sábado, 28 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Um romance emocionante e os milagres da Livraria Lumière
Há muitos anos, na
Papelaria do Sr. Casimiro, isto é, quando eu dava os primeiros passos na
adolescência, topei uma pequena e deliciosa maravilha, Adeus, Mr. Chips, de James Hilton, traduzido -imaginem por quem-
por Erico Veríssimo. A editora? Edições Livros do Brasil, LDA., Lisboa, s.d.
Colecção? Naturalmente, a saudosa e riquíssima Colecção Miniatura à qual devemos uma avalanche de títulos dos melhores
escritores.
A minha reacção foi de
paixão e lágrimas: Mr. Chips é um homem inesquecível –de tal maneira vivo que há que o ter como um homem e
não como personagem.
O romance de Hilton, O Doutor Arrowsmith, de Sinclair Lewis, e
Jean-Cristophe, de Romain Rolland,
eis três livros que marcaram a minha adolescência e juventude.
De facto, folheando, há
dias, um caderno/diário de 1957, reencontrei, mais que uma vez nomeado, Jean-Cristophe; e, quando conheci -um anos
depois- aquela que viria a ser minha mulher, logo vieram à conversa as obras
referidas acima.
O que me tocou em
Hilton, Sinclair Lewis e Rolland?
A fortíssima
humanidade; a capacidade de amar o outro; a generosidade de se oferecerem para
salvar o outro.
Nada mais a acrescentar
porque é tudo –e tudo é muito, é quase impossível; mas, no gesto está o tesouro
do tudo.
Ora sucedeu que Adeus, Mr, Chips desaparecesse da minha
biblioteca; quer dizer: que desaparecesse um mestre.
Sabedora da desgraça,
uma grande amiga, a Fada da preciosa Livraria
Lumière, não perdeu tempo, miracolou:
hoje, a carteira dos ainda existentes CTT trouxe-me de volta a tal pequenina
obra-prima, em excelentíssimo estado (a fotografia acima não reproduz a capa do
volume que chegou hoje).
O armazém da Livraria Lumière provou, mais uma vez, a
sua insondabilidade.
Este fim de Inverno é
triste, acinzentado e chuvoso; a terra de Portugal chora os maus tratos e os
assaltos que a têm rasgado nos últimos três anos; a gente arrasta o peso do
cadáver da alegria assassinada; os ideais emigraram, ou esconderam-se, perante
a analfabetização e desmoralização em curso.
A luz não chega.
Então há que
ressuscitá-la –recuperar o sonho, a utopia, a solidariedade, o amor.
De que maneira?
O caminho é simples,
ainda que coberto de espinhos: o de seguir a lição de Hilton, Sinclair Lewis,
Romain Rolland; o de amar os outros, o que significa respeitar os outros; o de exigir
o direito que todos temos de viver em liberdade e justiça –em igualdade, em
fraternidade.
E o resto…, o resto não
é silêncio; o resto não é senão uma miserável e repugnante caldeira de
sacanismo.
James Hilton
Sinclair Lewis
Romain Rolland
É bom começar o dia a ouvir um grito de liberdade. O nosso tempo é um tempo de escravos; os nossos dias, noite escura descompensada por jogos superficiais, inconsequentes, estéreis. Cada um não é cada um –é um número, uma coisa, uma sombra. O bezerro de oiro e o brilhar do narcótico há muito nos castraram. Servos da vontade de outrem, deixamos que se apague a nossa alma. O nosso perfil. A nossa individualidade. Enterramos o amor, usamos os sentidos que se aparentam com a salada de alface murcha embebida em piripiri. Não ardemos em paixão, deixamos que a indiferença nos esturre. Não devíamos ir por aí…
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Quem foi Luca Signorelli?
"A virgem da misericórdia", obra de Luca Signorelli
Notícia:
http://en.wikipedia.org/wiki/Luca_Signorelli
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Um país à venda nas mãos de usurários...
Os vigaristas que vendem a pátria por dez réis de mel coado... em breve a TAP, a CP, etc...
“(…) no que diz respeito à venda a privados das infra-estruturas
que nós financiámos: se há quem compre é porque são rentáveis. Se são
rentáveis, por que se vendem?”
