sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A voz



“Sê prudente. A tua vida entrega-se
unicamente aos ventos que trazem a carícia
da distância. Suporta a sua falta, a voz
ouve-se apenas nas noites de solidão.”


Nathan Zach




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A morte levou-o ontem

Arik Einstein (1919-2013)


“A memória do corpo está para lá da memória”

primeiro verso da poesia de Natan Zach, O Além

A miséria bate à porta

Muitas velas, candeeiros de petróleo, etc., de tiveres dinheiro para os comprar

in Público de hoje

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Homenagem a um homem superior


Rómulo de Carvalho (António Gedeão) faria anteontem 107 anos: honra a um escritor admirável

O fio da navalha

Arthur Rimbaud



“Caminhou demasiado. (…) Apostou tudo no excesso. Foi desumano para consigo próprio. A meta estava, sempre, mais além.”

Henry Miller in The Time of The Assassins, Essay on Rimbaud, New Directions  Publishers, 1956

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

O acabar de um país


Ainda tem um amigo: o cão

Isto chegou ao limite: ou aceitas morrer de fome ou reages, ou aceitas que te roubem, ou amochas.

Ou te governam na miséria ou dizes não.

Ou és um homem ou és um homem sem tomates.

Ou continuas a deixar que te roubem ou recusas e defende-te, porque és: UM CIDADÃO! E vives, à beira da miséria, e com duas misérias: um aparente presidente da nossa república -um analfabeto- e um aparente governo: um bando de salteadores.

E vais aceitar isto?

E não te mexes?

E comes mal, e vês-te à rasca para chegar ao fim do mês.

E olhas para o teu filho e dizes para ti próprio: “Desgraçado!

Porque tu sabes que o futuro dele -TEU FILHO- é uma incógnita - é quase de certeza um desastre.

E tu ficas parado?

Quem és tu?

A tua vida é a tua vida -não pode ser roubada.

E é o que o de Boliqueime, o Cavaco, que manda na tua miséria, é o que faz o imbecil de Massamá, o Passos, continuar a não perceber nada, a lixar um povo? Ou a perceber que roubar é bom.

ficas parado?

Dormes como uma lesma? 

A nossa vida

Isto chegou ao limite: ou aceitas morrer de fome ou reages, ou aceitas que te roubem, ou amochas.
Ou te governam na miséria ou dizes não.
Ou és um homem ou és um homem sem tomates.
Ou cominuas a deixar que te roubem ou recusas e defende-te, porque és: UM CIDADÃO! E vives, à beira da miséria, e com duas misérias: um aparente presidente da nossa república -um analfabeto- e um aparente governo: um bando de salteadores.
E vais aceitar isto?
E não te mexes?
E comes mal, e veste à rasca pra chegar ao fim do mês.
E olhas para o teu filho e dizes para ti próprio: “Desgraçado!
Porque tu sabes que o futuro dele -TEU FILHOI- é uma incógnita - é quase de certeza de um desastre.
E tu ficas parado?
Quem és tu?
A tua vida é a tua vida -não pode ser roubada.
E é o que o de Boliqueime, o Cavaco, é o que faz o imbecil de Massamá, o Passos.
Dorme como lesma.

Ou pega num pau e core com eles. 

Vamos a eles!


"Se não vai a bem, vai à paulada!", um Capitão de Abril disse e disse bem: Vasco Lourenço! Um homem de que me orgulho de conhecer!

Estou contigo! Vamos a eles! Vamos correr a pontapé a canalha que anda a destruir o nosso país!


Há mais mundos


Obra de Giovanni Belini, veneziano e genial

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O tempo

"Família Patrizi, Roma", fotografia de Patrick Faigenbaum

Quem é:

A grande crise dos anos 30

Fotografia de Walker Evans

Solidão ansiosa

Fotografia de Cindy Sherman, s.d.



Quem é?

Nos 92 anos de Natália Nunes grande romancista esquecida



Natália Nunes é uma das mais complexas escritoras portuguesas do nosso tempo.

Conheci-a muito bem, nos idos de 60. Sobre ela escrevi, com ela conversei.

