sexta-feira, 31 de julho de 2009

Uma jovem do centro da Europa que estuda em Aveiro ofereceu-me a música que vos ofereço...

Vista de Budapeste



Alexandra Juliana, a minha jovem amiga húngara de Budapeste, que vive e estuda em Aveiro, mandou-me essa música de Yruma. Pareceu-me tão luminosa e bela que não resisti a transportá-la para aqui...




Deixar a casa partir ser nada reencontrar-se afirmar-se é a odisseia da emigração...




Esta canção impressionante, El mojado, grito em tempo de indiferença e alterofobia, recusa do outro, enviou-mo, noutra versão, a minha amiga Elisabete. É a história da aventura de todo o emigrante, branco, preto, amarelo, assim-assim, depois, ilegal, de todos aqueles que têm de procurar vida longe da pátria.

E todos nós sabemos que não há emigrantes voluntários...

Sim à banda de Almadanim não á banda dos três ou um povo à cata de vida fora de portas

emigrantes portugueses nos anos 60...

Ai que bom que seria a banda aventureira e criadora do Zé Jacinto, os famosos artistas da Marcha de Almadanim, a dirigir o ME, em vez da banda cinzenta e de cérebros de amendoim, a dos três, Lurdes & Lemos & Pedreira, Sociedade de Irresponsabilidade Ilimitada! Haveria sensibilidade, imaginação, abertura de espírito, generosidade!

As “novas do meu país” falam de mais um desastre pedagógico: de alunos a tropeçarem -e que trambolhões!- em matemática, português, física, química, biologia, geologia, na segunda fase de exames do ensino secundário. Lá continuamos nós a marcar passo e uma geração condenada à ignorância e à incompetência, que é como quem diz, a fazer as malas e pôr-se a mexer, a emigrar, se quiser ser gente e ganhar o sustento. Não há dúvida: o PAC (Processo de Analfabetização em Curso) avança –e ninguém o pára?

E como não o param -e a reforçá-lo, cresce o PIC (Processo de Imbecilização em Curso), que sentou o rabo na convicção neo-liberal: “a cultura é um produto de venda no mercado”-, foi essa, a da retoma (não a retoma do ministro Teixeira, jamais entrevista) da emigração dos anos 60, a solução pela qual jovens e maduros, ávidos de modo de vida e trabalho, optaram.

Nós sabemos, amigos, que Cultura não é um “produto” a lançar no mercado e só “útil” caso rentável. Sabemos que Portugal foi um dos mais ricos países do mundo, senão o mais rico, nos anos de Manuel I; foi um país riquíssimo, nos tempos de João V; foi um país que recebeu subsídios da UE (milhões de euros), durante os dez anos do consulado de Cavaco –e que, hoje, é um país nas lonas. E sabemos que foi a incultura, a ignorância de direitos e deveres cívicos, o mau ensino, em suma, o mau governo, que deram cabo de nós.

O PS, em 4 anos, não podia endireitar o barco. Com certeza que não podia. E a doentia responsabilização-perseguição de José Sócrates pelo mau estado da nação –é isso mesmo: doentia e, frequentemente, safada e mal intencionada, porque a promovem os que, ainda ontem ou há vinte anos, nos enterraram.


Porém, o trio referido acima, ah!, essa firma Lurdes & Lemos & Pedreira, Sociedade de Irresponsabilidade Ilimitada, essa, sim, ajudou muitíssimo a criar uma situação desastrosa: a do marcar-passo (ou retrocesso?) do ensino e, porque a ignorância é a mãe de todos os vícios, criou, também, outa siuação desastrosa: a de ser possível a “revalorização” dos liberais de Ferreira Leite & Cia., que onde nos levará todos sabemos –deveríamos saber: à consolidação da crise em que vivemos. A outro ‘processo’: o da recuperação do capital, sobre o desemprego e a miséria estabilizados.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Bébés bem dispostos e orgulhosos por valerem 200 euros à cabeça... mais uma crónica genial de Manuel Pina...


Promessas em saldo

O preço das promessas atingiu nestes dias mínimos, como costuma dizer-se, históricos. Já ninguém lhes pega e as prateleiras dos programas partidários estão cheias de monos. A oferta é excessiva e não parece, pelos resultados das europeias, que a procura de promessas pelos portugueses estique mais depois de todas as não cumpridas da última legislatura.
Agora são 200-euros-200 a cada bebé que nasça, que o Governo, se voltar a ser Governo, porá no banco para serem levantados pelo feliz contemplado quando fizer 18 anos e puder votar PS. Aos bebés uma tal promessa não dirá muito, mas, a crer nas taxas brutas de natalidade divulgadas pelo INE, significará para a banca (a verdadeira feliz contemplada da coisa) mais 20 milhões do Orçamento de Estado todos os anos. Isto se os portugueses, excitados pelos 200 euros (o dinheiro tem reconhecidas virtudes eróticas) não desatarem a fazer filhos em vez de ficarem a ver o 'Prós e Contras' e a telenovela. Não se percebe bem é porque é que o PS, ao mesmo tempo que paga aos portugueses para fazerem filhos, se propõe distribuir gratuitamente preservativos.




in Jornal de Notícias, 30/07/09

Quem é Ciora Andrei ou o mistério da mensagem cifrada...


Ciora Andrei enviou o comentário que abri, sobre a menina de Santos no metropolitano de Paris. Abri, mas não entendi nada. De qualquer maneira, diga o que diga, ou não diga nada, bem haja. Reparou na historiela. Se traduzisse, era melhor...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O dia de hoje: quando o coração bate por uma menina de Santos no metropolitano de Paris...



Pont Saint-Michel


Já contei a história mas foi noutro sítio: Memórias, José Régio e Outros Escritores.


“Não esqueça Paris!”, escreveu ela no livro que me deixou, Le Crève-Coeur, de Louis Aragon. Não esqueci.


Diante de mim, na carruagem do metropolitano, uma jovem fitava-me, insistentemente. O que é que pensa um jovem? “Ela quer-me!” Afinal, a menina bela era míope... Tornou-se uma grande amiga, nesse Verão de 1958, em Paris... Teresinha de Almeida, de Santos, Brasil, a estudar em França.


Ontem, alguém me leu, em ... Santos. Disse-me o quadro do Histats. Seria Teresinha de Almeida? Há muitos anos -mais de quarenta- que não sei dela! Vive, ainda? Dentro de mim, vive. É o último sítio onde morremos: no coração dos que nos amaram. Eu amei Teresinha de Almeida –e não vou repetir -o amor não se esconde-: amor e amizade são o mesmo. Entre mim e Teresinha foi uma coisa especial, íntima, nossa. Com tudo o que tu, amigo, imagines: os passeios ao longo do Sena, os livros escolhidos nos bouquinistes, os pequenos restaurantes de estudantes sem dinheiro, a pequenina Rue de La Huchette, com A Cantora Careca, de Ionesco, e o mínimo Caveau, onde nunca encontrámos Boris Vian nem ouvimos Julliete Greco, o nascer do Sol no Bairro Latino... Foi isso e muito mais, porque não há limites para as almas que se juntam.

