
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Hoje vai a alma sufocando...
Henri de Man (1885-1953): o João de A Velha Casa, de José Régio, inspira-se neleFoi hoje que reabri o tal ensaio de A. De Sousa Gomes, Henri de Man e o Socialismo Personalista (Cadernos Culturais Inquérito, 1940).
Henri de Man!
Um homem íntegro, vertical, um humanista. Um homem que lutava para que, aos homens, não fosse roubada a dignidade. A auto-estima. A... humanidade.
Pensei em nós, na crónica depressão portuguesa, no desencanto, no pessimismo, na desistência,
que nos chocam em nós próprios, portugueses.
Que parece fatalidade. Ou mau olhado. Ou condenação da raça.
E topo com esta frase:
“O complexo de inferioridade resulta de as condições de vida e de trabalho dos operários industriais entrevarem “a satisfação de uma série de necessidades instintivas e habituais, e de engendrarem, por consequência, um recalcamento crónico do instinto de auto-estimação”.
Serve para todos os que trabalham; para todos que vivem inseridos nesta sociedade de hoje, neoliberal, selvagem, que de cada um faz gato e sapato e um novo escravo.
Em 70 anos, quanto se andou para trás!
Em 70 anos o liberalismo selvagem, o mercado sem regras, a concentração do capital,
foram tomando conta de tudo e de todos.
Mas o que eu quero, ainda, aqui dizer, é o seguinte:
Henri de Man foi o inspirador da personagem de João Trigueiros, na obra-prima do nosso romance, A Velha Casa, de José Régio.
Eis uma confidência de Régio ao seu amigo Feliciano Falcão, em Portalegre.
Confidência que o segundo me confiou e, agora, aqui deixo registada.
José Régio não olhava para o umbigo: olhava, com atenção e muita inteligência e sensibilidade, para a realidade que o rodeava.
Foi um activo combatente anti-fascista. Pertenceu ao MUD. Fez campanha por Norton Delgado. Escreveu contra o regime salazarista. Viu obras sua retiradas do mercado. Peças suas de teatro proibidas. Artigos seus censurados.
Nos 100 anos do nascimento de Paul Bowles

Nos anos de Marrocos visitei uma única vez Tânger, onde me demorei três dias. Era o Sul que me atraía, Marraquexe, Essaouira.
Vamos respirar ar puro!
"Pássaros no azul", de Georges BraqueEsquecer a embrulhada deprimente do discurso de Cavaco, diante do calmo, seguro e... caridoso Manuel Alegre cujo humanismo me leva cada vez mais a inclinar-me para votar nele, a 23 de Janeiro de 2011.
Reagir à caterva de disparates que o homem de Boliqueime nos atirou para cima (bem entendido: para cima dos que aguentaram até ao fim...).
Vamos pensar positivo, contra a onda do neoliberalismo selvagem que faz de Cavaco ponta de lança na destruição programada do Estado Social.
Vamos acreditar que há quem saiba dizer “Bom dia” porque deseja bom dia ao outro!
Que a vida é demasiado forte para que o egoísmo, a ganância e a desumanidade dos usurários do neo-capitalismo selvagem possam triunfar.
E aqui deixo esta frase preciosa de Henri de Man (1885-1953), que topei numa obrinha com 70 anos, “Henri de Man e o Socialismo Personalista”, de A. de Sousa Gomes (nas saudosíssimas edições Inquérito),
Frase que levanta a alma:
“a ética não começa senão onde acaba o interesse”.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O regresso ao bom espírito da Mocidade Portuguesa
Cantando e rindo, sigamos o "chefe", direitinhos à mansa miséria...Meia-hora de tristeza e uma alma caridosa
Um homem esquisito vítima da sua própria incapacidadeJá percebeste quem foi, porque só podia ser ele: Cavaco Silva.
Expressões e palavras, assim:
“inventualmente”
“encruzulhada”
Caridosamente, digamos que, na sua total incapacidade de conviver com o discussão democrática, metia os pés pelas mãos.
Se uma pessoa dessas voltar a ser eleito PR, acontece o seguinte:
confirma-se que vivemos num país com 60% de analfabetos,
onde se ignoram os direitos e deveres cívicos,
num país onde predomina o inculto,
o asténico
o indiferente,
o demitido.
Num país onde a exigência da qualidade entrou em coma.
Manuel Alegre distinguiu-se pela boa educação, a paciência e... a caridade de não sublinhar a incoerência do discurso quase delirantemente desconexo do seu adversário.
Decididamente, Manuel Alegre teve pena da triste figura que ali esteve a fazer Cavaco.
A liberdade de escolha
Erlich in El País de hojeAs obras de Cavaco
As autoestradas rendem mais àqueles que especulam com o erário público...O programa eleitoral de Cavaco: um povo mudo
Dos jornais: "Cavaco não quer que os portugueses critiquem os que lhe atrasam a vida"terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Vai a todas...