A vida meteu-se ao meio, vivi 30 anos fora de Portugal, exercendo funções diplomáticas, e o nosso contacto evaporou-se.

Julgo que nunca nos encontrámos –mas falámos, longamente e muitas vezes, ao telefone.

Aprendi muito com ela cuja humanidade, sensibilidade e cultura muito me ensinaram.

Em 1965, no extinto Diário Popular, avaliei-a assim:

“Livre de retórica, certo na busca do essencial e no desprezo pelo acessório, atento a um equilíbrio formal que se esconde por detrás do quotidiano invertebrado e do movimento espapaçado que se fixa, o romance *** [acrescento, hoje: os romances] de Natália Nunes confirma [confirmam] o talento de uma novelista invulgar.”

Pois, seguindo as regras canibalescas da Feira Literata, a singular e importante escritora Natália Nunes foi esquecida, enterrada em vida, entregue ao silêncio.

Eu continuo a relê-la e recordo-a com imensa amizade, ternura e admiração.


Chegou ela aos 92 anos, viva e lúcida. Parabéns!

Daqui lhe manda um grande, grande, grande abraço este seu fiel amigo… quase fantasma.


***trata-se do romance admirável Assembleia de Mulheres” (Portugália Editora, 1965)

domingo, 17 de novembro de 2013

Guarda ameaçada


O Processo de Analfabetização em Curso (PAC) instalou-se na Guarda

sábado, 16 de novembro de 2013

África explorada, África abandonada...

Este desenho do tanziano Popa Matumula, publicado no semanário Mzalendo, diz tudo: no fim e ao cabo, os tanques, enviados pelo Ocidente, a fim de apoiarem a democratização africana e impedirem as guerras entre países e entre etnias -diz quem os envia-aplicam-se, mas é, na caça ao... diamante & outras riquezas... De facto, a ajuda ocidental  não passa de um modo de garantir uma neo-colonização vergonhosa e desenvergonhada. O resto são cantigas.

Bom dia no labirinto

Obra de Bram van Velde, 1954


Quem é:

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Teatro Municipal da Guarda: imagem de um condenado ao purgatório


O problema da Cultura e da cabeça vazia ou na verdade não se podem dar pérolas a porcos

"Cabeça de abóbora", óleo de René Magritte

Gustave Falubert dizia: “Considero burguês todo aquele que pensa rascamente”. ***

André Gide escreveu: “o burguês (isto é: quem pensar rascamente) odeia o gratuito, o desinteressante, tudo aquilo que não lhe sirva para nada. Nunca seria capaz de admitir que a arte ou a literatura são úteis, odeia tudo aquilo que não consegue compreender.”****

*** citado por André Gide in Journal, 26 de Agosto de 1937

**** ibidem

O caciquismo instalou-se na Guarda


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O retrocesso ao caciquismo: Américo Rodrigues demitido do lugar de Director do Teatro Municipal da Guarda

Américo Rodrigues: vítima de perseguição política


A demissão de Américo Rodrigues do lugar de Director do Teatro Municipal da Guarda traduz:

-sectarismo político;

-pobreza intelectual;

-total desprezo pela Cultura;

-incapacidade para dirigir a Câmara Municipal da Guarda.

Álvaro Amaro é um militante do PSD; Américo Rodrigues é um homem de ideais socialistas, escolhido e apoiado até às últimas eleições autárquicas por mais de um Presidente da Câmara da Guarda ligado ao PS;

AA flutua num lamentável vazio cultural; AR é um homem de Cultura, um admirável organizador de acontecimentos culturais, um excelente escritor, um excelente homem de teatro, conhecido em todo o país e internacionalmente;

AA irá enterrar o TMG, folclorizá-lo, retirá-lo do palco internacional em que se afirmara –mais: irá surripiar à Guarda a actividade Cultural que, nos últimos nove anos, lhe dera um perfil e a levara a afirmar a sua identidade; AR abriu à Guarda as portas de um caminho modernizador e enriquecedor, divulgou o nome da Guarda, arrancou-a ao anonimato.