Isabelle
Attard deputada de “Nouvelle Donne” in Libération
de hoje
A vida de um grande pintor
"Natureza morta aérea", 1932, Filippo De Pisis
Vida:
http://en.wikipedia.org/wiki/Filippo_De_Pisis
http://it.wikipedia.org/wiki/Filippo_de_Pisis
http://it.wikipedia.org/wiki/Filippo_de_Pisis
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Amanhã irei despertar-vos com as obras este grande pintor…
"Veneza na bruma", óleo de Filippo De Pisis, 1949 (Ferrara, 11.Março.1896-Milano, 2.Abril.1956)
Filippo De Pisis a pintar em Burano (1948)
Irene Lisboa: a grande escritora esquecida
Se quiseres ler uma grande
escritora -certamente uma da maiores da nossa Literatura-, aí tens, à venda na
preciosa Livraria Lumière*** (encontras lá tudo!), esta obra esgotada e maravilhosa. Não a deixes
fugir!
*** Travessa da
Cedofeita, nº 64-A, telefone: 222 085 654
sábado, 21 de fevereiro de 2015
O "progresso"...
"Tão depressa se mata o mais suave perfume da mais bela flor."
André Suarès in Trois Grands Vivants, Cervantes, Baudelaire, Tolstoi, Grasset, Paris, 1938
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Salvar Portugal
A Grécia e o seu combate dizem-nos respeito porque também nós - também Portugal- estamos envolvidos no processo de sufocação e castração de povos europeus organizado e activado pelo capitalismo financeiro, na esperança de assim resolver a crise que provocou e agora o aflige.
Mas, antes de
debatermos o drama grego, cabe-nos debater o nosso drama.
A comunicação social, a
imprensa, as TVs, as rádios, dão, e de que maneira!, relevo à Grécia e
sublinham as suas dificuldades, os seus aparentes fraquejos, na esperança de, assim,
nos desanimar, de, assim, esmagar em nós a vontade de reagir ao mau governo que
nos vem destruindo há mais de três anos e meio.
Na esperança de
assistir, mais uma vez, à apatia da gente de brandos costumes e resignações.
Na esperança de nos verem
dobrar a espinha, engolir a fome, o desemprego, a indignidade, e calar-mo-nos.
A comunicação social,
ao serviço do governo, insistindo no problema grego, transformado em circo,
atira-nos, diariamente, areia para os olhos.
Desvia, da nossa
desgraça, a nossa atenção.
E começamos a perder
tempo: oito meses passam num instante.
Há que denunciar,
debater e condenar os crimes do governo da coligação que afoga Portugal.
Se não temos jornais,
temos a rua.
Temos praças.
Temos salas.
A maior das nossas
responsabilidades é defender o nosso país, o nosso povo, o futuro dos nossos filhos
e do nosso país –vítima dos mesmos carrascos que assaltaram a Grécia, a
Espanha, a Irlanda, a Itália, a Áustria, França: toda a Europa, grande parte do mundo –porque o capitalismo financeiro é globalizante.
Cada um lute no seu
espaço, de todas as maneiras que possa.
Se a mentira domina o
governo e a comunicação social, a verdade é que ainda não nos amordaçaram nem
nos arrancaram a língua, a caneta, o computador.
Os partidos da oposição
têm que sair para a rua, dirigir-se aos cidadãos, esclarecê-los.
Há que repor –URGENTEMENTE-
as sessões de esclarecimento.
Os políticos dos
partidos políticos da oposição têm de se afirmar e mostrar-se aos que, daqui a
oito meses, irão votar.
Podem ter a certeza que
essa atitude ajudará a Grécia, a Espanha, a Itália, a Irlanda, a Áustria, a França, em suma,
todas as vítimas do holocausto incendiado pelo capitalismo financeiro.
Quarta-feira de cinzas
"A tempestade", 1508, óleo de Giorgio Berbareli da Castelfranco, dito Giorgione (Castelfranco, 1477-Veneza, 1510)
“La rondine vi porta
Fili
d’erba, non vuole che la vita passi.
Ma
tra gli argini a notte l’acqua morta
Logora
i sassi.”
Eugenio Montale in Lindau (Le Ocasioni, 1928-1939)
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
A" Fiscalidade Verde" em Portugal
Abutres ao trabalho...
Até Novembro, não vai
escapar nada ao Governo de abutres que saca dinheiro a mortos e vivos…
agora descobriram outra fonte de receitas: o saco de plástico:
e vão-nos distraindo com a Grécia...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
A JUSTIÇA
Através de José Luís Profírio
Eis o texto de Paula Lourenço (advogada de Carlos Santos Silva) na revista
da Ordem dos Advogados
JE NE SUIS PAS CHARLIE. JE SUIS AVOCAT!
