quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Manuel A. Pina escreve sobre o discurso retorcido de Cavaco (mas foi desastre ou voluntária embrulhada do homem de Boliqueime?)...

...será preciso consultar Freud para entender o confusionismo mental de Cavaco?... (na fotografia, é o Freud... mas não confundiram, pois não?)





Discurso e violência


A desastrada (porque ficou pelas meias tintas, sendo que tintas inteiras teria sido Cavaco dizer com clareza se suspeita ou não de que está a ser escutado pelo Governo em vez de pretender dizer mais do que diz sem o dizer) declaração do PR suscitou um "tsunami" só comparável à expectativa que havia criado.




"O desastre, escreve Châtelet, advém no momento em que os movimentos forçados prevalecem (…) sobre os movimentos naturais". O que seria natural era que Cavaco, já que diz ter sido "forçado" a falar, falasse. A "notícia" (chamemos assim àquilo) plantada no "Público" por um assessor de Belém de que a Presidência da República suspeitaria de estar a ser alvo de escutas foi um acto político (um acto de violência política). De Cavaco exigir-se-ia um gesto politicamente esclarecedor e não que se refugiasse na psicologia. Acontece que a psicologia é também, como Deleuze ensina, uma política, e que o confuso discurso diplomático por que Cavaco optou contém, "aninhada em si mesmo", violência política idêntica à do acto que o gerou. Se não fosse fazer também psicologia, estaríamos a falar de hipocrisia.


in Jornal de Notícias, 01/10/09

Seguindo a luta extraordinária e difícil de Barack Obama...



Editorial do Le Monde


"Gitmo" encore

Le 22 janvier, au deuxième jour de sa présidence, Barack Obama signait solennellement le décret de fermeture du centre de Guantanamo, ce symbole accablant, depuis 2002, de la présidence de George Bush. "L'exemple moral de l'Amérique doit de nouveau être le fondement de notre leadership mondial", lançait alors le président américain, avant de préciser que cette fermeture serait effective dans un délai d'un an.



Cet engagement pourra-t-il être tenu ? Rien n'est désormais moins sûr. Alors qu'il reste toujours 223 détenus dans la base américaine installée à Cuba, la complexité juridique du dossier, les tergiversations de l'administration Obama et la guérilla engagée par les républicains au Congrès font peser de sérieuses incertitudes.




Il est vrai aussi que M. Obama n'est guère aidé, en l'occurrence, par les Européens. En décembre 2008, Paris, Berlin et d'autres capitales s'étaient engagées à l'aider à fermer Guantanamo en accueillant des prisonniers libérables et jamais condamnés. De prétendus terroristes détenus plusieurs années sans que la justice américaine soit parvenue à retenir de charges suffisantes contre eux. Ou parce que d'éventuelles preuves avaient été obtenues sous la torture. Ces prisonniers ne pouvaient, en outre, être renvoyés sans danger vers leur pays d'origine.




Belle démonstration de solidarité envers le jeune président américain, au nom des idéaux de l'Union ! Mais les Européens se sont ensuite divisés. Certains ont affiché leur hostilité de principe, d'autres (dont la France, la Grande-Bretagne et l'Espagne) ont maintenu le cap. Un troisième camp craignait que le débat sur l'accueil des détenu ne relance celui sur le scandale des vols secrets de la CIA, dans lequel plusieurs Etats ont trempé sans jamais l'avouer.




Les Européens se sont finalement réunis autour de trois idées. Un nombre réduit d'ex-détenus serait accueilli - une quarantaine ? - à condition que les Etats-Unis accordent eux-mêmes des titres de séjour à d'anciens prisonniers et qu'ils s'engagent à respecter des valeurs communes dans la lutte antiterroriste. Ces principes devaient être énoncés dans une déclaration commune qui n'a toujours pas vu le jour.


Des deux côtés de l'Atlantique, chacun a donc mésestimé la difficulté de ce dossier empoisonné. Mais cela ne saurait servir d'alibi au renoncement. Les Européens se doivent de respecter leurs engagements, voire de les amplifier, s'ils ne veulent pas apparaître velléitaires ou pusillanimes.


transcrito, com a devida vénia, de Le Monde online, 30/09/09, 11:45

A retoma: a máquina de fazer dinheiro está pronta a recomeçar a trabalhar...

Ramón, in El Pais, 30/09/09



...mas quem retoma não é quem está nas lonas... obviamente, o roubo fica para quem recomeça a roubar...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O dia de hoje: Portugal e as dificuldades que tem um reino velho para emendar-se...

...o lugar onde a intellighenzia esperneia e luta e quer escapar ao laço dos medíocres que tudo fazem para lhe chuparem o cérebro e lhe matarem os sonhos os ideais a esperança e uma vida digna... uma vida de Homem...




Criou-o Afonso Henriques, à espadeirada, no tempo em que as fronteiras se improvisavam e alargavam, com razias.




Sobreviveu a múltiplos achaques, levantou a cabeça, com a revolução da burguesia incipiente, mas que abria os olhos, em 1383-85 e quis ir adiante, à boleia dos príncipes meio ingleses, os filhos de Filipa de Lencastre. Em Alfarrobeira, o Conde Coimbra, D. Pedro enterrou o sonho. É certo, ainda descobrimos, ainda demos sangue, na ânsia de vencer a miséria e a fome. Muitos desses nossos marinheiros foram os avós dos milhões de portugueses espalhados pelo mundo, dos nossos emigrantes dos séculos XIX, XX, XXI...



Com a contra-reforma e o malfadado Concílio de Trento, o poder obtuso criou um cordão sanitário à nossa volta, virou-nos as costas ao progresso, à Europa das Luzes e ficámos a ver navios e a espreitar o rei-símbolo da mediocridade brigantina: João VI, a morder os frangos que guardava nos bolsos... João VI, o primeiro a fugir, João VI, arquétipo do medo, do oportunismo bacoco e da pelintrice mental que tantas e tantas vezes nos têm cortado o voo...




Pedro V, o rei amigo de Herculano e admirador de Camilo, morreu jovem, nunca se soube bem como...




A Primeira República, conquistada há 100 anos -é daqui a dias...- deu em droga e caiu-nos em cima o calvário salazarista: 48 anos!



O 25 de Abril? Mudou muitíssimas coisas, arejou muitíssimo o país, deu a milhões de portugueses o que eles sonharam mas de que já tinham deistido. Mal ou bem deu: acesso ao ensino, assistência médica, reformas, subsídios... Mal ou bem, deu o que Salazar metera no caixão da sua mentalidade pífia –e cruel.