AA, enquanto presidente da CM da Guarda, limitar-se-á a empobrecê-la, ao haver afastado, prepotentemente, do lugar que honrava, um homem que lutava pela desprovincialização da cidade.

Álvaro Amaro não só agride gravissimamente a Cultura como desacredita o PSD, partido político a que está ligado e que governa o nosso país, em coligação com o CDS.

Álvaro Amaro é um dos insectos que o PSD distribuiu pelas câmaras que conquistou nas últimas eleições autárquicas; Américo Rodrigues é um dos mais distintos intelectuais portugueses.

Desta atitude mais que reprovável, vergonhosa, saem uma cidade muitíssimo mais pobre -a Guarda- e um partido político menos democrático e menos crível –o PSD.
      


Hoje passam 25 anos sobre a estreia de uma das obras mais belas do cinema italiano contemporâneo


O monge e a memória e uma obra-prima única na Literatura

Durante quase 20 anos, assim levou a cabo Marcel Proust a sua obra

Hoje, Du Côté de Chez Swan: no centenário do primeiro volume de À la recherche du temps perdu, obra gigantesca de Marcel Proust, pertença da Eternidade.

No dia 14 de Novembro de 1913, iniciava-se a publicação da obra monumental que Proust sonhava escrever.

A mãe do escritor, Jeanne Weil, de sangue e religião judaicos, casada com Adrien Proust, professor da Faculdade de Medicina de Paris, morrera há 8 anos –o que representara um  golpe terrível para Marcel.

Andrien Proust falecera, já, em 24 de Novembro de 1903, ou seja, dois anos antes.

A partir daí, o escritor dedicar-se-ia, exclusivamente, à realização da sua obra, recolhido em casa, quase sempre acamado, isolado, entregue à escrita e aos cuidados de uma governanta extraordinária, Céleste Albaret, autora de um livro essencial para todos aqueles que o génio de Proust haja seduzido: Monsieur Proust, Souvenirs recueillis par George Belmont (Éditions Robert Lafont, 1973).

Os últimos 17 anos de vida, Proust (1871-1922) viveu-os a modo monacal, tudo sacrificando ao sonho, que se concretizou: a feitura de novas deslumbrantes Mil e uma noites cuja riqueza é insuperável.

E as palavras que dedica a uma das suas personagens -o escritor Bergotte- certamente as deixou a pensar em si e na própria morte *****.

Aqui as transcrevo:

“Enterraram-no, mas, durante toda essa noite fúnebre, nas vitrinas iluminadas, os seus livros, dispostos três a três, velavam como anjos de asas abertas, e dir-se-ia serem, para aquele que já não existia, o símbolo da ressurreição.”

***** in A la recherche du temps perdu, La Prisionnière, III Volume, p. 188,  Bibliotèque de la Pléiade, Gallimard, 1954

Campa de Marcel Proust: mas, ali, nada resta dele -ele está vivo na sua imensa obra: é lá que deves procurá-lo

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Marcel Proust entra em Portugal ou Proust visto por Régio



Marcel Proust (10 de Julho de 1871-18 de Novembro de 1922) falecera há quase cinco anos, quando José Régio publicou, no nº 5 da revista presença, um precioso apontamento sobre o grande escritor, intitulado Marcel Proust.

Creio seja, em Portugal, o primeiro texto dedicado ao genial romancista francês.

Desse breve ensaio transcrevo as significativas linhas:

“Sensibilidade infinitamente delicada e receptiva; inteligência talvez mais subtil do que profunda, em todo o caso subtil e profunda; imaginação transfiguradora e vasta –Marcel Proust parte à la recherche du temps perdu. Do seu tempo perdido aproveita ele dar-nos uma das obras mais originais do nosso tempo, e simultaneamente mais representativas dele, mais ligadas ao passado e mais prolongadas para o futuro.”