Vamos a um supor:
O direito de defesa é sagrado num país que se diz um Estado de Direito.
O segredo de justiça é excepcional, pois como regra, o processo penal é
público. Existirá se o MP entender que os interesses da investigação o
justificam, e o Juiz de instrução validar esse entendimento.
Estão vinculados ao segredo de justiça todos os sujeitos e participantes processuais,
bem como as pessoas que, a qualquer titulo, tenham tomado contacto com o
processo ou tido conhecimento dos seus elementos.
Nesta medida, num processo sujeito a segredo de justiça, os investigadores
sabem de todas as diligências que foram feitas, de todos os documentos
reunidos, de todos os depoimentos ou interrogatórios realizados e de todas as
escutas efectuadas. Já os arguidos e seus advogados têm apenas acesso aqueles
elementos que a investigação e o Juiz de instrução lhes facultarem, nomeadamente
no 1º interrogatório e para efeito de aplicação de medidas de coacção.
Esta é a tensão que importa registar: se, por um lado, o arguido tem o
direito de se defender - direito garantido constitucionalmente - por outro,
terá de o fazer nos termos definidos no CPP e atentas as circunstâncias algo
limitadoras do segredo de justiça a que está sujeito, pois é óbvio que o
direito de defesa não é completo sem se saber o que consta do processo.
Registadas as balizas do equilíbrio legislativo que se pretende entre o
direito de defesa do arguido e a necessidade do segredo de justiça na fase de
investigação, façamos um exercício do "vamos a um supor".
− Suponhamos que existia um processo em segredo de justiça iniciado em
Julho de 2013 de que falavam os jornais, em particular a partir do verão de
2014; − Suponhamos que para essa investigação e na sequência, com certeza, de
promoção do MP, emitiu o Juiz de instrução 3 mandados de detenção fora de
flagrante delito para serem usados pelos OPC nos dias seguintes à sua emissão;
− Suponhamos mais um pouco: que os OPC, em vez de fazerem uso dos mandados que
deveriam entregar aos visados, no momento em que os privaram da sua liberdade
não o fizeram, pois nessa altura teriam também de os constituir arguidos,
ficando então evidente o direito a assistência de um defensor em todos os actos
do processo e comunicado aos mesmos o direito a fazer a regulamentar chamada
para um advogado; − Suponhamos agora que os cidadãos chegam ao aeroporto num
voo proveniente de Paris pelas 18h, que são presos sem mais, sem que lhe seja
entregue um mandado de detenção, que lhe são r
etirados os telemóveis das mãos para que não possam fazer qualquer
contacto, que são levados sob forte escolta (com mais de 15 elementos) para a
Alfândega de Lisboa, onde são revistados, e apreendidos todos os documentos que
transportavam consigo, sem que igualmente houvesse um mandado para o efeito.
Que de seguida são conduzidos às viaturas que tinham no parque do aeroporto, as
quais são revistadas, e apreendidos todos os documentos, telemóveis, e
computadores que aí se encontravam, sem que houvesse qualquer mandado;
− Suponhamos que posteriormente, sempre sob forte escolta policial, são os
arguidos levados para o local do seu trabalho onde já decorriam buscas com
cerca de 30 OPC; − Suponhamos ainda que, nesse local onde chegaram os arguidos
se encontrava já o "Juiz das Liberdades e Garantias" e o MP,
representando ele mesmo a legalidade e a sua execução; − Suponhamos agora, que
por não ter sido entregue o mandado de detenção nem feita a constituição de
arguido, nem garantida a presença do advogado, as buscas que continuaram na
casa de um dos putativos detidos são complementadas com um
"interrogatório" de várias horas ao seu cônjuge; − Suponhamos ainda
que uma das vítimas do sequestro ocorrido no dia 20 de Novembro de 2014 (no
âmbito deste exercício do "vamos a um supor") era advogado, e que a
busca autorizada era igualmente para o seu gabinete de advogado; −
Suponhamos
que o mesmo, em vez de assistir à busca que decorria no seu gabinete foi
mantido preso na sala de
reuniões das instalações buscadas; − Suponhamos agora que, movidos pelo
poder desmedido e adrenalina circulante (galvanizada pelo número de OPC
intervenientes - mais de 30 - pela presença de um Juiz de instrução e de um
