quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"A liderança em tempos duros, é o que oferecemos!"

"Mercadores de escravos atiram borda fora os mortos e os moribundos -vem aí um tufão", in The Guardian de hoje 

'Os jovens saíram para a rua e, subitamente, todos os partidos envelheceram...'

El Roto in El País de hoje

Anos 60, talvez ano de 1966: uma emigrante portuguesa em França

"La Petite Portugaise", de Gérard Bloncourt, de um fotógrafo francês de origem haitiana (ele sabia o que pesa a emigração que hoje volta a afastar os portugueses de Portugal...)

descrição da história (romântica) no El País de hoje:

http://blogs.elpais.com/rua-lisboa/2011/11/la-nina-del-barrio-de-lata.html

A frase do dia: racismo, sempre o miserável racismo...

"Caravana egípcia', Jardin de l'acclimation, Paris, 1891





"Marie", mulher Botocuto, fotografia de 1844

Como puderam imaginar que a raça negra era o elo da cadeia que liga o homem ao macaco? Esse racismo “cientifico” acabou por atingir a massa. Se, amanhã, os homens da ciência nos apresentassem pequenos homens verdes no ‘Jardim da Aclimatização’, iríamos vê-los. Mas com um preconceito negativo? Sentindo-nos superiores? Fala-se de uma comunidade negra que não existe.


(...) Isso dá que pensar. Há comunidades mais legítimas do que outras, povos minoritários ou párias, em cada país, esmagados pela norma dominante.

(...) E, da mesma maneira, faz-se crer às mulheres que elas são inferiores. O sexismo é a origem de todos os outros regimes de desigualdade, “a matriz de todos os outros regimes de desigualdade e uma questão eminentemente política”, disse a etnóloga Françoise Héritier.”

Lilian Thuram, entrevista a Le Monde de 29/11/11


consultar:


http://www.lemonde.fr/culture/article/2011/11/28/lilian-thuram-le-racisme-un-conditionnement_1610170_3246.html


http://www.elpais.com/articulo/cultura/Descomponiendo/mito/salvaje/elpepucul/20111129elpepucul_3/Tes

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Afinal, onde está o gato?



Para memória presente

Por Manuel António Pina

O director-geral da PSP acusou os órgãos de comunicação social de "distorcerem" os incidentes diante da AR no dia da greve geral durante os quais, após uma carga policial, duas pessoas, um cidadão alemão e um agente da PSP, ficaram feridos e sete foram detidas.

A TSF chamou aos incidentes "indicentes", óbvio "lapsus calami" que tanto pode significar "que não se dizem" como tratar-se só da palavra "indecentes" em acordo ortografês.

Com efeito, do que aconteceu há versões contraditórias: a da PSP e do ministro das polícias e a dos manifestantes, esta suportada em filmagens (malditos telemóveis!) divulgadas no YouTube, blogosfera e redes sociais e em numerosos testemunhos, incluindo o de uma deputada. A da PSP (a "dicente") é que a carga policial e os espancamentos que se lhe seguiram tiveram origem no derrube das barreiras policiais de protecção; a de organizações presentes que esse derrube e os incitamentos à violência foram da responsabilidade de agentes provocadores infiltrados pela PSP entre os manifestantes.

Este pequeno bocadinho da comunicação social na última página de um jornal do Porto, não querendo distorcer" o que se passou, gostaria de saber do director-geral da PSP se os homens (e, pelo menos, uma mulher) que os vídeos mostram a incitar à violência e a romper as barreiras - a PSP já há-de ter essas imagens - são ou não polícias. Para memória futura e, se não for pedir muito, presente.

Transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 30/11/11

Gaudi no Vietname?

A filha de um ex-presidente vietnamita mandou construir, na sua terra, esta casa, inspirada no Gaudi catalão

para saber mais:

Chegam os bárbaros!

Regresso... ao quê?



