quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Amor e Eterno

de Max Ernest



Ao ler D. João e a Máscara, peça de teatro de António Patrício*, topo estas linhas:

“D.João, para mim, é o instintivo religioso, o amoral místico, o estranho irmão de Madalena e Kundry**.”

E adiante:

“…um possesso de eterno.”

Aqui vo-las deixo.



*in D.João e a Máscara:: Uma Fábula Trágica, Livraria Aillaud e Bertrand, Lisboa, 1924

** Kundry, personagem violenta do Parsifal, de Wagner

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

domingo, 25 de dezembro de 2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Hoje e amanhã


Paul Cézanne, 1839-1906


ROSAS E CANTIGAS

Eu hei de despedir-me desta lida,
Rosas? –Árvores! hei de abri-vos covas
E deixar-vos ainda quando novas?
Eu posso lá morrer, terra florida!

A palavra de adeus é a mais sentida
Deste meu coração cheio de trovas…
Só bens me dê o céu! eu tenho provas
Que não há bem que pague o desta vida.

E os cravos, mangerico, e limonetes,
Oh! que perfume dão às raparigas!
Que lindos são nos seios de corpete!

Como és, nuvem dos céus, água do mar,
Flores que eu trato, rosas e cantigas,
Cá, do outro mundo, me fareis voltar.

Afonso Duarte in Os 7 Poemas Líricos, Composto e impresso nas oficinas da Gráfica Conimbriense, em 1929




domingo, 18 de dezembro de 2016

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

sábado, 10 de dezembro de 2016

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

FERNANDA BOTELHO


Bom dia!

Eis Fernanda Botelho (Porto, 1926-Lisboa, 2007) escritora do melhor da nossa Literatura contemporânea.

À sua volta, a ganância dos neo-escrivães enterrou-a: o seu nome apagou-se e, consequentemente, a sua obra.

Caros amigos: se amais a Literatura, procurai as obras de Fernanda Botelho: espera por vós um mundo apaixonante e o talento real e superior de uma grande ficcionista portuguesa.




capa do primeiro romance de Fernanda Botelho

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O ACORDO HORTOGRÁFICO É UMA ANEDOTA COMPARADO COM AS PALAVRAS NOVAS QUE NOS OFERECE A COMUNICAÇÃO SOCIAL…



Triste com o pobre resultado do Benfica no jogo com o Nápoles, mais ou menos (não fixei…) a 9 minutos do fim, mudei de canal e passei a correr pela TV1.

Eis que oiço uma locutora falar dos artesãos… e ei-la a baptiza-los: “… os artesantes …”
Artesãos soava-lhe mal…

E assim se vai perdendo a nossa língua e se multiplicam os analfabetos.

Será que o analfabetismo já se instalou  na comunicação social?


Olhem que é muito provável… 

Camille Pissarro e meu bom dia

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Todos os post que vos deixo aqui são cartas que vos envio...



"Leitura de uma carta", 1874 (Alfredo Keil, Lisboa, 1850-Hamburgo, 1907)

domingo, 4 de dezembro de 2016

sábado, 3 de dezembro de 2016

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Conquiste a liberdade de ser feliz... Bom dia!


Lionello Balestieri (Cetona, Siena, 1872-Cetona, 1958)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O Outono em Inglaterra


de Thomas Moran (1837-1926), em Creshem Glen, 1864

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Bom dia com uma jovem mulher, em Gösksy, Turquia...


obra de Fausto Zonaco (Masi, Itália, 1854-Sanremo, 1929)

domingo, 27 de novembro de 2016

O crime quotidiano





O que é a nossa TV oficial e a sua pobreza, infelizmente, sabemos muito bem.

Há dias, topei no “Corriere della Sera”, de Walter Veltroni, homem de cultura, um artigo sobre a Rai (a televisão oficial italiana); escolhi as seguintes frases:

“O dever da Rai é oferecer qualidade”

“…e, no entanto ficou-se pela cultura de massa”

“cada proposta deverá ser avaliada segundo a qualidade e não segundo o número [o número de espectadores que possa atrair]”

E deixo-vos com elas: frases que denunciam o desprezo pela Cultura, crescente neste nosso tempo: agora e aqui.

Estamos condenados a uma comunicação social medíocre –ou mais que medíocre? Os donos de canais televisivos ou jornais e revistas podem abandalhar os “produtos” como lhes convier, lhes renda mais –mas o governo não deve nem pode.

Analfabetizar um povo é criminoso.


Bom dia... e amemória de um dos mais românticos filmes do genial Charlie Chaplin

sábado, 26 de novembro de 2016

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Bela imagem da maravilhosa toscana


obra de Giovanni Fattori (Livorno, 1825-Florença, 1908)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A criança que vive em nós ou ai daqueles que a afogam dentro de si -porque se afogam...



