quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A vida desperdiçada

As luzes do deserto


“Julgando unicamente segundo o testemunho dos sentidos, enganam-se os homens, muitas vezes. Erram, também, os diletantes do século, amando, apenas, as coisas visíveis.”

in A Imitação de Cristo, Livro Terceiro, Capítulo L, 8 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Um país sem saída?

"Pátio da prisão", 1890, óleo de Vincent Van Gogh


Em 27 de Maio de 1871, Antero de Quental proferiu estas palavras, compreendidas no ciclo das Conferências do Casino, que tiveram lugar no edifício do Casino Lisbonense, ao largo da Abegoaria, hoje de Bordalo Pinheiro, cujo texto, organizado a partir de apontamentos de Antero, que este não leu, improvisando a partir das notas, foi publicado, à altura, por José Fontana; substituída, ou sugerida uma palavra, a voz de Antero soa actualíssima:

“Essa aristocracia [plutocracia], como um embaraço na circulação do corpo social, impede a elevação de um elemento (…), a classe média, e contraria assim todos os progressos ligados a essa elevação. Por isso decai também a vida económica: a produção decresce, a agricultura recua, estagna-se o comércio, deperecem uma por uma as indústrias nacionais; a riqueza, uma riqueza faustosa e estéril, concentra-se em alguns pontos excepcionais, enquanto a miséria se alarga pelo resto do país; a população dizimada (…) pela emigração, pela miséria, diminui de uma maneira assustadora.”

In Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, Guimarães Editores, 2001, Lisboa  

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

domingo, 27 de janeiro de 2013

Hoje é o Dia da Memória do Holocausto

O livro do dia

"Vida e Obra de Eça de Queirós", por João Gaspar Simões, 3ª edição Novamente Revista, Livraria Bertrand, 1980

George Bellows (ver post abaixo) é um desconhecido, João Gaspar Simões passou a sê-lo.

O nome daquele que é, sem dúvida, o maior crítico literário português de sempre, ensaísta excepcional, ficcionista de muito talento, autor de seis dezenas de obras e duas biografias fundamentais, a de Eça de Queirós e Fernando Pessoa –o nome de João Gaspar Simões enterrou-o o bando literato, rápida e apressadamente, no dia em que o dono -do nome- morreu.

O mesmo não conseguiu fazer a Eça e não lhes faltaria vontade!

Esses canibais, essa traça literata aplica-se em sepultar, isto é, apagar o nome dos escritores que valem, para alargar o espaço e melhor se instalarem no palco da feira das vaidades.

Mas… adiante!

Se quiseres conviver com Eça e, dele, saberes alguma coisa, aconselho-te a leitura dessa obra magistral:

Vida o Obra de Eça de Queirós, de João Gaspar Simões.


  João Gaspar Simões, o escritor português mais detestado... em Portugal...

George Bellows (1882-1925): um pintor americano desconhecido na Europa

Geraldine Lee, s.d., óleo de George Bellows


O Metropolitan Museum of Art, em Nova-Iorque, apresenta, neste momento e até 18 de Fevereiro, uma retrospectiva da obra de Bellows. De 16 de Março a 9 de Junho, a mesma exposição estará patente na Royal Academy of Arts, de Londres.

Quem é Bellows?:

sábado, 26 de janeiro de 2013

Fielmente...


...à espera de me sentar e assistir a mais uma vitória do Benfica, isto é, do SLB, isto é, do Glorioso...

Bom dia -em Veneza pela mão de Francesco Guardi...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

VERDADÍSSIMA!

in Público de hoje

Um pintor de Dublin

Obra de Guggi, in Dublin

Quem é?:


Bom dia com Pierre Bonnard

História de um quadro

"Um concerto de amadores", 1882, óleo de Columbano Bordalo Pinheiro, no Museu do Chiado


“No princípio da sua vida expôs em Lisboa aquele extraordinário Concerto, que hoje está no Museu de Arte Contemporânea, e que já tinha sido admitido no Salon de Paris. Pois apesar disso foi recusado e colocado na parede dos recusados, e a indignação atingiu o auge. O Atouguia, director das Belas-Artes, exclamava, de braços cruzados, diante dele:

-Então isto é coisa que se faça?!

(…)

“O pintor Loureiro (1), seu camarada e amigo, resolveu:

-Tens de expor no Salão um grande quadro.

