Pela segunda vez, leio
um romance de Patrick Modiano, Prémio Nobel deste ano: Dora Bruder.
Li, o mês passado, Rue des Boutiques Osccures, que descobri
num alfarrabista ambulante e comprei por 1 euro.
Que posso eu dizer de
Modiano?
O Nobel escorrega
muitas vezes e distingue autores menores, sabemo-lo bem.
Modiano é um grande
escritor? Não sei.
Os seus dois romances impressionaram-me
e impuseram a qualidade.
Assim, sugiro-vos que
leiam Modiano: é um escritor de qualidade.
Nunca lhe chamaria um
génio: revistas e páginas literárias aparecem recheadas de artigos que apontam
génios. Cansa –até porque o não são. Mas a feira literata é um grande bordel, “eu
dou-te uma coisa a ti, tu dás-me uma coisa a mim”…
Patrick Modiano é um
novelista/romancista com uma invulgar capacidade de captar o essencial; o seu
movimento é musical e aureolado de poesia subtil; as suas histórias, humanas.
Prende, emociona, acorda em nós uma nota quase apagada: o amor ao outro.
Isso acontece apesar da
objectividade, às vezes frieza, como apresenta o quotidiano e o destino das
suas personagens.
Bom domingo!, por hoje,
é tudo.
Nota:
http://en.wikipedia.org/wiki/Patrick_Modiano
Dora Bruder, entre pai e mãe
Dora Bruder, à direita, com uma vizinha e a mãe Cécile
Foi a partir desta notícia num quotidiano francês,
Paris-Soir, datado de 1941, que Modiano escreveu o seu romance