Na Libreria Antiquaria Umberto Saba, Via San Nicola, 30, Trieste, encontrei um livrinho da autoria de David Rossi, Umberto Saba Trieste (Mimesis Edizioni, Milano-Udine, 2013).

E a páginas tantas, dei com este auto-retrato do poeta:


 “[Sou] a amalgama de uma criança e de um homem reunidos em uma só pessoa: a criança que se maravilha com as coisas que lhe acontecem a ele tornado adulto.”


Assim foi a sua vida, assim é a sua obra, pura e apaixonada.


Pormenor de um quadro de Michelangelo Merisi, dito o Caravaggio 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

UM GRANDE ESCRITOR LEMBRADO POR UMA GRANDE REALIZADORA






Tomaz de Figueiredo: é esse Mestre da Literatura Portuguesa que Catarina Mourão, uma realizadora de génio, nos arranca ao silêncio.

Pouco se fala de Tomaz de Figueiredo, por razões desonestas –considerá-lo um homem de extrema direita, o que é absolutamente falso-, e por ignorância e sistemático enterro dos nossos artistas a fim de os “novos” lhes ocuparem os lugares.

Exigem-se duas coisas:

-ir ver o filme


-procurar, comprar e ler a obra de Tomaz de Figueiredo, romancista, novelista e poeta dos maiores da nossa Literatura.


sábado, 19 de novembro de 2016

Bom dia, em Trieste, através de Umberto Saba, à data, jovem mas a confirmar o génio...



TRIESTE


Ho attraversata tutta la città.
Poi ho salito un’erta,
popolosa in principio, in là deserta,
chiusa da um muricciolo:
un cantuccio in cui solo
siedo; e mi pare che dove esso termina
termini la città.

Trieste há una scontrosa
grazia. Se piace,
è come un rapazzaccio aspro e vorace,
com gli occhi azzurri e mani troppo grandi
per regalare un fiore;
come un amore
con gelosia.
Da quest’erta ogni chiesa, ogni sua via
scopro, se mena all’ingombrata spiaggia,
o alla collina cui, sulla sassosa
cima, una casa, l’ultima, s’aggrappa.
Intorno
circola da ogni cosa, un’aria tormentosa,
l’aria natia.

La mia citta che in ogni parte è viva,
há il cantuccio a me fatto, alla mia vita
pensosa e schiva.

(1912)

(obra de Guido Marussig, Trieste, 1885-Milão, 1972)




quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Tudo depende de nós


Durante 24 dias, algures em Itália, segui dois jornais, La Repubblica e La Stampa, jornais não criados dos poderes, ou seja, dos dinheiros, e, há pouco, tocaram-me fundo estes versos, breves mas filhos do coração, acordados pelo sangue:

Passoni
Sono fatte di lacrime e di sangue
e di altro ancora.
Il cuore batte a sinistra.
(Umberto Saba, 1947)





(obra de Albin Egger Lienz, Austria, 1868-1926)

Bom dia!



"O dia acorda a noite", obra de Gaetano Previati, 1852-1920, in Museo Revoltella, Trieste

domingo, 23 de outubro de 2016

Duas poesias... à despedida...




Antes de abalar, deixo-vos duas poesias de Eugénio de Andrade -meu saudoso amigo que conheci, via correio, em  1957.

São duas pérolas.

A primeira do livro proibido pela polícia salazarista -“Pureza”, 1945, que me ofereceu em 1959-; a segunda de 1948, que me enviou, sem data, “As Mãos e os Frutos”.

Eu era um adolescente, estudante na Guarda. Só nos viríamos a encontrar (e nunca mis nos encontrámos…) em 1972.

E o tempo nunca deixara nem deixa de passar, tal qual cada instante da viagem do Holandês Voador…

MADRIGAL

Coisinha frágil…:
Teu corpo perdeu-se
no meu coração.

Queres encontrá-lo?
-Tenho-o fechado
na minha mão.


a abrir AS MÃOS E OS FRUTOS

Só as tuas mãos trazem os frutos.
Só elas despem a mágoa
Destes olhos, choupos meus,
carregados de sombra e rasos de água.


Só elas são
estrelas penduradas nos meus dedos.
-Ó mãos da minha alma,
flores abertas aos meus segredos! 






(Todos os desenhos são da autoria de Manuel Ribeiro de Pavia e pertencem às primeiras edições de ambos os livros)

Olá! Na madrugada de amanhã parto. O destino? É tudo -meu mestre o Voador Holandês. Estejam bem! (pintura de William Turner)


sábado, 22 de outubro de 2016

Na morte de um criador: Louis Stettner

O artista


Louis Stettner, nasceu em 1922, em Brooklyn,  Nova-Iorque e faleceu, no passado dia 13 (o tal azar!), em Paris.  

Era filho de uma família judaica, originária da Áustria. Criador nato, homem atento aos bens e males deste mundo, foi pintor, escultor, poeta, dramaturgo –sobretudo fotografo, e que formidável fotógrafo!