-Nem dinheiro tenho para a tela.

Foi o Loureiro que pediu quatro libras ao Martel, que vivia em Paris casado com uma francesa, e Columbano fez o Concerto, servindo-lhes a Senhora D. Maria Augusta (2) e o Loureiro de modelos.”

Raul Brandão in III Volume de Memórias, Seara Nova, 1933, Lisboa

(1)  Artur José de Sousa Loureiro (1853-1932)

(2)  irmã de Columbano

(Não identifiquei o citado Martel e agradeço a quem saiba que me diga.) 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Gostei muito de o escrever... mas evaporou-se...

Pois, tenho o descaramento de me fazer publicidade... mas é que este meu livro está esgotado e seria uma alegria para mim que algum de vocês, amigos, o lesse... que eu não posso oferecer aquilo que também já não tenho (a não ser o meu exemplar)...

Procurar no catálogo online da Livraria Lumière:


No British Museum, Londres, de 13 de Fevereiro a 26 de Maio de 2013: "A Arte da Idade do Gelo: o aparecimento do pensamento moderno"

Notícia:



Figura abstracta, Lespugue, França (idade: 23000 anos)

Tanta discurso para nada ou pior

in Público de hoje

Bom dia com Vittore Carpaccio...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Florence Cassez -a francesa prisioneira há 7 anos no México e reconhecida agora inocente- foi libertada

Florence Cassez passou mais de 7 anos nos cárceres mexicanos

Notícia:

O sindicato do roubo

in Público de hoje

Raul Brandão: Columbano e Antero

Antero de Quental por Columbano

“Pátio do Martel. Um cantinho com uma figueira e malvaíscos. Uma fiada de casas e no extremo o atelier de Columbano. Por trás a quinta. O mestre, pobre e obstinado, fez ali os seus melhores retratos.*** (…) Por ali passaram também os maiores homens de Portugal, de quem Columbano às vezes fala (…).

Um dia o Columbano ouviu bater à porta, e entrou-lhe no atelier um homem já cansado, de grossos sapatões, apegado a uma bengala, que parecia um bordão de pedinte:

-Disseram-me que gostava de fazer o meu retrato e aqui estou.

Era o Antero. Parecia um cavador, de meias grossas de lã azul –mas quando falava!... Nunca olhou para o retrato.

-Está pronto?

Foi-se embora como viera…”

Raúl Brandão in Memórias, 1º volume, pp. 117, 118, Edição da “Renascença Portuguesa”, Porto, 1919 



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Seara Nova: Espírito, Cultura, Humanidade

A lição grega: poesia, arte, pensamento -o humano faz a cultura e a cultura faz o humano

Quando este governo olha a Cultura sem a entender -o que, no fim e ao cabo, não é de admirar, se atendermos à formação daqueles que o constituem-, quando a Cultura é alvo do desprezo de quem nos governa, parece pertinente acrescentar mais esta passagem do magistral texto de Raul Proença, citado no post anterior*****:

“…porque o nosso realismo não é um realismo estreito e materialista, um realismo do “inferior”, que só vê na melhoria das condições materiais a nossa verdadeira salvação, e despreza o Espírito e tudo quanto depende do Espírito como uma excrescência de luxo ou um puro epifenómeno, esforçar-nos-emos acima de tudo pela elevação do Espírito, condição essencial de toda a nobreza da vida humana e das próprias reformas materiais. Para nós a literatura, a arte, a filosofia não constituem um requinte dispensável da civilização: são, pelo contrário, as suas necessidades mais insofismáveis e as mais altas realidades da vida da espécie, sem as quais não seria possível conceber a sua existência nem desejar a sua prorrogação. Se o idealismo está desacreditado entre nós, é porque ele não tem expresso as mais reais e fortes aspirações da alma humana. Mas o verdadeiro idealismo é aquele que mergulha as suas raízes nas mais fundas necessidades da existência, aquele que exprime a própria vontade de viver uma vida inteiramente humana.”