"Agressões ao jovem alemão


PGR vai aguardar averiguações da PSP sobre agressões no dia da greve"


in Público


Um video cuja vergonhosa gravidade está a ser investigada pela PGR

A frase do dia: a Guarda e a Beira, no séc. XVIII, o amor à Cultura e as Inquisição a espreitar, torturar, matar, apagar... à esquina

Cítara




“[Ribeiro Sanches] Conservou-se em casa dos pais até aos 13 anos, e frequentou a escola de latim, manifestando uma grande inclinação para a leitura. (...) Feitos os 13 anos, o pai mandou-o para a Guarda “para aprender a tocar cítara, etc.” Nesta cidade morava sua tia materna Leonor Mendes, viúva do sapateiro António Rodrigues (...). Em casa dela o encontrou anos depois seu segundo primo Diogo Nunes. (...) Este recomendou-o a um seu amigo, já entrado em anos, e muito dado à leitura; era um cristão-novo que tinha passado pela inquisição mas que resumia as suas convicções neste pensamento digno de Montaigne: Verdade e caridade bastam para ser homem de bem. Foi este homem que, no mesmo tempo que lhe fazia ler e repetir a Crónica de D. Manuel de Goes, lhe começou a falar na distinção entre cristãos velhos e cristãos novos (...) Três ou quatro anos se demorou Sanches na Guarda, tempo que evidentemente não foi consagrado apenas a aprender o poético instrumento que levara o pai a afastá-lo de si. Provavelmente completaria os seus estudos de latim (...)”

Maximiano Lemos, in RIBEIRO SANCHES, A SUA VIDA E A SUA OBRA, Eduardo Tavares Martins editor, Porto, 1911

p.s. não resisto a sublinhar: há mais de duzentos anos, a formação de um jovem -de um homem- passava pelo estudo aprofundado das humanidades e das artes –e, no convívio com elas, se formariam e revelariam as vocações.

Vocações? Que é feito delas, hoje? E as humanidades? As artes?

A Cultura?

Pobre país o nosso que tão vertiginosamente precipitam na ignorância!

A nova inquisição, que tanto perseguiu a família de Sanches e o obrigou a emigrar, sendo, longe da pátria, sempre amada, uma das personalidades mais respeitadas da Europa do tempo e médico consideradíssimo, a nova polícia, que nos castra e joga na miséria chama-se plutocracia -mercado, capitalismo selvagem.

E que importa, a esses salteadores, a Cultura, o Homem realizado na plenitude do seu ser -quando eles próprios, predadores, a esquecem e gozam, da curta viagem da vida, o superficial, o gratuito, o inconsequente?

Só quando a foice assobia, caminho deles, se espantam de não a terem nunca comprado... ou liquidado...    

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Camilo visto pelo filho Jorge


"O Maior", em São Miguel de Seide, reproduzido da imagem publicada no precioso livro de José Viale Moutinho, Memórias Fotográficas, Camilo Castelo Branco, Caminho Editora, 2009

A frase/artigo do dia: a corrida aos desvergonhados tablóides





A honra perdida do jornalismo

Por Manuel António Pina

A notícia de primeira página do "Expresso" de sábado ("Deputado do BE João Semedo foi sócio do BPN numa clínica do Porto") é das mais inaceitáveis infâmias jornalísticas que vi em 40 anos de profissão.


Os factos são os seguintes: Semedo (hoje deputado do BE) e outros médicos criaram em 1994 uma clínica no Porto, tendo com sócio minoritário uma companhia de seguros, a Real Vida; cinco anos depois, em 1999, essa seguradora foi comprada pelo BPN, então apenas mais um banco; oito anos mais tarde, em 2007, soube-se que o BPN não era, afinal, apenas mais um banco e que os seus dirigentes se haviam envolvido numa gigantesca fraude que custou milhões aos contribuintes; Semedo já estava entretanto desligado da clínica desde 2000.


Em "O mundo a seus pés", de Orson Welles, Kane explica ao chefe de Redacção de um dos seus jornais que os factos podem não ter a mínima importância que o que torna uma notícia importante é o facto de ela vir na primeira página. Foi o que fez o "Expresso": pôs a notícia na primeira página e deu-lhe grande destaque no interior, fazendo com que os inócuos factos referidos se tornassem relevantes e lançando subliminarmente uma difusa suspeita (que suspeita?) sobre um homem honrado.


Quem nos rouba a honra, diz Shakespeare em "Othelo", não fica mais rico e deixa-nos irremediavelmente pobres. A notícia do "Expresso" rouba não só a honra de João Semedo mas a honra do próprio jornalismo.

Transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 28/11/11

domingo, 27 de novembro de 2011

O Fado Património Imaterial da Humanidade

Portugal e o seu fado

in Público de hoje

O riso amarelo: inconsciência ou hipocrisia?

As crianças que o nosso "Estado Social" anda a "beneficiar"

"Vítor Gaspar fala em mais benefícios do que custos


Ministro das Finanças diz que Estado social “é um sucesso"

in Público online de hoje, 27/11/11

A frase do dia: agarra-o!