Mas, depois, apanhámos com 10 anos de Cavaco... Vimos passar, sem agarrar, milhões que nos ofereceu a Comunidade Europeia...



E, agora, ei-lo, foi ontem, no seu melhor, Cavaco!



A insinuar, sem fundamentar, a desprezar os políticos em geral e, portanto, a política em geral -ele, que foi buscar à política tudo o que foi e é e que, depois de se pôr a milhas, quando lhe ardeu o rabo, quis voltar, quis-se presidente da República, que é, obviamente, ela, República a encarnação da Política, da Polis...-, Cavaco a tentar desacreditar o governo que aí vem, antes dele, novo governo, se instalar...



A desacreditar-se a ele próprio, é certo..., mas a roer a nossa democracia incipiente. E a fazê-lo precisamente no momento em que Portugal atravessa a mais grave crise social de sempre e acorda a contar o que tem e a ser... o país mais pobre da Europa!



É grave que o tenha feito; mas Cavaco talvez se tenha limitado a ser, plenamente, aquilo que é: um medíocre convencido de que o não é e incapaz de suportar críticas e a dialéctica democrática.



Temos, infelizmente, outro tristíssimo exemplo disso bem perto no tempo: o de um homem que veio de Santa Comba e nos sufocou durante mais de 40 anos...



O panorama político está a modificar-se, também é verdade.



O bipolarismo partidário -ora agora governo eu, ora agora governas tu...- foi ao ar.



O PSD e os seus pseudosociaisdemocratas, a não se emendarem -e será difícil inventar de um dia para o outro uma ideologia que nunca tiveram- tendem a minguar.





Em beneficio do CDS, da direita tradicionalista: Deus, Pátria e Família e uma ida anual a Fátima e mais umas coisitas paternalistas e a puxarem para trás... Essa é uma faceta incontornável da nossa realidade cultural. Evoluirá -ou voltará a ser o CDS o partido democrata-cristão e humanista de Amaro da Costa, Lucas Pires, Freitas do Amaral?... Quem sabe?...



Por sua vez, o PS joga tudo, nos próximos anos (2,4?): provará ou renegará... o seu socialismo.



Entretanto, afirmam-se novas escolhas, outras soluções. E a esquerda reforça-se. É um excelente sinal.



Sim, acredito: a esperança está aí! Mas é preciso lutar muito para transformar o sonho -e é pelo sonho que vamos sempre!- em realidade.


Os dias da nossa terra...


A noite de hoje às 20 horas: ouvi Cavaco durante quase 12 minutos e fiquei a saber o que sabia: nada...





...afinal houve escutas e gravações e orelhudos?... ou não houve?!




Cavaco, tal qual se esperava, aos costumes, disse nada... Ou seja: não esclareceu ninguém...


Houve escutas?


Quem escutou?


Por que protestou contra escutas à presidência quem protestou?


Quais são ou não são as culpas de Fernando Lima?


Etc & tal...


Tão tal... o habitual...
O montito, já um bocado escalavrado, pariu um rato..., com os dentes cariados e mal afiadinhos...


E eu não pergunto mais nada.


Cavaco não muda, é de nascença, dizem.
23:12h a resposta do PS ao discurso recheado de insinuações e de confusionismos de Cavaco chega e basta e dispensa-me de acrescentar mais comentários.
Para mim, chega e basta, repito.

O dia de hoje: logo às 20 h finalmente o parto verbal: mistério adiado ou que terá para dizer o homem de Boliqueime?...

...com esta alegria das praias...
...aos costumes e como de costume dirá nada?...


Miguel Sousa Tavares acha que Cavaco tem estado calado porque não tem nada para dizer...


É possível.


Ou traz a Boa Nova? Anunciará, reconhecerá, finalmente, a evidência? A morte cívica do cavaquismo?


Muitos milhões de portugueses agradeceriam esse gesto simples...


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Vale a pena ler a Editorial do 'El Pais'... caso livres (?) da Brites de Almeida ressuscitada já não se sofra de anti-espanholite aguda...

...que governo sairá desta assembleia e como vai navegar em mar revolto?...


Alianzas en Portugal

Portugal ha reelegido al primer ministro socialista José Sócrates, pero la pérdida por su partido de la mayoría absoluta que ostentaba va a complicar sobremanera el escenario político del país vecino, en el que la abstención ha llegado al 40%. Van a ser los partidos pequeños -que van desde el derechista CDS-PP, la revelación de los comicios, hasta el marxista Bloque de Izquierda y la coalición de comunistas y verdes- los que marquen el paso al próximo Gobierno si, como parece darse por descontado, los socialistas no entran en coalición formal con ninguno de ellos.




Aparte del derrotado rival centroderechista Partido Socialdemócrata, de Manuela Ferreira Leite -la líder opositora a la que el AVE ha acabado embistiendo como un bumerán-, el único otro que lograría con el de Sócrates una mayoría absoluta sería el democristiano CDS-PP. Ambas formaciones se han sacudido lo suficiente durante la campaña como para esperar ahora un matrimonio contra natura. En una eventual alianza de izquierdas, más difícil todavía, el PS necesitaría contar a la vez con los dos grupos en ese espectro político, el Bloque y los comunistas, para lograr el control del Legislativo. Un menage à trois harto improbable habida cuenta sus discrepancias ideológicas de fondo.




El camino del próximo Ejecutivo portugués, que se conocerá en un mes, será, pues, empinado e inestable. Un Gobierno frágil y extremadamente dependiente deberá lidiar, en el país más pobre de la Unión Europea, con alarmantes niveles de deuda, déficit público y paro, un escenario bien conocido también a este lado de la frontera. Su misma formación va a estar condicionada por las elecciones locales del próximo 11 de octubre, circunstancias que acabarán difiriendo en varios meses la aprobación del presupuesto de 2010. Este contexto político y económico está aderezado con las deterioradas relaciones entre el primer ministro repetidor y el presidente de la República, el conservador Aníbal Cavaco, cuya figura ha salido empañada de la campaña electoral.




Salvo giro copernicano, todo sugiere que el nuevo Ejecutivo, esta vez en minoría, deberá intentar sobrevivir durante la legislatura negociando caso por caso su apoyo parlamentario. En las circunstancias portuguesas, eso obligará a un Sócrates que no se caracteriza por su flexibilidad a complicadas maniobras. Y a vivir políticamente pendiente de un hilo.




transcrito, com a devida vénia, de El Pais, 29/09/09

Os dias da terra...


A lucidez de Manuel A. Pina e o que está a acontecer e o que poderá vir a acontecer...

...desta vez só a faca é que está está na mão... e então...
... qual será o tipo de queijo que vai escolher José Sócrates?...




