terça-feira, 31 de maio de 2011
De viagem, mas não posso deixar de denunciar o crime
O indesejadoContra tudo e contra todos
por Manuel António Pina
A Câmara do Porto teve uma ideia particularmente civilizada e de grande sofisticação científica para controlar o número de animais errantes da cidade: matá-los à fome.
"Apela" assim aos munícipes para que "não alimente[m] os animais", pois na Câmara julga-se que é o "excesso de alimento [que] provoca o aumento das populações de animais" e não o facto de (como sucede com os vereadores, não consta que alguma vez um vereador tenha aparecido grávido depois de um banquete camarário) se reproduzirem.
É certa disso (que o "excesso de alimento" faz filhos) que a Câmara do Porto ignora iniciativas como a da Associação Animais de Rua para que, como acontece na generalidade dos países desenvolvidos (e em outras autarquias portuguesas), adopte um Programa CED (Capturar-Esterilizar-Devolver) nas colónias de animais seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde, a World Society for Protection of Animals, a Ordem dos Médicos Veterinários e a própria Direcção-Geral de Veterinária.
Não, a Câmara do Porto prefere matar, à fome que seja. Contra tudo e contra todos: a Convenção Europeia para a Protecção dos Animais de Companhia; os Decretos-Lei nºs 276/2001, de 17/10, e 315/2003, de 17/12; a Resolução 69/11 aprovada por unanimidade (portanto também por PSD e CDS) na AR. E contra o mero bom senso: há 30 anos que anda a matar animais e ainda não percebeu que não é assim que controlará o seu número.
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 01/06/2011
Um homem que, de roubado, quis ser rico... com mulheres pelo meio...
Foi por aqui que Berlusconi se perdeu.Ou ganhou.
Quem sabe?
Como se diz em Nápoles: era uma ”femena" -o que não lhe daria direito a ofendê-la.
Ao machismo pago com euros.
Berlusconi tocava bandolino, nos barcos de cruzeiro, quando era pobre.
Percebeu que a moral não existia.
Roubou, como os outros, e enriqueceu.
Perdeu agora tudo: mais do que as eleições: o ser para o ladrão comum um exemplo.
E eu vejo a minha Itália levantar-se.
Qual?
A de Pasolini, de Dante, de Visconti! De Umberto Saba!
Da Piazza Navona!
Do Campo dè Fiori!
Da alegria!
Nunca desisti dela: a Itália é sempre o sítio mais bonito do mundo.
E confirma.
Quem?
Quem manda um ganancioso para casa.*
*cuidado!, tens aí material de caça, coelhos, e portas sem fechadura... atenção! NÃO DEIXES QUE O ROUBO CONTINUE!
A esperança.

Segundo The Economist, após a viagem à Irlanda, em busca das suas origens, Barack Obama passou a usar o nome de Barack O’Bama.
No encontro com os patrícios da pequena cidade de Monneygal, no Pub do sítio, O’Bama bebeu o seu pint.
Na sequência ou na antecedência, lembrou “Yes, we can”, em vernáculo gaélico.
Os compatriotas exultaram e aplaudiram, entusiasticamente.
Duas coisas os emocionaram: verem-no ali com eles a beber um pint e transmitir-lhes, em pura língua local, a certeza de tudo depender de nós querermos –porque, "quando queremos, podemos", já o diz o nosso povo, e ainda o diz em português, apesar do aborto do acordo ortográfico, a marrar para se impor.
Sentiram-se reconfortados –pobres irlandeses, vítimas do neo-liberalismo selvagem, como nós!- ao ouvir dizer a O’Bama, que a sua bebida preferida, sem ofensa para a pint em curso no seu esófago, é
a esperança.
Exactamente a que eu tenho: espero na recusa de coelhos e portas (fechaduras a impedirem andar adiante), Domingo próximo.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
O direito à greve

"A greve nos transportes atingiu 95%"
dos jornais
Neste momento, a greve pode parecer infeliz: estamos sem cheta, sem dinheiro.
Mas quem vê que os milhões são só para alguns e se vê à rasca para chegar ao fim do mês, tem toda a razão de protestar.
E o direito à greve, AINDA constitucional, é quase só o que resta aos trabalhadores.
Aos humilhados e ofendidos.
E roubados.
Que somos, 99% dos portugueses.
domingo, 29 de maio de 2011
Atitudes que descomprimem

O prestigioso e estimado Borda d’Água, hoje, 30 de Maio, continua a omitir sondagens acerca dos resultados das eleições do próximo Domingo, 5 de Junho.
Certamente, por escrúpulo e tradição de verdade.
Agradeço ao Borda d’Água a opção saudável: refresca a mente e trava a ameaça de depressão que paira sobre todos nós.
Carta a uma amiga
A bandeira que é urgente recuperar...A minha amiga Ana comentou o meu post, intitulado “A Natural Indignação”.
Muito lhe agradeço, em país de mudos complexados, desconfiados, com medo que não os levem a sério, reconheçam a sua desistência, em país onde o medo da opinião, herdado de 48 anos de salazarismo, perdura ou acompanha a ordinarice, o insulto, o rebaixamento do outro, como se, assim, subisse o humilhado,
Uma mulher disse o que lhe ia dentro.
Ana dirigiu-se-me, abertamente.
Ana é uma pessoa boa, inteligente, sensível, culta, saudavelmente insatisfeita, honesta e ansiosa por que tudo o que está mal mude.
Discorda do que eu disse, no comentário ao post referido.
E eu discordo do que ela diz, em resposta.
Eis o diálogo, de desacordo e acordo, cuja urgência sublinhava Régio.
1º diz o povo: “palavras leva-as o vento”; com razão; o que se faz é que fica: o que se escreve, por exemplo;
1º a falar pode ser dizer balelas.
2º Lutar nunca bastou quando só grito, porque a luta pelo grito acaba no eco e, se houver eco, pode ser que se extinga, quando já não houver mais eco;
3º Filho de magistrado, descendente de séculos de magistrados (havia um Gaspar Lopes Cardoso, juiz em Beja, por aí em 1634, consta dos livros, e depois vieram dezenas de outros, por outros lugares, nas Beiras, em Trás-os-Montes, em Lisboa, na Vila da Feira, em Vila Franca, em Angola, em Cabo Verde...), respeito a magistratura, porque convivi com magistrados e vi a dificuldade subjectiva e objectiva que é sê-lo e assumi-lo;
4º o mal que se diz da magistratura -a Ana não deu por isso- é o mesmo que se diz dos professores e dos médicos e de tudo;
4ºa a Ana ainda não reparou que todas essas calúnias vêm da direita que quer desacreditar tudo quanto haja acontecido, continuado, depois do 25 de Abril,
4ºb nem reparou que a sua indignação ajuda a direita a recuperar o poder.