“É necessário que eu esqueça o amanhã e todos os amanhãs –hoje é o único dia que existe!


(...) Se te sentes bem hoje, não deixes que nenhum ontem nem nenhum amanhã te deitem abaixo.”

Rabino Nachman de Breslau (1772-1810)

sábado, 26 de novembro de 2011

Não empregam os jovens: anexam-nos...



“...os salários de ingresso no mercado do trabalho são, hoje, como os de há já algumas décadas. Não compreendes? Praticamente, hoje, quem começa a trabalhar tem de aceitar um vencimento muito baixo, que não toma em conta o aumento dos ganhos da banca e das empresas. Entendidos? Dantes, os jovens entravam no mercado do trabalho, agora é o mercado do trabalho que entra nos jovens.”

Mattia Feldi, in A esclarecer, La Stampa de hoje

Morte de um sobrevivente do holocausto


'O homem da estrêla", 1946, de Isaac Cernikier (1923, Varsóvia-2011, Yvri sur Seine), Museu Yad Vashem, Jerusalém

  'Noite da partida', sem data, Isacc Celnivikier

Ver mais:

Memória do Maior

Camilo Castelo Branco

"Eu sou um homem que conto a minha vida quando não posso, por ignorância, contar a vida alheia."

Camilo Castelo Branco, in Noites de Insónia, citado na excelente obra de José Viale Moutinho, Memórias Fotobiográficas (1825-1890), Caminho, 2009

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O polvo chamado crise alarga os tentáculos

Elich in El País de hoje

Cartaz de fundo: "Os investidores já preferem a dívida pública inglesa à alemã"

Bilhete do pedinte: "Uma esmola, por amor de Deus (em dívida inglesa, não alemã)"


Ver mais:


http://www.lemonde.fr/economie/article/2011/11/25/zone-euro-les-marches-s-attaquent-a-l-allemagne_1609224_3234.html#ens_id=1268560

TU vais pagar e não foste o culpado!



"Dados do Governo

Portugal vai pagar 34.400 milhões de juros à troika"

in Público de hoje

E se Portugal não amar os seus jovens?

E amanhã?...

Abordando o tema da juventude esquecida, Le Monde de ontem publicou um conjunto de artigos, desenvolvendo o tema que encabeça o meu post de hoje (mude ‘Portugal’ por ‘França’...) e uma Editorial intitulada: “Velhos, privilegiados, egoístas”.

Mas a verdade é que Portugal também parece não amar os seus velhos.

Nem os seus cidadãos.

O egoísmo é, em muitos casos, a doença que ataca quem envelhece.

Mas ataca, e de que maneira bem mais assassina!, os privilegiados.

O que está a acontecer é o egoísmo das minorias privilegiadas, que, nas últimas 40 décadas, instalaram e desenvolveram, no mundo, o capitalismo selvagem –a origem da crise brutal e letal que arrasta a maioria dos cidadãos para a miséria e atirou o próprio capitalismo selvagem para a agonia.

O capitalismo selvagem pretende superara crise-agonia, recuperando-se e aos seus privilégios, através da exploração imoral, vergonhosa, impiedosa, dos mais fracos, mais pobres e mais desprotegidos.

Da maioria que é a imensa maioria dos portugueses (90 %?).

Esse capitalismo selvagem é defendido, no nosso país, por um governo anacrónico (não será ele a resolver a crise e a recuperar o Estado Social capaz de proceder às reformas estruturais urgentes), um governo -esperemos!- de vida breve.

Quanto aos jovens, o desamor do mau governo topa-se à légua: o crescimento galopante do seu desemprego, qualificados ou não; o abandono, pelo governo, do ensino; o aumentar assustador da emigração jovem.

Há redução dos quadros de professores; há imposição, aos professores, de horários insuportáveis, com tarefas que nada têm de pedagógicas e são mera burocracia; há degradação e carência de espaços de ensino; há cortes fatais nos dinheiros que lhe são destinados.

Este é o mais forte e claro desamor aos jovens.

E -trágico- a prova do desamor ao país, que sem jovens devidamente formados, sem a defesa de uma juventude Culta e habilitada a construir o futuro... finar-se-á de caquexia, de senilidade, de envelhecimento precoce.

E não haverá Troikas, nem cortes, nem polícia de intervenção que consiga evitar a morte do nosso país.   