Je ferai de ces mots notre trésor unique
Les bouquets joyeux qu’on dépose au pied des saintes
Et je te les tendrai ma tendre ces jacinthes
Ces lilas suburbains le bleu des véroniques
Et le velours amande aux branchages qu’on vend
Dans les foires de Mai comme les cloches blanches
Du muguet que nous n’irons pas cueillir avant
Avant ah tous les mots fleiris l’á-devant flanchent
Les fleurs perdent leurs fleurs au souffle de ce vent
Et se ferment les yeux pareils à des pervenches
Pourtant je chanterai pour toi tant que résonne
Le sang rouge en mon coeur qui sans fin t’aimera
Ce refrain peut paraître un tradéridéra
Mais peut-être qu’un jour les mots que murmura
Ce coeur usé ce coeur banal seront l’aura
D’un monde merveilleux où toi seule sauras
Que si le soleil brille et si l’amour frissonne
C’est que sans croire même au printemps dès l’automne
J’aurai dit tradéridéra comme personne
Versos de Le Crève-Coeur


E, no entanto, ela avisou-me: “Manuel, você gosta é da Maria João...” Era verdade. Uma coisa e outra eram verdade.

Os amores de Paris, as amizades de Paris! Pablo Guevara, o grande poeta peruano, que morreu há dois anos... Edgardo Rivera... A jovem vietnamita, que me enviou Boas-Festas, num envelope sem remetente...

Uma rádio nobre Rádio Altitude na cidade que é da Sagrada Beira a Guarda faz 61 anos



Hoje, foi através do “Café Mondego” e de Américo Rodrigues que soube de outro aniversário: os 61 anos da Rádio Altitude!

Já enviei uma mensagem a Rui Isidro, a felicitá-lo e felicitar na pessoa dele, responsável máximo, a Rádio Altitude, nesta data feliz!

Um ano depois -há 60 anos!- instalava-me eu na Guarda, para ficar, na qualidade de egitaniense do coração... E a Rádio Altitude foi a fiel companheira.

Para ficar, sim senhor, porque daí nunca saí -a alma que o diga- e para aí hei-de voltar, quando for a minha tal hora...

Veneza as impressões indeléveis ou as fidelidades do holandês voador...

Canal Grande: o crepúsculo da manhã

O milagre do dia


Pintura de Aldo Zari: a alma de Veneza




Ontem, a BBC transmitiu um documentário sobre Veneza e, às primeiras imagens, murmurei: “sono a casa" ["estou em casa"]... Deslumbrado com Londres, confidenciava-me a incurável paixão.
Veneza... Lorenza. Mirella, O Pássaro de Vidro... A Mulher Nua... Os Amantes Voluntários... Os meses, quase anos, lá vividos... À noite, no Inverno, a Piazzetta deserta. O ângulo, o canto do Harry’s Bar e as contessine, Paola e Mónica, rostos de Renoir, esplêndidas na adolescência voraz, impensada e alegre. O americano gordo, a perguntar-me onde as descobrira, onde fora buscá-las... Il Calice, do aperitivo ao meio-dia, dizem-me, que já fechou... As osterie: La vedova, Due Mori, Il Paradiso Perduto... O Carlos Soares e a amante francesa. O indomável Aldo Zari, o pintor mais pobre de Veneza, aventureiro das mãos de oiro. A laguna: Burano e as casas pintadas, o quadro de Moggioli, Valerio Zurlini, que aparecia, no Outono, metido consigo, de acordo com o seu filme: Il deserto dei Tartari... O copo de vinho que bebíamos, juntos, no Da Romano... Catherine Donner, a amiga de Namur. Há tantos anos! Foi ontem? Volta a ser hoje, agora, aqui. Comigo.

Vamos a ver se sou capaz... O grande romancista merece todos os sacrifícios...


Thomas Hardy (1840-1928)



O meu inglês ainda é fracote. Dá para conversar, para ler os jornais e, com dificuldade, para ver as BBCs... os filmes... A verdade é que pertenço a uma geração em que o francês era a segunda língua. Também verdade é que, durante séculos, de costas virados à Espanha e a defendermo-nos da colonização inglesa (que aconteceu, de facto, e nos levou muita coisa...), bebemos, apaixonadamente, a Cultura francesa. O Eça..., mas é curioso: Eça viveu em Inglaterra e leu, com certeza, os mestres ingleses... No entanto, eram os galicismos que o Camilo topava e denunciava nos romances queirosianos... Eu não fugi à regra e aprendi com autores franceses. A minha primeira viagem ao estrangeiro foi... a Paris. Esta é a primeira vez que venho a Londres... Depois, quinze anos em Itália abriram-me outros horizontes –mas a Inglaterra continuou longe... Aos quinze anos no ‘mundo maravilhoso’, seguiram-se cinco, em São Tomé e Príncipe, onde se falava português. E só a ida para Israel, outros cinco anos, então, em Telavive, me obrigou a desenferrujar o meu pobre inglês. Foi um milagre e ajudou-me a ser menos analfabeto. Porém, não deu para ler os romancistas ingleses, no original. Espreitei um e outro, li, isso sim, traduções do yiddish para inglês de obras do genial Isaac Bashevis Singer, directo e simples, pelo menos no inglês das traduções que li e que, aliás, Singer corrigia... Os mestres ingleses li-os em traduções portuguesas e... francesas... Gide ensinara-me uma verdade absoluta: os grandes romancistas estão em Inglaterra e... na Rússia. Mas, em russo..., certamente nunca os lerei... Thomas Hardy (que faz chorar a minha querida amiga Lurdes Sampaio...), o grande trágico, o moderníssimo pintor de almas solitárias (modernidade e tempo objectivo não coincidem), de paixões totais, belas ou perversas, ocupou-me os últimos tempos: Jude the Obscure... Tess of the d’Urbervilles... Far from the Madding Crowd..., obras-primas. Vão os títulos em inglês, mas li em francês os dois primeiros e o terceiro numa tradução magistral de Cabral do Nascimento para o português. Ontem, não resisti a comprar mais dois: The Mayor of Casterbridge e The Return of the Native. É um desafio a mim próprio, mas vale bem a pena. Se vale! Gide, para ler Hardy, Meredith, as Brontë, etc., começou a estudar inglês, aos 57 anos. Ora eu começar não vou começar... mas não ando longe disso... Amigos: não há tradução que não traia –e ler um autor no original... bem , amigos... é outra conversa! Vamos a ver se consigo...