4ºc respeito a magistratura, assoberbada de trabalho e vítima da redução do Estado. E acredito na integridade dos magistrados e dos representantes do Ministério Público.
4ºd Ana: estou farto de calúnias.
5º Não gosta de Sócrates? Discordo de Sócrates, mas respeito a coragem, que é autenticidade, com que Sócrates assume as suas ideias e defronta a crítica, quase sempre de má fé e pouquíssimas vezes honesta;
5ºa Sócrates é, julgo, um socialista-reformista;
5ºb é um homem inteligente e culto;
5ºc eu sou um socialista (de esquerda porque o socialismo é à esquerda e se deixa de o ser é um "pudim", onde as varejeiras e os chacais ultramontanos, PSD, CDS, vêm aproveitar-se da carne podre);
5ºd mas quem não pensa como eu penso não é obrigado a pensar como eu,
5ºe devo respeitar quem é coerente com o que pensa, e Sócrates é.
6º Não percebi o que é que a Ana considera “esquerda”; para mim, o PS é um partido de esquerda,
6ºa provavelmente, separa-nos a tese catastrófica: seguindo-a e recusando apoiar os socialistas, a extrema esquerda, na Alemanha, nos anos 20, abriu as portas ao partido nazi; e, indo depressa, em 1976, a oposição sistemática do PCP à reforma agrária proposta pela esquerda socialista permitiu, aos sub-socialistas instalarem um PS republicano e esquecido do socialismo,
6ºb tal qual, em 1987, a antipatia de Mário Soares pelo PRD de Ramalho Eanes levaria à anti-socialista dissolução da AR e à impossibilitação, até hoje, de um governo realmente de esquerda,
6ºc mais: levou ao acesso ao poder, de Cavaco, primeiro-ministro, com maioria absoluta, Cavaco (o nome diz a pobreza: pouca madeira, pouca coisa por dentro: a espiritualidade, por exemplo, a sensibilidade, a inteligência criadora, que a esperteza do Chico Esperto e curto substitui), o mais mesquinho dos políticos portugueses: inculto e intolerante.
6ºd esse dogmatismo do PCP, em 1976 (o de se oporem à Reforma Agrária proposta por António Lopes Cardoso, de o ameaçarem e tentarem agredir e coisas ainda menos nobres*) foi outro crime: um crime que se continua a pagar agora, hoje, dia 29 de Maio de 2011.
7º No entanto, amiga Ana, é no socialismo que eu vejo o futuro.
7ºa porque quem é socialista -pode até não ser do Benfica-, acredita nos seguintes valores: a igualdade, a fraternidade, a liberdade, a igualdade de oportunidades, o direito a trabalhar e comer, o direito a ser ele próprio, o direito a ser ajudado e curado das maleitas, o direito à opinião, o direito a recusar ser escravo de qualquer que seja o totalitarismo –e aí à frente está a globalização e a nova escravatura.
8ª esse é um socialista.
UM HOMEM.
* a propósito de Homens, há que esclarecer: António Lopes Cardoso era um deles e, perante o amolecimento republicano do governo socialista, o 1º depois da votação da Constituição, demitiu-se: não pôs o lugar à disposição do 1º Ministro: entregou-lhe a carta em que se demitia.
Da vida de António Lopes Cardoso há muito ainda por contar.
Por exemplo: a razão por que não foi candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.
A natural indignação

Os maus governos provocam o descontentamento. E, quando carreiam a injustiça, despertam a indignação. A natural, legítima, compreensível repulsa.
Um pouco por toda a parte traduziu-se ela em comícios, em protestos de rua. E o que daí advirá?
Entre nós, o mau governo enraíza fundo nos séculos e, com altos e baixos, vem envenenando o 25 de Abril.
É do prefácio de “Os avós dos nossos avós”, de Aquilo Ribeiro, que transcrevo:
“Sendo o português sociável por excelência, na vida prática, para lá da boa intenção, é o mais inaglutinável dos viventes. E porquê? Porque associação implica vontade, disciplina, sobretudo esforço a longo prazo (...) nesta aversão pelo associacionismo o elemento de repulsa não é representado pelo amor da liberdade (...) antes rebeldia aos vínculos morais, atonia perante o dever social, impropriedade do seu individualismo para tudo que tenha carácter colectivo”.
Pergunto: a indignação cevar-se-á nela própria? Limitar-se-ão ao prazer de protestar aqueles que protestam?
Não creio que baste: arriscam-se a não ir além de um entusiasmo efémero.
Acusam os partidos, viram-lhes as costas. Condenam-nos à extinção.
Ora um partido é uma associação com um ideal, associação constituinte da democracia.
Instrumento e elemento essencial da democracia, como outras associações, os sindicatos, por exemplo.
Mas voltemos ao descrédito dos partidos.
Apura-se, que o seu ideal foi traído: chegado(s) ao poder, governou (governaram) o(s) partido(s) ao invés do que, a ser coerente, deveria(m) governar.
Não admira ver, depois, os que votaram nesses partidos a repudiarem-nos e a declarem-nos mortos.
Mas tais mortes não acarretam a morte do ideal democrático: reclamam a sua defesa.
O ideal, ainda que traído, nunca morre.
Dizermos, porém, que não queremos e não dizermos o que queremos, não leva a nada, pelo contrário, leva ao descrédito.
A indignação é a revolta da ética ofendida que urge salvar e reforçar.
Palavras -ainda que justas, bonitas, emocionantes, espectaculares- leva-as o vento.
Há que se estruturar, organizar, definir.
Apresentar, após, as razões, um programa: um caminho.
publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias de 29/05/11, revisto e desenvolvido
sábado, 28 de maio de 2011
José Régio: um grande escritor silenciado
De cada vez que releio José Régio, ganho sempre mais alguma coisa.