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A frase do dia: o protesto mais verdadeiro e desesperado da Greve Geral


Um jovem, diante da Assembleia da República, erguia este cartaz tragicamente sincero e que rasga a alma de quem o lê:

NÃO ME CORTES O FUTURO!


(publicado aqui em 25/11/11)

Greve Geral: à margem da lei constitucional o governo manda actuar!


"PSP "impediu" com força física acção dos piquetes nas estações da Carris"

in Jornal de Notícias de hoje

A Greve Geral: aspecto do aeroporto de Lisboa esta manhã


Há sempre alguém que resiste...

Portugal tratado por quem nos avalia...

Agências de notificação, in De Groene Amsterdammer, Holanda


Ora lê: mais roubalheira aconselhada!:


http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=2145919

A greve geral é justa e de todos os que sofrem a injustiça!



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A frase do dia: Ribeiro Sanches e o humanismo na medicina ou a medicina não é uma indústria



“É grande mérito em um médico ter alegria e poder manifestá-la junto dos doentes; conserva e aumenta a própria reputação e o enfermo tem nele maior confiança se ele se torna agradável por uma conversação decente e interessante e por uma certa nobreza no gesto e no modo de exprimir-se: dá mais energia aos remédios que prescreve. Meu mestre, o doutor Pinho, médico da cidade da Guarda, tinha todas estas qualidades.

(...) Recordo-me que quando meu mestre entrava na sala, todos erguiam a cabeça para o verem: todos tinham a alegria e a satisfação pintada no rosto; os que desesperavam do seu estado sentiam-se consolados; levantavam o seu espírito abatido, pela graça, pela decência, pela compostura, pela doçura que tinha nas palavras e pela coragem que lhes inspirava para suportarem as dores que sofriam.”

Ribeiro Sanches, in Affections de l´Âme, publicado na Encyclopedie methodique, Paris, 1787, citado por Maximiano Lemos in RIBEIRO SANCHES, A SUA VIDA E A SUA OBRA, Eduardo Tavares Martins editor, Porto, 1911 (adquirido na Livraria Lumière, Travessa da Cedofeita, Porto

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um progresso que mata a intimidade com as coisas e consigo próprio...


Compreendo, agora, que, para ler, é preciso ser insaciável. Mas, hoje, tudo acontece imediatamente e é indispensável ser eficaz imediatamente.”
Alain Souchon numa entrevista, Le Monde de 21/11/11


para saber mais:

http://en.wikipedia.org/wiki/Alain_Souchon


O último romântico?

A orquídea da noite


Saber mais:

Gostaria de oferecer esta flor à minha amiga Isabel, de Castelo Branco -bem a merece!

Um mestre pouco conhecido


'A sagrada família com S. João Baptista',de Perino del Vaga (1501-1504)

Saber mais:

A frase do dia: a urbanização selvagem, a destruição do ambiente

Os bárbaros em Cascais (ao fundo podes ver as torres que substituiram o hotel 'Estoril Sol' e que destruiram a paisagem e... o pontão... (fotografia de Carlos Loff Fonseca)

Hoje, o problema das torres, como diz o arquitecto Michel Cantalbian-Dupert, é que elas são concebidas como se fossem barcos: monumentais e monstruosas, sem nenhuma consideração pelo ambiente social e ecológico, o verdadeiro fundamento urbano. Diante de torres sem sentido e de cidades sem limites, é o próprio conceito de urbanismo que devemos repensar.”

Daniel Cohn-Bendit, in Torres sem sentido, cidades sem limites, no le Nouvel Observateur de 7/11/11    

O artigo do dia: um país à deriva

Sem saber para onde vamos nem qual o nosso futuro...

Navegar à vista
Por Manuel António Pina
A expressão "navegação à vista" seria apropriada para descrever a presente história trágico-governativa se, nas sucessivas decisões e anúncios de decisões do Governo e nas previsões em que elas se fundam, se vislumbrasse a vaga ideia de um rumo.

Praticamente desde que tomou posse (para já não falar do que Passos Coelho prometeu em campanha eleitoral e do que fez depois), tornou-se rotina o Governo dizer e desdizer-se semana sim semana não. Isto quando não anuncia na mesma semana uma coisa e o seu contrário ou não aponta metas e previsões que corrige no dia seguinte.