Crianças e a natureza um país verde que se preocupa e o nosso país careca que se está nas tintas

A árvore condenada pelo pato bravo
O Hyde Park em Londres



The Guardian publicava, anteontem, um excelente artigo de Zac Goldsmith, sobre as crianças e a natureza, cuja leitura deveria ser obrigatória para os actuais e futuros governantes da nossa terrinha. Não aconselho a leitura ao trio Lurdes & Lemos & Pedreira, Sociedade de Irresponsabilidade Ilimitada, porque seria o mesmo que aconselhar a leitura da Bíblia em aramaico: não percebiam (e espero, ardentemente e para bem das crianças, dos pais das crianças, dos martirizados professores e de todas as pessoas mentalmente saudáveis, que desapareçam, em Setembro, da esfera governativa).


Goldsmith informa que cerca de 400.000 crianças inglesas são dependentes de antidepressivos. Que as crianças inglesas passam, por semana, quase 14 horas em frente da televisão e 6 horas, diante do computador. Mais diz que a criança inglesa é considerada, pela UNICEF, a mais infeliz da Europa, malgrado o material destinado a proteger a saúde de que dispõe. Escreve Zac Goldsmith: “Haverá várias razões, mas, sem dúvida, factor muito importante é que a criança se separa, cada dia mais, da natureza”. E defende que a escola promova a defesa da árvore e aproxime os alunos da natureza; que seja... uma escola verde. (Aliás, recentemente, lançou-se, aqui, em Inglaterra, mais uma vez, a campanha: “plante uma árvore”. Num país onde as árvores são rainhas, o verde protege cidades, vilas, estradas, faz dos campos paisagens fabulosas.)


O nosso Portugal é um país careca, carente de árvores e de verde. A prioridade foi dada à defesa do pato bravo e da construção civil. Árvore à vista, árvore morta. As nossas escolas são o que são, encravadas no meio de prédios inqualificáveis, do betão e... da poluição. O que dirá a UNICEF das nossas crianças? Que sofrem de asma e bronquite? Que comem televisão e internet? Que se empanturram de telemóveis? Que, em vez do oxigénio, respiram o fumo dos tubos de escape? E da relação das nossas crianças com a natureza, o que diria a UNICEF? O que diremos nós, sempre mais arriscados a acabarmos por ir ver as vaquinhas, os cavalinhos, os santos burrinhos, cabrinhas e etc. ao Jardim Zoológico?...

terça-feira, 28 de julho de 2009

A Ibéria um sonho que tem muito de um esquisito "sebastianismo" agora reactivado para graças à Espanha deixarmos de ser o que somos: um país à rasca



El 40% de los portugueses apoya una unión política con España

por Fernando Peinado, in El Pais de hoje

La unión política entre España y Portugal es una idea que divide a los portugueses y causa indiferencia en España. El 39,9% de los ciudadanos del país vecino es partidario de integrarse con España en una federación, mientras que la mayoría de los españoles expresan su desinterés cuando se les plantea la propuesta, según una encuesta de la Universidad de Salamanca que fue presentada este martes en la sede de la Secretaría General Iberoamericana en Madrid. El 30,3% de los españoles apoyaría la creación de una unión ibérica.
El Barómetro de Opinión Hispano-Luso (BOHL), dirigido por el Centro de Análisis Sociales de la Universidad de Salamanca, es el primer estudio conocido sobre lo que piensan los ciudadanos a uno y otro lado de la frontera sobre sus vecinos. Al no existir un sondeo similar con carácter periódico es difícil saber con precisión si la propuesta de federación política gana o pierde adeptos, aunque existe el precedente de la encuesta que publicó en 2006 el semanario lisboeta Sol por la que el 28% de los portugueses estaría dispuesto "a formar un solo país con España".
El sondeo publicado este martes muestra que los portugueses ponen aun menos cortapisas al aprendizaje del español en sus escuelas. El 50% considera que su enseñanza debe ser obligatoria en primaria y secundaria. El consenso es aún mayor si se plantea el estudio del español como lengua optativa, reforma que encuentra la aprobación del 85,1% de los encuestados. Por el contrario, la propuesta del estudio obligatorio del portugués en las escuelas españolas fue rechazada por el 76,2% de los españoles entrevistados.
Los portugueses también se muestran mucho más partidarios de incrementar la cooperación política entre ambos países. Propuestas de gran calado como un sistema fiscal conjunto o la supresión de todas las restricciones a la movilidad y asentamiento de profesionales, trabajadores y empresas reciben el apoyo del 59% y del 72% respectivamente, mientras que sólo el 37,1% y el 63,2% de los españoles es favorableme a estas reformas. Incluso una iniciativa con alto valor simbólico como es la presentación de candidaturas conjuntas para eventos internacionales como campeonatos de fútbol, juegos olímpicos y ferias de muestras, encuentra el apoyo de tres de cada cuatro portugueses. Por el contrario, uno de cada dos españoles está a favor. Lo cierto es que la candidatura ibérica para organizar el mundial de fútbol de 2018 es un proyecto en marcha que debe ser resuelto por la FIFA en diciembre de 2010.
La unión política entre España y Portugal es un asunto polémico que aparece con intermitencia en el debate político luso, pero al que la mayoría de los españoles permanece ajeno. Es la motivación económica la causa del mayor interés del país vecino, como quedó probado en el sondeo del diario Sol. En aquella ocasión el 97% respondió que Portugal se desarrollaría más si se uniera a España. Sin embargo, el BOHL revela que el 34,1% de los encuestados portugueses rechaza esta opción.
"Los portugueses tienen una relación de amor-odio con respecto a España , algo similar a lo que nos pasa a los españoles con los franceses", según el responsable del estudio, Mariano Fernández Enguita, catedrático de Sociología de la Universidad de Salamanca, quien establece el paralelismo con base en la posición geográfica y el diferente grado de desarrollo económico.
España y Portugal tienen una historia paralela pero distante. Portugal se convirtió en un reino autónomo de la Corona de Castilla en 1143 y posteriormente, con la excepción de los sesenta años en que Portugal pasó a formar parte de la Monarquía Española (1580-1640), ambos países han seguido rumbos distintos. Mientras que Portugal ha tenido tradicionalmente como referencia exterior a Inglaterra, España puso sus miras en el vecino francés.
El iberismo, una corriente política promovida por burgueses e intelectuales peninsulares en el siglo XIX, y que abogaba por la unión política peninsular no encontró continuidad histórica. "La federación ibérica es una idea que actualmente sigue sin ser considerada seriamente ni a uno ni a otro lado de la frontera y sigue pareciendo una propuesta pretendidamente ingeniosa pero destinada a impresionar".
La hipotética unión de España y Portugal resultaría en el país con mayor extensión de la Unión Europea y el quinto en población con más de 57 millones de habitantes, por detrás de Alemania, Reino Unido, Francia e Italia. La suma del Producto Interior Bruto a precios corrientes de los dos países ibéricos daría como resultado la quinta economía de la Unión Europea.
La encuesta, que se llevó a cabo entre abril y mayo mediante entrevistas telefónicas a 876 personas, muestra que no hay ningún asunto de fricción en las relaciones entre España y Portugal y la mayoría de los ciudadanos de ambos países considera que las relaciones bilaterales son buenas o muy buenas. Es destacable el hecho de que mientras que el 51% de los españoles condisera que las relaciones se han mantenido más o menos igual en los últimos años, los portugueses crean en su mayor parte (53,9%) que han mejorado.
El problema principal para los portugueses lo representa el aprovechamiento del agua de los ríos compartidos, que es considerado muy problemático por el 25,3% de los entrevistados, aunque en la sociedad lusa domina la disparidad de opiniones sobre este asunto. La mayor preocupación de los españoles la constituye, sin embargo, el uso del territorio del país vecino como refugio de terroristas y delincuentes. El 51,3% lo considera en alguna medida problemático. Por ello la gran mayoría de la sociedad española reclama un aumento de la cooperación policial, militar y judicial.
Los españoles conceden especial importancia a la comunicación por carretera y ferrocarril (20,7%), aunque según los responsables del sondeo "se trata de una preocupación que probablemente coincidiría con la demanda que existe para mejorar las comunicaciones con cualquier otro punto del territorio peninsular".
Ora aqui está um artigo que tem muito que se lhe diga... Lê, amigo, e pesa bem. Quando refere as nossas preferências, não te cheira ao velho "sebastianismo", à velha esperança no "milagre" que resolve tudo e arranja o desarranjado? Um "sebastianismo" que só o é porque revela o virar as costas à nossa realidade, desistir de assumirmos a responsabilidade dela e de corrigir as desgraças com os nossos próprios braços e aquilo que por cá temos -um "sebastianismo da desistência" e que insiste no velho hábito de sonhar com soluções que vêm de fora... um Encoberto, um D. Sebastião a falar espanhol e a dançar flamenco, um euromilhões ibérico...

