quinta-feira, 31 de maio de 2012

Em suma: nas mãos de serial killers?


Haverá psiquiatras suficientes para estancar esta sangria????

Mais uma...: se topares aqui um cheirinho a ética, diz-me por favor, amigo!

Aqui vão os "criminosos"... não tarda que vão parar à cadeia ou, satisfazendo o sonho  governamental, tão apregoado, sejam postos na fronteira e transformados em emigrantes compulsivos...o que, aliás, renderia uma data de massas e aliviaria Gaspar & Cia...


“Alunos faltosos serão obrigados a prestar tarefas a favor da comunidade

O novo diploma, que segue agora para o Parlamento, mudou de nome e intitula-se Estatuto do Aluno e Ética Escolar.

in Público de hoje

p.s. a Comunidade agradecia, isso sim, que o governo protegesse o Ensino, professores e alunos, e ajudasse à expansão da Cultura em Portugal... e cancelasse o PAC: o Processo de Analfabetização em Curso!

Lembrando Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade, por Augusto Gomes (1910-1974)


Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que te traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há rios sem margens para a água
e paisagens que não escorrem do teu rosto!


Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos…

Mas tu esqueceste muitas coisas!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que o meu corpo todo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha, queres ouvir-me?:
às vezes ainda sou o retrato
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas mais brancas
do que aquelas que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
debaixo dum laranjal…

Mas -tu sabes- a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu…
Eu saí da moldura
e dei às aves os meus olhos como espaço.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Boa noite. Eu vou com as aves!

in Os Amantes sem dinheiro, Cancioneiro geral, Centro Bibliográfico, 1950, Lisboa

p.s. Manuel Pestana comentou um antigo post, com este poema; fui revisitá-lo e verifiquei que o blog, manhosamente, dera cabo dele... aqui o trago de novo, porque é muito belo


Estreia em Portugal no dia 7 de Junho

Charlize Theron no novo filme de Ridley Scott, 'Prometheus'

Espanha e a ajuda de Bruxelas

Erlich in El País de hoje


"Bruxelas dá um balão de oxigénio à Espanha em plena crise financeira"

Não há milagres: há vontade

A esperança é deste mundo, com mezinhas não vais a lado nenhum... 


Esperança é uma palavra que não devemos enterrar.

Antes pelo contrário.

Não vivemos a apocalipse.

E também não vivemos a restauração de um sistema.

Vivemos a mudança e assistimos ao estertor do capitalismo financeiro, que tudo faz para recuperar o imenso poder que teve, durante as últimas décadas, que tudo faz para se reinstalar, à nossa custa, com os benefícios de que usufruía.

Nenhum de nós o ignora: à nossa custa o faz, exigindo-nos sacrifícios injustos, o que significa muito mais do que insuportáveis: a injustiça é um crime.

A convulsão social existe –já existia: agora, revela-se, inteiramente.

Por toda a parte, da Argentina (porque não só a Europa sofre) à Holanda, à Bélgica, à Itália, à Espanha, à Irlanda, à Grécia… ao nosso país.

Dizer que “sempre houve pobres” quer dizer duas coisas:
má fé

ou ignorância.

Ou, ainda outra coisa mesquinha e covarde: resignação de quem prefere a mentira e nela se aconchega, por medo à luta que teria de travar se a denunciasse e rejeitasse.

Os pobres não existiram “sempre”, como os rios e as serras.  

Antes do pobre, existiu o ladrão.

O pobre é, apenas, o homem roubado: espoliado, escravizado, excluído dos direitos sobre os quais assentam as sociedades justas.

Mas nada dura… para sempre…

E, hoje, em boa hora, os cidadãos contestam o sistema onde o capitalismo financeiro se moveu e roubou e violentou os cidadãos.

Denunciam os crimes do capitalismo financeiro.  

Os cidadãos contestam a credibilidade dos políticos –porque através desses políticos o sistema se nos impôs e impõe, destruiu  e destrói.

