Aqui fica a notícia para conhecimento daqueles que constam das nossas estatíticas do desemprego, em vias de emagrecimento... por falta de comparência dos desempregados que já se piraram
"Na Alemanha, necesitamos de 200.000 estrangeiros" -informa a directora do Centro de Mediação de Emprego Internacional (ZAV), Monika Varnhagen, à procura de trabalhadores especializados para as empresas alemãs"
in ElPaís de 31/08/11
...Eis uma oportunidade aberta ao nosso povo que não vê outra saída senão a de aderir à transumância -dir-se-ia, futuro único.
E a maneira de arrumar, tranquilamente, o défice: sem gente, não há nem protestos, nem greves, nem problemas.
Ontem, durante o relato do Nacional-Benfica, ouvi, ao locutor, que eram “os elementos ambientais” o inimigo do SLB...
Puxa!!!
Fala-se caro, no nosso futebol!
E eis mais uma vez se confirmado aquilo que Manuel António Pina escreveu em Junho de 2010:
“a população com "baixas qualificações" intelectuais e culturais representa entre nós mais de dois terços (69,1%) da população activa total”.
Se alguma coisa mudou foi para mais: para uma ainda mais alta percentagem -resultado da emigração galopante, dos muitos que ambicionam subir na vida e do crescer do número de resignados à analfabetização..
Mas claro que os ignorantes somos nós, não os “cientistas da bola” –verdadeiros clássicos da língua, académicos em germinação!...
‘A grandeza dos mortais cresce num instante e num ápice cai por terra, derrubada pelo destino inflexível. Seres efémeros! O que é cada um de nós? O homem é o sonho de uma sombra. Mas, quando os deuses o chamam, uma luz imensa envolve-o e a vida é doce.”
Tanto se faz para ser original –quando falha a humildade da originalidade nossa. Tal é a ânsia de ser génio; de ser notado e visto –tudo serve. Muitas vezes me tomou essa ambição –e sempre o meu Anjo da Guarda a afastou. Nem pobre, nem outsider: um cane sciolto: um que vai pelo seu caminho e recusa outro. E ninguém me põe a coleira. O resto é assim ou assado: a vida."
‘A perdiz (...) na época da postura defende-se mal. De ordinário faz o ninho num tojo, entre as touceiras do cereal, ao abrigo do sargaço. Quando está a chocar, sempre com o perdigão, ao largo, de sentinela –sentinela tão convencido do seu importante papel que, em seu exultamento, rompe às vezes numa imprudentíssima cantoria- e é surpreendida, na finura do seu olhar parece concentrar toda a espiritualidade duma alma a pedir que a deixem. E, se tem de levantar, vai soltando um gazeado flébil, que é um verdadeiro queixume.
(...)
Por via de regra, o inimigo da criação é o homem. Toda a obra de precaução e de subterfúgio é contra ele. A perdiz tem como galfarro nato o gavião; o pedreiro e a toutinegra, o lagarto e a cobra; a cotovia, o cuco, que vai pôr o busilhão do seu ovo entre os dela, tão bonitos e proporcionais, que bem anunciam a ave que todas as manhãs se encastela no céu a saudar o sol. Quem realmente não ouve a esta avezinha, tão fagueira, o cântico que S. Francisco traduziu mais tarde para a nossa linguagem: Laudate sia Dio mio signore con tutte le creature, messer lo frate Sole! Não ouve este, nem o rouxinol a cantar em sonho a sua boa sorte:
“-Comi... comi... comi... um bichinho... muito pequerruchinho!?”
O treinador José Mourinho agride Tito Vallanova (enfia-lhe um dedo no olho direito), treinador-adjunto do Barcelona, após a derrota de ontem do Real Madrid, na Supertaça de Espanha
Às televisões, Mourinho dixit: «De Vilanova, se é que é assim que chama... não tenho nada para comentar. Fui educado na filosofia do futebol, e o futebol é para homens, não para que caias ao primeiro sopro.»
Filosofia do futebol?... Ou referir-se-ia à filosofia do vale tudo, desde que renda, mesmo que seja só publicidade?