José Régio in presença, nº 5, Coimbra, 4 de Junho de 1927 (recorri à obra importantíssima PRESENÇA, Edição Facsimilada Compacta, Tomo I, Contexto, 1993)***



Marcel Proust em Evian, por volta de 1905

***será nesse mesmo ano de 1927, que se completará A la recherche du temps perdu, com a publicação de Le temps retrouvé. Depois da morte de Proust, tinham já sido editados La Prisonnière (1923) e Albertine disparue (1925). 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

30 anos do Teatro da Europa

30 anos de luta por um teatro europeu

Marcel Proust e o amor

"A terra do Paraíso", 1660-1664, óleo de Nicolas Poussin

“Não era seguro, e eu sabia-o, que amasse Albertine, nem pouco nem muito. O amor talvez não seja mais que a violência dessas tempestades, no seguimento de uma emoção, a agitarem a alma.”

Marcel Proust in A la recherche du temps perdu, III volume, p. 20, Bibliothèque de la Pléiade, Gallimard, 1954



Marcel Proust


O celebre "Questionário" de Marcel Proust


Marcel Proust


Aí fica:

A traição

"A entrega de Cristo", óleo de Michelangelo Merisi, dito o Cravaggio (1480-1557)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

domingo, 10 de novembro de 2013

Já que o dia é belo e há, porém, tanta tristeza, antecipemos a Primavera...

"Primavera", 1573, óleo de Giuseppe Arcimboldi (1527-1593)


Quem era esse artista tão fora do comum?

http://en.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Arcimboldi


Giuseppe Arcimboldi visto por um artista de hoje, algures, no mundo...

sábado, 9 de novembro de 2013

A chave de Passos, o Coelho

Erlich, in El País de hoje

Escrever é trabalho árduo...

"St. Mateus e o Anjo", 1661, óleo de Rembrandt Harmenz Run

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Quando poderás dizer: passou a tempestade?

"Depois da chuva", 1879, Arkip Kuinji (1842-1910)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

No centenário de Albert Camus (7 de Novembro de 1913-4 de Janeiro de 1960): a luta por ser Homem

Albert Camus: um homem independente... por isso um Homem  que lutou pelos outros homens

“Eu deixo Sísifo no começo da montanha! Cada um de nós tem o seu fardo. Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e levanta rochedos. Também ele julga que tudo é bem. Este universo, agora sem mestre, não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão desta pedra, cada raio de luz mineral desta montanha envolta em noite, ele só já representa um mundo. A luta para atingir o cimo da montanha enche o coração do homem. É necessário imaginar Sísifo feliz.”***


Albert Camus in Le Mythe de Sisyphe ,pag. 168,  Gallimard, 1942~

***  o itálico é meu


"Sísifo", óleo de Tiziano


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A viagem

"Navio", 1876-1890, óleo de Arquip Kuinji (1842-1910)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Fantasmas... memória dedicada à querida amiga Helena Soares

Velhos caminhos do fabuloso Douro...

“(…) abençoo a velha estrada do Douro, povoada de viandantes espectrais. Alguns, vêm da Terra Santa e de mais longe. Há soldados de Napoleão, guerrilhas do Duarte, companheiros do Zé do Telhado, o Camilo, numa liteira tenebrosa, puxada por duas mulas agoirentas, o Nobre, na sua berlinda doirada, com dois anjos, à frente, melancólicos.”

Teixeira de Pascoaes in A Beira (Num Relampago”, Obras Completas, 7º Volume, Edição do Autor, Livrarias Aillaud e Bertrand, Paris-Lisboa, s. d. 

Bom dia com um pintor angolano

Obra de Sozinho Lopes

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Poesia

"Uma bela mulher do Báltico (Anna Akhmatova)", 1911, desenho de Amedeo Modigliani

domingo, 3 de novembro de 2013

Um acto imperdoável que aponta para um trágico retrocesso cultural e um vergonhoso insulto à democracia e ao humanismo por que todos lutamos

Assim eu vejo a bandeira do meu país cuja dignidade e o respeito pela democracia foram ofendidos: a meia haste 

Ler:

A visão

"Nova-Iorque vista através do corpo", 1913, óleo de Francis Picabia (!879-1953)

sábado, 2 de novembro de 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O êxodo lusitano

No Público de hoje