E a indignação dos cidadãos representa a abertura da mudança, a alvorada de uma época nova.

É um sinal positivo, que nos garante a esperança.

Jean-Claude Guillebaud escreveu, há duas semanas, no Le nouvel Observateur, estas palavras pertinentes:

“Não vivemos uma “crise”, mas sim uma mudança civilizacional. Não se trata do problema de uma “estratégia de saída” de não se sabe bem de quê. (…) O crescimento cujo regresso tantos imploram, à maneira dos xamãs siberianos quando estes se dirigem a entes invisíveis, não recomeçará a funcionar como um motor gripado que se arranjou. (…) O crescimento não é uma adição de quantidade, é, acima de tudo, um impulso colectivo, uma vontade partilhada.”

E esse impulso, essa vontade partilhada, comum de todos, dará lugar a uma mudança civilizacional: os cidadãos deixarão de ser peças de máquina, robôs, num parque comandado à distância por uma minoria de privilegiados…

…aqueles que hoje acumulam bens, à margem do fisco ou porque o fisco o consente, isto é, porque os governos admitem a diferenciação dos impostos: levezinhos, para os ricos, letais, para os pobres…

Quanto ao descrédito evidente dos políticos, ainda Jean-Claude Guillebaud me traz a seguinte frase de Václav Havel, escritor checo que esteve na raiz da libertação e democratização do seu país, em 1989:

penso que o mundo político precisa de mais humanidade e espiritualidade.”

Quem governa necessita, também, e urgentemente, de moralidade.

Mas existe moral no modo como os governos conduzem as sociedades por que são responsáveis?  

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Também elas pagam o mau governo...


"Crianças portuguesas são das mais carenciadas"

in Público de 29 de Maio de 2012

E em Portugal?

El Roto in El País de hoje


"-Em Espanha passa-se muito tempo na rua. Cada vez mais!"

A abrir a semana: sem vergonha na cara

Christine Lagarde: a prepotência indelicada...


A Grécia aqui tão perto
Por Manuel António Pina

As chocantes declarações da directora-geral do FMI ao "Guardian" revelam bem que género de gente preside hoje aos nossos destinos e a quem governos como o português ou o grego subservientemente se vergam. Por momentos, Lagarde deixou cair o idioleto técnico com que ela, Durão Barroso e a "fürehrin" Merkel, mais os seus feitores locais, justificam o empobrecimento forçado dos povos e mostrou o rosto selvagem do neoliberalismo dominante, assente no direito do mais forte à liberdade.


Perguntada se não lhe custava impor ao povo grego, sobretudo aos mais pobres, medidas de austeridade que cortam em serviços fundamentais como a saúde, a assistência social ou o apoio a idosos, a directora-geral não podia ser mais clara (nem mais cínica): "Penso mais nas crianças que andam na escola, numa pequena aldeia do Níger, que apenas têm duas horas de aulas por dia e partilham uma cadeira por três...".


E que tem Lagarde a dizer àqueles que, na Grécia, todos os dias lutam hoje pela sobrevivência, sem emprego e sem serviços públicos? Que se ajudem a si próprios "pagando os seus impostos". Mas as crianças, senhora? "Bem, os pais são responsáveis, não? Por isso os pais que paguem os seus impostos".
Maria Antonieta não o teria dito melhor. Só que os "sans cullotes" de hoje persistem em crer que ainda vivem em democracia (se calhar até em democracia económica).


transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje


e, já agora, pergunto eu, saltando para a África que a senhora Lagarde evoca, tão "carinhosamente": o que é que o capitalismo financeiro tem feito no continente africano, além de explorar e roubar as suas riquezas e reescravizar quem lá vive?
MP 

Arte e vida

Obra de Abel Salazar



“O artista ao criar uma obra de arte, não tem outra finalidade que não seja o próprio acto de criação; realiza-se nesse acto e, assim, no acto se resuma a finalidade da obra de arte.

Uma vez realizada, a obra de arte não mais interessa o artista; é um fruto maduro, que caíu.