Aldo Zari tinha uma grande simpatia por Gino Rossi, pintor veneziano, ligado ao grupo que frequentou a ilha de Burano e ali teve atelier e se reuniu.
Foi Aldo quem me aconselhou a comprar um livro fundamental, Origini Dell’Arte Moderna a Venezia, de Guido Perocco, Editrice Canova Treviso, 1972, hoje, provavelmente esgotado.
O livro abriu-me as portas de um punhado de artistas excepcionais, o citado Rossi, Umberto Boccioni, Arturo Martini, o imenso Umberto Maggioli, Pio Semeghini e outros.
A vida de Gino Rossi foi um tormento: nasceu, em Veneza, em 1884 e morreu, louco, internado no manicómio Sat’Antermio, de Treviso, onde vegetou (?) de 1926 a 1947.
A obra escassa merece admiração e angustia, porque, o talento e a originalidade mostram a alma flagelada.
No trabalho/ensaio de Perocco, rico de ilustrações, correspondências e depoimentos, encontrei este perfil de Rossi, publicado por Giuseppe Marchiori, no Corriere Padano (12 de Janeiro de 1935):
‘Gino Rossi, temperamento de mosqueteiro, não participava em brincadeiras. Levava tudo a sério: na discussão e na acção punha o fogo de artista apaixonado, até à intolerância. Artista puríssimo e sensibilíssimo, talvez o mais apurado de todos nós, comovia-se até às lágrimas diante da beleza lagunar e de toda a obra realmente bela.
A sua alma demasiado sensível rendeu-se ao peso da infelicidade. A guerra [1914-1918], a prisão, a miséria, tudo isso tivera de suportar!”
E foram as longas conversas com Aldo, as nossas inúmeras idas a Burano, o muito que ele me ia ensinando da pintura em geral e, muito particularmente, da pintura da ‘nossa’ Veneza, à mesa das osterie e através do labirinto da cidade única –o que me levou a interessar-me pelo ‘caso Gino Rossi”.
El Ejecutivo admite que hay que integrar en la vida económica del país a las comunidades marginadas
"Esto es criminalidad pura y simple". El primer ministro de Reino Unido, David Cameron, circunscribió el pasado martes la orgía violenta que sacudía Londres y varias ciudades inglesas a una cuestión de pura delincuencia. A su juicio, los saqueos, el incendio de edificios y los destrozos provocados por los vándalos nada tenían que ver con los drásticos recortes en programas sociales, algunos ya ejecutados, o con el prolongado abandono de determinados distritos o minorías. Ayer, su Gobierno comenzó a matizar su posición. El canciller del Exchequer (ministro de Hacienda), George Osborne, apuntó otros motivos: "Hay comunidades que han sido relegadas. Hay comunidades que están apartadas de la vida económica del resto del país".
Recorrer algunos suburbios de Londres o Birmingham es esclarecedor sobre las abruptas diferencias sociales, que muchos expertos afirman que van al alza, por mucho que el Ejecutivo destine un 30% de sus fondos al gasto social. Numerosos analistas han apuntado que la marginación social, el desempleo y los elevados precios no pueden ser despreciados a la hora de explicar los disturbios que han conmocionado al país, por mucho que algaradas de este estilo hayan brotado en el pasado periódicamente, a menudo en los mismos municipios y distritos. Pero hasta ahora se habían reducido a enfrentamientos entre la comunidad negra, que se siente flagrantemente discriminada y acosada por la policía, y los cuerpos de seguridad. Ahora ha sido diferente. Personas de toda raza, edad y condición social asaltaron y destrozaron comercios.