Malcol Lowry um dos maiores escritores contemporâneos faria hoje 100 anos... Lembrou-me o amigo M. A. Domingos no seu blog 'Meia-Noite todo o dia"...


E foi mesmo assim: espreitei o excelente blog de Manuel A. Domingos, Meia-Noite todo o dia, e fiquei a saber que, hoje, precisamente, se cumprem 100 anos que nasceu Malcolm Lowry, o autor do fabuloso Under the Volcano. Bem haja, Manuel! É mais que importante, é fundamental lembrar, para nunca esquecer, esse caso único da novelística contemporânea. Veio ao mundo “para ser poeta e desgraçado”, em Wallersey, Inglaterra, a 26 de Julho de 1909. Faleceu (suicidou-se?), em Ripe, sempre Inglaterra, no dia 26 e3 Junho de 1957, quando confiava ao psiquiatra: “Ou eu mato a Margaret ou ela me mata a mim”. E o que pode compreender um... psiquiatra? A dúvida fica. Quem matou? Ou quem se matou? Ou a morte veio porque tudo se havia cumprido? Sobraram, vazios, um tubo de comprimidos sedativos e uma garrafa de scotch. As autoridades de Ripe escreveram, na certidão de óbito: “Death by misadventure”. Margaret Bonner era a segunda mulher. Casamento desastroso, tal qual o primeiro, com Jan Gabriel, em grande parte (ou toda?) a Yvonne, a heroína de Under The Volcano. Entre nascer e morrer, Lowry frequentou Cambridge, onde se licenciou em leis, viajou pelo oriente, demorou-se no México, bebeu, bebeu, bebeu –e, no álcool, encontrou o êxtase e o trágico que constituem a espinha dorsal da sua obra. É um autor muito amado, por algumas dezenas de milhares de leitores. Talvez não mais. Ainda que lido, por milhões. É um autor demasiado lúcido, cândido e provocador, próximo e apaixonante. É de pegar ou largar. É uma maravilha.

O dia de hoje: a luta pela vida e os agricultores madeirenses em Londres...



Não, não vou falar do “estranho caso do zepelim abatido em Chão de Lagoa", Madeira. Manuel Pina descreve-o, magistralmente como sempre, no Jornal de Notícias de hoje (e, se calhar, ainda o transcrevo aqui...).


O retrato lá em acima foi só para chamar as atenções...


A história é outra e exemplar, deveria levar-nos a meditar em muitas coisas do nosso humilhado e maltratado Portugal. É, também, admirável (de admirável não tem nada a pontaria dos arcabuzeiros de Chão da Lagoa: o zepelim era quase do tamanho de um cachalote!...).
É a história de uma família de madeirenses, emigrantes em Londres, que alugou quatro leiras (£ 13 cada, por ano), nos campos confinantes com a cidade, e, a arredondar o fim do mês, porque trabalham noutras coisas, ali cultivam batatas, verduras, árvores de fruto e... fazem vinho verde do bom! Comem e bebem (não sei se vendem, talvez vendam...) do deles! Contou-me uma senhora que pertence à heróica família madeirense.
E, afinal, tendo presente (que remédio! eles não se calam!) a peixarada que envolve a "campanha eleitoral" em curso, espécie de pátio das cantigas e de mexerico de vizinhas, hesito e pergunto: acham mesmo que ainda vamos a tempo de meditar, reconsiderar e endireitar a nossa agricultura que... não existe?...


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Esta imagem verídica de Nick Ut que abalou o mundo é mais importante do que a imagem encenada por Robert Capa que também abalou o mundo?





O que vemos acima é uma criança vietnamita nua, dia 8 de Junho de 1972, a fugir às bombas de napalm, lançadas pelas tropas governamentais, apoiadas pelos americanos, durante a tristemente famosa guerra.


O menino de nove anos chama-se Phan Thi Kim Phuc, vai nu porque as chamas lhe queimaram a roupa e o marcaram para sempre: por fora e por dentro. Fotografou-o Nick Ut, para a Associated Press.


