quinta-feira, 29 de junho de 2017

O primeiro livro de Eugénio de Andrade




Em 1942, Eugénio de Andrade publicou o seu primeiro livro: “Adolescente” (Editorial Império, Lisboa), com dois desenhos de Manuel Ribeiro de Pavia. Os anos levaram o poeta a afastá-lo e já não consta das suas obras. No entanto, guarda o livrinho poesias de muita beleza. Escolhi este:

Estalaram folhas quando ergui os braços.
Fugiram aves quando cantei.

Depois…
a terra prendeu-me os pés,
o sol queimou-me o rosto,
a chuva vincou-me o corpo,
…e as aves vieram-me cantar nos ramos.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

sexta-feira, 23 de junho de 2017

quinta-feira, 22 de junho de 2017

domingo, 18 de junho de 2017

terça-feira, 13 de junho de 2017

Quem foi?


O misterioso ladrão da simpática intervenção de uma gentil amiga... 



MARIA FRANCO, tão simpática amiga, enviou, há pouco tempo, duas opiniões para dois posts. 

Dirigi-as para o lugar certo.

Quando fui ver se lá estavam... não estavam.

Encontrei o vazio.

Desculpe Maria Franco, mas a culpa não é minha. Um grande abraço.

Um amigo de todos os dias


Umberto Saba



Descobri Umberto Saba (Trieste, 1883 -Gorizia, 1957) em 1976. Ou melhor: Aldo Zari apontou-mo, na banca de uma livraria barata de Veneza. A partir daí e até hoje, nunca mais o larguei: é um poeta genial, é um grande amigo. Foi difícil apanhá-lo: a poesia é muito difícil de abrir, quando se nos apresenta em língua não dominada e eu dava os primeiros passos de convivência com o italiano.

No ano seguinte, 1977, comprei um livrinho (Il Canzoniere, Scelta e Anotazione di Folco Portinari, Giulio Einaudi Editore) destinado a estudantes. E em estudante me tornei nos anos seguintes, sempre com o livrinho no bolso, em frequentes viagens a Veneza. Passados cinco anos ou sete anos, dispensei o livro e o fabuloso Il Canzoniere passou a ser a minha bíblia.

Hoje, muito cedo, fui às estantes e retomei uma obra de muito interesse: Il cerchio imperfetto, que apresenta Umberto Saba e Vittorio Sereni preparou, (Archinto, 2010).

Nas últimas páginas e, certamente, muito perto da morte, Saba, entrevistado por Sereni, disse:

“Bem gostaria, agora que sou velho, retratar com simplicíssima inocência o mundo maravilhoso.”

E, até ao fim, a obra de Saba cumpriu: recriou esse mundo maravilhoso que o poeta viveu e recriou.    

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Bom dia...

de Aldo Zari


CORPO VISÍVEL

A esta hora entre os blocos de prédios enevoados
     a bela mancha
diurna dos calceteiros na praça
e os dois amantes que hoje não dormiram vão partir nos
     braços da sua estrela
à beira do caminho ladeado de sebes de espinheiro
uma carta
uma letra muito fina      extremamente caligráfica
onde a aventura do homem que devolve as palavras que
     lhe são remetidas
deixou a sua marca
e o duque da terceira levanta o braço
comentando seguido pelas aves que acordam a duzentos e
     mais metros de altura
o que não é ainda a grande altura
sim sim
                 não são
                                 quem sabe


Dentro do grande túnel digo-te a vida
esta nuvem que vai para o centro da cidade leve e rosada
     como a proa de um barco
bateira que me trás os dados e a roleta onde no branco
     ou no preto devo jogar
jogando-me contigo
bem-me-quer
malmequer
ou muito     ou pouco
                                    ou nada
o que só com as mãos pode ser soletrado
só nos teus olhos nos teus olhos escrito


Dentro do grande túnel digo-te a vida
(…)

Maro Cesariny de Vasconcelos in “Pena Capital”


domingo, 11 de junho de 2017

sábado, 10 de junho de 2017

Dia de Portugal


5 de Outubro de 1910


Celebrar a Pátria?

Certo.