Um homem íntegro
Guarda: a cidade onde a alma respira melhorterça-feira, 21 de dezembro de 2010
Saudade

Enzo Bearzot, seleccionador da Itália, em 1982, quando ganhámos o Campeonato do Mundo de Futebol, em MadridFeliz Natal!
Para levar apenas o essencial...segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Cuidado com a "cultura" dos regedores!
A "cultura" labrega já vai além das freguesias: pode chegar às câmaras e às assembleias municipais...No reino da hipocrisia
Cavaco no casamento de Paulo e FilipaAo que parece ao “Correio da Manhã”, Cavaco ter-se-á sentido (atingido?) no dever de responder ao primeiro-ministro.
E como respondeu?
Indo à festa de Natal dos sem abrigo, organizada pela Comunidade Vida e Paz (CVP); e explicou: “A primeira razão para estar aqui é associar-me ao casamento do Paulo e da Filipa".
Um casal pobre e ex-sem abrigo.
Como Cavaco não está em campanha eleitoral e a tratar da sua reeleição para a presidência da República, a ida à festa dos pobrezinhos e os parabéns ao casal pobrezinho, atitude de “pura filantropia”..., é, "real e admiravelmente", a resposta "apropriada" às críticas de Sócrates...
O país, que usufruiu da "riqueza a rodos" que os seus, dele, 10 anos de primeiro-ministro lhe trouxeram (isto é: ainda hoje anda de tanga a pagar os tais 10 anos de "sabedoria"), não se surpreende com mais este gesto de profunda competência cultural e política do homem de Boliqueime.
domingo, 19 de dezembro de 2010
O esplendor dos dias
'O pomar", óleo de Pierre Bonnard (1867-1947)Não fora a terapêutica do sol
E um cavar de terra o meu pedaço
Que me prende ao cantar de um rouxinol,
Eu já tinha morrido de cansaço.
Oh! Estética feliz do sol a sol,
Na terra que removo com meu braço,
Ver as plantas crescer, ou me console
Um respirar de rosas pelo espaço!...
Há sorrisos de amor na Natureza
De um cheiro a eternidade, e de beleza,
Que eu penso-a no divino junto a mim
Mas a deusa sorrindo ao que caminha,
Ouvi dizer a uns olhos de velhinha:
“Porventura é aqui algum jardim?”
Afonso Duarte in O anjo da morte e outros poemas
Pensar o Natal dos outros: e os imigrantes?

Con esta estrategia allanan el camino al populismo y la xenofobia, al otorgar un marchamo democrático a su agenda y a sus iniciativas. Pero, además, desvirtúan el proyecto de la Europa unida, que va dejando de ser un instrumento en favor de las libertades civiles y el respeto a la ley para convertirse en lo contrario. No basta con que Europa avance hacia cualquier unidad. La única unidad que merece la pena es la que se articula en torno a aquellos principios que están siendo vulnerados para tratar la inmigración.
Carlos Pinto Coelho