Essa imagem teve um impacto fortíssimo e positivíssimo sobre a opinião pública internacional e, sobretudo, americana, atingindo, em cheio, a política desastrosa do presidente Nixon e ajudando a apressar o fim do conflito.


Para nossa meditação: essa imagem merece mais respeito do que a de Capa? A verdade é que, se Robert Capa mentiu em “The falling soldier”, Franco foi responsável pela morte de milhões de pessoas, na martirizada Espanha... e a fotografia encenada apontou a coragem e valentia daqueles que defendiam um governo democrático do assalto de um bando fascista...

O dia de hoje: a legitimidade (ou ilegitimidade) de apresentar como real uma cena que é pura criação de quem a apresenta...


A autenticidade da famosa fotografia de Robert Capa, “O soldado caído”, que mostra, um soldado do exército republicano tombar, vítima das balas das tropas franquistas, durante a Guerra de Espanha, continua a ser discutida. O trabalho do grande artista, judeu húngaro, é, hoje, definitivamente (?), considerado falso; Capa montou a cena e fotografou. Ontem, Euan Ferguson, no “The Observer”, levantava, pertinente e inteligentemente, a questão que aqui deixo: é legítimo um fotógrafo/repórter falsificar imagens? E acrescenta o seguinte: é legítimo ou ilegítimo, quando a fotografia “falsa” tem efeitos positivos, tal qual a de Capa que provocou uma onda internacional de apoio ao regime legítimo espanhol, o republicano, e de repúdio da revolta fascista franquista? Debater essa questão levar-nos-ia muito longe –e valeria bem a pena. Amigos, prometo ocupar-me mais detalhadamente do artigo de Ferguson e sugiro que comecem, já, a pensar no problema –hoje, tempo de mentiras, a torto e a direito, e de desculpas de mau pagador, por exemplo: “certos fins justificam certos meios”...

domingo, 26 de julho de 2009

As life goes by ou os dias contados...



O estupendo quadro Jovem segurando uma caveira é de Franz Hals (1580-1666), admirável retratista e um dos pintores holandeses que espreitaram e aproveitaram a lição do italiano Caravaggio (Michele Angelo Merisi da Caravaggio, 1571-1610), está -ia a escrever: obviamente...- na National Gallery.
O que me faz parar diante dele, voltar a ele (e, ontem, lá voltei, como anteontem e antes de anteontem e antes...), é o muito que o jovem, diante dos sinais da morte, do inexorável fim, nos comunica. O seu apelo inútil –e, por isso, mais emocionante.
O que o jovem holandês, nunca identificado, dir-se-ia querer transmitir-nos pareceu-me o seguinte: surpresa, incredulidade, esperança arriscada, medo, recusa da absurda e, no entanto inevitável morte (por isso a surpresa, a perplexidade...).
E, no sorriso esboçado, julguei perceber a ingénua tentativa de, graças à própria juventude e beleza, seduzir a morte, comprar-lhe a vida eterna desejada, aqui, neste mundo.
De que serviria identificá-lo? Ele encarna, simboliza a angústia e o desespero de todos nós, quando a vida nos obriga a lembrar o fim –a precariedade de todas as nossas coisas...

A Guarda "santificada" ou como se nomeiam deputados que nada têm a ver com os eleitores...



A notícia é do Público de ontem (confirmada hoje) e os sublinhados meus... Assim vai a política e assim se atiram para as listas personalidades que nada têm a ver com as terras que representarão na Assembleia... As palavras de Assis dizem tudo. É de mais!!!

"Francisco Assis encabeça lista da Guarda a pedido de Sócrates

Foi um pedido expresso do secretário-geral do PS que levou Francisco do Assis a trocar o sétimo lugar da lista de deputados da lista do Porto pelo primeiro na Guarda. “Fui convidado por José Sócrates para aceitar encabeçar a lista de deputados pelo círculo da Guarda, e, uma vez eleito, representá-lo--ei com muito orgulho, mas não deixarei de concentrar a minha intervenção política no Porto, onde resido”, declarou ao PÚBLICO. “O secretário-geral queria dar sinais de renovação e de abertura do partido”, explicou ainda.Esta inesperada transferência do ex-eurodeputado acabou por ser uma das surpresas da reunião da comissão política do PS, que na madrugada ontem, aprovou a lista de deputados à Assembleia República. Recusando que a sua candidatura venha a ser conotada com “pára-quedismo político”, dada a sua falta de ligação ao distrito da Guarda, Assis desvaloriza, atribuindo a escolha de figuras nacionais para alguns círculos eleitorais a “uma tradição da política portuguesa[deve ser a "tradição" da política do caricato Calisto Elói, personagem camiliana de nefasta imortalidade... MP] E exemplifica, entre outros, com o caso de Braga por onde José António Seguro volta a ser o número um da lista do PS, onde “tem sido um deputado dedicadíssimo”.


em cima: imagem popular de São Francisco de Assis

O dia de hoje: o português o cão e a árvore



Esta nota poderia chamar-se “o trágico desamor do português à árvore” e é isso, essa estranha mania, que me traz aqui. O meu cão Zac tinha com as árvores uma relação muito mais amável do que a nossa: estimava-as e agradecia-lhes o apoio que lhe davam para resolver problemas do foro psicofisiológico, além de o deixarem gozar-lhes a sombra. E recordo o bichinho, sorridente, olhos fixos, preso da beleza repousante dos fraternais cedros que se perfilavam na doce paisagem do Norte de Roma, Via Cassia, junto ao bairro de La Giustiniana... O Zac era um romano un italiano vero, aceito –e sei que os italianos consideram a natureza (e, obviamente, as árvores) parte essencial da sua vida: da sua qualidade de vida. Andei, por lá, quinze anos. Agora, lusíada, nada infeliz (o “purinho”, o Nobre perdoar-me-ia), de passagem em Londres, empolga-me (entusiasma, encanta) a devoção inglesa aos bens da terra: esta cidade é uma cidade verde.