***** procura o texto, lê-o de uma ponta à outra... e relê-o, e fixa-o, e defende-o!

E o que se escreveu há 81 anos é o que hoje é urgente meditar

Capa do nº1 de Seara Nova (15/X/1921), desenhada do Leal da Câmara


"SEARA NOVA PRETENDE

Renovar a mentalidade da elite portuguesa, tornando-a capaz dum verdadeiro movimento de salvação;

Criar uma opinião pública nacional que exija e apoie as reformas necessárias;

Defender os interesses supremos da nação, opondo-se ao espírito de rapina das oligarquias dominante e ao egoísmo dos grupos, classes e partidos;


Protestar contra todos os movimentos revolucionários, e todavia defender e definir a grande causa da verdadeira Revolução;

Contribuir para formar, acima das Pátrias, a união de todas as Pátrias –uma consciência internacional bastante forte para não permitir novas lutas fratricidas.”

*****

O texto, da redacção, obviamente, não aparece assinado –tal qual o que transcrevo agora –mas, reproduzido em Páginas Políticas, de Raul Proença, a este se deve atribuir:

APRESENTAÇÃO

A SEARA NOVA representa o esforço de alguns intelectuais, alheados dos partidos políticos mas não da vida política, para que se erga, acima do miserável circo onde se debatem os interesses inconfessáveis das clientelas e das oligarquias plutocráticas, uma atmosfera mais pura em que se faça ouvir o protesto das mais altivas consciências, e em que se formulem e imponham, por uma propaganda larga e profunda, as reformas necessárias à vida nacional.

Não comunga ela no vão e pernicioso sofisma de que são os políticos os únicos culpados da nossa situação. A verdade é que os políticos não são melhores nem piores do que o permitem as condições gerais da mentalidade portuguesa.”

in Seara Nova, Antologia, Organização, prefácio e notas de Sottomayor Cardia, Seara Nova, 1971 

Manda embora a tristeza e pensa no Carnaval que se aproxima...

Bom dia!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Os condenados da terra

No fundo do poço


Os portugueses conhecem a exclusão social há séculos e com ela têm convivido –ou, dela, fugiram e fogem, emigrando.

O Alpedrinha, que o Teodorico, d’A Relíquia queirosiana, encontra no Cairo, não passa de um excluído, isto é, de um dos tais que fugiu do país e da fome, da morte certa, da agonia num buraco de Lisboa ou do Porto, ou de qualquer burgo medieval oitocentista.

Após mais esse século infausto, o século XVIII, apesar do sonho de 1820, dos setembristas, das Conferências do Casino e etc., passámos, rapidamente por uma república jugulada e apanhámos em cima com uma ditadura que durou quase 50 anos. De uma ditadura instalada, obviamente, sobre a exclusão.

Proibiram a palavra; a liberdade de pensamento; o acesso livre aos bens do país –aos bens que, obviamente, deveriam dividir-se, equitativamente, por todos os cidadãos.

Cidadãos? De nome; na realidade, cidadãos apenas os da minoria, da guarda pretoriana de Salazar –com as armas e, sobretudo, com o dinheiro que as segura, à rédea curta.

A pobreza, o analfabetismo, a incultura, a continuação da vaga migratória, medraram durante cinco décadas –e milhões de portugueses emigraram.

O 25 de Abril mudou muita coisa e abriu os olhos a muita gente, mas o olhar não bastou: hoje e aqui, o governo ultraliberal recupera a exclusão.

Dir-se-ia que, ao português, restam duas saídas: ou emigra, ou aceita a miséria, a fome e a marginalidade social.

Penso que muitos portugueses entenderiam a mensagem de Frantz Fanon, no já clássico “Les damnés de la terre” –porque aquilo que alastra, entre nós, chama-se racismo: racismo social.

Na peça de Nuno Costa Santos, Condomínio de Rua, que vi, ontem, no D. Maria II, assiste-se ao estertor dos martirizados: daqueles que desistiram de tudo e desacreditaram de tudo.

Eles são o resultado do sistema ultraliberal.

Em que haveriam de acreditar esses desgraçados, se o exemplo vem de cima –e quem está em cima não só aceita a injustiça como a pratica e impõe?

A exclusão é praga universal? Certo. Mas, acontece, escandalosamente, nos países desenvolvidos.

A exclusão acontece em toda a Europa? Certo. Mas a Europa diz-se berço da Cultura e de raiz cristã.

Recorro a Fernando Pessoa, quando justificava autocitar-se: “Sou o exemplo que tenho mais perto de mim”.