sábado, 18 de dezembro de 2010
Avô e Neto falam sobre o futuro
As misérias do dia
Américo Rodrigues, o cidadão livre, o artista exímio, a alma generosa, que deu e dá à cidade da Guarda o melhor de si próprio e a revela ao país e ao mundo, abrindo-lhe a Estrada Maestra da CulturaEsta é a palavra devida ao que se votou, ontem, na Assembleia Municipal da Guarda:
o voto de aprovação da proposta de repúdio das afirmações do cidadão Américo Rodrigues, aprovado por maioria.
Nele, repudia uma maioria exígua (1 voto, somados os votos contra, em branco, nulos e as ausências) o homem a quem a Guarda tudo deve, no plano da Cultura.
O homem que projectou a cidade no país e no estrangeiro.
Que arrancou a cidade ao quase anonimato.
Repudia o cidadão livre, íntegro e exemplar.
Repudia as afirmações livres de um homem livre.
Se pretende repudiar/ condenar afirmações do Director do Teatro Municipal da Guarda, não as repudia nem condena.
Se pretende depreciar e atingir, por essa via, o Director do Teatro Municipal da Guarda, não consegue.
Esse -o Director do TMG- não fez as declarações alegadas, no excelente blog do cidadão Américo Rodrigues, Café Mondego...
Quando Américo Rodrigues escreve e publica no seu blog, –não está a exercer as suas funções de Director do TMG.
É a um cidadão de um país que vive em democracia, a expressar as suas opiniões de intelectual livre e independente.
É pena ver aqueles que tanto têm recebido -mesmo sendo a minoria que são- ofender quem lhes dá alimento.
Porque a Cultura é o alimento do Espírito –e os valores do Espírito são os mais importantes.
Lamento ser obrigado a concluir que, para essa minoria, a Cultura pouco valha e, certamente, pouco valham as coisas do Espírito.
Misérias do quotidiano, que em nada impedirão o Director do TMG (o respeito e consideração que nutro pelo Presidente da CMG leva-me a assim pensar) de prosseguir o seu precioso trabalho, que a vastíssima maioria dos cidadãos da Guarda aplaude e agradece.
Dr. José Pereira da Silva: evocação de um homem probo
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
O ano vai a caminho do fim...
Raul Brandão e Maria Angelina, retrato de ColumbanoContra tudo e contra todos, eles hão-de refazer o mundo!
‘...compreendi que o único bem que possuo é o meu coração e a capacidade de amar’, escrevia Tolstoi, a meio do furacão da vidaDefender a beleza da terra onde vivemos? Mas...
E agora, José? Apodrecer?quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
A beleza da terra
'Vénus adormecida', óleo de Giorgione (Giorgio Barbarelli da Castelfranco, 1477-1510)Um abraço, querido Amigo!
Carlos Pinto Coelhoquarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Feliz Natal, amiga!
'Adoração dos magos', Retábulo da Igreja da Madre de Deus, por Jorge Afonso, 1515Os comentários de Carlota Pires Dacosta aos meus mais recentes posts, são apontamentos breves mas sentidos e pertinentes, vibrantes e, na sinceridade, dispensam observações.
Da pulhice humana
Nikolai Gogol (Poltava, Ucrânia, 1809-Moscovo, 1852)A resolver a crise...
O dinheiro tem ficar onde já está... quem o não tem que se arranje como puder... à esmola ou na sopa dos pobres...A CIP espera que o Governo aprove novas medidas para serem discutidas pelos parceiros sociais, como a redução das indemnizações para despedimentos de novos contratados."
O Bairro Alto faz hoje 497 anos!
Identificaram? O Bairro Alto fica ali ao lado...Aos jovens namorados da Guarda
'Amantes ao luar', óleo de Marc ChagalTinham o rosto aberto a quem passava.
tinham legendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados,
e olhos românticos
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos,
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade in Os amantes sem dinheiro
Um grande escritor que desconhecemos
Aharon Appelfeldterça-feira, 14 de dezembro de 2010
A fome de Cavaco

por Manuel António Pina