Osborne aludió a la necesidad de "ayudar a quienes sienten que no tienen lugar en la sociedad", pero también para que "comprendan cuáles son sus responsabilidades hacia otras comunidades, no solo sus derechos". El responsable de las finanzas públicas no fue el único que apuntó estas tesis. El exjefe de policía de Nueva York, Boston y Los Ángeles Bill Bratton, nuevo asesor de Cameron para el combate del crimen en Reino Unido, fue ayer bien explícito. "Las detenciones son ciertamente apropiadas para los más violentos, los incorregibles, pero gran parte de este problema debe ser abordado de otros modos. No es solo una cuestión policial. Es de hecho un asunto social", declaró Bratton a la cadena norteamericana ABC. "Parte del problema", abundó, "es avanzar para que el mantenimiento del orden sea más atractivo para una población cambiante". El flamante consejero de Cameron destituyó en la ciudad californiana a un millar de agentes corruptos y contrató a un millar de uniformados de diferentes etnias.
El hecho de que el Ejecutivo conservador admita que las diferencias sociales y económicas han podido influir en la vorágine violenta que ha causado cinco muertes e inmensos daños materiales no quiere decir que las autoridades no se propongan castigar con dureza a quienes perpetraron toda clase de tropelías. Los tribunales trabajan sin respiro y las sentencias que empiezan a dictarse son duras. La opinión pública exige un castigo ejemplar para los implicados.
Para empezar, una iniciativa canalizada a través de Internet ha recabado ya 181.570 firmas para que se celebre en la Cámara de los Comunes un debate sobre la retirada de todas las ayudas financieras y subsidios a quienes se entregaron al pillaje. "Durante demasiado tiempo hemos adoptado una actitud demasiado blanda hacia la gente que saquea en su propia comunidad", explicó ayer Cameron en la BBC. Y dirigiéndose directamente a los presuntos criminales, añadió: "Si hacéis eso, deberíais perder vuestros derechos a la vivienda subsidiada". Y agregó que esa medida puede ayudar a eliminar bandas criminales. Para quienes hayan cometido delitos más leves durante las cuatro noches de disturbios en la capital, en Manchester, Birmingham y otras ciudades del centro de Inglaterra, se promueve un incremento de las multas.
Según informaba ayer el Daily Mail, las autoridades de un distrito de Londres (Wandworth) no han esperado a la decisión del Parlamento. El citado diario aseguraba que la primera familia ya había recibido la orden de desahucio. La madre de Daniel Sartain-Clarke, un joven de 18 años acusado de robar aparatos eléctricos, dijo que no era responsable de los actos de su hijo, incidiendo en un tema que también influye en el desorden social: las familias monoparentales incapaces de educar adecuadamente a los menores. En Reino Unido, 10 de sus 60 millones de habitantes residen en viviendas subvencionadas.
Mientras, la normalidad vuelve paulatinamente a la vida los británicos. Los detenidos por la algarada que sembró la anarquía durante cuatro jornadas superan ya los 2.100, ha remitido totalmente la violencia y los londinenses ya rehabilitan sus negocios destrozados al tiempo que la policía, que divulga nuevas fotos de los delincuentes, insiste en la necesidad de la colaboración ciudadana para detener a los culpables.
transcrito, com a devida vénia, de El País de hoje
Quando, em Janeiro de 1959, assisti, na RTP, imaginem!, à entrada triunfal de Fidel Castro e os revolucionários barbudos da Sierra Maestra, em Havana, senti aquilo que terá sentido todo o português de boa vontade: alegria.
O júbilo de ver cair um ditador, quando ainda em todos nós estava vivo o sofrimento das eleições falsificadas e perdidas, menos de um ano antes: as que levaram Humberto Delgado ao exílio e, mais tarde, à morte por assassínio.
Nós, encurralados dentro de uma ditadura, à data, com 32 anos!
Ainda era incerto o futuro de Cuba e o perfil que viria a definir o regime castrista –por isso a RTP mostrou as imagens...
Para muitos portugueses –certamente a esmagadora maioria- uma coisa se mostrava certa e... possível: arredar um ditador e abrir portas à liberdade.
Coube-nos, infeliz, muitíssimo infelizmente, esperar mais quinze anos para que isso nos acontecesse.
O regime de Fidel Castro foi o que foi e é o que é.
Não vou discuti-lo.
Mas seria mesquinho e absurdo passar por cima do que é um acontecimento histórico: a revolução cubana, que originou mudanças profundamente positivas em toda a América Latina;
seria tolo, ridículo, ignorar Fidel Castro, que hoje completa 85 anos.