Em realidade o artista não procura nem o Belo, nem o Sublime, nem o Real, nem qualquer outra finalidade estética; ele realiza-se, simplesmente. A criação de uma obra de arte é um acto vital, fundamentalmente em nada diferindo de qualquer outro acto vital. Ora a vida não tem outra finalidade que não seja o seu próprio acto de viver; a vida é, por sua própria natureza, construtiva, mas a finalidade da construção reduz-se ao próprio acto construtivo, exaure-se e termina nele.”


…e logo outro lhe sucede, porque cada deles pertence à mesma cadeia, ou nebulosa, vinda do início que nunca existiu porque dele não descobrimos sinais suficientes ou seguros, e continuando e repetindo-se através do infinito…, divago sobre essa passagem de “O que é a arte?”, de Abel Salazar (Arménio Amado Editor, Coimbra, 1940).


José Luís Porfírio cita-a e comenta-a, no excelente ensaio/apontamento, rico em inteligência e sensibilidade, Transparência e Opacidade (catálogo da exposição ‘Transparência Abel Salazar e o se tempo, um olhar’, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, Setembro/Novembro de 2010).


A identificação do acto de viver -do movimento incessante da vida, afirmação sempre renovada da vida- com o acto da criação artística é fascinante, abre a caixa de Pandora e precipita questões infinitas, também elas infinitas…, e inesgotáveis.


Logo à cabeça do primeiro capítulo do livro referido, escreveu Abel Salazar:


“Para definir Arte seria preciso definir Vida; o mesmo é dizer que é impossível definir Arte.”


E, agora, é contigo amigo; é convosco, amigos.

É connosco.

   

domingo, 27 de maio de 2012

E é com gente desta que poderemos sair do buraco para onde nos atiraram e teimam em manter-nos

Isabel Moreira e Tânia Dias, por terras de trás-os-montes: dão o que têm porque a isso obriga a sua  humanidade exemplar...

Lê a história maravilhosa de duas jovens inconformistas com  o coração tão grande como o universo:

Ofícios

"O lanterneiro", 1883, óleo de António Ramalho (1858-1916)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Itália: o reino maravilhoso

Café della Pace, em Roma: a dois passos da Piazza Navona, um lugar miraculoso, como tantos outros, no país em que o sonho é a realidade


http://cultura.elpais.com/cultura/2012/05/24/actualidad/1337889184_922918.html

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A irresponsabilidade dos que mandam...


Em tempo de vulgaridade pensa por ti

O livro é um "produto" como outro qualquer...


À massificação da Cultura, hoje rebaixada a nível de produto; à corrida acéfala aos deploráveis best-sellers, impostos pelos mercenários da crítica acrítica; à ditadura da estupidez, que se estendeu às escolas, vinda directamente de universidades da mula russa –encontrou Stendhal a resposta, há quase duzentos anos, e porque a perniciosa tendência sempre existiu e agora triunfa como lei: 


“Feliz a literatura que não está na moda, e feliz se apenas as pessoas a que se destina quiserem ocupar-se dela.” (citado por Jacques Rivière, em carta a Alain-Fournier, datada de 25 de Abril de 1910).


Feliz, acrescento, aquele que, livremente, de mente livre, escolhe a obra que, de facto, alguma coisa lhe diz…


Feliz a literatura e feliz os leitores que caminham sem antolhos e pelo seu pé…

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O regresso impossível

O paraíso perdido


Uma das quatro epígrafes de A Toca do Lobo, obra maior de Tomaz de Figueiredo, diz pela boca de anónimo:

“On ne guérit jamais de son enfance.”

Nunca nos curamos da nossa infância…

Le Grand Meaulnes, de Alain-Fournier, romance da adolescência, já clássico, ilustra esse sentimento.