Nenhum dos seus poemas, nenhum dos seus romances, nenhum dos seus contos, nenhuma das suas peças de teatro, nenhum dos seus ensaios é gratuito ou superficial.
A sua obra é a expressão de uma aventura espiritual verdadeira.
E extraordinária.
Indigna-me constatar que os neo-literatos, os fantoches do espectáculo ridículo da feira de vaidades e de socorros mútuos dos plumitivos para-analfabetos, continuam a enterrá-lo, a silenciá-lo, ignorá-lo.
Não faz mal que um ignorante incurável ignore um grande homem.
Mas um idiota não tem o direito a maltratar os grandes homens.
Sabes, amigo, como podes saber da grandeza de José Régio?
Lendo-o.
É urgente o diálogo
José Régio“Tudo é muito difícil... o homem muito complexo. Por isso mesmo temos de procurar a simplicidade onde quer que a possamos fazer valer. A simplicidade... não a estreiteza. O nosso erro comum é sermos sempre estreitos! Tudo fiar de uma ideologia... esta ou aquela... quando todas juntas não bastam a resolver o problema do homem. É um problema de muitas faces, não é?... Bem sei, bem sei que geralmente não pode cada um de nós... ou não pode cada uma das nossas ideologias... encarar senão um aspecto do problema. Então pensa que é esse que tem de ser desde já resolvido... resolvido antes de todos... e chega a tornar-se inimigo dos outros amigos do homem. Esses outros também por sua vez julgam mais importantes os aspectos da sua especialidade, e também reagem como inimigos. Todos os homens unidos para o bem do homem... ainda seriam pouco! Mas até por causa do bem do homem os homens se tornam inimigos entre si, cada um brandindo a sua ideologia como solução única... fazendo das ideologias pedras com que se ferem pretendendo ajudar-se. Meus amigos... tudo tem de ser visto ao mesmo tempo no homem quando se pretenda ajudar o homem... libertá-lo na sua integridade. Sim, nenhum de nós pode ver tudo ao mesmo tempo, querer resolver tudo. Por isso mesmo seria preciso juntarmo-nos... ajudarmo-nos... os que vemos faces diversas do problema complexo. Seria preciso uma sincera boa vontade aliada a uma grande humildade... e a aliança de todas as capacidades de acção... para não substituir umas estreitezas por outras... umas servidões por outras... não resolver uns males à custa de outros males...”
José Régio, in Vidas São Vidas, pp. 412, 413 da 2ª edição, póstuma, aumentada com os Rascunhos para o 6º volume de A Velha Casa, 1973, Brasília Editora
sexta-feira, 27 de maio de 2011
O coelho fala-barato
O coelho em campanha não quer perder pitada!O maior problema
por Manuel António Pina
O maior problema de Passos Coelho talvez não seja mudar de opinião de um dia para o outro, ou então, como agora com as suas afirmações sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG), de um ano para o outro.
Nem talvez o facto de ter sempre a opinião da última pessoa com quem falou. Tinha-se visto isso após a conversa com o prof. Santana Castilho sobre Educação. Viu-se de novo nas declarações sobre a lei de despenalização da IVG, que passou a achar que pode "ter ido longe de mais" e precisar de ser "reavaliada", admitindo mesmo um novo referendo sobre a matéria. Infelizmente, a última pessoa com quem terá falado deve ter sido alguém do partido Portugal Pró-Vida e não da Associação para o Planeamento da Família, pelo que ficou sem saber que, afinal, a lei tem vindo a ser "profundamente avaliada": "Todas as IVG estão registadas, a Direcção-Geral de Saúde tem feito relatórios semestrais e anuais sobre a IVG, tem havido inspecções aos serviços de IVG feitas pela Inspecção-Geral da Saúde e têm ocorrido encontros anuais de profissionais envolvidos nos serviços de IVG de todo o país".
O maior problema de Passos Coelho é precisar, sempre que diz qualquer coisa, de que venha alguém explicar o que quis dizer. Ontem esteve de plantão Assunção Esteves, a quem coube desta vez a ingrata missão de "esclarecer a mensagem" do líder. Resta saber é se se tratou de um esclarecimento ou de um branqueamento.
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 27/05/11
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Vidas perdidas
“O que há hoje sobretudo não é tanto a ignorância ou o erro, a infâmia ou a loucura: é a atrofia do coração junta à futilidade do ânimo. Quem cura da Justiça? Cada qual quer viver, gozar! Nós somos uns pobres doidos, maus e cruéis para nós mesmos, que nos comprazemos em destruir e soterrar todas as fontes dos nossos bens.”
Antero de Quental, carta a António de Azevedo Castelo Branco, Abril de 1866
quarta-feira, 25 de maio de 2011
O sorriso amarelo de Eça de Queirós
Imagem do Rossio, no século XIX“De ano a ano, Eça de Queirós vem a Lisboa, observar de quantos séculos Portugal retrogradou, desde a última visita que lhe fez. Traz sempre a lente do mesmo grau, a fim de não se atribuir a efeitos do vidro, a mesquinhez da imagem obtida.
E das suas janelas do Rossio, vê arrastar-se em baixo, a miserável gente, amarela e morna, que vai para o emprego público, ou vem da casa de penhores. A fealdade das casas amedronta-o e desconsola-o.
-Mas esta gente, foi então feita por curiosos! diz ele, parando ás vezes na rua. No fundo da sua ironia, há uma bondade grave, talvez triste”.
Fialho de Almeida in Figuras de Destaque
Bom dia com uma sondagem a corrigir a ganância coelhal

"O PS e o PSD estão rigorosamente empatados. De acordo com uma sondagem da Universidade Católica para o JN, registam ambos 36% das intenções de voto, quando faltam duas semanas para as eleições legislativas. Um empate conseguido à custa de uma ligeira subida (dois pontos percentuais) dos sociais-democratas relativamente à última sondagem."
in Jornal de Notícias de 25/05/11
Se leste a sondagem lançada no Público há dois dias... ficas de boca aberta!
Don Giovanni, segundo Mozart, queixava-se: “la donna è mobile”...
Afinal, supermóvel é o eleitorado!
A sondagem de há dois dias pulverizava a esquerda e colocava nos píncaros da glória o PSD e o CDS.
Afinal, parece que não é assim.
E, se quiseres que te diga, penso que não é assim, que virá a ser ainda mais positivo o resultado das eleições.
Porque votarei à esquerda do PSD?