Aqui assinalo a data –mais que não seja para irritar os que tanto se incomodam com Fidel Castro e o regime cubano e se rebolam no capitalismo selvagem que nos anda, agora mesmo, a depenar...
conheço-lhes as manhas e... as boas intenções...
Ah! Podem chamar-me o que quiserem –até comunista, que não sou nem nunca fui.
Já me chamaram tudo... menos preto, do que tenho muita pena porque amo África e os africanos.
"Desemprego entre os jovens é "inaceitável e escandaloso"
O representante do Fundo Monetário Internacional, Poul Thomsen, que integra a equipa da 'troika', classificou nesta sexta-feira de "inaceitável" o desemprego entre os jovens e assumiu que essa realidade o surpreende mais do que o desvio encontrado nas contas do Estado.
"Desemprego jovem de 30% é inaceitável, é escandaloso", afirmou Thomsen em entrevista à TVI , quando questionado sobre o que o surpreende mais no panorama nacional.
Neste sentido, Thomsen defende a implementação rápida de "reformas estruturais que dinamizem a economia e as empresas" para que estas possam "criar empregos".
Só através de "reformas a economia será mais aberta e mais competitiva", sublinhou.
O responsável reconheceu que esta realidade o choca mais do que o desvio equivalente a 1,1 pontos percentuais do PIB entretanto conhecido pela 'troika', algo que "é normal num país em que há eleições", com os partidos políticos mais preocupados com a campanha eleitoral."
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 12/08/11
"Vítor Gaspar confirma aumento da taxa do IVA na electricidade e gás natural
O Ministro das Finanças Vítor Gaspar confirmou, esta manhã de sexta-feira, o aumento da taxa do IVA sobre a electricidade e gás natural e congratulou-se com a avaliação "positiva" da 'troika' à aplicação do programa de ajuda externa.
O aumento da taxa do IVA sobre a electricidade e o gás natural estava previsto para 2012, segundo o memorando da 'troika', e será antecipado para este ano."
Troika: «Portugal não vai precisar de outro empréstimo»
País pode voltar aos mercados no final do programa de ajuda
A troika ficou «impressionada» com o progresso da implementação das medidas acordadas no resgate internacional, na primeira avaliação que faz ao desempenho do Governo, embora tenha avisado que o pior está para vir. E o responsável do FMI, Poul Thomsen, está confiante de que Portugal não vai precisar de outro pedido de ajuda."
A redução da TSU das empresas é a panaceia com que o Governo pretende resolver quase todos os problemas económicos (e, por arrasto, financeiros) do país, do crescimento ao défice, este através do aumento miraculoso das exportações. Como anteriores panaceias, a universalidade da mesinha é mais "universal" para uns (os mesmos de sempre) do que para outros (também sempre os mesmos).
Dados do Governo e Banco de Portugal apontam para que os maiores beneficiários da coisa sejam, de novo, bancos e seguradoras (que raio exportarão os bancos e as seguradoras?). A conta irá ser paga pela Segurança Social e, tudo o indica, pelo aumento do IVA nas taxas reduzida (alimentação, água, electricidade, transportes, medicamentos, etc.) e intermédia (combustíveis, energias alternativas, alfaias agrícolas...); a taxa máxima mantém-se e, entre outros, não serão afectados (podemos sossegar) os artigos de luxo.
A descida da TSU representará, assim, uma transferência de parte dos rendimentos que os portugueses destinavam (os que ainda o podiam fazer) a bens de primeira necessidade para, fundamentalmente, os bolsos dos accionistas das grandes empresas (já antes isentos dos "sacrifícios para todos" do imposto extraordinário), financeiras à cabeça.
Espera o Governo que, aumentando os lucros dos "uns", estes investi-los-ão. Resta saber se o farão na produção de bens e na criação de trabalho se em "offshores" e ostentação.
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 12/08/11
Pensando bem, o tolinho isento de impostos -a estupidez não paga imposto- cuja ignorância de jornalista de pasquim anda deslocada no excelente jornal onde faz estragos e verborra asneiras -não merece ser tomado a sério.