Coisas extraordinárias
por Manuel A. Pina


Uma das coisas mais extraordinárias da noite eleitoral (as noites eleitorais são sempre férteis em coisas extraordinárias) foi ver o PS festejar a "vitória extraordinária" que terá sido a maioria relativa que conseguiu.




O PS teve, durante quatro anos, a faca e o queijo na mão e cortou a mão. Em quatro anos perdeu meio milhão de votos, perdeu 8,5% do eleitorado (20% do "seu" eleitorado), perdeu a maioria em vários distritos, perdeu 24 deputados. Só não perdeu, pelos vistos (os hábitos não se perdem facilmente), a pesporrência absoluta, já que a maioria absoluta perdeu-a também, e absolutamente. Isto quando todos os outros partidos, da Esquerda à Direita (até o PSD), cresceram em número de eleitores e de deputados, mesmo tendo votado menos gente que em 2005. Dos 500 mil eleitores perdidos pelo PS, 200 mil vão provavelmente a crédito da ministra Maria de Lurdes Rodrigues e da sua ruinosa política educativa. Se Sócrates for coerente com o apoio acrítico que sempre lhe deu mantê-la-á no Governo. Todas as oposições aplaudirão, de olhos nas próximas eleições, esse acto de "extraordinária" firmeza.



in Jornal de Notícias, 29/09/09

Aviso: vira à direita a Alemanha cansada da coligação em que o SPD deixara de se manter fiel à esquerda e cada vez era menos carne e menos peixe...




Editorial de Le Monde




Berlin à droite


Angela Merkel a dû rassurer les Allemands au soir du scrutin législatif qui a donné une nette victoire à son parti (CDU-CSU) et à ses alliés libéraux du FDP. "Je suis toujours la même", a-t-elle lancé, alors que toute la gauche était déjà en train de s'alarmer de la politique ultralibérale du futur gouvernement allemand.




Ces élections marquent la fin de la grande coalition. C'est peut-être une bonne chose. Comme dans les années 1960 en Allemagne, comme la cohabitation en France, cette alliance contre nature, imposée par les urnes, désoriente les électeurs, à qui aucun choix réel n'est proposé, et affaiblit les grands partis de gouvernement. Ainsi, le Parti social-démocrate (SPD) sort très affaibli de ces quatre années de participation au gouvernement. Non seulement le SPD enregistre son plus mauvais score depuis soixante ans, mais il ne pourra espérer revenir au pouvoir qu'en formant une alliance à trois, avec le parti des Verts et surtout Die Linke - formation qui entend incarner une "vraie" gauche -, qui progressent tous les deux. C'est surtout vrai de Die Linke, formé de syndicalistes déçus et d'anciens communistes, et qui s'est bien enraciné dans le paysage allemand.




La victoire claire de la droite est quasi inespérée pour Mme Merkel. Car son parti n'est guère mieux loti que le SPD : la CDU réalise son second plus mauvais score depuis la guerre. A force de gouverner au centre sans beaucoup d'imagination et de gérer l'héritage des réformes de son prédécesseur social-démocrate Gerhard Schröder, la chancelière a délaissé un énorme flanc sur sa droite, dont a profité le FDP. Sur le papier, elle sort renforcée de ce scrutin, mais elle est désormais sous la pression de ses nouveaux alliés libéraux, ce qui va à l'encontre de sa nature et ne fera les affaires ni des Européens ni des Français.




Car le FDP n'est plus le parti proeuropéen de l'éternel ministre des affaires étrangères Hans-Dietrich Genscher (1974-1992). Il conteste la politique agricole commune, ne veut pas de politique industrielle ni de gouvernement économique et se refuse à des engagements trop contraignants en matière de lutte contre le réchauffement climatique qui pénaliseraient l'industrie allemande. Il va renforcer la tendance allemande à mettre par-dessus tout la compétitivité du pays, accentuant ses excédents commerciaux au détriment de ses partenaires européens. A Angela Merkel de démontrer que la première économie du Vieux Continent doit et sait aussi penser européen. Dans son intérêt à long terme.
transcrito, com a devida vénia, do Le Monde online

Os dias da terra...


Fala ou não fala???...


Cartoon Elias o Sem Abrigo, de R. Reimão e Aníbal F., in Jornal de Notícias, 28/09/09

O dia de hoje: ontem prevaleceram o lúcido civismo e a esquerda majoritária...



O que aconteceu, ontem, foi o seguinte:

o PS venceu as eleições, com 36,56 % dos votos, perdeu 8,47% e a maioria absoluta (-25 deputados)

o PSD teve 29,09 % e ganhou 0,32 % (+3 deputados)

o CDS teve 10,46% e ganhou 3,22 % (+9 deputados)

o BE teve 9,85 % e ganhou 3,5% (+ 8 deputados)

o PCP teve 7,88% e ganhou 0,34% (+1 deputado)

quando ainda se desconhecem os votos da emigração’


A esquerda junta 54, 29 % de votos e 127 deputados

A direita junta 39,55 % e 99 deputados

A esquerda é amplamente majoritária na Assembleia da República.


O PS ou terá de formar ou um governo de maioria relativa, dependente de acordos parlamentares mais ou menos pontuais ou um governo de coligação.

O PS fará uma coligação à esquerda, aquela que seria mais lógica, dado que o PS é um partido de esquerda?

Mas o BE e o PCP estarão interessados em coligar-se com o PS?

E, se estiverem, em que condições aceitarão coligar-se?

Não pensará o BE que pode valer a pena ao BE esperar os tais dois anos de vida que profetas e agoirentos já decidiram serem os da nova legislatura –e beneficiar, assim, de mais uma quase segura descida do PS?,

ou beneficiar de uma eventual coligação do PS, quer com o PSD, quer com o CDS, de um PS a governar necessariamente chegado à direita –porque todos sabemos que o PSD não é um partido socialdemocrata, é um partido liberal, e nem se discute se o CDS é ou não um partido da direita tradicionalista, porque o é.

Não poderá pensar o PCP da mesma maneira?

A meu ver:

a coligação PS/PSD seria uma espécie de suicídio a dois e é muito difícil adivinhar qual dos dois sairia menos debilitado...

a coligação PS/CDS seria igualmente desastrosa para o PS e confirmaria o reformismo direitista dos governos de Sócrates.

De onde concluo o que até já o meu barbeiro concluiu: Sócrates tem pela frente um mar de dificuldades.

E todos, à uma e de boa e má fé, perguntamos: afoga-se ou não se afoga?