“Pérfida albion!”, acusavam os nossos trovadores românticos. Leitor, francamente, de homem para homem, convenhamos: afinal, pérfidos somos nós! Quando vemos uma árvore, aí vai disto: deitamo-la abaixo! E, logo a seguir, o betão: o prédio: o fatal, o presunçoso, o piroso condomínio (por mais absurdo que pareça, viver num condomínio tornou-se promoção social... lá está o PIC: o processo de imbecilização em curso!...)..., os aglomerados desumanos, mal traçados e vergonhosamente polvilhados com plantinhas raquíticas... E, porque talvez já baste esta autoflagelação e dizer mais seria sadomasoquismo, não direi... Não direi?! Digo, sim senhor! É que preferir, às árvores, as monstruosas construções de cimento, sem rei nem roque, significa estrangular a qualidade de vida, empobrecer o realmente pobre lusíada e enriquecer patos bravos e quem os autoriza. Alguma vez algum governo se preocupou com a qualidade de vida?

sábado, 25 de julho de 2009

A política e a Cultura um divórcio que não deveria existir e coisas bonitas cultas nossas portuguesas


Já falo do quadro acima... Hoje, os ‘paladinos da direita iluminada' -que deverá restaurar Portugal, após a derrota do PS- miaram, em certos jornais, sem a força, nem a dignidade, nem a graça dos gatos de Fialho, a propósito do aparecimento, nas listas daquele partido, de intelectuais. Piaram até, idiotamente: “o Ps pisca o olho à esquerda”, um dos títulos da tal imprensa... Os perigosos intelectuais, os ‘díscolos’ escolhidos pelo PS foram a actriz Inês de Medeiros e Miguel Vale de Almeida, que reivindica uma sociedade aberta.

O intelectual é, para a direita, não só um inimigo (os intelectuais não lhe aturam o dinosaurismo e o ideal canibalista) mas também um perigo público: leva as pessoas (os cidadãos, os eleitores) a pensarem e a exigirem o que lhes é devido.

A direita esquece (ou não quer admitir tal coisa) que a Cultura é a raiz da política. Recusa-se a reconhecer que as ideias de cada um (a ideologia de direita assenta na morte da ideologia, da ideia... que não seja a sua), que as ideologias de cada um estão intimamente ligadas dependentes da sua mais ou menos rica cultura e estão-lhe ligadas. A direita esquece que o modo de governar um país depende da cultura de quem o governa (e, essencialmente, sobretuto, da cultura dos governados). De facto, exige-se, para um bom governo, que o governante não seja analfabeto: que saiba quem foi Mozart e quantos cantos tem Os Lusíadas, assim como não depender a vida afectiva das vacas do convívio com os robôs... E por aí adiante, com exemplos mais pertinentes... mas menos da nossa feira de ganâncias políticas...

Escândalo, aos olhos da direita: ter deputados cultos, na Assembleia da República é, além de um foco de “destabilização”, um péssimo exemplo: o país arrisca-se a vir a ter uma populção respeitadora da Cultura. Arrisca-se, até, e é gravíssimo!, a ter um povo que queira ser culto, que procure a Cultura, que lute pela Cultura!

E lá vai a ilustração e uma palavrinha doce: é um belíssimo quadro do nosso Renascimento (que nasceu e morreu torto, dado o atraso cultural dos nossos governantes...), exposto no nosso Museu de Arte Antiga. Faz bem admirá-lo. O mundo não é, apenas, a National Gallery (onde, aliás, existe um lindo quadro de um renascentista anónimo português)... Coração ao alto e... parabéns ao PS! Oxalá fosse, sempre, assim!

O dia de hoje: as duas faces do português ou o cansaço de um homem farto de ser vigarizado...



É uma velha conversa: ‘os portugueses, aqui, não querem trabalhar mas, lá fora, trabalham como mouros...’ E, habitualmente, quem diz isso é o sorna que prefere a bica e o bagaço, a mexer uma palha. O que atira, todo basófias, a velha e imbecil frase dos tempos do “botas”, do Salazar: ‘A minha política é o tabalho!” –e vai mais um bagaço...

Meus caros amigos: hoje mais do que nunca, o português não trabalha porque não tem emprego.

Como sabem, vivi, fora da terrinha (da terrinha, há séculos, explorada e mal tratada), em quatro países e três continentes. Encontrei e conheci muitos emigrantes portugueses. Ouvi falar deles a estrangeiros. Vi-os a trabalhar com toda a vontade e toda a capacidade; ouvi dizer deles, aos das terras onde trabalhavam, o melhor que se pode dizer de alguém: competentes, honestos, aplicados, generosos. Querem mais?

Os jornais de hoje noticiam uma conclusão da EU: somos pessimistas, no que se refere à possibilidade de arranjar um emprego e de o manter.

Admiram-se? Eu não. É milagre arrancar um emprego e milagríssimo guardá-lo. Com mais ou menos estudos. Ainda ontem os mesmos jornais denunciavam uma realidade que todos nós conhecemos: aumenta, dia após dia, a emigração de jovens e não jovens, em Portugal –e, inclusivamente, de jovens e não jovens altamente qualificados (aqui, em Inglaterra, trabalham quase 500.000 portugueses).

Admiram-se? Eu não. Qu’é feito das pequenas e médias empresas? Qu’é feito da agricultura? Qu’é feito da pesca? Por que se investiu tanto na construção civil –quando a classe média (em extinção, aliás) e a classe operária (nas lonas, aliás) não têm dinheiro para comprar uma casa a crédito (os juros são incomportáveis) e muito menos, muitíssimo menos, a pronto? Por que se investiu num turismo, que destrói a paisagem e degrada o ambiente, quando, mal gerido e mal instalado (o turista aprecia a beleza da paisagem, a qualidade dos serviços...), cada vez menos atrai turistas?

Dizem os jornais, ainda: 58 % dos portugueses pensa -e muitíssimo bem- que, para ele, portuguesinho comum, a crise vai ser sempre pior. Não engoliu, pelo visto, a balela, criminosa, irresponsavelmente mentirosa dos que, para acalmar o Zé Povinho, tentaram vender “o fim da crise”. O português pensa, não é burro, como julgam os que lhes comeram a carninha e se impacientam, ao topar os ossos que restam... O português já percebeu que a “resolução da crise” é, para os neo-liberais (e o governo e candidatos a governo e coligações direitistas são neo-liberais, quando não liberalíssimos de gema), a recomposição do capital, à custa e sobre a miséria de quem... quer trabalhar dignamente. Essa “resolução”? O português marimba-se para ela: é falsa: é a continuação do que estava, com mais bate-chapas e tinta fresca...

E, desanimado, desesperado, descrente, pessimista, o português emigra. Vai em busca de um país onde possa trabalhar a sério, seriamente pago, onde possa fazer filhos, sem medo do dia seguinte, onde possa pôr os filhos a estudar, possa vê-los, um dia, trabalharem e singrarem na vida. Em suma: onde lhe possa acontecer aquilo que, há tantos, tantos anos, nunca aconteceu aqui: ser Homem inteiro, com direitos e deveres justos. E passaram ‘tantos anos? Por cima do 25 de Abril, da revolução dos cravos, da revolução da esperança na justiça social, ate hoje, à espera de quem, coerente e eticamente, a realize e imponha.