Daqui a seis meses já ninguém se lembra dele.
Resolvi esquecê-lo e arredá-lo, agora mesmo, nesta madrugada.
E tu, amigo, desculpa o tempo que te terei feito perder.
A verdade é que não resisti... Vou embora daqui a pouco, mas quero deixar-vos este apelo: indignem-se!
Foi preciso que um homem de 94 anos, Stéphane Hessel, ex-condenado à morte, é judeu, no campo de exterminação de Buchenwalt, ex-resistente e companheiro de luta de De Gaulle, escrevesse o livro cuja portada se reproduz acima, para que a juventude se levantasse, indignasse, disse-se: NÃO!
Por toda a parte do mundo espoliado e mal governado: de Madrid ao Cairo, de Tunes a Telavive.
Todos os dias, os nossos jornais publicam as palavras dos nossos governantes.
São só palavras: vazias. Mentiras. Arranginhos.
E a fome alastra.
A ofensa à nossa dignidade de seres humanos, dispostos e capazes de trabalhar e marginalizados –cresce, sufoca-nos.
Vivemos ao lado da desgraça, a sofrer a agonia de um sistema: o capitalismo selvagem.
Tentam, insistem esses que nos mentem e roubam a sobreviver à custa da nossa miséria.
No tempo do Salazar, os jornais não falavam de nós. Eram os outros que eram infelizes. Voltou-se ao mesmo.
Há jornais livres em Portugal?
Tu compras?
Sou jornalista, desde 1954 (era um free lancer).
Não leio os nossos jornais.
Falam dos outros –dos lá de fora.
São pagos para isso.
É urgente criar um jornal... livre.
Houve.
O “Diário Popular”, o “Diário de Lisboa”, a “República”.
Não vejo as nossas TVs.
Não dizem nada: vendem aos incultos a incultura.
É uma farsa.
E depois?
Deitar abaixo isto, que já apodreceu.
Temos um PR, que volta, um bocadinho ché-ché e, se somares, andou por aqui 20 anos (faltam 4 para completar), a desgraçar o país. E nós revotámos nele! Ou revotaram os analfabetos? O que diz é um resto salazarista...
"Portugueses estão plenamente conscientes das dificuldades - Cavaco Silva
O Presidente da República acredita que os portugueses "estão plenamente conscientes" [da miséria] das dificuldades que o País enfrenta, mas encorajou-os hoje a "recuperar forças e ânimo" no verão para um novo período "de coragem e de esperança".
Numa mensagem colocada ao final da tarde na sua página na rede social Facebook, Aníbal Cavaco Silva recordou que "nesta época em que muitos podem abrandar o ritmo de atividade ou gozar uns dias de descanso merecido", outros "não poderão fazê-lo, ou vivem uma grande intranquilidade [com fome]" quanto ao futuro.
"Os portugueses estão hoje plenamente conscientes das dificuldades que enfrentamos e que exigirão um grande esforço para serem ultrapassadas. Por isso mesmo, este é o momento para recuperar forças e ânimo para um novo ano, que será de grande exigência, mas que deverá também ser, como tanto desejamos, de coragem e de esperança [ó Zé, aguenta a miséria!]", disse o chefe de Estado na rede social."
O negócio da venda do BPN a um banco luso--angolano representado, ao estilo dos romances de intriga circular, por uma eminência do cavaquismo, preparado na "semper fidelis" Caixa, para cuja Administração foram entretanto nomeadas outras eminências de idêntica colheita - algumas eminentes justamente pelas funções que desempenharam no BPN - é redondo e labiríntico q.b. para, como Cadilhe diz, não restar senão dar os parabéns a Mira Amaral, o herói que mais uma vez foi buscar lã ao Orçamento de Estado e, em vez de vir de lá tosquiado, tosquiou o Orçamento.
Espera-se agora que o mais famoso pensionista de Portugal (uma reforma de 18 156 euros por mês após ano e meio como administrador da... Caixa e adivinhe-se em que Governo: PSD/CDS) não tarde a publicar o seu aguardado "best seller", espécie de Dale Carnegie à portuguesa: "Como ter amigos e ser feliz nos negócios".
