essi, i miei buoni
amici. Perché tutto
ti concedano i buoni, e
non la morte.”
Umberto Saba in Il
Canzoniere, Einaudi, 1974
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
terça-feira, 9 de agosto de 2016
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
domingo, 7 de agosto de 2016
O poder e o homem
Pirké Avot-Tratado dos
Pais
Capítulo II, Michna 2
“Tem cuidado com o
poder: nada o aproximo do homem senão o seu interesse e mostrar-se-á teu amigo enquanto
de ti tirar proveito; não ajudará nenhum homem quando ele estiver aflito.”
sábado, 6 de agosto de 2016
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
terça-feira, 2 de agosto de 2016
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Portugal ressuscitado
O governo entra hoje no nono mês.
Portugal modificou-se.
O novo governo vai recuperando e melhorando Portugal, tanto
quanto pode e depois de tomar as rédeas de um país assaltado e violentado pela
banda de Coelho que durou 4 anos e meio e entregou uma casa sem telhado, de
vidros partidos, de portas rebentadas.
É muito difícil reconstruir uma casa nesse estado.
Durante 4 anos e meio, o país foi vendido e o que restava
quase destruído.
Nunca e em tão pouco tempo se fez tanto mal.
Basta perguntar pela Saúde, pelo Ensino, pelos trabalhadores
e pelos reformados.
Basta olhar para o abandono da pátria a que se viram
obrigados, para poderem trabalhar e comer, exercer as funções que tinham
aprendido, centenas e centenas de milhares de portugueses.
Hoje, o governo ainda não pode garantir a nenhum a vantagem
de regressar à pátria.
Hoje, o governo não pode mudar o país de um dia para o outro.
Em 4 anos e meio, o grupo de Coelho, com o apoio de Cavaco,
esfarrapou Portugal.
De pobre ou frágil, Portugal passou a paupérrimo.
Apesar de tudo, o governo de António Costa, apoiado pelo
Bloco de Esquerda e pelo PCP, já recompôs muita coisa. Não tudo, evidentemente
impossível de reconquistar em 9 meses.
É fácil deitar a baixo uma casa, é muitíssimo difícil
levantá-la.
Confucius deixou este conselho:
“é preciso preparar-se
ao pior, esperar o melhor e agarrar o que vai vindo”.
Tantos séculos depois, cabe-nos seguir o que Confucius
escreveu.
E a luta -muito dura, muito difícil- é devolver aos
portugueses o que aos portugueses pertence.
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