Wishfull thinking?
Talvez um pouco das duas coisas...,
mas, determinante, leva-me a pensá-lo acreditar no bom senso do cidadão comum.
Se todos sabemos que foi o neo-capitalismo, através da banca, que nos atirou para a... banca rota,
iremos confiar o nosso voto aos partidos que representam, na arena política, esse neo-liberalismo amoral, esse neo-capitalismo selvagem?
De onde poderás concluir, amigo, que, apesar de desconfiar as sondagens, começo o dia mais feliz... graças a esta sondagem
E, por não me fiar das sondagens, no dia 5 de Junho, lá estarei a votar de modo a impedir a facada final:
um governo PSD/ CDS.
Se não votar... “voto neles”, que muito beneficiariam da minha abstenção.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Do que se passa depende o nosso futuro!
Portugal é quase já só nomes de terras...As pessoas evitam ouvir a verdade. Só gostam da infelicidade dos outros: terramotos no Japão, tornados na América, a miséria no Haiti.
Não é da sua responsabilidade e até têm pena, gostariam de ajudar.
Mas não podem. É longe. Não podem...
Em casa, não gostam de saber de certas coisas.
Incomodam-nos.
Eles, afinal, em casa, por cá, em Portugal, amanham-se, arranjam-se. E o resto não querem que seja da sua responsabilidade.
Que se amanhem!
Os outros.
Meus amigos: querem só brincadeira?
Seria uma vergonha.
Neste blog continuará a haver debate sobre as coisas da arte. E da ética.
Por isso, pelo imperativo ético, e neste momento, haverá debate sobre as coisas da polis.
Da nossa cidade. Do sítio onde vivemos.
E onde a miséria cresce.
E a vigarice continua a prosperar e os vigaristas querem continuara a roubar.
É um dever cívico.
O respeito pelos outros.
Doem certas imagens?
Mostram o que deixámos que seja.
E temos a obrigação de nos opor à realidade que nos choca.
Vamos denunciar a mentira!
Os predadores

Os 20 magníficos
por Manuel António Pina
Com 689 000 desempregados e 204 000 "inactivos" (pessoas que desistiram já de procurar emprego), isto é, 15,5% de gente sem trabalho que os critérios estatísticos transformaram em 12,4%, o país já há muito teria soçobrado não fosse o patriótico esforço daqueles que, para compensar a calaceirice nacional, se desdobram por sucessivos postos de trabalho, correndo incansavelmente de um para outro, indiferentes à tensão arterial, ao colesterol, aos triglicerídeos e à harmonia familiar.
O Relatório Anual sobre o Governo das Sociedades Cotadas em Portugal - 2009, da CMVM, agora tornado público, refere "cerca de 20" desses magníficos, todos membros de conselhos de administração de empresas cotadas, muitas delas públicas, que "acumulavam funções em 30 ou mais empresas distintas, ocupando, em conjunto, mais de 1000 lugares de administração".
Revela a CMVM que, por cada um destes lugares, os laboriosos turbo-administradores recebem, em média, 297 mil euros/ ano, ou, no caso dos administradores-executivos, 513 mil, havendo um recordista que, em 2009, meteu ao bolso 2,5 milhões de euros.
Surpreendente é que, no meio de tanta entrega ao interesse nacional, estes heróis do trabalho ainda encontrem nas prolixas agendas tempo para ir às TV exigir salários mais baixos e acusar desempregados, pensionistas e beneficiários dos "até" (como nos saldos) 189,52 euros de RSI de viverem "acima das suas possibilidades".
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 24/05/11
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Alegria no trabalho
Uma gargalhada de experiência feita...
A este já não o enganam..."Passos assume-se como um candidato a primeiro-ministro de “cara lavada”
título do Público de hoje
Os ultraliberais voltam ao FMI?

Editorial
Reforma o reacción
La caída de Strauss-Kahn no debe ser utilizada para devolver al FMI a posiciones ultraliberales
Hay una cuestión más decisiva que el origen, europeo o no, del próximo director gerente del Fondo Monetario Internacional (FMI), tras la inevitable renuncia del francés Dominique Strauss-Kahn, en arresto domiciliario, que afronta ya una larga travesía judicial en EE UU y cuya posición se había hecho insostenible desde el mismo momento en que fue desembarcado de su vuelo hacia París acusado de agresión sexual. Estriba en si la persona que le suceda imprimirá a su mandato una línea de continuidad en la reforma que estaba en marcha o bien pretenderá darle un giro hacia atrás y volver a los viejos tiempos en que la institución quedó secuestrada por el pensamiento ultraliberal propio de los neoconservadores, que aprovechan el humillante final de Strauss-Kahn para llevar agua a su molino.
El perfil personal de quien encabeza una institución muy consolidada y añeja suele importar menos que en una entidad adolescente. Pero eso no opera con el FMI, puesto que pese a su dilatada historia de hecho ha sido refundado en los tres últimos años de crisis mundial, recuperando algunas de las vocaciones estabilizadoras y de intervención que para él pretendieron en 1944 sus fundadores. Ahora, pues, importa, y mucho, el sesgo de política económica que adorne a su nuevo responsable.
La inyección masiva de fondos para suturar crisis nacionales imprevistas; la consideración de la política de empleo como asunto relevante; la combinación del estímulo al crecimiento con la estabilidad presupuestaria; y la insistencia en la necesidad de una estricta regulación financiera y en el control de los abusos de la banca y de otros agentes económicos han sido algunas de las señas de identidad del FMI dirigido competentemente por Strauss-Kahn, cualesquiera que sean sus borrones personales. Esta estrategia debe continuar, acelerarse y profundizarse, so pena de volver a sentar las bases para una recaída en la recesión.
Para una tarea así, la UE cuenta con muy buenos candidatos (especialmente Christine Lagarde), así como otros pésimos, por contradictorios con la misión (Axel Weber). Pero los dirigentes europeos deben enarbolar más la calidad de los aspirantes que sus derechos históricos o el hecho de ser los principales financiadores de la institución. Porque hay otros muy buenos perfiles exteriores. Y siempre es mejor convencer que vencer.
transcrito, com a devida vénia, do El País de 21/05/11
domingo, 22 de maio de 2011
Bom dia!