O que irá passar-se com José Sócrates, primeiro-ministro cessante, certamente em vias de ser convidado a formar governo, pelo PR; o que irá fazer o actual secretário-geral do PS?

Actual, porque, bem o disse Ian Fleming, ‘só os diamantes são para sempre”...

Certamente, não recusará Sócrates o convite do PR nem abandonará a liderança do PS.

Ainda que isso possa vir a acontecer, abandonar Sócrates a liderança do PS –mas não para dar razão ao que o atrabiliário Vasco Pulido Valente, sempre amargo, megalómano e leviano na esperteza oscilante, escreve no Público de hoje:

‘Quanto a Sócrates, coitado, começou o caminho para o fim’.

Sócrates, quando sair, nunca sairá como um coitado.

...Além do mais, nunca se deve considerar um político findo, acabado. São expressões erradas... impossíveis, em política.

Sócrates não sairá à maneira triste, manhosa, de Cavaco, quando passou a bola a Fernando Nogueira, nem à maneira irresponsável de Guterres, nem à maneira oportunista de Durão Barroso.

Sócrates tem a sua ideia de governar e, se não conseguir levá-la avante -como ela é: como a sua ideia é-, afastar-se-à, dignamente, e dirá porquê.

Porque acredito no Estado Social e no socialismo, desde o princípio, segui, atenta e criticamente, a governação de Sócrate. Revoltei-me, indignei-me, discordei e concordei –porque se errou, em minha opinião, outras vezes acertou.


Desde o princípio, segui Sócrates com olhar positivo –tal qual olho seja para quem for, porque recuso preconceitos e acho que ódio e acidez fazem muito mal, não apenas ao estômago mas também ao cérebro.

Tenho, para mim, sinceramente, que José Sócrates é um homem inteligente e culto e coerente com o que pensa.

Que eu não esteja, muitas vezes, de acordo com ele, isso é outra história.

Depois das eleições: vai formar-se um governo capaz de parar a sangria que denuncia El Roto?...


'Deixaram de despejar resíduos tóxicos e passaram a despejar trabalhadores...' (tradução livre)
in El Pais, 28/09/09

domingo, 27 de setembro de 2009

Com muito gosto corrijo a legenda...

... Mário Sacramento um intelectual admirável condicionado pela ditadura salazarista...

Ao ler o comentário de Eunice Almeida Malaquias Vouillot, ao meu post Homenagem justíssima a Mário Sacraento, dei conta de que a palavra sufocou, que legenda a fotografia de Mário Sacramento, poderia não ser bem entendida.

Julgava eu ser fácil de perceber o que queria dizer: Mário Sacramento foi um dos muitos intelectuais vítimas do regime salazarista e impedido de se realizar e expressar plenamente. Bastaria, talvez, integrá-la -a ela, legenda- no texto subsequente.

(Aliás, ele próprio denuncia em muitas páginas apaixonadas e amarguradas do seu belíssimo Diário, a sufocação em que todos viviam.)

Infelizmente, não terei sido suficientemente claro.

Evidentemente, a vida de Mário Sacramento foi uma luta admirável, um exemplar sacrifício, marcados por uma extraordinária honestidade.

Se não pensasse assim e não o respeitasse, obviamente não teria escrito sobre ele.

Mas, essa luta e esse sacrifício, que deixou sementes preciosas, sofreu da asfixia imposta pela PIDE e pela censura, pelo regime salazarista, em suma, que o impediram de falar como desejaria.

A maioria dos intelectuais portugueses que viveram e morreram, em Portugal durante o salazarismo, foram intelectuais que não se realizaram totalmente. Foram intelectuais sufocados. Ou, se preferirem, foram intelectuais condicionados.


Ora aqui está um diálogo oportuno e que faz bem à gente, ajuda a resolver certas dúvidas... Obrigado, artista!


...Cravo&Ferradura, in Diário de Notícias, 27/09/09

Este desenho de El Roto publicado hoje no 'El Pais' mostra-nos sem saber a autoridade na ditadura de Salazar...

El Roto, in El Pais, 27/09/09

sábado, 26 de setembro de 2009

O dia de hoje: ainda sobre Mário Sacramento e sobre a masmorra inquisitorial de que saímos...

..Mário Sacramento, algures em França, longe do Reino Cadaveroso, a respirar...

Na carta-testamento, datada de 7 de Abril de 1967 e transcrita no livro cujo título abre esta nota, Livro de Amizade, Lembrando Mário Sacramento (Húmus, 1969), o escritor reclamava: “Façam um mundo melhor, ouviram? Não me obriguem a voltar cá!” Mário Sacramento morreu dois anos depois (há quatro décadas, portanto) e, por estas bandas, muitas coisas mudaram.


Para melhor? Sem dúvida, para melhor. Abriram-se janelas que estavam barradas, calafetadas, fugiram as traças e libertaram-se os horizontes proibidos. Mário Sacramento foi um dos muitos intelectuais que sofreram a ditadura e a censura. Talvez -eu diria certeamente-, o crime maior do salazarismo esteja nisso: na congelação da cultura.


Proibiu a Cultura. Perseguiu a Cultura. Mandou matar, por medo à Cultura. E, quando os seus agentes não mataram, de facto, torturaram e sufocaram até à morte interior, até à agonia do Espírito, quantos lutaram e quiseram construir um país livre, um país Culto, europeu.


O Portugal de Salazar foi uma masmorra.

Como teria sido Portugal, como seria hoje, se os portugueses pudessem ter pensado e expressado aquilo que pensavam? Sim, como seria hoje, porque ainda hoje andamos a pagar a obscuridade imposta pelo reino da estupidez salazarista –e muito continua a custar sair dele, construir outro país, de alto a baixo. O “cordão sanitário salazaresco” atrasou este país, devolveu-o ao atraso em que ele viveu, desde o Séc. XVI, e separou-o do movimento da Terra: do avanço cultural e, por isso, obviamente, científico, obviamente social, que, além fronteiras, acontecia.

Reli, há dias, o estudo de Mário Sacramento, Eça de Queirós, Uma Estética da Ironia. É uma obra fundamental, onde a inteligência, a sensibilidade e a independência nos empolgam. E tenho presente o excelente longo ensaio, também incontornável, Fernando Pessoa, Poeta da Hora Absurda. Foi, ontem, apresentada, no “Museu do Neo-Realismo”, a obra referida acima, que homenageia um homem de diálogo, em tempo de peste onde muitos se viram forçados a andar de costas uns para os outros.