Ele o disse: “pensei que, através da fotografia, seria capaz de criar qualquer coisa importante com sentido para os outros, tão essencial como a poesia, irmã dela.”

E, combatente que foi, durante a segunda grande guerra, escreveu:



“Não vivi a guerra como uma experiência negativa e contonuo a pensaar que combatemos por uma causa justa:  derrotar o fascismo.”


A juventude



Os meninos





Old Lady




A conversa...



O exílio


Old Man

O regresso a casa


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

domingo, 16 de outubro de 2016

Um dia especial... o dia de anos de Maria J. Falcão...

Parabéns, meu amor…



La bocca
che prima mise
alle mie labbra il rosa dell’aurora,
ancora
in bei pensieri ne sconto il profumo.

O bocca fanciullesca, bocca cara,
che dicevi parole ardite ed eri
Cosi dolce a baciare.


(do nosso amigo Umberto Saba, ao qual juntamos o nosso amigo Chagal…)

sábado, 15 de outubro de 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Um outro Nobel talvez desconhecido por cá... Quem sabe?


Samuel Joseph Agnon (1888-1970), fotografia de David Rubinger

Hoje, dizem, será atribuído o Prémio Nobel de 2016.

E lembrei-me de um Nobel, S.J. Agnon, um israelita cujo romance Ontem e Anteontem me deslumbrou em Outubro de 1996, há vinte anos. Acabara de tomar posse, do meu lugar diplomático, dois meses antes.

É um dos melhores romances que li até hoje.

Depois, li outros livros de Agnon.

E venho aconselhar-vos que o procurem –em português, em inglês, em francês… na língua que vos convenha.


Abrir-se-à, diante de vós, um mundo apaixonante.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

terça-feira, 4 de outubro de 2016

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Hino de Israel legendado ( Hatkivah: Esperança)

Um homem


Shimon Peres


“Senhor, o que é o homem?
Um pouco de carne e de sangue.
Os seus dias passam como sombra
e ele nem dá pela fuga.
Subitamente, o dia fatal chega e ele deita-se e adormece.”

Oração judaica

Bom dia com um grande pintor que provavelmente desconhecias

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Bernardo Santareno um grande escritor português


O homem que levianamente esquecem…


Agora, quando um novo ano aflora -o novo ano que abre com as escolas e as universidades, a corrida aos livros (assim espero…)-, sugiro-vos que leiam, e aos encenadores que ensaiem, as obras de Bernardo Santareno.

É um grande criador do nosso teatro que atiraram para o esquecimento, os gananciosos de conquistar lugares.

E os leitores ou o esqueceram ou desconhecem-no ou nem ninguém encontra as suas obras.


Vamos a ele?...   

Bom dia com Portugal...

domingo, 25 de setembro de 2016

Confissão



No livro de Jacques Rivière -que vês acima-, encontrei a seguinte (corajosa, certa e devida, mas terrível) afirmação:


“Ser honesto é não ter senão pensamentos confessáveis. Mas ser sincero é confessar todos os pensamentos.”

Alberto Burri: um grande pintor do nosso tempo

sábado, 24 de setembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

sábado, 17 de setembro de 2016

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

terça-feira, 13 de setembro de 2016

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

sábado, 10 de setembro de 2016

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A obra do artista em lugar do sucesso mundano



“Vivo aqui isolado. Sei que as grandes correntes mundanas da literatura seguem outras estradas diversas da minha. Sei que sou, para os literatos do dia, um estrangeiro.”


Biagio Marin para Giorgio Voghera in Un Dialogo, Província de Trieste, 1982 








Giorgio Voghera

Bom dia com um admirável pintor da Ucrânia e que se fez na Rússia

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

domingo, 21 de agosto de 2016

sábado, 20 de agosto de 2016

Ainda para refrescar este verão: ''O Barão", de Branquinho da Fonseca, sem dúvida uma das novelas mais belas da Literatura Portuguesa... Já leste?



“Sim, Barão!...  Hei-de voltar, um dia. E havemos de tornar a perder-nos pelos caminhos sombrios do nosso sonho e da nossa loucura; e mais uma vez havemos de cantar às estrelas, e dar a vida para ires depor outro botão de rosa lá na alta janela da tua Bela-Adormecida.”

(Parágrafo que fecha O Barão)



Uma das magistrais ilustrações de Júlio Pomar

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

"Você é o melhor de nós os dois", Fernando Pessoa para Mário de Sá-Carneiro




Dispersão
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é familia,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem familia).

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.

A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traíu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projecto.

Regresso dentro de mim,
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo

A sua bôca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)

E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...

E tenho pêna de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

Desceu-me nalma o crepusculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Alcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida,
Eu sigo-a, mas permaneço...

de Mário de Sá-Carneiro