alto Procurador da República), pelos 22h30 "agarram", literalmente,
no advogado, o levam para a sua própria casa e aí fazem busca não autorizada,
apreendem documentação vária na presença da mulher, do filho de 5 anos e do
bebé com 2 meses, que assistem horrorizados à violência com que despejam
gavetas e circulam em passo militar pela casa; − Suponhamos agora que os autos
de busca, nomeadamente ao escritório do advogado, mas não só, são falsos. Que
em vez de os mesmos atestarem com verdade onde e quando foram apreendidos os
documentos, telefones, dinheiro e computadores, referem falsamente que foram
apreendidos, apenas e só, no sítio onde as buscas estavam autorizadas;
- Suponhamos ainda, malevolamente, porque tal situação, claro, não seria
possível num país como Portugal, os arguidos - presos, interrogados sem apoio
de um advogado, sujeitos a revista ilegal, a buscas ilegais nas suas casas e
nos seus carros - são afinal notificados dos mandados de detenção e
constituídos arguidos pelas 3h da manhã, quando tudo termina, buscas incluídas;
- Suponhamos que os arguidos só têm acesso ao advogado no dia seguinte,
pelas 11h da manhã, sendo de seguida encaminhados para os calabouços do TCIC, e
que só voltam a ter acesso ao advogado (apesar deste também se encontrar no
mesmo edifício, mas num piso menos subterrâneo...) pelas 18h do dia 21 de
Novembro de 2014, altura em que lhes é fornecida a imputação de factos nos
termos do art.143º do CPP; − Suponhamos que, para discutir a mesma, foi dada ao
advogado 1h30, a distribuir pelos dois clientes que patrocinava; − Suponhamos
agora coisas descabidas: suponhamos que os arguidos, durante os 5 dias que
duraram as diligências de 1º interrogatório para aplicação de medidas de
coacção, não tiveram sequer direito a tomar banho, a mudar de roupa, a
apresentar-se condignamente perante o Juiz que os vai interrogar; − Suponhamos
que é o advogado quem, diariamente, e torpedeando a ordem expressa dada à PSP e
ao estabelecimento prisional junto da PJ, leva aos seus
clientes roupa interior e camisas lavadas que os arguidos trocam à pressa e
quando autorizados pelos elementos policiais na casa de banho do TCIC; − -
-Suponhamos ainda que, no próprio dia em que é entregue aos arguidos a imputação
de factos, urna súmula perfeita da mesma aparece no "Sol on-line"; −
Suponhamos mais: que interessava a uma particular investigação instrumentalizar
a comunicação social, usando como guardas avançados o jornal Sol e o Correio da
Manhã no sentido de conferir um mandato directo do povo aos juízes, garantindo
uma "legitimidade" de actuação e uma garantia de bastarem as
suspeições onde falham os factos:
− Suponhamos então que, dia após dia, os arguidos assistem, estarrecidos, à
mais pérfida violação do segredo de justiça. E que tomam conhecimento através
dos jornais de novos factos, com os quais não foram confrontados nos seus
interrogatórios, castrando-se assim o seu direito a defesa; Suponhamos ainda
que um dos arguidos acabou por ficar em prisão preventiva sob pretexto de
existir perigo de fuga, porquanto aquele era detentor de meios financeiros que
lhe permitiriam refazer a vida em qualquer parte do mundo, e perigo de
perturbação do inquérito, porquanto ainda decorriam as diligências de
cooperação com instituições bancárias na Suíça, podendo a liberdade plena fazer
perigar as mesmas:
− Suponhamos no entanto que logo a seguir o próprio Juiz de instrução faz
cessar o primeiro fundamento "congelando" todas as contas do arguido,
e que as ditas relações com a Banca Suíça já existem desde 1 de Novembro de 2013,
não havendo possibilidade do arguido as fazer "perigar"; − Suponhamos
finalmente que, agora por decisão e práctica da investigação, os principais
factos e suposições do processo se discutem na praça pública, dia após dia,
jornal após jornal, apenas com a versão da Acusação; − Suponhamos que o
arguido, que não descansou e não descansa de fazer a sua defesa, sabe agora que
foram utilizados meios de prova proibidos e dadas informações falsas no âmbito
de cartas rogatórias. E ainda que, logo no início do processo, foram
apresentadas as mesmas conclusões que viriam a ser repetidas, nos seus precisos
termos, para efeito de aplicação das medidas de coacção aos arguidos, 1 ano e 2
meses mais tarde.