Mário Sacramento bateu-se, exemplarmente, pelo encontro dos homens separados –por uma Cultura ecuménica. Era um criador de Espírito e o Espírito rejeita os dogmas. Para reencontrar a grandeza moral e a riqueza intelectual de Mário Sacramento, que é um exemplo e, infelizmente, também um trágico exemplo, voltem a publicar-se e leiam-se e releiam-se as suas obras.

Os dias da terra...


Homenagem justíssima a Mário Sacramento

...um intelectual de muito valor que o salazarismo sufocou...



Hoje, pelas 17, no Auditório do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, é apresentado o Livro de Amizade, Lembrando Mário Sacramento, Edições Húmus.

A coordenação da obra coube a João Sarabando, Joaquim Correia e a Cecília Sacramento. O prefácio é de Jorge Sarabando. A apresentação é de António Pedro Pita.

Trata-se da homenagem a um escritor excelente, exemplarmente independente, que deixou obra admirável, mas ferida pela brutalidade da ditadura em que viveu.

Aqueles que cresceram e nasceram depois do 25 de Abril não podem imaginar que tempo foi nem a que inferno escaparam.

A tragédia da inteligência, a mordaça, a anquilose, a castração que o salazarismo representou –evoca-o, Mário Sacramento, nestas linhas do seu Diário dolorido:

Vamos morrendo num charco de espantos. Do que estivemos para ser ninguém saberá! Esperámos 10, 20, 30, 40 anos... E que queríamos? Apenas o direito de interrogar e acertar a vida, de sermos homens na companhia de homens. Uma chuva de escórias tudo cobriu e crestou. É crime viver. É crime pensar. Porque só se vive e só se pensa ‘de’ e ‘com’ –e esses foram bloqueados.

(...)

O que custa são os sonhos mortos –o não faço hoje, o fica para amanhã, o amanhã de nunca.’

Era nas escolas que se deveria contar essas coisas. Urgentemente. Antes que consigam que deixemos de as saber. Como se nunca tivessem existido.

Mais um crime possível...

Pobre do nosso planeta e de nós poluídos e diluídos no BLA. BLA,BLA...




"-Boas Noticias. Parece que Obama está disposto a diminuir emissões no BLA, BLA...

-Pelo seu lado, a China disse que também fará um grande esforço diminuindo o BLA, BLA,BLA..

-Como gostam os políticos do BLA. BLA, BLA..., hem?

-BLA


Ramón, in El Pais, 26/09/09

Um artigo que sai no dia certo...

...o futuro...



Em dia de reflexão
por Alice Vieira

Para quem agora me está a ler, hoje é sábado, dia 26 de Setembro, e o país está em período reflexivo porque amanhã vai a votos. Mas eu estou a escrever nove dias antes do domingo das eleições. Eleições que espero (como espero sempre…) que sejam muito participadas, com grandes filas nas assembleias de voto, com as pessoas motivadas a deitar nas urnas a expressão da sua vontade, seja ela qual for, incluindo a de fazer um grande risco no boletim, a liberdade também é isso. Só não percebo muito bem a "liberdade de não votar".
Talvez porque vivi muitos anos sem poder livremente votar em quem muito bem entendesse, não percebo como se pode desperdiçar um bem pelo qual tanta gente lutou tanto. Tenho dificuldade em aceitar os que viram a cara e dizem "não tenho nada a ver com isso, estou de costas". Sobretudo - e isso cada vez é mais frequente- quando se trata de gente nova. Os tempos são outros, dizem. Talvez.
Mas eu acho que é sobretudo uma grande falta de comunicação. A gente mais nova está cada vez mais habituada a que lhes falem diversas línguas: o gramatiquês, o futebolês, o politiquês, tudo meio cabalístico e sem comunicação com o exterior. Basta ver o enunciado de um teste, um relato de futebol, um encontro de um político com o eleitorado jovem - para se reconhecer estas linguagens. Falta que alguém se lembre, um dia, de lhes falar Português . Alguém que se chegue junto deles e não rodeie o discurso de metáforas, ou de Inglês-técnico, ou do vazio mascarado com palavras que até o Moraes (ou o Houaiss, para ser mais moderno) se veria aflito para descodificar.
Alguém que tenha a coragem de lhes dizer "a culpa também é vossa", tal qual fez o presidente Obama, numa escola dos Estados Unidos, num discurso que circula pela net. Ele não está com paninhos quentes e diz-lhes mais ou menos isto: eu já falei da responsabilidade dos vossos pais, da responsabilidade dos vossos professores, da responsabilidade dos vossos governantes. Agora é tempo de falar da vossa. Porque se vocês faltarem às aulas, se não ouvirem nada do que se diz na sala, se estiverem sempre desinteressados, se passarem o tempo todo agarrado à consola, se não se esforçarem por descobrir aquilo para que têm jeito - e toda a gente tem jeito para qualquer coisa - tudo o mais não serve de nada, e o país não anda.
É um discurso não muito longo, que era bom que circulasse nas nossas escolas, e fosse lido e discutido com os alunos para que eles sentissem o mal que todo o facilitismo tem feito ao longo destes tempos.
E sobretudo para que sentissem o peso de uma palavra que raramente utilizam com eles, mas da qual tudo depende: a palavra responsabilidade.


in Jornal de Notícias, 26/09/09

O que aí está em baixo não é um lugar-comum, é uma realidade que nos querem esconder... uma verdade de Abril... mesmo em Setembro!...



O dia de hoje: vou passá-lo a reler o maravilhoso Antero...

...monumento a Antero de Quental um homem que era deste e de outros mundos...


Aqui deixo quatro breves apontamentos de Antero de Quental, o Santo Antero, assim lhe chamava Eça, o homem que não veio à procura do sossego de pantufeiro e da reforma excelente, excelentemente antecipada, porque seria, como é para tantos, tantíssimos, reformar-se, logo à partida, de si próprio e da própria dignidade, da própria responsabilidade... e pôr-se, como tantos, tantíssimos, a acariciar o seu cuzinho...

[em Ponta Delgada] ‘O que há hoje sobretudo não é tanto a ignorância ou o erro, a infâmia ou a loucura: é a atrofia do coração junta à futilidade do ânimo. Quem cura da justiça? Cada qual quer viver, gozar! Nós somos uns pobres doidos, maus e cruéis para nós mesmos, que nos comprazemos em destruir e soterrar todas as fontes dos nossos bens’.

[em Paris] ‘Este trabalho é triste como todo o trabalho moderno, forçado, partido e dividido, desnatural e injusto. Para sofrer é necessário ter em vista outra coisa, essa justa, ou as afeições de família ou o fanatismo nobre das ideias de que se é apóstolo.’

[em Ponta Delgada] ‘Tenho assentado definitivamente entrar de novo na comunhão dos destinos portugueses. Em toda a parte se pode ser homem.’