A memória dos portugueses é curta mas talvez alguém ainda se lembre (que diabo, foi há menos de um mês!) do perplexo ministro Relvas admitir a hipótese de o Governo confiscar apenas um dos subsídios, o de férias ou o de Natal, em 2012 e do imediato desmentido de tal hipótese pelo seu colega das Finanças.

Vítor Gaspar é, aliás, o ministro dos desmentidos de serviço. Só ontem desmentiu não só a revisão salarial da função pública anunciada sexta-feira pelo secretário de Estado da Administração Pública e a redução de salários no sector privado anunciada pela "troika" como a sua própria previsão de uma recessão de 2,8% em 2012, anunciada em Outubro, que desmentia, por sua vez, a de 1,8% que anunciara em Agosto. A versão de Novembro é agora de 3%. Aguardemos pela de Dezembro. E ponhamos os coletes de salvação e preparemo-nos para o naufrágio.

transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias de 22/11

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O caso Rajoy

El futuro de España no admite demoras
El PP logró ayer una rotunda victoria electoral, la mayor de su historia en porcentaje de votos y número de diputados. A su vez, el PSOE cosechó los peores resultados del periodo democrático. La dimensión de su fracaso ha reforzado a Izquierda Unida y UPyD, donde se refugiaron los votantes desencantados con el socialismo que no han optado por la abstención ni por apoyar al PP. Los partidos nacionalistas seguirán estando representados en la Cámara, con muy diferente matiz en el caso de Cataluña y en el del País Vasco. Mientras ERC mantiene invariables sus apoyos, CiU los incrementa; y Amaiur, la marca independentista que integra a la izquierda abertzale, se convierte en la fuerza que más escaños obtiene en el País Vasco y dispondrá de grupo propio
La legislatura que comienza estará marcada por un grupo popular abrumadoramente mayoritario y una oposición más plural, aunque minoritaria y dividida.
La victoria del PP lo ha sido, en realidad, de Mariano Rajoy y del grupo de fieles que lo apoyaron en 2008. Fueron ellos quienes, tras aquellas elecciones en las que volvió a imponerse Rodríguez Zapatero, decidieron desmarcarse de la estrategia de la crispación enfrentándose a amplios sectores del PP y a la práctica totalidad de su entorno mediático, que reclamaban un inmediato cambio de liderazgo. Rajoy llega a la antesala de la presidencia del Gobierno libre de deudas para con ellos, incluido su mentor José María Aznar. El hecho de que el resultado electoral de ayer mejore el de 2000, en el que Aznar fundó un ascendente político que no ha dudado en utilizar contra los intereses exteriores de España y contra el propio Rajoy, coloca a este ante una oportunidad seguramente irrepetible para despojar al Partido Popular de sus resabios ultramontanos y transformarlo en una fuerza conservadora homologable a las europeas.
En vísperas electorales, la economía española se precipitó en zona de rescate junto a la italiana. Es razón más que suficiente para que el presidente en funciones, Rodríguez Zapatero, y el electo, Mariano Rajoy, hagan un gesto conjunto e inequívoco este mismo lunes, antes de que regrese la incertidumbre sobre las deudas soberanas europeas, para expresar contundentemente que España está en condiciones de adoptar sin solución de continuidad cuantas decisiones económicas sean necesarias. Es preciso, además, que se aceleren los trámites legales para la constitución de las Cámaras y para la investidura formal del candidato a la presidencia del Gobierno y la formación del nuevo Gabinete. Rajoy debe señalar sin demora quién será el interlocutor económico con la UE en estos días de turbulencias, para que pueda empezar su trabajo con antelación a la formación del Gobierno.
Rajoy ha logrado esta victoria con un discurso que, a la vez que mantenía la cohesión de su heterogéneo electorado, pretendía evitar que los votantes socialistas se movilizasen. Pero lo que se ha revelado como un eficaz planteamiento para ganar las elecciones, podría erigirse en obstáculo para gobernar. Un rápido deterioro del capital político que le han concedido los electores no es solo una perspectiva inquietante para el PP, sino para el conjunto del país, enfrentado a una crisis de la que no se saldrá sin sacrificios. Rajoy ha evitado especificarlos durante la campaña, poniendo el acento en las virtudes que supuestamente produciría un simple cambio de dirigentes. La gravedad de la situación económica exige abandonar las ambigüedades, revelar cuanto antes su programa de Gobierno y señalar el equipo que lo llevará a cabo.
Transcrito, com a devida vénia, de El País de hoje

A frase do dia: Espanha: um voto sem nada de ideológico: um voto de raiva

"Basta! Asssim como está é que não!"

