Durante quase 20 anos, assim levou a cabo Marcel Proust a sua obra
Hoje, Du
Côté de Chez Swan: no centenário do primeiro volume de À la
recherche du temps perdu, obra gigantesca de Marcel Proust, pertença da
Eternidade.
No dia 14 de Novembro
de 1913, iniciava-se a publicação da obra monumental que Proust sonhava
escrever.
A mãe do escritor,
Jeanne Weil, de sangue e religião judaicos, casada com Adrien Proust, professor
da Faculdade de Medicina de Paris, morrera há 8 anos –o que representara
um golpe terrível para Marcel.
Andrien Proust
falecera, já, em 24 de Novembro de 1903, ou seja, dois anos antes.
A partir daí, o
escritor dedicar-se-ia, exclusivamente, à realização da sua obra, recolhido em
casa, quase sempre acamado, isolado, entregue à escrita e aos cuidados de uma
governanta extraordinária, Céleste Albaret, autora
de um livro essencial para todos aqueles que o génio de Proust haja
seduzido: Monsieur Proust, Souvenirs
recueillis par George Belmont (Éditions Robert Lafont, 1973).
Os últimos 17 anos de
vida, Proust (1871-1922) viveu-os a modo monacal, tudo sacrificando ao sonho,
que se concretizou: a feitura de novas deslumbrantes Mil e uma noites cuja riqueza é insuperável.
E as palavras que
dedica a uma das suas personagens -o escritor Bergotte- certamente as deixou a
pensar em si e na própria morte *****.
Aqui as transcrevo:
“Enterraram-no,
mas, durante toda essa noite fúnebre, nas vitrinas iluminadas, os seus livros,
dispostos três a três, velavam como anjos de asas abertas, e dir-se-ia serem,
para aquele que já não existia, o símbolo da ressurreição.”
***** in A la recherche du temps
perdu, La Prisionnière, III Volume, p. 188, Bibliotèque de la Pléiade, Gallimard, 1954
Campa de Marcel Proust: mas, ali, nada resta dele -ele está vivo na sua imensa obra: é lá que deves procurá-lo