domingo, 29 de setembro de 2013
Numa entrevista, publicada no Le Nouvel Observateur desta semana, Adrien Maeght, que conheceu o genial Georges Braque, esclareceu. “Ele adorava o jazz. Em 1949, fui a Nova-Iorque e trouxe-lhe uns discos, entre eles, de Nellie Lutcher, artista pouco conhecida ao tempo. Ele apaixonou-se, imediatamente. Um amor à primeira vista…” Era assim o meu pintor-mestre… a mim, pobre escurecedor de papéis, que tem presente uma frase de Braque. “Amo a regra que corrige a emoção.”
sábado, 28 de setembro de 2013
Para que se saiba e porque sempre disse alto e bom som o que penso, aqui fica: é no Partido Socialista que vou votar amanhã
No Partido Socialista
que luta pelo Estado Social, pela igualdade, fraternidade e liberdade e que não
trairá esta bandeira –pelo contrário: a voltará a hastear.
No Partido Socialista
que recupere a coerência dos anos 70.
Há, nele, quem é capaz de lhe impor o rumo certo, de deitar para trás das costas a água morna das “terceiras
vias”, das falinhas mansinhas, do bláblá.
É nesses que eu espero
e nesses que vou votar.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Homenagem a um poeta-artesão que deixa marca no seu tempo
António Ramos Rosa
1
O grito que não chama,
a chama verde
submersa ou não, é a não-leitura
do corpo calado que o
poema lê.
E o silêncio, o
silêncio do grito
é sempre outro, além,
nos muros, sobre a sebe
nunca a serpente ou
serpentina mas
o grito na neve, o
grito sob a neve.
Quem pára sobre a nuvem
sobre a boca
dá o sinal do grito se
aqui o grito
não clama o clamor mas
incendeia
a não-leitura –leitura
das trevas verdes
em que boca sobrenada
sobre nada
grita o silêncio do
grito o grito do silêncio.
António Ramos Rosa in O Incêndio dos Aspectos, Na Regra do
Jogo, 1980
domingo, 22 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
E aceitas ser roubado pela canalha que o Zé do Telhado repudiaria? Amochas, encolheste, choras fado, vais a Fátima, emborrachas-te com carrascão ou aguardente, discutes o idiota do Jesus e o futibol? Choras com o fado rasco, de falso chouriço... Aldrabaram-te durante séculos... e ficas quieto! E o teu país?... de aventureiros? Apodreces, tens fome...e aceitas. ACORDA!
O
meu país de Naus, de esquadras e de frotas!”
António Nobre, in Só
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
terça-feira, 17 de setembro de 2013
O que tu não sabes está à tua espera e se não o procurares és um cão vadio
“Ele sabe a verdade,
disse Balak, ele sabe a verdade; mas que posso eu fazer se ele fugiu com ela? Balak
estava ainda longe da verdade. Apesar disso, a procura consolara-o, tal qual
diz o poeta-teólogo:
Bendita
sejas procura que me consolaste
Quando
o mar de sofrimento tocou a minha alma…"
S. J. Agnon in Ontem e Ante-ontem, na tradução francesa
do hebraico com o título Le Chien Balak,
Allbin Michel, Paris, 1971
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
sábado, 14 de setembro de 2013
Os caminhos que pisamos ou a indecente verdade
in Público de hoje
Esta é a situação para
que chutou um governo-carrasco 8 milhões e mais 600 mil pessoas (números
discutíveis, onde se afogam 2 milhões de velhos e outro tanto de crianças e
adolescentes… mai-los imigrantes e os que constam da lista e já emigraram há
muito tempo e continuam a emigrar, à média
de dezenas de milhares por mês).
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Aquilino Ribeiro (Sernancelhe, Carregal, 13 de Setembro de 1885-Lisboa, 27 de Maio de 1963) faria hoje 128 anos
"Aqulino", por Artur Bual
“Tinha
o seu passaporte de emigrante, foi a Lisboa revalidá-lo. Voltou à aldeia
triste, em que agora, com a invasão da floresta, se ouviam todas as noites
uivar os lobos, esperar que lhe chegasse a vez no barco negreiro. Não tardou
que chegasse o aviso. Despediu-se, rosto iluminado por um clarão, que irradiava
uma aurora.
-Aperta-me
bem ao teu coração, meu filho, que não o tornas a ouvir bater! –gemeu o velho.
-Qual,
em menos de seis meses estou de volta.
-Não
te vejo mais! –e carpia-se e quase o estorcegava nos braços. Como era mais
alto, regava-o ao mesmo tempo com lágrimas.
Embarcou
na camioneta de carreira, com a malinha de fibra como viera, estranho,
corajoso, possuído duma serenidade fora do seu lugar e do tempo.
-Desgraçado
de quem é português! –exclamou o Jaime.
-Mil
diabos te levem! –redarguiu o avô.- A vida fazemo-la nós! Quem diz vida diz
nação. À morte os vendilhões!”
Aquilino Ribeiro in Quando os lobos uiva ***, Livraria Bertrand, Lisboa, 1958
***quando Mestre Aquilino faleceu, ainda pendia sobre ele um processo-crime:
ter escrito e publicado esse romance
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
terça-feira, 10 de setembro de 2013
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Outono havias de vir
"Anjo", de Fra Angelico, séc.XIV
Nova, nova, nova, nova!
Não
era a minha alma que eu queria ter.
Esta
alma já feita, com seu toque de sofrimento
e
de resignação, sem pureza nem afoiteza.
Queria
ter uma alma nova.
Decidida,
capaz de tudo ousar.
Nunca
esta que tanto conheço, compassiva, torturada, de trazer por casa.
A
alma que eu queria e devia ter...
Era
uma alma asselvajada, impoluta, nova, nova,
nova,
nova!
domingo, 8 de setembro de 2013
A frase do dia: o pintor e a obra
"Janela", 1915, Marc Chagal
“Pega
no teu pincel e não poupes sacrifícios, porque tu não és essencial –essencial
é a tua obra. E ela é essencial não por ser tua mas, sim, por ser uma obra.”
S. J. Agnon in Ontem e antes de ontem, traduzido do
hebraico para o francês com o título Le
chien Balak, por R. Leblanc e A. Zaoui, Albin Michel, Paris, 1971
Quem foi?:
http://en.wikipedia.org/wiki/Shmuel_Yosef_Agnon
Quem foi?:
http://en.wikipedia.org/wiki/Shmuel_Yosef_Agnon
sábado, 7 de setembro de 2013
A frase do dia de hoje, aqui
“A nossa memória não se dilui. O ser humano recorda-se daquilo que quer recordar.”
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
domingo, 1 de setembro de 2013
Uma obra-prima
"Debaixo do Vulcão", de Malcolm Lowry (Relígio d'Água)
Malcolm Lowry (Clarence Malcolm Lowry, 1909-1957), um dos grandes escritores do séc. XX: lê-o, antes que se vá o ano, e agradece à milagrosa Relógio DÁgua
Malcolm Lowry (Clarence Malcolm Lowry, 1909-1957), um dos grandes escritores do séc. XX: lê-o, antes que se vá o ano, e agradece à milagrosa Relógio DÁgua
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