E Jacques Rivière, em carta ao autor, comenta (30 de Março de 1910):

“Tiveste uma infância tão bela, rica de imaginações e de paraíso, que, ao deixá-la, os limites da vida desencorajaram-te. E foi como se houvesses vivido a tua vida e te sobrasse, apenas, repeti-la na memória, narrá-la, interminavelmente, a ti próprio. E isso é terrível.”

Alain-Fournier morreu jovem, desapareceu, algures, ninguém sabe onde, durante a guerra de 1914-18. Esfumou-se.

E nunca chegou a responder à pergunta implícita na resposta a Rivière, datada de 4 de Abril de 1910:

Ser atirado para a vida, sem saber como dar-lhe a volta nem como encontrar o nosso lugar. (…) Após terminado o primeiro ciclo da vida, imaginar que ela acabou e não saber como vivê-la…”

A saudade do paraíso perdido, a lembrança dolorosa, a infância de que nunca nos curamos, chaga do lado –e a violência absurda da vida que tudo vai rasgando.
  

terça-feira, 22 de maio de 2012

Um povo inculto é o paraíso do mau governo e a sua segurança

Para o governo, é melhor assim: um homem que sabe é um perigo a evitar...


“Um dos pontos fracos de Portugal evidenciado no anterior relatório é a baixa percentagem (30%) de pessoas entre os 25 e 64 anos que têm o ensino secundário completo e que fica muito aquém da média de 74% registada nos outros países.”

in Público de hoje, artigo “Portugueses pouco satisfeitos com a vida” 

Frase do dia em tempo de solidão e indiferença

"As três velas", 1938-40, óleo de Marc Chagall


“Nenhum aluvião poderá afogar o amor e nem os grandes rios o submergem; se um homem muito rico oferecesse toda a sua fortuna, para comprar o amor, colheria apenas desprezo.”

Cântico dos cânticos, VIII, 7

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um pintor veneziano

"Interior", c.1982, óleo de Carlo Tessarolo, colecção particular



Carlo Tessarolo é um pintor da geração de Aldo Zari, veneziano e amigo.

Hoje, conhecido e admirado, tornou-se num excelente retratista, mas continua a trabalhar em obras figurativas muito pessoais, difíceis de definir pois que a definição limita e Tessarolo ama a liberdade.

Melhor: o seu estilo é assunto entre ele e as telas, a resolver enquanto trabalha e se procura.

domingo, 20 de maio de 2012

AAC em 1939: os vencedores da Taça de Portugal

Quem souber os nomes...mande dizer, para completar!

A Taça!

Jamor, 20 de Maio de 2012

73 anos depois, a Taça de Portugal volta a Coimbra

A Académica ganha a Taça de Portugal de Futebol

O futuro que nos reserva a firma Coelho & Cia

in Público de hoje

Será desta -e pela segunda vez?





A Briosa: Associação Académica de Coimbra, em luta pela 2ª Taça de Portugal: se não ganhar, como seria justo, a festa vai acontecer à mesma!

Um pintor marroquino descoberto por Paul Bowles

"O poço", 1972, óleo de Ahmed Yacoubi (1931-1985)


Abre:

Mário de Sá-Carneiro e os outros



Cesário Verde


"para falar de obras impressas, citarei, como preferidas o  de António Nobre nas suas ternuras de pajem, saudades de luar, febres esguias e, ainda, frisantemente, o livro do futurista Cesário Verde, ondulando de certo, intenso de Europa, ziguezagueando de Esforço.”

Mário de Sá-Carneiro, resposta ao inquérito de Boavida Portugal, publicado no jornal República de 13 de Abril de 1914 (citado in Mário de Sá-Carneiro FOTOBIOGRAFIA, de Mariana Tavares Dias, Quimera Editores, 1988) 

Uma flor para o poeta

Pigalle, painel, 1895, obra de Henri Toulouse-Lautrec


João Pinto de Figueiredo, com garra especial e rara sensibilidade, no estudo incontornável, A Morte de Mário de Sá-Carneiro (Publicações Dom Quixote, 1983), descreve o enterro do poeta, e para aqui traslado (o.c., pp. 218, 219):