O PORTUGUÊS TEM AS DUAS FACES QUE OS MAUS GOVERNOS O OBRIGARAM A TER.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A casa de Baker Street onde os fantasmas são de carne e osso e tudo é tão verídico como a nossa verdade




Hoje, em Baker Street, visitei a casa de Sherlock Holmes. Recebeu-me o Dr. Watson. Cumprimentámo-nos efusivamente. Tudo estava no seu lugar: junto à lareira acesa, os sofás, onde se sentam os dois amigos, os chapéus, os bonés, os papeis, os mapas, os livros, os cachimbos de Sherlock, que se ausentara, por momentos... Nada era verdadeiro e tudo era verdadeiro. Depende de cada um. O mesmo acontecerá, se, em Stratford-upon-Avon, procurarmos a casa de Shakespeare. Quem era Shakespeare? Existiu? Não se sabe. Resta, apenas, o seu teatro e a sua poesia. De Sherlock, ficaram as aventuras, que Conan Doyle contou. Também ninguém sabe, ao certo, quem era Gil Vicente. Podíamos inventar-lhe uma casa e tê-la por autêntica. A nossa imaginação pode criar o que lhe apetecer –que, realmente, lhe apetecer, porque, dentro de nós, essa invenção exige a existência. Entraram, comigo, na casa fantasma de Sherlock Holmes, em Baker Street -que só não é fantasma porque nós decidimos que não o é-, visitaram-na, à mesma hora que eu a visitei, e saudaram, como eu saudei, o Dr. Watson, franceses, italianos, coreanos, russos, indianos... Não passaria pela cabeça de nenhum de nós discutir a verdade de quanto víamos e tocávamos. E comprámos, na lojinha do rés-do-chão, recordações: cópias dos originais. Dos objectos indiscutivelmente originais que enchiam os andares de cima.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Betty Boop a primeira mulher livre que sem ser pornográfica foi deliciosamente sensual... e poética... uma amigalhaça!



Li, agora, nos jornais que a menina Betty Boop faz 75 anos que chegou à BD (in Jornal de Notícias, num excelente artigo do sempre excelente Pedro Cleto)! Parabéns! Continue a viver, por mais outros 75 anos, seja onde for! Nunca deixará de ser uma maravilhosa viva! Só tenho pena de já não andar por cá, quando festejarem os 150 anos de Betty Boop... É uma rapariga atrevida e emancipada. Foi a primeira mulher livre. E, tão sensual, tão atraente, tão... tantas coisas, que a convidava já para jantar se ela estivesse disposta, o que duvido –tão MULHER, impôs-se-nos a todos, escusam de disfarçar, recusando a pornografia que o mercado dos aspirantes a frígidos, desgraçados doentes de sexo atrofiado, exige às mulheres do espectáculo.


... depois do sermão moralista (desculpem lá)... um beijo do tamanho do mundo na bochecha da Betty! E... música!
ou esta música, talvez mais adequada:

O dia de hoje: eleições marcadas para depois das férias com água no bico...



...mesmo com muita, muita água no bico: a das praias... e outra, que passo a descrever:

o cidadão tem dois meses à frente em que espera, descansa e recupera as forças. Quer lá ele pensar naquilo em que, inevitavelmente, terá de pensar, depois: no custo da vida, na violência do quotidiano, na crise implacável, a crescer e não resolvida, como, irresponsavelmente, disseram para aí... Dois meses -Julho e Agosto- em que cada um de nós o que quer é esquecer a realidade bruta, desumana, dura, dificílima.
Em Setembro, então, toca a afrontar a realidade: o emprego (se o tiver...), mal parido, que não lhe deixa tempo para si próprio, o absorve quase dia e noite; a precariedade do emprego (e são tantos os empregos precários; a prazo; de recibo verde...); as matrículas dos filhos; o custo dos livros dos filhos; o preço da paparoca; as prestações da casa; as prestações do carro. As prestações dele próprio: o preço que tem de pagar para estar vivo.
Quer lá saber da política! Da desacreditada, amaldiçoada política, ‘certamente’ responsável pelo desastre social que o sufoca, da ‘porca da política’! E, certamente, quase certamente?, nada hesitar: certamente nem quer ouvir falar nos aldrabões dos governantes (assim pensa o cidadão comum)... que arranjaram, eles, os políticos, é que arranjaram!, aquele sarilho... Eleições? Querem lá saber delas! Ainda há pouco tiveram outras: as europeias! Decidir? O quê? Se ganharam “aqueles”... Por que não “aqueles”?
Aos partidos, restam, após as férias, praticamente duas semanas “úteis”. É o tempo real da campanha eleitoral. É nenhum tempo. A “onda positiva” do triunfo de Ferreira Leite não será contrariada. Ferreira Leite continuará, tranquilamente, a apresentar-se, durante e depois do intervalo reparador (reparará alguma coisa?). Ferreira Leite, a impoluta: não é governante (terá sido alguma vez política?...) e, na memória de amendoim, na incrível memória pigmeia do eleitor, que tudo esquece, mesmo os pontapés que lhe dão, ela nunca governou nem é responsável por este desastre...
Ao escolher o dia 27 de Setembro próximo como data das eleições legislativas, Cavaco sabia o que fazia. E o que fez e faz aproveita-se do cenário estivo que descrevo acima e beneficia, descaradamente, a candidata do PSD. Essa é a água no bico de uma escolha retorcida. E água pesada! Só quem for ceguinho é que não vê o gato escondido com o rabinho de fora.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eis a famosa a imortal Tuna do Zé Jacinto tocando a genial Marcha de Almadanim de Manuel da Fonseca!!!



MATARAM A TUNA

Nos domingos antigos do bibe e pião
Saía a Tuna do Zé Jacinto
Tangendo violas e bandolins
Tocando a marcha Almadanim.
Abriam janelas meninas sorrindo
Parava o comércio pelas portas
E os campaniços de vir à vila
Tolhendo os passos escutando em grupo.
Moços da rua tinham pé leve
O burro da nora da Quinta Nova
Espetava orelhas apreensivo
Manuel da Água punha gravata!
Tudo mexia como acordado
Ao som da marcha Almadanim
Cantando a marcha Almadanim.
Quem não sabia aquilo de cor?
A gente cantava assobiava aquilo de cor...
( Só a Marianita se enganava
Ai só a Marianita se enganava
E eu matava-me a ensinar...)
Que eu sabia de cor
Inteirinha de cor
E para mim domingo não era domingo
Era a marcha Almadanim!
Entanto as senhoras não gostavam
Fazim troça dizendo coisas
E os senhores também não gostavam
Faziam má cara para a Tuna:
- Que era indecente aquela marcha
Parecia até coisa de doidos:
Não era música era raiva
Aquela marcha Almadanim.
Mas Zé Jacinto não desistia.
Vinha domingo e a Tuna na rua
Enchendo a rua enchendo as casas.
Voavam fitas coloridas
Raspavam notas violentas
Rasgava a Tuna o quebranto da vila
Tangendo nas violas e bandolins
A heroica marcha Almadanim!
Meus companheiros antigos do bibe e pião
Agora empregados no comércio
Desenrolando fazenda medindo chita
Agora sentados
Dobrados na secretária do comércio
Cabeças pendidas jovens-velhinhos
Escrevendo no Deve e Haver somando somando
Na vila quieta
Sem vida
Sem nada
Mais que o sossego de falas brandas...
- Onde estão os domingos amarelos verdes azuis
Encarnados
Vibrantes tangidos bandolins fitas violas gritos
Da heroica marcha Almadanim?!
Ó meus amigos desgraçados
Se a vida é curta e a morte infinita
Despertemos e vamos
Eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e hroico
Como era a Tuna do Zé Jacinto
Tocando a marcha Almadanim!