[em Causas da Decadência dos Povos Peninsulares] ‘O nosso génio é criador e individualista: precisa rever-se nas suas criações’.

O que continua a haver -passado mais de um século- e a haver mais agudamente, é a alterofobia, a indiferença, o egoísmo, a resignação e a aceitação de sermos sub-fetos (como dizia Tomaz de Figueiredo)...

O que há, sempre mais e mais, é a nova escravatura: o trabalho despersonalizado, que nos leva a sacrificar-lhe todo o nosso tempo vital, a sacrificar-lhe a própria alma –trabalho de homem que se transformou em peça da grande máquina neoliberalista... o trabalho injusto...

Em toda a parte se pode ser homem... Em toda a parte e a todo o momento, se pode e deve lutar pela reconquista da condição de Homem...

O nosso individualismo não o entendo -nem Antero o entenderia- como egoísmo: é a vontade de dar, de nós, o mais verdadeiro e o melhor, dentro de uma sociedade justa... Quando nos deixam trabalhar e aprender a trabalhar...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Os dias da terra...


O dia de hoje: Domingo, à esquerda, virar!

...'Bandeiras vermelhas', pintura de Maria Helena Vieira da Silva...




Espero não voltar a ocupar-me desta campanha minhocal, até dia 28, 2ª feira próxima.



Nunca se sabe..., mas creio que o essencial está visto: peixeiradas e declarações respeitáveis, golpes baixos, baixíssimos..., e gestos generosos, corajosos.



Resta-me dizer que votarei à esquerda, por uma esquerda unida, coligada, capaz de abrir novos caminhos a este país que, desde 25 de Abril de 1974, tantos salazarentos encapotados e patos bravos da política têm sufocado, atrasado, aldrabado.



Não tenho medo do futuro -não quero é que reconstruam o passado: o reino cadaveroso, em que os pobres são legião e os ricos uma quadrilha protegida por um poder servil.



Vou votar, em consciência.

É o que deverá fazer cada um de nós, não acham?

Bento XVI em Portugal, anunciaram... Uma 'Anunciação' a chegar de TGV?... Não, a chegar a jacto!...

...Bento XVI, notícia de campanha?...





A Conferência Episcopal Portuguesa não estaria interessada no anúncio da visita de Bento XVI a Portugal, antes das eleições, e fê-lo saber, através do seu porta-voz...


...certamente, Bento XVI não estaria, também...

Eles olham o futuro, não querem uma Igreja inutilmente interveniente (e a pagar por isso o recibo...) nem ligada a cadáveres adiados.

Cavaco não se conteve: esta era a última oportunidade de impressionar quem vota.

A verdade é que as cavacadas, perdão, os pastéis de Belém já nos impressionaram o suficiente.
Cada cavadela, cada minhoca... -diz o povo... que vai votar...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O G20 na cimeira de Pittsburgh...


"-Dê-me alguma coisa para comer...
-Nem fale nisso... com coisas que se partem [esp.: trincar: despedaçar, partir] não se brinca...
Forges, in El Pais, 25/09/09

Sondagens: eu não disse que ia haver mais?...


...a última das últimas?...



Ora aqui está mais uma, fresquinha, fresquinha...

Agora, é da Universidade Católica, para o Jornal de Notícias, Antena 1 e RTP.

Estamos a 24 h do silêncio e da meditação.

Até amanhã (presumindo que se respeite o intervalo para o eleitor pesar os prós e os contras deste partido e daquele...), ainda aparecem mais?

Quem sabe? As campanhas são máquinas infernais...

Os dias da Terra...




A sondagem apresentada há pouco pelo jornal 'Público'




A sondagem, feita pela Intercampus, para o Público, a TVI e Rádio Clube Português, relança a possibilidade de uma nova maioria do PS.

Quais os efeitos dessa sondagem sobre o eleitorado em geral?

Assusta os leitores ou alegra-os?

Traz mais votos ao PS ou leva mais votos a outros partidos?

É benéfica ou maléfica para o PS?

É inofensiva ou... prejudicial?

É desinteressada ou oportunista?

Eis perguntas impossíveis de responder, se quisermos responder honestamente...

Outra questão: quantas sondagens vão aparecer ainda, até Domingo, 27?

Sida: descoberta uma vacina que diminui as probabilidades de contágio...




Una vacuna experimental reduce el riesgo de contagio de sida


Científicos de Estados Unidos y Tailandia han desarrollado una vacuna que puede reducir de forma significativa el riesgo de contagio del virus del sida, según los resultados, presentados hoy en Bangkok, de unos ensayos en los que han participado más de 16.000 personas. La vacuna ha reducido el riesgo de contagio en un tercio de los casos. El Ministerio de Sanidad tailandés y el ejército estadounidense han dirigido el ensayo, el mayor llevado a cabo en el mundo contra el sida y, según el diario The New York Times, el primero que tiene unos resultados positivos. Por ello, aunque la reducción del riesgo de contagio es modesta, como reconocen los propios investigadores, se abre una más que esperanzadora vía de investigación.
"Estos resultados indican que la consecución de una vacuna eficaz y segura para frenar el sida es posible", destacó el coronel Nelson Michael, director de la división de Retrovirología del Instituto de Investigación del Ejército Walter Reed de Estados Unidos. "Es muy esperanzador, aunque hacen falta más estudios", añadió el militar. Las conclusiones del trabajo se anunciaron en la capital tailandesa por miembros del grupo que colabora en la investigación: el Ejército de EEUU, el Ministerio de Sanidad de Tailandia, el Instituto Fauci, Sanofi-Pasteur y Global Solutions for Infectious Diseases.
La vacuna, mezcla de otros dos desarrolladas genéticamente, ha funcionado lo suficiente como para que los científicos acepten que se trata de un avance significativo, lo que no saben es por qué se ha producido. El doctor Anthony Fauci dijo que no había que echar las campanas al vuelo, pero "no existe ninguna duda de que es un resultado muy importante". "Durante más de 20 años, los ensayos de la vacuna han sido esencialmente fracasos. Ahora, es como si en medio de un camino oscuro se abriera una puerta", añadió. Siempre teniendo en cuenta que, en cualquier caso, que aún faltaría mucho tiempo para conseguir una vacuna comercial", recordó el analista Michael Leacock a Reuters.
El grupo internacional para la búsqueda de esta vacuna (Aids Vaccine Advocacy Coalition), dio la bienvenida a los rersultados de estos ensayos como "un hito histórico", según el diario británico The Guardian. "No hay duda de que este hallazgo dinamizará y reorientará la búsqueda de la vacuna contra el sida", dijo el director del organización, Mitchell Warren.
La vacuna en prueba es conocida como RV144 y ha conseguido proteger en el ensayo al 31,2% de los voluntarios que se inocularon la nueva combinación. El estudio comenzó en 2003, implicó a 16.402 voluntarios -hombres y mujeres ente 18 y 30 años de edad- y arrancó con la aplicación de la vacuna a la mitad y de placebo al resto. De las personas que recibieron placebo, se infectaron 74; mientras que en el otro grupo, sólo 51.
La duda ahora es si esta vacuna podría ser igualmente eficaz contra otras cepas del virus en otras partes del mundo. La elección de Tailandia como lugar del ensayo se produjo porque el ejército estadounidense había llevado a cabo una importante investigación cuando emergió la pandemia en el país, cuyos datos han sido fundamentales para la elaboración de la vacuna. Así, los responsables del ensayo explica que la nueva vacuna es muy específica para las cepas que existen en Tailandia. Un informe más detallado de las pruebas se presentará en la Conferencia de Vacunas del Sida que se celebrará en París del 19 al 22 de octubre próximo.
El virus del sida ha infectado a 33 millones de personas y matado a 25 millones en todo el mundo desde que se identificó en los años ochenta del siglo pasado. Los cócteles de medicamentos pueden mantener el virus bajo control, pero no existe una cura.