− Neste exercício quase terminado do "vamos a um supor", caso estivéssemos
no terreno e não num jogo intelectual, como se deveria comportar o advogado que
garante a defesa destes hipotéticos arguidos?
− Se a investigação - ela mesma - humilhou, ridicularizou e espezinhou o
sigilo de que diz necessitar para prosseguir o seu trabalho, deve ainda assim o
advogado ficar refém de uma qualquer ressonância criminal do segredo de
justiça? Pode-se ainda argumentar que este segredo de justiça aniquilado é
necessário à eficácia da investigação?
Como se compagina neste jogo do “vamos a um supor”, o direito de defesa?
A lealdade processual impõe que, mesmo estando o processo em segredo de
justiça, os factos relevantes sejam primária e directamente comunicados aos
arguidos. É absolutamente inadmissível, por desleal e criminoso, que factos em
segredo de justiça venham a público através da comunicação social ainda antes
de os arguidos serem com eles confrontados. É frequente ler-se e ouvir-se na
comunicação social a revelação de factos atinentes ao processo em segredo de
justiça sem que o arguido tenha deles conhecimento, precisamente por estarem em
segredo. E o mais grave é que também com demasiada frequência os meios de
comunicação indicam como fontes da notícia "fontes próximas do
processo". A experiência mostra que efectivamente muitos jornalistas têm
acesso privilegiado a informações sobre factos do processo em segredo de
justiça, donde que comece a ser necessário que os advogados penalistas tenham
também eles um jornalista de serviço e naturalmente de preferênci
a que tenha acesso fácil "a fontes próximas dos processos"! Chega
a parecer que a violação do segredo de justiça mediante a divulgação de
indícios ou meras presunções através dos meios de comunicação social é um meio
de que se servem as autoridades para criarem um clima populista de condenação
dos suspeitos na praça pública para justificar medidas menos ponderadas ou
ilegais ou injustas. Que pelo menos parece ser assim, parece, e por isso a
inevitável suspeita face à frequência do fenómeno.
Estes procedimentos implicam novas estratégias de defesa. O arguido já não
tem só de defender-se no processo judiciário, mas também no processo mediático.
Naquele, por imposição da lei, deve usar uma estratégia de conivência; no
mediático, uma estratégia de ruptura. Perante as acusações indirectas feitas
pelos media o arguido tem direito a defender-se por todos os meios ao seu
alcance, mesmo com violação do segredo de justiça se for necessário à sua
defesa, porque a defesa é direito sagrado.
Há muitos segredos que raramente são violados. Também se podem apontar
exemplos de processos criminais em que o segredo de justiça foi respeitado, não
obstante a apetência pela notícia. Estou convencida que a violação do segredo
de justiça através dos meios de comunicação só acontece porque convém às autoridades
arregimentar apoios populares, ou então porque a quem o faz lhes falta educação
democrática.
É tempo de nos insurgirmos todos contra o estado a que a justiça chegou.
Não sou "Charlie". Sou advogada e também luto por uma justiça e
sociedade melhores.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Jovem mulher e Umberto Saba
Anne d'Orléans, Duquesa d'Aosta
"Così giovane sei, così leggera
cammini incontro alla dubbia fortuna,
che se non fossi una
principessa, saresti una ragazza."
Umberto Saba, Primeiro de 'Due madrigali per la duchessa d'Aosta
Das personagens (tristemente) carnavalescas... por cá abundam, mas fica para outra vez
Benito Mussolini
Em tempo de Carnaval,
não resisto a roubar ao livro Il Poeta
Innamorato, de Pier Antonio Quarantotti Gambini (Edizioni Studio Tesi,
Pordenone, 1984) meia dúzia de linhas hilariantes que nos revelam o sentido da
ironia caustica, arte desconhecida no grande poeta triestino Umberto Saba
(reconhecido, ex aequo com outro
triestino, Italo Svevo, o melhor
escritor italiano do século XX).
Ora leiam…e divirtam-se:
“Durante
o vinténio fascista, Umberto Saba nomeava frequentemente Mussolini; e, se
estava num lugar público, baixava a voz e espreitava em volta. (…) Precaução,
no fim e ao cabo, inútil porque ele não chamava Mussolioni pelo nome, nem dizia
“il duce”; ele chamava-lhe: “o cubo”.
