O sonho de um adolescente... digo eu que escolhi este pormenor de um quadro de Manet
Com a data de 20 de Outubro de 1957, recebi uma carta de José Régio e, dela, vos confio estas palavras:
“Afigura-se-me que, na
vida da maior parte dos homens, -a adolescência e a juventude ainda são a
melhor época. Depois vem a tal vida prática, e o egoísmo, e o arranjismo, e a
acomodação, e o cansaço…”
Estamos à beira de outro ano, de um novo ano. Novo? Em quê?
No declinar da nossa vida, no perder a tal adolescência e a tal juventude, que
refere o Régio como idade de oiro?
Sim, acreditei nele, quando li a carta e ao longo da vida: a
coisa pior que nos pode acontecer é enterrar os sonhos da nossa adolescência e
da nossa juventude.
Oxalá me leia um adolescente ou um jovem a lutarem pela preservação
das suas almas puras; oxalá me oiça um crescido
cujos dias são mortos e desencantadores –esses dias passados no tal comboio
cheio de condenados a irem-se desfazendo, dia-a-dia.
Não queiras ser um(a) crescido(a), não te atraiçoes!














