Amedeo Modigliani nasceu, em Livorno, a 12 de Julho de 1884 e morreu, em Paris, a 24 de Janeiro de 1920
Somos nós quem constrói os dias
'Harmonia azul', 1925, óleo de Pierre Bonnard"Camarada, não aceites a vida tal que a propõem os homens. Nunca deixes de acreditar que poderia ser mais bela, a vida; a tua e a dos outros homens; não, uma vida futura, outra, que nos consolaria desta e nos ajudaria a suportar a sua miséria. Não aceites. A partir do dia em que comeces a compreender que o responsável por quase todos os males da vida, não é Deus, são os homens, tu deixarás de te resignar a esses males.
Não sacrifiques aos ídolos."
André Gide, in Les Nouvelles Nourritures
Portugal, Lisboa, Rossio: também aqui a juventude acordou

Activistas do movimento 19M permanecem no Rossio mais um dia
Este domingo, o grupo reúne-se para decidir novas acções
Os activistas que desde sexta-feira estão concentrados no Rossio, em Lisboa, anunciaram que vão passar mais uma noite de vigília nesta praça emblemática de Lisboa e que novas iniciativas serão anunciadas este domingo.
Este domingo, o grupo reúne-se para decidir novas acções
Os activistas que desde sexta-feira estão concentrados no Rossio, em Lisboa, anunciaram que vão passar mais uma noite de vigília nesta praça emblemática de Lisboa e que novas iniciativas serão anunciadas este domingo.
e acordo com o grupo de informação e comunicação dos activistas do movimento 19M, os participantes decidiram que vão permanecer mais uma noite, durante a qual deverão trabalhar ideias que desde sexta-feira estão a ser reunidas.
"A única coisa que está garantida é que vamos continuar cá mais um dia e apelar à população que se junte a este causal de protesto", disse um elemento deste grupo à agência Lusa.
A decisão foi anunciada no seguimento do trabalho de vários grupos "criados espontaneamente" na madrugada de sábado para as áreas da logística, comunicação e informação, cultura, assessoria jurídica e de segurança, acção directa, manifestações e manifesto.
Estes grupos elaboraram várias propostas que foram na noite de sábado apresentadas, debatidas e decididas em "assembleia popular".
Os activistas marcaram esta noite uma nova "assembleia popular" para as 18 horas de domingo, adiantou à Lusa o mesmo activista.
Um manifesto entretanto aprovado refere que uma das "premissas principais" do movimento é "devolver à democracia o seu verdadeiro sentido: um governo dos cidadãos, uma democracia participativa". Exige, além disso, "uma deontologia para os políticos que assegure as boas práticas".
"Não apelamos à abstenção. Exigimos que o nosso voto tenha uma influência real na nossa vida", lê-se no documento, que pode ser consultado na Internet, nomeadamente na rede social Facebook e que é adaptado do manifesto da Puerta del Sol para a realidade portuguesa.
A Puerta del Sol, em Madrid, é o centro dos protestos contra a crise e o desemprego que levaram já milhares de espanhóis a acamparem numa "cidade improvisada".
Em Lisboa, e depois de se terem concentrado junto à Embaixada de Espanha, na Rua do Salitre, cerca de duas centenas de jovens espanhóis e portugueses concentraram-se na sexta-feira à noite na Praça D. Pedro IV para dar início a uma "assembleia popular" onde cada um dos manifestantes pode "partilhar as suas ideias".
Entre as ideias apresentadas está o fim do capitalismo, da globalização e da pena de morte, mas também o apoio aos manifestantes espanhóis "acampados" na praça da Puerta del Sol, em Madrid, há cinco dias, tal como a necessidade de uma "nova política".
De acordo com o manifesto do movimento, conhecido por "19M -- Revolução Portuguesa", "o descrédito da política trouxe consigo um sequestro das palavras, por parte de quem detém o poder". "Devemos recuperar as palavras e dar-lhes significado, para que não se manipule com a linguagem e se deixe a cidadania indefesa e incapaz de uma acção coesa", defendem os activistas.
"Os exemplos de manipulação e sequestro da linguagem são numerosos e constituem uma ferramenta de controlo e desinformação", prossegue o texto.
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje
sábado, 21 de maio de 2011
Vida liberdade livre

Um poema de José Régio (“Poemas de Deus e do Diabo”, 1926) empolgou gerações, ao longo de décadas: “Cântico Negro”. E, dele, muitos fixaram os versos “Não sei por onde vou, Não sei para onde vou,/ -Sei que não vou por aí”.
Completam-no estas linhas de “a lição inútil ou carta a um juvenil individualista”, publicadas na “presença”, em Julho de 1928: “coisa luminosa: Ser de determinada maneira pessoal e fatal -qualquer coisa que se seja. No como cada um é qualquer coisa (quer por de facto o ser, quer por o querer ser, quer por o julgar ser) está o verdadeiro individualismo, a verdadeira independência, a verdadeira originalidade, a medida de cada um”.
Não seguir caminhos impostos, reivindicar a própria personalidade –eis a vida assumida como liberdade livre.
Houve quem, inquisitoriamente, acusasse Régio de “umbiguista”, de egotista/egoísta. Eram os antolhos a limitarem a compreensão.
Régio reclamava e o direito à diferença.
Régio reclamava e o direito à diferença.
No nosso tempo de peste e asfixia, o direito a cada um escolher o seu caminho encolhe, esfuma-se, desaparece.
“Animal Farm”, o terrível romance de Orwell, foi ultrapassado: aquilo que acontece hoje -a despersonalização do homem, a sua redução a peça de máquina- já transformou o dia-a-dia num deserto. Numa realidade sem sentido -carente de originalidade, novidade, criatividade. É um mundo de coisas enlatadas, com um rótulo em cima: “produtos rentáveis”.
O homem realiza-se no encontro e no diálogo com o outro –mas tu e o outro, tendes de levar, para a conversa, a própria verdade ou ela será inútil. O diálogo é inútil, quando a resignação e a desistência enformam os parceiros e os ancilosam.
publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias de 22/05/11
Barcelona, Plaza de Catalunya, 21 de Maio de 2011
O protesto dos "indiganados" alarga-se a toda a Espanha
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O que se passa em Espanha
Imagem da Puerta del Sol, em Madrid, ontem¿Qué quiere Sol?
por Patricia Ortega Dolz e Inés Santeeulalia
Los variopintos perfiles que confluyen en la acampada de indignados empiezan a dar forma a una lista concreta de reclamaciones que exhibir ante la sociedad
A escasos metros del Congreso de los Diputados ha surgido otro parlamento. Otra democracia nace de cero en el kilómetro cero y ha convertido la Puerta del Sol en una gran ágora. En vez de bancadas de diputados hay metros cuadrados de suelo; en lugar de presidente del Congreso hay un moderador que estudió Clásicas y que en la actualidad dice dedicarse a la interpretación.