Portugal é um país desenvolvido, europeu, de raiz cristã –e eu vivo nele e nele acontecem os  crimes sociais que informam a tragédia que as seis personagens de Condomínio de Rua ilustram.

Nuno Costa Santos escreveu um texto admirável, duro, directo, corajoso; e escreveu-o sem papas na língua.

Uma obra dolorosa –e só não se sentirá mal quem já se aboletou com a amoralidade imperante.  

A encenação é excelente e os actores, de alto nível, honram a peça.

Antes do pano cair, as personagens avançam até à boca de cena e confrontam-se connosco –responsabilizam-nos.

Têm razão: somos nós que podemos rejeitar a injustiça, tal qual somos nós que podemos resignar-nos a viver na injustiça.

Depende, pois, de nós, a infelicidade do outro –e muitos existem nas condições que Nuno Costa Santos denunciou.

Não percas Condomínio da Rua –é a imagem, em negro, do condomínio para que tende o nosso país.

domingo, 20 de janeiro de 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

A viagem necessária

"Crepúsculo em Veneza", Claude Monet


Deixai no Piazzale Roma
ó vós que entrais na cidade
rodar rápido de rodas
monotonias de asfalto!
Cegai os olhos eléctricos!
Calai os gritos metálicos!
Lá onde ireis inda soam
os ecos dos vossos passos
e o relógio marca o tempo
plo fluir lento das águas
Lá onde ireis guarda a noite
a sombra aos amores covardes
e o silêncio esparso espera
um coração deslumbrado
Correi aos cais da chegada
quando o sol vai no ocaso
e as mágicas mãos de Midas
tocam torres e terraços
Embarcai no vaporeto
que outrora foi Bucentauro
trocadas as pompas d’oiro
plu sujo convés das malas
e a escravatura dos remos
plo fresco vigor dos aços
Tirai do dedo a lembrança
do bento anel nupcial
Lançai-o às águas errantes
prá boda se consumar

(…)

António Manuel Couto Viana de Poeta em Veneza in Uma Vez Uma Voz, Editorial Verbo, Lisboa, 1885  



Destinatário: a nossa feira literata

E o que falam!...

“…quantos perus andam por aí! Perus que se fazem passar por águias e que dão ao rabo à maneira dos pavões.

Gustave Flaubert em carta a Louise Colet, datada de 21 de Agosto de 1853 in  Correspondance, Tomo II, p. 405, Bibliothèque de La Pléiade, Gallimard, Paris, 1980  

Da moral

in Público de hoje

Bom dia com Júlio Pomar

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Governo: não acerta uma!

Portugal: a casa abatida

Notícia:

http://expresso.sapo.pt/parceiros-sociais-apontam-falhas-no-cumprimento-do-acordo=f780041

Nunca imaginei que o povo tivesse direito a existir!

in Público de hoje

Uma estreia que vai afirmar um escritor de qualidade

O outro lado da vida

Notícia:

http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=2997376&seccao=Teatro

Bom dia!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Racismo: Portugal de luto (texto publicado no blog Cozinha dos Vurdóns)


PORTUGAL (Relato do Bruno Gonçalves)

Vergonhoso!

Comunicado do SOS Racismo

Casa do Benfica de Elvas não serve ciganos no seu estabelecimento.

O Flávio André Gama Cardoso, no dia 16 de Dezembro de 2012 foi acompanhado de sua namorada Natacha Ben-Diab (Miss Casa do Benfica e Miss Casa do Benfica Alentejo) e algumas amigas como habitualmente faziam á Casa do Benfica de Elvas, pediu um café ao funcionário do bar que não lhe deu atenção nenhuma, voltou a pedir novamente um café e o funcionário Pedro Patinhas repentinamente disse:"Não te posso servir". Perguntou as razões de tal impedimento, pois das outras vezes que lá foi, sempre o serviram e nunca lá teve nenhum problema, até já lá esteve em jantares com grupos de amigos. O funcionário alegou que não o serviria pelo facto de não ser sócio, o Flávio disse que tinha conhecimento de pessoas amigas que lá estavam e que estavam a ser servidos sem serem sócios...
Face ao argumento do Flávio, o funcionário resolveu chamar o Manuel Claudino (Presidente da casa do Benfica) que não apareceu. Depois dirigiu-se a outro funcionário de nome Daniel que recusou igualmente servir o Flávio alegando ele não ser sócio, o Flávio voltou a dizer que estavam outras pessoas no estabelecimento na sua mesa a consumirem sem serem sócios...
Por fim o Daniel disse directamente ao Fábio porque o não servia, á frente de todos os presentes, tu és cigano e por isso não te servimos...
Depois de tal afirmação, disse ao funcionário que iria chamar a polícia e formular uma queixa, o funcionário mentindo, disse que era cigano também, uma enorme mentira pois o Fábio andou com sua filha na escola e sabe bem que ele não é. Chamou a polícia e fez queixa...
O Fábio é um cidadão conhecido pela sua educação, respeitado na escola e na cidade...