“29, ao meio dia, é o enterro “modesto mas decente”, segundo Araújo. “Nunca vimos o azul de Paris mais resplandecente, mais cheio de luz”, escreve Xavier de Carvalho, sendo “sob esse colorido dossel de estonteante beleza”, continua, que “o modesto caixão de pinho, coberto dum pano franjado de prata” segue em direcção ao cemitério Pantin. No magro préstito vão Helena

A da pulseira duvidosa
A dos anéis de jade e enganos

o próprio Xavier de Carvalho, Carlos Ferreira,um bom rapaz”, e José d’Araújo (…).

À esquina da Rua Frochot, a meia dúzia de passos do Tabarin e do Hotel de Nice [onde viveu e se matou Sá-Carneiro, hoje, Hotel Ninon], ouve-se dizer, num grupo, à passagem do carro funerário: “É um escritor português que se suicidou por amor.” Então, conta Carvalho, “uma midinette atravessou a rua e atirou sobre o caixão o pequeno ramo de violetas que trazia no ‘corsage’ de ‘linon’,… exclamando: -Um poeta que morreu de amor… Como eu o teria amado!”

Helena era a amante de Sá-Carneiro, uma das figuras de Pigalle, da boémia parisiense, que Henri Toulouse-Lautrec amou e fixou.

Sá-Carneiro conheceu esse mundo, certamente querido à sua alma torturada, ansiosa, peregrina do absoluto.

Jorge Barradas, que privou com o poeta e conheceu Helena, disse-me ela nada ter de extraordinário.

Não seria Helena a Jeanne Hébuterne*** de Modigliani. Mas dessas coisas só sabe quem as vive por dentro.

Quanto à midinette das violetas ficou, para sempre anónima, daquelas figuras únicas que todos os dias iluminam o mistério de Paris.

Acerca dos outros portugueses que João Pinto de Figueiredo refere… deverás ler a obra admirável, que nenhum admirador de Sá-Carneiro pode dispensar.

sábado, 19 de maio de 2012

Os 122 anos de Sá-Carneiro, nascimento e morte de um poeta português

Mário de Sá-Carneiro (19 de Maio de 1890-26 de Abril de 1916), visto por Almada Negreiros



Aqueloutro

O dúbio mascarado, o mentiroso
Afinal, que passou na vida incógnito;
O Rei-lua postiço, o falso atónito;
Bem no fundo o covarde rigoroso…

Em vez de Pajem bobo presunçoso…
Sua alma de neve asco de um vómito…
Seu ânimo cantado como indómito
Um lacaio invertido e pressuroso


O sem nervos nem ânsia, o papa-açorda…
(Seu coração talvez movido a corda)
Apesar dos seus berros ao Ideal,

O corrido, o raimoso, o desleal,
O balofo arrotando Império astral,
O mago sem condão, o Esfinge Gorda…

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Eram os últimos versos, que antecederam de pouco o suicido brutal.

Daqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda”, escreveu o poeta.

E acertou: em 1936, já a revista presença o arrancara ao esquecimento. E são de João Gaspar Simões, um dos directores de presença, estas palavras, publicadas no magistral Prefácio a Poesias, de Mário de Sá-Carneiro (Ática Editora, Lisboa):

“Vai precipitar-se a crise. O homem que afronta a morte é um homem: Sá-Carneiro desce, pois, ao plano da vida, por estar prestes a fechar-se no seu quarto de Paris, de smoking vestido, pronto para a viagem derradeira. Morre em beleza, já que em beleza não pôde viver. Sim: o destino do verdadeiro artista é incompatível com o destino do mundo. Nas últimas horas -os seus últimos poemas são das últimas horas- põe-se a falar de si mesmo com aquele cinismo, aquele desprezo, aquela altivez de que só os grandes homens são capazes. Eis o último recurso dos génios num mundo cada vez mais hostil aos artistas: o desprezarem a humanidade, desprezando-se a si mesmos. Sá-Carneiro, grande poeta, grande artista, desprezou-se a si mesmo, porque se transcendeu. Só os homens que se transcendem a si mesmos são dignos de eterna glória.”