Nem mais, nem menos!
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Descoberta uma obra de Leonardo Da Vinci que estava presa na Suiça
Foi recuperado no subsolo de um banco suíço uma obra atribuída
a Leonardo Da Vinci: o retrato de Isabel d’Este, que se destinava a ser vendido
por 120 milhões de euros.
Encontrava-se em Lugano e foi encontrado após depois de
demoradas investigações.
Uma carta descoberta encarregava alguém de vender o óleo
por um mínimo
de 95 milhões de euros.
Os carabineiros encarregados de proteger o património artístico
de Ancona, Itália, conseguiram chegar até ao banco suíço.
Agora, a obra será sujeita a peritagem.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
domingo, 8 de fevereiro de 2015
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Portugal, um país em vias de extinção?
Um livro precioso, com belas fotografais e excelentes historielas, janela aberta para um mundo que não pode morrer...
Ofereceu-me, hoje, um
amigo muito generoso, L miu purmeiro
lhibro an Mirandés/O meu primeiro livro em Mirandês, texto de Carlos Ferreira,
fotografia de Paulo Magalhães, Edição Planeta Vivo, Outubro de 2005.
Jorge Sampaio -o último
Presidente da República inteligente e culto, após o 25 de Abril-, num Prefácio
breve, abre o livro com estas palavras:
“Um
grande pensador do nosso tempo, Georges Steiner, diz que uma língua que desaparece
é um mundo que acaba. A defesa do mirandês é a defesa de um mundo de memórias,
de tradições, de evocações, de experiências. E também de sonhos, de projectos,
de afectos.”
Nada há a corrigir ou a
acrescentar a isso.
Ligam-me a Mirandela,
antepassados meus, vindos através de meu pai; pude verificar, gravado no
parapeito do balcão do antigo tribunal, a passagem de um Lopes Cardoso, juiz,
na terra, em meados do século XVII.
Pormenor, eu sei, mas…
…liga-me a
Trás-os-Montes a minha infância, a minha adolescência e juventude.
Liga-me a
Trás-os-Montes a minha avó Augusta, que me contou histórias inesquecíveis,
quando na Guarda.
Ligam-me genes.
E, olhando o Interior,
de norte a sul, reparo que também tudo isso são mundos em risco.
A quanto sei, o belíssimo
livro que me ofereceram hoje está esgotado.
E digo: eis um sinal da
triste realidade: Portugal esgota-se.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Os amores de Júlio Dinis
A boa companhia...
Ainda às voltas com
Júlio Dinis, e encantado, consulto, agora, um livrinho de Mestre António Sérgio,
As Pupilas do Senhor Reitor, Trechos escolhidos
e apresentados em inserção num resumo da novela, editado pela saudosa
Livraria Sá da Costa, em 1940.
A livraria do Chiado, à esquina,
onde se juntavam personalidades de outros tempos, quando a Brasileira era o que já não é hoje e a Bertrand idem.
Não que o tempo então
fosse mais aberto; bem pelo contrário: era bem apertadinho: sofríamos o regime
do sinistro e medíocre ex-seminarista de Santa Comba.
A alma portuguesa continuava pasmada,
tal qual a denunciou Antero, mas havia quem fizera e fazia coisas a fim de que
se curasse.
E a verdade é que Abel
Manta, revoltado, farto, indignado, me confiou, um dia:
“-Sabe que mais? Isto é um país do
caraças! Um país onde o peido é maior do que o cu!”
Trato, porém,
agora, de Júlio Dinis: descobri, na obrinha de Mestre António Sérgio, este
desabafo, colhido na sua correspondência, já muito doente, como desde cedo
esteve, e a dois anos da morte:
“Há poucos momentos de mais felicidade
para mim, hoje, do que aqueles em que me absorve a atenção a composição de um
romance. Consigo às vezes ver tam distintas as personagens que criei, que
parece-me chegar quási a convencer-me de que elas existem. E com essa gente
dou-me tam bem!”*
E veio-me à
cabeça a solidão de Proust e o mundo maravilhoso, as figuras que ia criando e
recriando e o acarinhavam.
*seguindo António Sérgio, respeito a ortografia de Júlio Dinis
Júlio Dinis: o homem que amava o bem e conhecia o mal
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