A cambio de la mesa del Congreso hay un chaval que toma nota de lo que se dice y hace un resumen de cada tema antes de pasar al siguiente. No hay un orden del día sino una hoja con 24 puntos abiertos a aportaciones y propuestas que se suceden con solo levantar el brazo y que se aprueban agitando las manos como en el lenguaje de los sordomudos.
Existen comisiones por áreas (comunicación, asamblea, infraestructuras, alimentaria...), pero no en despachos sino debajo de tiendas de campaña, lonas o a la intemperie. Hay incluso corrillos, que no son en los pasillos sino en plena calle, en cualquier esquina. Acalorados y apasionados enfrentamientos dialécticos surgen como setas en la nueva ágora de la Puerta del Sol. Aguzando los oídos cualquiera puede ponerse al día de los temas más candentes de la actualidad. Los ciudadanos hablan.
"Consideramos leyes injustas la Ley de Extranjería, el Plan Bolonia, la Ley Sinde, la Ley electoral y la de Igualdad de género", suena por un megáfono que rula de mano en mano en la asamblea. "Hay que acabar con el apoyo estatal a la Iglesia", defiende una mujer de mediana edad. "Los rescates deben ir dirigidos a las familias desahuciadas y no a los bancos", vocea un joven. Una avalancha de propuestas de hora y media. "Estamos buscando un consenso de mínimos que nos aclare lo que estamos defendiendo", apunta el moderador.
Como en La autopista del sur de Cortázar, un hecho extraordinario ha creado una nueva realidad con una dinámica propia. La manifestación que el pasado 15 de mayo reunió a miles de personas indignadas por la situación sociopolítica y económica de España y la posterior acampada en el centro neurálgico de la capital, han dado lugar a un micromundo que se hace y gira al mismo tiempo, en sentido contrario al que venía siendo cotidiano.
Lo primero fue organizarse y garantizar las necesidades básicas. Lo segundo, ahora y ya, es articular un discurso que les permita explicar a la sociedad una queja global y generalizada contra las carencias del sistema democrático imperante.
Se trata de perfilar una protesta que ha sido capaz de aglutinar al amplísimo y heterogéneo número de personas que conforman este movimiento espontáneo.Un movimiento que, más allá de los presentes cada día en la Puerta del Sol, aúna todo un espíritu colectivo de desencanto y hartazgo que viene asolando a una parte de la población. El Movimiento 15-M se infla y se desinfla, sube y baja en función de las horas del día. Hay tres asambleas en cada jornada y una concentración.
En plena recta final de la campaña electoral [eleições municipais e autónomas], estas gentes, venidas de todas las partes de Madrid y ciudades limítrofes, guardan un as en la manga. Cierto es que ni ellos mismos saben aún cuál será la jugada. Ni si pintan espadas o pintan bastos, pero lo guardan como oro en paño y podrían ponerlo sobre la mesa en cualquier momento:
"¿Qué haremos el domingo frente a las urnas?". La pregunta se la lanzaban entre ellos mismos, pero nadie daba una respuesta. De momento, lo que sí se ha votado masivamente en sentido favorable es la manifestación del sábado (día de reflexión), que ayer por la noche prohibió la Junta Electoral Central. En la asamblea de hoy Sol
Definirá cómo, cuándo y dónde.
Todo el trabajo y las reuniones de ayer se centraron, por tanto, en crear el germen de ese manifiesto de mínimos. Primero, los temas clave que les preocupan, luego las propuestas y después las votaciones. El resultado de ese proceso será una especie de programa marco que sustituirá al manifiesto original, que simplemente identificaba el movimiento, y que tratará de dar respuesta a la gran pregunta de los cuatro últimos días: los indignados no quieren las cosas como están, ¿pero qué quieren?
En las asambleas de ayer dieron su apoyo a una serie de propuestas que, sumadas a las que se han ido depositando en los buzones que tiene cada comisión, formarán la base sobre la que, después de someterse a votación, se tratará de elaborar el perseguido manifiesto de mínimos. He aquí algunas de esas reivindicaciones concretas:
- Abolición de leyes injustas. Suprimir y sustituir normas como la Ley Sinde, el Plan Bolonia, la Ley de Extranjería, la Ley de Partidos o la ley electoral. Y apoyan que las leyes clave que aprueben las Cortes vayan precedidas de un referéndum.
- Tercera República. Unos quieren un referéndum para votar monarquía o república, otros apuestan directamente por hacer desaparecer de la Constitución todo lo que tenga que ver con la Casa Real.
- Reformas fiscales. Abogan por "favorecer las rentas más bajas", por "que paguen más los que más tienen" y por "que el IVA sea un impuesto progresivo". Además, entre otras muchas cosas, quieren "que se establezca la tasa Tobin para gravar la especulación y el movimiento de capitales y que lo obtenido por esos impuestos revierta en políticas sociales". Se propugna asimismo "nacionalizar los bancos rescatados".
- Transporte y movilidad. Favorecer el transporte público y alternativo al coche, crear una red de carril bici, subvencionar el abono transporte a los parados.
- Reforma de las condiciones laborales de la clase política. Se aboga por la supresión de sueldos vitalicios, la formación reglada (que opositen), la revisión y balance de las políticas al concluir cada mandato, listas electorales limpias y libres de imputados por corrupción política.
- Desvinculación total de la Iglesia y el Estado y División de Poderes. La religión debe ser circunscrita solo a la intimidad y los jueces deben estar lejos de la política.
- Democracia participativa y directa. Apuestan por un funcionamiento asambleario en la base ciudadana (barrios, distritos...) apoyado en Internet y las nuevas tecnologías. Piden también participación en los asuntos relativos a la gestión de los presupuestos por las distintas administraciones. En general, descentralización del poder político.