À semelhança do popular "João Rendeiro/Testemunho de um banqueiro", onde "um dos investidores mais ousados e respeitados no mercado financeiro português (...) desvenda a sua estratégia de fazer negócios", a obra será de incalculável utilidade para inúmeros investidores que sempre quiseram saber como se fazem negócios com o Estado mas tiveram vergonha de perguntar.
Principalmente quando, com o património público em saldo - transportes, energia, água, Correios... -, estão aí à porta muitos negócios tão ou mais excitantes que o do BPN.
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje
Faut-il promouvoir les statistiques ethniques ? Cette question, presque aucun Américain ne comprend qu'on se la pose, tant la référence "raciale" (la couleur de peau) ou "ethnique", est inscrite dans la conception ici commune de la démocratie et de la république. Observée à travers ce prisme, une récente enquête vient éclairer d'un jour cru un impact particulier de la crise économique sur la société américaine.
Le 26 juillet, le Centre Pew, un important institut de recherche sociodémographique aux Etats-Unis, a publié une vaste étude fondée sur une analyse des données publiques fournies par le Census Bureau, l'équivalent américain de l'Insee, sur l'évolution du patrimoine des Américains, le patrimoine étant constitué des avoirs (logement, véhicule, épargne...) amputés des dettes. L'étude démarre trois ans avant le début de la récession (début 2005) et se clôt à la fin 2009, neuf mois après son pic. Les résultats, "ethniquement" parlant, sont sans appel. Sur ces cinq ans, le patrimoine médian d'un Hispano-Américain a chuté de 66 %, celui d'un Asiatique d'origine de 54 %, celui d'un Afro-Américain de 53 %, celui d'un Blanc de 16 %. Bref, tous les autres ont vu leur richesse se déliter durant la crise 3,5 à 4,5 fois plus que celle de ceux que le Census Bureau nomme les "Blancs seulement", cette part de la population qui ne s'identifie que comme blanche, excluant toute autre appartenance ethno-raciale (par exemple Hispanique et Blanc).
Par ailleurs, ces catégories les plus touchées par la crise détenaient aussi au départ le plus petit patrimoine. De sorte que, là encore, le fossé entre Blancs et "autres", si l'on peut dire, s'est considérablement accru. La richesse moyenne d'un foyer blanc (113 149 dollars) est devenue 20 fois supérieure à celle d'un noir, et 18 fois plus élevée que celle d'un hispanique, des différentiels deux fois plus forts qu'il y a vingt-cinq ans. Un tiers ou plus des foyers hispaniques et noirs disposent d'un patrimoine nul ou négatif (15 % seulement parmi les Blancs).
A vrai dire, la récente crise n'est pas seule en cause : entre mieux lotis et classes moyennes, le fossé s'est constamment creusé depuis la fin des années 1970. Et ce que Paul Krugman a appelé la "nouvelle économie de l'inégalité" ne compte pas que des Noirs ou des immigrés récents. Ce qu'il reste de ces "petits Blancs" du Sud, frustes et ignorants, qu'Erskine Caldwell a si cruellement dépeints, ou encore les enfants de ces fermiers paupérisés venus chercher un travail sans qualification dans les petites villes des Appalaches, en font tout autant partie (mais, politiquement, de crainte d'être assimilés aux populations non blanches, ils se retrouvent aussi souvent dans la frange raciste de l'opinion). Et des élites éduquées et fortunées émergent aussi parmi lesdits "non-Blancs". Reste que ce rapport, comme a jugé Paul Taylor, le vice-président du Centre Pew, constitue "un rappel sévère de la forte proportion de minorités vivant dans les marges économiques du pays".