"Os eleitores não perdoam. Desde do começo da crise, os partidos no Governo caíram nas urnas, sem que importasse que fossem conservadores ou progressistas. A partir de Maio de 2010, os governos de cinco países da Europa [agora 6, com a queda do PSOE, em Espanha] perderam as eleições e, em alguns casos, com os piores resultados das últimas décadas."
Sara España, in Los Electores Castigan en las urnas a los partidos en el poder por la crisis, El País de 20/11/11

domingo, 20 de novembro de 2011

Um jornal perseguido


O que me levou a revisitar Témoignage Chrétien foi uma notícia em Le Monde, e um dos jornais que me entusiasmaram, na minha primeira ida a Paris, em 1958, foi esse.
Porque, tal qual outros e outras revistas, era praticamente proibido em Portugal: raros números cá chegavam e poucos liam essas raridades.

Porque punha em cima da mesa e discutia a sociedade em que vivíamos, cheia de contradições e iniquidades, de crimes e egoísmo nascente.

Porque, directa e indirectamente, denunciava o crime que era existir um regime como o salazarista, que nos sufocava, ancilosava e castrava, em Portugal.

Le Monde alerta para a crise de Témoignage Chrétien: à beira da falência, necessitando de 10.000 assinantes (que não é nada!), para sobreviver.

Eu vou assinar.

Témoignage Chrétien é um jornal católico independente, crítico da instituição, reivindicador de um cristianismo puro e aberto ao debate, à denúncia da sociedade inumana e injusta, em expansão.

Uma pérola, quando, mais uma vez, a Igreja, que se sente acossada e sofre uma grande crise de vocações e o crescimento da indiferença religiosa e do ateísmo –mais uma vez, a Igreja radicaliza e opta pelo dogma, repete uma atitude trentina, em vez de olhar de frente a realidade e rever os evangelhos.

Por isso Témoignage Chrétien é incómodo para a Igreja.

E é incómodo para todas as ideologias dogmáticas, para a esquerda totalitarista, para a ortodoxia liberal...

Porque desenvolve um pensamento humanista, livre e dialogante.

Catolicismo de esquerda? Ou catolicismo de Cristo?

Aconselho-te, vivamente, meu amigo –sejas religioso ou não-, a trocares ideias com esse jornal extraordinário, que vai ao invés da imprensa imperante, vendida ao grande capital.

A frase do dia: a rendição diante da ortodoxia liberal


A Escola de Atenas: quando se pensava e discutiam as ideias e o futuro da Polis, da Cidade...

“(...) A política assusta? Lugar aos especialistas! Quatro séculos antes da nossa era, Sócrates desejava ver no governo os filósofos, considerados conhecedores de todas as ciências. (...) Em 2011, ‘os mercados’ (e os editorialistas da grande imprensa) suspiram aliviados com a ideia de que os tecnicistas tomem conta das coisas, em plena tempestade financeira em curso.

(...) Seria um disparate não nos alegrarmos com a saída de Berlusconi da Presidência do Conselho italiano. Mas a forma como a imprensa internacional insiste na “seriedade” do seu sucessor, Mário Monti, tem, paradoxalmente, qualquer coisa de inquietante, ao envolver um homem cuja carreira brilhante –economista da Universidade de Milão, comissário europeu do Mercado interno e depois da concurrência, mas também conselheiro internacional da Goldman Sachs [multinacional americana, banco de investimento e de serviços internacionais]...- cujo percurso brilhante se construiu, precisamente, sobre uma base ideológica liberal ortodoxa, reivindicada pelos financeiros que dinamitaram o sistema económico mundial.

(...) O mesmo acontece com Papademos, o novo primeiro-ministro grego, ex-governador da banca central do seu país, cuja neutralidade técnica se acomoda com alguns ministros da extrema-direita, os primeiros desde a junta militar de 1974.

(...) O mesmo acontece com o novo presidente-tecnicista da Banca central europeia, antigo presidente, para a Europa, da Goldman Sachs (decididamente, muito presente).

(...) A força dos novos tecnicistas reside, talvez, nisso: nunca se enganam no seu campo.”

Jérôme Anciberro, in Os tecnicistas no poder, Editorial de Témoignage Chrétien, de 16 de Novembro.

sábado, 19 de novembro de 2011

A frase do dia: Verões, Outonos, Invernos, Primaveras...