- Mejora y regularización de las relaciones laborales. Básicamente se trata de acabar con la precariedad salarial y el "abuso" de los becarios, estableciendo un salario mínimo de 1.200 euros, con un Estado que garantice el empleo y la igualdad salarial.
- Ecología y Medio Ambiente. Cierre inmediato de las centrales nucleares y apoyo a las economías sostenibles.
- Recuperación de las empresas públicas privatizadas. La Administración debe de hacerse cargo de nuevo de la gestión.
- Fuerza del Estado. Reducción del gasto militar, cierre de las fábricas de armas y negativa a la intervención en cualquier escenario de guerra.
- Recuperación de la Memoria Histórica. Condena del franquismo.
transcrito, com a devida vénia, de El País, 20/05/11
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Agustina

À volta de Agustina Bessa Luís, estabeleceu-se um silêncio esquisito.
Começa o processo de aniquilamento da grande escritora?
Precipitam-se, sobre ela, os canibais da nossa feira literata, ansiosos por a arredarem, apagarem... abrirem o seu, deles, espaço, trotando em direcção à glória com que sonham (e babam-se, a sonhá-la)?
Fui ver o que pensa a genial autora de centenas das melhores páginas de ficção narrativa em língua portuguesa –como ela julga, precisamente, a glória.
Glória
A glória, sobretudo a glória fácil, sempre me pareceu a parte vil do mérito, e não fiz nada para a atrair. Nem pela afabilidade, nem sequer por simples provocação da recompensa. Quando a obra nos ocupa, desleixa-se a carreira. Também é certo que sou muito orgulhosa, considero isto um defeito extremamente nocivo, e a obscuridade tem servido para o corrigir. E não vou deixar que isso se modifique.
A glória, sobretudo a glória fácil, sempre me pareceu a parte vil do mérito, e não fiz nada para a atrair. Nem pela afabilidade, nem sequer por simples provocação da recompensa. Quando a obra nos ocupa, desleixa-se a carreira. Também é certo que sou muito orgulhosa, considero isto um defeito extremamente nocivo, e a obscuridade tem servido para o corrigir. E não vou deixar que isso se modifique.
in Dicionário Imperfeito, Guimarães Editores
Vampiros

"Eles comem tudo"
Manuel António Pina
Fala-se muito, nem sempre com honestidade, do chumbo do PEC 4 e da "crise internacional", atirando para as suas costas a responsabilidade da intervenção financeira externa e de todo o cortejo recessivo de consequências desastrosas que irá acarretar para a economia e para o país.
No entanto, raramente (para não dizer nunca) se ouve falar, no discurso político da "troika" partidária que se voluntariou para a capatazia das medidas "austeritárias", do papel da agiotagem financeira nacional e internacional seja na "crise" - que provocou e de que é a principal beneficiária - seja no processo que conduziu ao "resgate" (ah, as palavras!) do país.
Ora, se a nacionalização das fraudes financeiras do BPN e BPP já constituía um escândalo dificilmente explicável, fica agora a saber-se pelo DE que, desde o início da "crise", em 2008, o Estado, ao mesmo tempo que cortava impiedosamente nos recursos das classes médias e mais desfavorecidas, deu 6 mil milhões de euros de apoios à banca, ascendendo actualmente as garantias públicas ao sistema financeiro a 35 mil milhões. Além disso, como se sabe, ainda irá parar aos bolsos da banca uma fatia de 12 mil milhões dos 78 mil milhões do empréstimo de FMI, BCE e UE.
Não, não são os portugueses quem "vive acima das suas possibilidades", como constantemente bradam os banqueiros e seus factótuns nos media. Os bancos é que vivem acima das possibilidades dos portugueses.
transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias de 09/05/11
quarta-feira, 18 de maio de 2011
A Cultura na coelheira... "se"?...
Coelho medita reformas, especialmente na CulturaOs homens das "mudanças"
por Manuel António Pina
Nos dias que correm, com o país (ou a parte dele visível nos jornais e nas TVs) de olhos esbugalhados postos no pós-5 de Junho, a conjunção que mais vezes por aí se pronuncia nos discursos políticos é a subordinativa condicional "se".
O que não deixa de ser singular, tendo em conta que, sob a forma de memorando, a oração principal e seus sujeitos (FMI, BCE e UE), predicados e complementos não dependem da verificação de qualquer condição. Talvez por isso, o "se o PSD vier a formar governo" e o "se eu vier a ser primeiro-ministro" de Passos Coelho têm, de preferência, condicionado matérias da governação mais adjectivas que substantivas.
Recentemente foi essa coisa misteriosa que vem nas últimas páginas dos Orçamentos e dos programas eleitorais dos partidos e é de uso designar por "cultura" (no programa do PSD começa na página 253, imediatamente antes do "desporto" como nos jornais).
Parece que, no seu afã de "Mudar Portugal", Passos Coelho se prepara (tinha que começar por algum sítio) para, "se" o PSD ganhar as eleições, mudar o Ministério da Cultura do Palácio da Ajuda para uma arrecadação no nº 4 da Rua da Imprensa à Estrela onde, longe dos olhos dos tutores da "troika", se lhe dedicará pessoalmente.
Tantas vezes seduzida e abandonada, a Cultura encontrou finalmente alguém que tomará conta dela "de forma sustentada" e a fará (programa dixit) "cumprir integralmente o seu potencial". "Se"...
Tantas vezes seduzida e abandonada, a Cultura encontrou finalmente alguém que tomará conta dela "de forma sustentada" e a fará (programa dixit) "cumprir integralmente o seu potencial". "Se"...
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje
Fartos de ser explorados

“Manifestações espontâneas no centro de Madrid em protesto anti-sistema”
in Jornal de notícias de hoje
Esta notícia nada tem de extraordinário.
in Jornal de notícias de hoje
Esta notícia nada tem de extraordinário.
Tudo tem um limite.
E o que aconteceu teve consequências insuportáveis.
O sistema, a máquina neo-liberalista, assente no lucro financeiro e na especulação, atirou centenas de milhões para a miséria.
Disposto a recuperar, o sistema determinou que fossem os principais atingidos a indemnizarem a banca, através da qual a máquina aplicara uma política estritamente monetária, que estoirara com o Estado e com os cidadãos comuns.
Isto é: com todos quantos não pertenciam à oligarquia privilegiada.