Para isso, é de trazer aqui os dois grandes momentos de Portugal, no século XX bem perto deste novo século em que a luta pela liberdade e pela democracia continua e parece triunfar.
Deixo-vos duas imagens-memória de 5 de Outubro de 1910 e de 25 de Abril de 1974 –dois momentos históricos, decisivos (o segundo, oferta genial de Vieira da Silva).


25 de Abril de 1974

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O escritor proibido é um escritor precioso




A obra de João Gaspar Simões está fechada à chave –é proibido mexer-lhe.

Tudo começou quando Gaspar Simões morreu e a sua morte foi um alívio para os literatos em curso: ele já não podia criticar os livros medíocres cujos autores sonhavam o Nobel -e um deles teve-o…-.

Passaram os anos e os que vieram depois deram com a definição dos ainda vivos -“Simões não vale nada!”- e deram com a inexistência de livros seus (afinal esgotados ou seja comprados e lidos pelos que o respeitavam e admiravam).

Isso é um disparate e prejudica a Cultura portuguesa.

A título de curiosidade, aqui vos cito um dos seus últimos e precioso livro: “Retratos dos Poetas Que Conheci”, Brasília Editora, 1974.


Refere magistralmente João Gaspar Simões os seguintes escritores: Afonso Lopes Vieira; Afonso Duarte; Fernando Pessoa; José de Almada Negreiros; Luís de Montalvor; Raul Leal; António Botto; Mário Saa; António Ferro; Carlos Queirós; Francisco Bugalho; Alexandre d’Aragão; Edmundo de Bettencourt; Irene Lisboa. Ao ler o livro essa gente reaparece-nos viva.




quarta-feira, 7 de junho de 2017

Vazio


obra de René Magritte



Na segunda metade do século XX, Jean-René Huguenin escrevia:

“Ao nosso século faltava já o coração. Hoje é ainda pior: vai-se afirmando a carência de espírito”.***

E, neste século XXI, o de hoje, exactamente? Onde anda o espírito –e não a fuga, o vazio, o sem sentido em que nos refugiamos?


***in “Une autre jeunesse”, Éditions du Seil, 1965
(quadro de René Magritte)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Hoje e ontem

Neste tempo de cabeçadas, roubos de carteiras, amoralidade… fala bem este nosso antepassado…

in Público de hoje


Livro para férias






E aproximam-se, a galope, as férias de cada um, a paz, o tempo de viver a sério e da vida procurarmos novos ou verdadeiros caminhos. Há tempo para tudo? Sim, há: tempo verdadeiramente nosso. Aqui vos deixo a abertura de um romance, “Pântano”, publicado em 1940. Nele encontrarás Maria Helena Vieira da Silva, José Bacelar, Mário Eloy… e outros. É a Lisboa da guerra e dos refugiados, do medo que Salazar, apoiado, em Hitler e Mussolini, sobreviva à resposta inglesa, à luta-esperança de um Portugal democrata, livre.

Dificilmente encontrarás o romance. E porquê? Porque o autor já leva mais de vinte anos que o enterraram. Ele é ma dessas vítimas da ganância e da desvergonha daqueles que quiseram todos os louros para eles; quem?: João Gaspar Simões. Busca, porém, a sua obra.

Aqui te deixo, pois, a abertura do “Pântano”, um dos grandes livros do condenado ao Progatório.

“Nas Ruas, Ao anoitecer: Caminhar ao acaso, numa grande cidade, por entre desconhecidos, livre, perfeitamente livre, sempre se lhe afigurara um sonho. Não desejava coisas impossíveis. Não tinha grandes ambições. Mas aquela liberdade silenciosa dava-lhe asas. Que haveria de mais invejável neste mundo?”


Bom dia, amigo.   

domingo, 4 de junho de 2017

O herói do nosso tempo



Mikhail Lermontov (1814-1841) -quadro de Nikolai Pavlovich Ulyanov


Mikail Lermontov (1814-1841), um dos apaixonantes escritores russos, sublinhou:

“Ao que, à nascença, está escrito na fronte, não escapa nenhum homem.”
Nem ele cuja vida breve foi a tragédia de uma alma pura mas ferida... certamente à partida…


Queres conhece-lo? Lê O herói do nosso tempo, traduzido e publicado por Relógio d'Àgua.



https://en.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Lermontov