Brasil

"Nostalgia", óleo de Cícero Dias (197-2003)

Intimidade

A censura já cá está e a liberdade de imprensa vai sair




Cortes no pensamento...




Abre e lê, é muito importante:

No meio da tempestade, o tal momento de beleza de que fala Keats...

"Vénus e cupido", obra de Cranach, o Velho, 1509

A nova ecologia

Erlich in El País de hoje

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Não há PS

Que tristeza, meu pai!

“Seguro assinala retoma de diálogo que tinha sido interrompido

O secretário-geral do PS, António José Seguro, saiu esta sexta-feira da reunião com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, assinalando o “gesto positivo” que representou o encontro.


in Público de hoje


Não há PS nem secretário-geral do maior partido de esquerda: há um que parece um sedativo, assim uma coisa como um “Xanax”.

Vai essa alminha, aluno de partido, que cresceu nos quadros do mesmo, e que, imaturo, se viu à frente de um rebanho espantado, vai esse “jovem”, incapaz de decisões que mudem a podridão em que caímos, cumprimentar e conversar com quem nos enterra e vem dizer que ficou mais tranquilo?!


Diria Cristo, mais ou menos assim: “deixa lá, pá, ele não sabe o que há-de fazer.”

Deixa, uma ova! “Ele” está a participar do crime: da miséria para onde nos atiram.

“Ele”, com a sua falta de verga e convicção socialista, está a enterrar-nos e a enterrar um PS que existiu e é urgente que volte a existir.

O “jovem” Seguro, na insegurança, é o coveiro do socialismo a sério e da esquerda –dos que se recusam pactuar com os outros coveiros, os que vendem Portugal, a Pátria, o nosso País.


p.s. figura de sendeiro?, sim fez o "jovem" e, com isso, desacredita o PS que deve opor-se frontal, clara e irreversivelmente à política anacrónica e letal deste governo. 
  

A Grécia anda a sair dos carretos ou o susto dos neo-liberais do roubo organizado.....

in The Guardian de hoje


"A acção europeia contra o débito:


"-Nesta situação, os rótulos são um luxo, a Grécia não pode permitir-se isto!" 

O "progresso": o que é verdadeiro não se suporta


A capelinha do Mileu: humilhada e ofendida

Havia um Homem que ia dizer missa a esta capelinha: o Padre Pôpo, ovelha inconformista da igreja e, por natureza delicado, a preferir a discrição. Deus esperava-o naquele lugar essencial. Sempre que fosse o dia ou Ele o chamasse. O gasóleo tem feito tudo para sufocar a voz do absoluto ou, se não fores nessa, da beleza.

Dia Internacional dos Museus: um crime sem castigo

Capela do Mileu, Guarda


No Dia Internacional dos Museus, cabe recordar uma monstruosidade invulgar, agressão vergonhosa a um monumento nacional: a Capela do Mileu, na Guarda.

Como podes verificar pela fotografia, é uma joia de arquitectura medieval e, pelo link abaixo, tem história.

Anos atrás, o presidente da Câmara Municipal, então em exercício, permitiu o assalto do betão, de casas abnormes, autênticas coelheiras de vários andares e permitiu, o analfabeto, que, brada aos céus!, ali a poucos metros do monumento maravilhoso na elegância simples,  instalassem uma estação de serviço.

Assim ficou.

Para sempre?

Nada é para sempre –mas esse crime muito dificilmente terá castigo –arranjo…

Modo bem português, o desprezo pela qualidade, o ódio aos monumentos (lembras-te da autoestrada que passa ao lado da Batalha e das estupendas Capelas Imperfeitas?), a incapacidade de conviver com as árvores, a ganância e a procura do lucro fácil e imediato …

Talvez um dia…, quem sabe?

http://www.infopedia.pt/$capela-do-mileu-(guarda)