transcrito, com a devida vénia, de El Pais, 24/09/09

Não, não tocámos o grau zero da democracia, muito pelo contrário...




Pedro Norton, em Visão conclui que ‘a nossa democracia dificilmente sairá daqui com saúde’.

Conclui mal.

A nossa democracia atingiu o ponto de ruptura com maneiras de governar que nada tinham de transparentemnete democrático.

A ruptura com o rotativismo serôdio e a inanidade de dois grandes partidos, que começavam a identificar-se cada vez mais um com o outro: o PSD e o PS.

Os nossos eleitores -os nossos cidadãos- interrogaram-se e parecem avançar para novas soluções, novos caminhos.

Parecem exigir um PS... socialista.

Em princípio -mas, em política (e com os políticos em exercício ainda mais), nada é como parece ser ou deveria ser...-, a maioria do eleitorado inclina-se para uma coligação de esquerda.

É uma mudança. Traduz dinamismo. Também, traduz maturidade.

Não a democracia portuguesa, 35 anos depois do 25 de Abril, não tocou o ponto zero; tocou a reunir e a corrigir o que estiver errado.

O dia de hoje: o (s) estranho (s) caso (s) de Manuela Ferreira Leite...

...Sherlock Holmes e o doutor Watson trocam impressões sobre o caso Ferreira Leite...



Esta ponta final de campanha é comicamente deplorável!

Nós já sabíamos que a peixeirada política ultrapassava, sempre, as expectativas e ia muito além da gestualidade (boa, esta palavra, não acham?) e da tragicidade (e esta?) da Ribeira de Lisboa ou do Bolhão, no Porto. Manguitos, palavrões, mentiras, calúnias etc. & tal, coisa assim, só em Portugal! No Portugal do Calisto Elói, de Camilo, e da Campanha Alegre, de Eça.

Brites de Almeida, a padeira de aljubarrota, reincarnada na líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, conseguiu o que se diria impossível: do nada fazer um ‘tudão’.


Pelo menos, tentou...


Logo à entrada, e de olho no TGV (a que chama, frequentemente, TVG, mas não admira, a sua incompatibilidade com o português e outras línguas ultrapassa, em muitas jardas (ou bojardas) a sua incompatibilidade com o Sócrates..., por exemplo, diz que se escrevem coisas ‘sob o joelho’ (coisas que o joelho soube ou coisas escritas às escondidas, por baixo do joelho? se calhar queria dizer ‘sobre o joelho’...) e, nas bocas dela, o fait divers, francês (não se pronuncia o s...) transforma-se em fétes diveres (involuntariamente (?), contagiou os locutores televisivos, mas isso, já se sabe, não admira porque também eles se aplicam na matança, não dos mouros, nem dos cristãos-novos, nem dos espanhóis, mas, sim, na degola do português...),

logo que tocaram para a corrida ao tacho, perdão, às urnas, Manuela Ferreira Leite avisou-nos da iminente invasão castelhana e de estarmos à beira de nos tornarmos sub-província espanhola... E pôs-se a ver o que dava.

Como não deu nada, agarrou-se, às fantasmagóricas escutas de Belém (do Belém, ali para os lados dos pastéis, bem entendido ...). E pôs-se a ver o que dava

E como começou a dar para o tortoe a virar-se o feitiço contra a feiticeira, desatou a queixar-se e a ‘vitimizar-se’: ‘Dizem os socialistas que eu sou uma ‘salazarenta’! É uma ofensa!’, protestou. E está a ver se desta vez pega.

O maralhal da comunicação social, como não há mais nada, ainda não perdemos com a Suécia, o Queirós ainda não se demitiu, o Ronaldo ainda não foi apanhado fora de horas com nenhuma madrilena -acham que sim, que este é que é um caso de alto lá, e agarram-se ao caso, gravíssimo, tremendo, decisivo para as nossas futuras escolhas.

Será depois de pesarem todos esses incidentes -a invasão castelhana, a orelha a ouvir, sem autorização, o que se passa e diz na presidência e a senhora a quem insultaram (salazarenta, vejam lá logo salazarenta!)- que os eleitores decidirão em quem votar... não acham?...

A sondagem de hoje (cf. por exemplo o Público online), que vale o que valem as sondagens, agora à pressão e a aproveitar as últimas 48 horas (no sábado deveremos meditar, eventualmente nos tais 3 casos...), aponta o PS com 40%...

Para Brites de Almeida, perdão, para Manuela Ferreira Leite, é urgente descobrir mais um caso!
Senão... adeus minhas encomendas... Lá se vai a cadeirinha!...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Os dias da terra...


Em Espanha o caso das escutas que por cá não se sabe ainda se alguém escutou foi ouvido assim...

...será verdade que alguém ouviu e quem é que ouviu quem ouviu?...



Un escándalo debilita las opciones de la candidata conservadora portuguesa
por Fancesc Relea


La oposición conservadora está aturdida. Los socialistas (en el Gobierno) contienen la euforia. En la recta final, la campaña portuguesa ha dado un giro que puede sentenciar las elecciones legislativas del domingo a favor del primer ministro y candidato socialista, José Sócrates, y en contra de la aspirante conservadora, Manuela Ferreira Leite. Un presunto escándalo de espionaje, que inicialmente tenía mala pinta para el jefe de Gobierno, se ha convertido en su tabla de salvación a causa de un grave traspié de uno de los principales asesores del presidente de la República, Aníbal Cavaco Silva. El único damnificado, de momento, se llama Fernando Lima, colaborador del jefe del Estado desde hace 24 años y su actual jefe de prensa, que fue destituido de manera fulminante el lunes.