O SOS irá apresentar uma queixa junto da Comissão Nacional Para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, espera que a Casa do Benfica seja responsabilizada pelos seus actos racistas contra o Flávio, pois as alegações de admissão de sócios é legítima quando funciona para todos e não só para o Flávio que frequentava a Casa até que o identificaram como português cigano.
Mais uma vez Portugal mostra que está longe de ser um país de brando costumes e tolerante como quer que se apregoe além fronteiras...


O que se diz aqui abaixo é inaceitável: perguntem aos professores em que condições trabalham, os serviços à margem do ensino que lhes impuseram, os horários que lhes atiraram para cima –o número de alunos por turma e a totalidade de alunos que lhes entregam –e perguntem-se a eles que sugerem cortes no ensino, ao governo que encara a possibilidade de mandar para a rua mais 50000 professores: é possível ensinar assim?




Este governo não está interessado na cultura do povo



Bom dia! Ri na cara de quem nos quer amortalhar vivos... porque a vida é bela e nunca baixaremos os braços!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O aumento da mortalidade é um alívio para o governo

Erlich in El País de hoje

No tempo da peste ou quando se quer repor o infeno

 A beleza



A beleza humilhada


Trabalhos de Manuel Ribeiro de Pavia (1907-1957)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

A saudade que não me pertence

Em 1938, uma jovem estudante...


Há anos, encontrei, num alfarrabista, o romance de Nuno de Montemor, A Paixão de Uma Religiosa, União Gráfica, Lisboa, s.d.

Do livro, encadernado em pano, (Encadernação da Gráfica, Torres Vedras), na página anterior ao título, consta:

“Liceu de Maria Amélia Vaz de Carvalho

Prémio concedido à aluna Maria Henriqueta Franco dos Santos da VII classe de Ciências por ter sido a mais classificada da sua turma no ano lectivo 1936-37

Em 22-VI-938

A Reitora”

E veio-me a nostalgia e a ternura –quem seria a rapariguinha e como se perdera a recordação?

Também veio a pena, quase um arrepio, a ideia, certa, de que depressa nos esquecem os que se cruzam connosco na breve vida.

…de que somos um acidente, um instante, um fogo-fátuo.

Comprei-o, guardei-o e resisti, até hoje, a desfazer-me dele –a matar aquele nome.

Deixo-vos a notícia –que cairá no esquecimento, tal qual a jovem aluna do Maria Amália se terá apagado no tempo.

Bom dia com Johannes Vermeer

sábado, 12 de janeiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Em tempo de peste

"Crucificação",  1428, obra de Tommaso Masaccio (1401-1428) 

A um crucifixo

Há mil anos, bom Cristo, ergueste os magros braços
E chamaste da cruz: há Deus! e olhaste, ó crente,
O horizonte futuro e viste, em tua mente,
Um alvor ideal banhar esses espaços!

Porque morreu sem eco o eco dos teus passos,
E de tua palavra (ó Verbo!) o som fremente?
Morreste… ah! dorme em paz! não volvas, que descrente
Arrojaras de novo à campa os membros lassos…

Agora, como então, na mesma terra erma,
A mesma humanidade é sempre a mesma enferma,
Sob o mesmo ermo céu, frio como um sudário…

E agora, como então, viras o Mundo exangue
E ouviras perguntar: -de que serviu o sangue
Com que regaste, ó Cristo, as urzes do Calvário?-

in Os Sonetos Completos de Anthero de Quental, publicados por J. P. Oliveira Martins, Livraria Portuense de Lopes & C.ª –Editores, Porto, 1890