A plutocracia, a oligarquia, a banca decidiu: aqueles que tinham servido à banca para encher os cofres, uma vez vazios os cofres da dita banca, por haver falhado o sistema, deverão financiar a banca, ajudá-la a recuperar o que perdeu.
Deverão continuar a empobrecer, sempre mais, mais e mais...
A juventude tem á sua frente o não-futuro. O não-trabalho. O desemprego.
A miséria.
Realmente, isso não é vida.
E vê a plutocracia recuperar, de facto, ou pelo menos estabilizar numa vida de luxo e abundância.
Vê, com os olhos que a terra há-de comer, com dores no corpo, com fome, com humilhações, com o sofrimento do abandono, a pouca vergonha.
A injustiça.
O roubo.
E chegou o “basta!”
O “não aceitamos!”
O “queremos ser gente!”
Espanha: a juventude indignada

Los sábados de Islandia llegaron al 15-M
por Óscar Gútiérrez
La revolución islandesa y su reforma constitucional, junto a las revueltas árabes, pasando por el fenómeno Wikileaks y las redes sociales han prendido la mecha
Hördur Torfason se acercó una mañana de octubre de 2008 hasta el que los islandeses llaman Althing, el Parlamento situado en la capital de Islandia, Reikiavik. Para entonces, el mayor banco del país, el Kaupthing, ya había hecho crack y el sistema financiero islandés estaba patas arriba. Torfason, junto a su guitarra, cogió un micrófono y abrió el canal para que los ciudadanos que quisieran expresar su malestar ante el revolcón que estaba sufriendo el país dijeran lo que pensaban. El sábado siguiente, la iniciativa de Torfason reunió a decenas de personas en el mismo punto. Los sábados de aquel otoño, ligados por el movimiento Voces del Pueblo, llevaron al anuncio de disolución del Parlamento y convocatoria electoral el 23 de enero de 2009. Y condujeron el murmullo ciudadano islandés hasta las gargantas de los miles de manifestantes reunidos en varias ciudades españolas el pasado 15 de mayo: “España en pie, una Islandia es”; “Nuestro modelo es el islandés” fueron algunos de los gritos lanzados al aire.
Los islandeses no se quedaron ahí. Sacudieron los cimientos del Gobierno, persiguieron a los banqueros que les llevaron a la bancarrota y dijeron ‘no’ en referéndum a la devolución a Reino Unido y Holanda de una deuda de 4.000 millones de euros. Y aún más -quizá lo que realmente gusta entre los que pisotean las calles, sobre todo, desde el 15M-: formaron una asamblea de 25 ciudadanos elegidos para llevar a cabo una reforma constitucional. Toda una revolución silenciosa en medio del protagonismo mediático de las revueltas árabes que el ingobernable canal de las redes sociales se encargó de rescatar.
Pero no solo de Islandia, un país de unos 320.000 habitantes, viven los que claman por una democracia real. No en vano, la organización que aglutina las movilizaciones, Democracia Real Ya, cuenta entre sus propuestas con unos 40 puntos que van desde el control del absentismo parlamentario a la reducción del gasto militar, pasando por la abolición de la ley Sinde. Y entre las adhesiones que ha arrancado este movimiento aparecen ya unas 500 organizaciones de toda índole. Pero ningún partido. Tampoco sindicatos. Los frentes de las marchas se multiplican sin hilo como lo hicieron los que acabaron bajo el paraguas de la antiglobalización o altermundialismo -Attac apoya las protestas- y que hoy viven, una década después de su nacimiento de la mano del Foro Social Mundial de Porto Alegre (Brasil), en un escenario más modesto que el que les enfrentaba antaño al elitista Foro Económico Mundial de Davos (Suiza).
Precisamente en Islandia, el australiano Julian Assange, editor de Wikileaks, encontró un teatro perfecto para llevar su proyecto a primera plana. Tal fue el éxito, que el Parlamento islandés adoptó un proyecto para reformar la ley de prensa siguiendo el modelo de transparencia y respeto a la libre expresión de la web de filtraciones. Así reza otra de las propuestas de Democracia Real Ya: “Protección de la libertad de información y del periodismo de investigación”. Wikileaks, la revelación sin freno de documentos públicos a través de la Red, sin intervención, en primera instancia, de los medios tradicionales, santos de poca devoción para muchos de los asistentes a las manifestaciones de estos días, ha sido otro de los combustibles de la mecha que prendió definitivamente el 15-M. No solo por la imagen de Assange, un ciberanarquista por el que se han manifestado cientos de personas tras ser acusado y detenido por supuestos delitos de abuso sexual. Sino por el destape en plena crisis económica de los abusos de los poderes, de la corrupción y el fraude político, principal diana de los dardos del Movimiento 15M.
Y todo esto a velocidad de crucero a través de una Red que ha multiplicado el eco del descontento y ha abierto la vía al hackeractivismo de colectivos como Anonymous, notable durante la campaña de defensa a Assange interviniendo contra empresas como PayPal o Visa, pero presente también en los inicios de las revueltas en el mundo árabe para posibilitar el sorteo de la censura de las dictaduras tunecina y egipcia. Revoluciones que han crecido y madurado mientras que los jóvenes franceses, italianos, ingleses y griegos se lanzaban a las calles para vetar los planes de recortes sociales con los que Europa ha reaccionado a la fuerte recesión económica. España esperaba.
Arrancó primero Nolesvotes, una iniciativa que insta a evitar llenar las urnas de papeletas de PP, PSOE y CiU acusándoles de aprovecharse de la ley electoral para perpetuarse en el Parlamento con unos “niveles de corrupción en España alarmantes”. Le siguieron llamamientos en el Congreso de movimientos como Avaaz o Actuable por unas listas electorales limpias de políticos imputados. Y continuaron los cerca de 2.000 jóvenes que secundaron las marchas de Juventud sin Futuro el pasado 7 de abril, un primer ensayo modesto de lo que el 15M reventó en un clamor popular en varias ciudades españolas.
“¡De mayores queremos ser islandeses!”, clamó uno de los animadores de la organización durante la marcha del pasado domingo 15 de mayo ante una columna de jóvenes y no tan jóvenes, padres y niños, estudiantes y trabajadores, parados y jubilados. Muchos fueron los sábados en Islandia que provocaron el cambio que pedían los ciudadanos. En España, al domingo, por el momento, le siguió el martes.
transcrito, com a devida vénia, de El País, 18/05/11
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