El caso compromete al propio Cavaco, deja malparada a la candidata Ferreira Leite -ambos del Partido Social Demócrata (PSD), en la oposición de centroderecha-, y abre numerosos interrogantes sobre la relación entre poder y prensa. Porque entre los ingredientes de esta historia destaca el diario Público, que sacó a la luz el supuesto caso de espionaje. La historia se remonta al 18 de agosto pasado cuando Público tituló en portada: "La Presidencia sospecha estar vigilada por el Gobierno". La supuesta noticia, que tuvo seguimiento al día siguiente, señalaba que desde la oficina del primer ministro se espiaba al presidente de la República, y se citaba el nombre de Rui Paulo Figueiredo, asesor jurídico de Sócrates, como implicado.






La versión del periódico señalaba que dicho consejero fue incluido de manera irregular en la comitiva del presidente Cavaco, en un viaje oficial a Madeira en abril de 2008, durante el cual habría mantenido una actitud que despertó sospechas entre los miembros del entorno presidencial. La noticia daba a entender claramente que el primer ministro espiaba al presidente. Pasadas las vacaciones, la noticia tomó nuevos bríos cuando Diario de Noticias publicó el viernes pasado que la "fuente anónima" de aquella grave acusación era Fernando Lima, hombre de máxima confianza del presidente, quien se habría reunido con un periodista de Público para tramar la historia del espionaje. El mismo día, Cavaco ni confirmó ni desmintió la noticia, dijo que hablaría después de las elecciones, y anunció, para sorpresa general, que ordenaría investigar lo que llamó "cuestiones de seguridad". Los dos últimos domingos, el defensor del lector de Público, Joaquim Vieira, fue sumamente crítico con la actuación del diario y de su director, hasta el punto de preguntarse si el periódico, su periódico, tiene "una agenda política oculta". El lunes, se producía el bombazo: Fernando Lima, el fiel escudero de Cavaco, era destituido.






El asunto no está cerrado ni mucho menos. La opinión mayoritaria es que el presidente tardó en reaccionar y debe una explicación al país, porque ahora las sospechas recaen sobre el jefe del Estado. La cohabitación entre el primer ministro y el presidente, de signo político contrario, no ha sido fácil en los últimos tres años. La distancia entre ambos es considerable. Prueba de ello es que en tres años Cavaco ha ejercido en 12 ocasiones su facultad constitucional de vetar proyectos legislativos auspiciados por los socialistas. El presidente devolvió al Parlamento, entre otras, las leyes sobre paridad, régimen jurídico del divorcio, financiación de partidos y campañas electorales y parejas de hecho, además del estatuto de autonomía de las Azores. El escándalo del supuesto espionaje entre altas instituciones del Estado, cuyas consecuencias son imprevisibles, no contribuye a la estabilidad política de Portugal.


transcrito, com a devida vénia, de El Pais, 23/09/09

Irina Bokova socialista búlgara é a primeira mulher que preside à UNESCO

...uma escolha feliz que afasta ameaças fundamentalistas...


Irina Bokova, une héritière de l'ancien régime communiste
por Piotr Smolar


La victoire d'Irina Bokova est historique. Jamais auparavant une femme n'avait été élue à la tête de l'Unesco ; elle devient aussi la première directrice originaire de l'Europe orientale. Agée de 57 ans, cette Bulgare polyglotte, née à Sofia, est issue des anciennes élites communistes. Après la démocratisation du pays, elle a fait carrière en politique, au sein du Parti socialiste, puis comme diplomate. Depuis 2005, elle était ambassadeur de la Bulgarie en France et auprès de l'Unesco.

Ses premiers mots ont été conciliants à l'égard du vaincu, Farouk Hosni – avec lequel elle se dit "très amie" –, afin de tenter de surmonter les divisions. "Je n'ai jamais considéré que la compétition, c'est une guerre, une bataille des uns contre les autres, a-t-elle dit. Les Egyptiens ont proposé de très bonnes idées, et je compte bien en reprendre parce que j'espère que nous allons pouvoir travailler tous ensemble à l'Unesco. Je n'ai jamais cru au conflit des civilisations, je crois plutôt au dialogue et à la tolérance. Je pense qu'il faut construire ensemble un nouvel humanisme."




Formation Privilégié



Du communisme au nouvel humanisme : le parcours d'Irina Bokova a commencé grâce aux réseaux du Parti communiste bulgare, dont son père, Gueorgui Bokov, était un cadre important. Il était rédacteur en chef du journal du PC, Rabotnitchesko Delo. Elle a profité de son influence pour bénéficier d'une formation privilégiée : études secondaires en anglais, puis départ pour Moscou où elle entre au fameux Institut des relations internationales (Mgimo), pépinière du ministère soviétique des affaires étrangères. Diplômée en 1976, elle ne tarde pas à être nommée comme conseillère aux Nations unies, à New York, dans les années 1980.






A la chute du mur de Berlin, en 1989, elle entre en politique. "C'est l'archétype de la 'fille de'”, un symbole de l'ancien régime, affirme François Frison-Roche, chercheur au CNRS et spécialiste de la Bulgarie. Elle est représentative de la nouvelle garde, d'une génération de jeunes cadres du parti, bien formés et compétents, qui ont su s'émanciper et profiter des méandres de la transition pour obtenir des postes."
Mme Bokova a été premier vice-ministre des affaires étrangères et coordinateur des relations de la Bulgarie avec l'Union européenne (UE) de 1995 à 1997, avant de devenir brièvement chef de la diplomatie bulgare, de novembre 1996 à février 1997. En 1996, elle s'est porté candidate au poste de vice-président de la République. Députée entre 2001 à 2005, elle a été vice-présidente de la commission des affaires étrangères.






Selon M. Frison-Roche, sa victoire face à Farouk Hosni récompense son intelligence et son habilité. "Depuis six mois, note-t-il, elle a suivi le président [Gueorgui] Parvanov dans ses déplacements à l'étranger. Il la présentait à tous ses interlocuteurs. Elle a notamment fait une campagne active dans les pays d'Afrique francophone. En France, où elle a bien défendu les intérêts de la Bulgarie, elle est adulée par les politiques, de droite comme de gauche."



transcrito, com a devida vénia, de Le Monde, online,23/09/09