O crime organizado

“Nos últimos cinco anos, o mundo optou por construir tantas fontes de combustível fóssil, fábricas de energia devoradora e construções impróprias, que se tornou impossível manter o calor em níveis seguros. A última oportunidade de combater as mudanças perigosas do clima perder-se-à para sempre –alertam as análises mais responsáveis das estruturas da energia universal.”

in The Guardianweekly

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A frase do dia

A garra do mercado

“Os mercados financeiros substituíram-se à regulamentação política. (...) Infelizmente, tudo isso não relança o crescimento indispensável a um plano de salvação com possibilidade de vencer. Na melhor das hipóteses, salvará os bancos, evitando a perca de confiança nos seus devedores, isto é, nos Estados. Mas não salvará estes de uma crise de legitimidade, extensível ao projecto europeu.

(…) O governo economico coercitivo que os dirigentes europeus põem em marcha, impondo medidas de austeridade que nunca chegarão a pagar os défices, destroem aquilo que resta do Estado-providência”

Une Europe antisocial: L'Union européenne contre la démocratie ? por Gérard Raulet, in Le Monde de hoje

A propósito de Pushkin...


Alexander Pushkin, por Vasily Tropinin


Assinatura de Pushkin (1799-1837)

A técnica não existe se não estiver viva no corpo, junto ao coração. Ou não há nada.

André Markowicz, in Le Soleil d’Alexandre, Actes Sud, 2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A frase do dia

Um vírus chamado mercado

É urgente um esforço combinado para pôr um açaime aos mercados quando eles não ladram apenas mas também mordem a economia real, sem motivo. Eis o único modo de salvar o sistema mundial de mercado; caso contrário, será destruído por uma reacção profunda aos cortes socialmente insuportáveis.”

Mário Degaglio in La Stampa de hoje

 E acrescento esta frase-chave de Massimo Giannini (in La Repubblica, também de hoje), acerca do novo governo italiano de Mário Monti, a ser apresentado no parlamento:

Deve conquistar, voto por voto, o apoio parlamentar. Mas, sobretudo, deve ganhar, lei por lei, a confiança popular.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Como o poder responde aos Indignados...

Erlich in El País de hoje

Um escritor com muito talento



Havia uma colecção que eu não deixava escapar: a Vampiro, das edições “Livros do Brasil”. A pronto ou a crédito, a prestações, era dinheiro que ia buscar à minha semanada. Nos anos 50, na Guarda, na saudosa Papelaria do sr. Casimiro, onde se encontrava a melhor literatura.

Aqueles pertenciam à categoria dos “policiais” e lá me deliciava com Agatha Christie, Erle Stanley Gardner, Hartley Howard (A Carta Fechada, por exemplo)... Através da Vampiro cheguei, aliás, a um Mestre e apaixonante com o seu comissário Maigret, um dos grandes romancistas do século XX: Georges Simenon.

Depois, através de outra estupenda colecção, a Miniatura, sempre dos “Livros do Brasil”, aprendi a amar outros Mestres, Gide, Thomas Mann, Hemingway, Steinbeck..., que passaram a interessar-me muito mais.

E devo recordar uma breve colecção de bolso, exemplar na escolha de autores: “os livros das três abelhas”, dirigida por Victor Palla e Aurélio Cruz; ali deparei com um escritor português admirável: Manuel da Fonseca e o seu maravilhoso O Fogo e as Cinzas.

Agora, há pouco, alguém me chamou a atenção para um escritor policial (de espionagem), de quem devorei dois livros, em poucos dias: Daniel Silva, um judeu português, educado por açorianos... nos Estados Unidos, hoje, um best-seller.

Talvez superior a John Le Carré.

Porque me prendeu e empolgou? Porque é um excelente construtor de romances; um exímio criador de “suspense“; um dotado ficcionista: capaz de tornar vivas figuras que nunca existiram e cujo destino passamos a partilhar.

Acrescenta-se não serem as suas obras mundos desesperados: tudo ter uma saída que envolve valores de justiça.

A vida poderia não ser um inferno e há quem lute por isso: eis o que nos diz.

Comecei por O Assassino Inglês e terminei anteontem O Caso Rembrandt, obra-prima do género.

Lê: vale a pena. Daniel Silva junta à habilidade narrativa uma sólida cultura e conhecimento do mundo em que vivemos e esperneamos.