Pour des raisons sociohistoriques, ces "marges" sont plus volumineuses aujourd'hui aux Etats-Unis qu'en Europe. Elles y fournissent les gros bataillons des emplois les moins qualifiés, de ceux qui disposent du plus faible niveau d'éducation, elles y sont le plus souvent dénuées de toute couverture santé. Parce que les plus précarisées, ce sont elles aussi qui fournissent le plus gros des actifs intermittents, une catégorie en forte croissance. Et ce sont enfin elles qui à la fois ne payent pas d'impôts et votent le moins.
De sorte que les états-majors des partis, sauf situation exceptionnelle, peuvent les exclure sans considération de leurs calculs préélectoraux : les "Blancs seulement" sont proportionnellement bien plus représentés dans les urnes que les autres.
Une autre étude récente du Centre Pew montre que, à la veille des élections en 2008, les Blancs préféraient légèrement les républicains aux démocrates (46 % contre 44 %). Ces derniers l'emportaient dans toutes les autres couches de la population. Aujourd'hui, l'avance républicaine atteint 13 points (52 % contre 39 %) parmi ces mêmes Blancs.
C'est ce qui explique, en grande partie, la détermination des républicains, Tea Party en tête, dans leur offensive générale contre la "gabegie publique des dépenses sociales ". On a souvent du mal à comprendre leur manière de voir les choses. Mais elle est loin d'être marginale. Si une immense part du Tea Party pense d'une façon qui nous semble presque inhumaine dans son obsession à sabrer les dépenses sociales, c'est que leur base sociale est généralement moins concernée.
Pour ceux-là, l'immense quart-monde intérieur américain, bien que comptant des dizaines de millions d'êtres, est transparent. Si l'on ajoute que les deux autres catégories non ethniques qui s'étaient mobilisées plus que d'ordinaire en faveur de M. Obama il y a trois ans sont également les plus touchées par la crise aujourd'hui - les femmes, qui ont continué à perdre des emplois depuis la "fin de la récession", alors que le solde des créations d'emplois masculins est redevenu positif, et les jeunes, parmi lesquels le chômage atteint des niveaux "français" jamais connus aux Etats-Unis -, on comprend un peu mieux l'assurance avec laquelle les républicains peuvent promouvoir leur programme de résorption de la dette et de baisse d'impôts concomitante. Jusqu'à présent, les "Indignés" américains ne font pas le poids.
transcrito, com a devida vénia, de Le Monde, 03/08/11
O actual Governo começa a parecer-se de mais com uma comissão liquidatária do património do Estado a preços de saldo (e com os contribuintes a financiar os compradores).
A eliminação das "golden shares" a troco de nem um cêntimo não foi outra coisa senão uma escandalosa liberalidade ao capital privado. E não se diga que foi imposição da "troika" pois a "imposição" foi aceite, é bom não esquecê-lo, por PSD, CDS e PS e apesar de Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Irlanda, Grécia, Finlândia, Bélgica e Polónia*** continuarem a manter "golden shares" em empresas estratégicas (provavelmente terão é governos menos servis).
O BPN será, por sua vez, "vendido" ao BIC com o Estado a suportar os encargos dos despedimentos e ter que nele meter ainda mais 550 milhões, além dos 2,4 mil milhões que já lá estão. Tudo por... 40 milhões.
Seguir-se-ão os transportes, as estruturas aeroportuárias, os Correios, a água... O processo será o mesmo dos transportes: primeiro limpam-se os passivos das empresas à custa dos contribuintes (os aumentos "colossais" das tarifas dos transportes públicos dão uma ideia do que está para vir) depois são entregues de bandeja ao capital privado.
Para isso, o Orçamento Rectificativo agora apresentado na AR prevê 12 mil milhões para a banca mais um aumento de 20 para 35 mil milhões em garantias. Assim não faltarão à banca dinheiro nem garantias do Estado para ir aos saldos do Estado.
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 03/08/11
Nasci em Lisboa. Cresci na Guarda. Vivi em Portugal, Itália, São Tomé e Príncipe, Israel e Marrocos. Escrevi em jornais e revistas. Produzi um programa para a RTP, "O Livro à Procura do Leitor". Publiquei romances, peças de teatro, crónicas, ensaio. Palestrei e conferenciei. Sobretudo, viajei e viajo. No google emcontrará mais...