O dia de hoje: os caminhos de uma identidade e o respeito pela Cultura o que não é impossível

Winston Churchill
Germaine Greer, escritora, obra de Paula Rego

Michael Caine, actor





Elisabete I, a rainha virgem







Doris Lessing, escritora



Por estranho que pareça, ou porque parece tratar-se de alcunha, existem, por aí, uns escritórios que querem dar pelo nome de ministério da educação e ministério da cultura. Aos costumes dizem nada; isto é: perguntados acerca do que fizeram em prol da educação e da cultura, balelam e engonham, assobiam, canas rachadas a disfarçarem o susto. Bem..., vem a propósito...
Vem a propósito do quê? Do seguinte: a National Gallery compreende uma ala especialíssima, a National Portrait Gallery, fundada em 1856, onde, desde a casa real dos Tudors (1485-1603) até... ao dia de amanhã, se juntaram os retratos das personalidades que marcaram e ajudaram a construir um país: a Grã-Bertanha. Obviamente, o retrato daqueles que contribuíram para uma Cultura –porque um país é a sua identidade e a identidade de um país é a sua Cultura.
Mas nenhum é de mais –e quem lá for, à National Portrait Gallery, encontrará os retratos de reis e rainhas, ministros, políticos (por aqui, levam-se os políticos a sério a eles próprios e ao dever de contribuírem para o bem da polis, da cidade, e são levados a sério...), escritores, pintores, escultores, bailarinas, jornalistas, músicos, poetas, actores..., em suma: todos quantos contaram, na afirmação e defesa de uma Cultura –de uma identidade. Depois, topará admiráveis retratistas, quadros de primeira água, fotografias excelentes...
Qu’é da nossa identidade? Por que caminhos caminha a nossa Cultura? Anda -ou não anda?- por estradas ínvias e de má gente... De irresponsável e mercantilista gente... Quem defende a nossa memória? Quem honra os nossos maiores (ora tomem este chavão!)?
Há semanas, relatei, na minha coluninha dominical do ‘Jornal de Notícias’ (procure-se na corajosa e dignamente sobrevivente página da cultura) o ‘caso do autoretrato desprezado’: um impressionante autoretrato de José Régio, à venda na Livraria Académica, do Porto, que nenhuma instituição quis ainda comprar... Nem o tal ministério da cultura, nem a Câmara de Vila do Conde... nem a tradicionalmente bombeira benemérita Fundação Gulbenkian... É emblemático.

Ah!, lá vem o choradinho do costume: não temos dinheiro... E o outro: a cultura não rende... Resposta: nem só de pão vive o homem e um país não afirma a identidade com má arquitectura (os patos bravos da construção civil), com pseudo-literatura, com televisões confrangedoras, cheias de morangos podres, com a destruição sistemática da paisagem, com o inconcebivelmente soberbo desprezo pela qualidade de vida.
E, o coração da qualidade de vida é a Cultura.
Amigos, se vierem a Londres, não percam a estupenda lição de respeito e amor à Cultura que representa a National Portrait Gallery. E, de regresso à lusa pátria, façam um gesto, façam qualquer coisa, nem que mais seja (lembrem o belíssimo poema de Manuel da Fonseca) toquem a ‘marcha de Almadanim’! Cada gesto é um passo em frente; muitos gestos, ao mesmo tempo, são muitos passos em frente. E, como dizia Ian Fleming, o do James Bond, ‘só os diamantes são para sempre’ –uma boa notícia, porque significa que o galinheiro em que Portugal se afunda não pode ser, não pode durar para sempre!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Páginas de um Diário público: os outros mundos

às 22h 11m: mais uma Virgem, com o Menino Jesus, de Cima da Conegliano (Louvre)
Um das Virgens de Giovanni Bellini


Agora, de Antonello da Messina...



Cima da Conegliano, 'o Renoir do Renascimento?...




Foi a luz, as cores vivas, a beleza das formas, o apelo do mundo maravilhoso, a sagrar-me o dia. A National Gallery, de Londres, tem tanta coisa bela! Atravessei salas e salas, vi, pela primeira vez, obras de artistas sempre estimados. A verdade é que vi todas as obras, pela primeira vez... “em carne e osso”... Os grandes ingleses, os espanhóis e flamengos.


E, de repente, surgiram-me os mais amados: os Mestres italianos do renascimento: Giovanni Bellini, sobretudo ele, que me trazia de volta a fabulosa Veneza. Ah!, nada a fazer! Durante anos, peregrinei, até à Accademia, horas e horas, a admirar as Nossas Senhoras de Giovanni Bellini: o azul, a doçura, a distância de quem está noutro mundo, o do Espírito, o de Deus... José Régio dizia -e com muita razão!- que há mais mundos. Ai dos que têm medo de os procurar!


E Vivarini, Mantegna, Antonello da Messina, Botticelli..., a Itália. Nada a fazer, uma pátria que me ficou, para sempre. A que “mais me ficou”? Há que ter um ponto de referência, e atenho-me a Portugal, à Guarda. Mas a Itália, os fabulosos quinze anos lá vividos, tocaram-me a alma com brilho indelével. Esse me alvoroçou, emocionou, trouxe-me deliciosas lágrimas.


Quando recordo os longos dias (e noites) em que teci ‘O Pássaro de Vidro’, com certeza, o livro onde mais o meu sangue ferveu, as versões sucessivas, as correcções, a busca do estilo que reproduzisse aquele universo veneziano apaixonante –reconheço que, se alguma coisa dei, o devo à própria Itália: à paisagem, às pessoas, à pintura e à arquitectura. A Itália não me modificou, no essencial –mas alargou-me as vistas, educou-me a sensibilidade, a afectividade, o modo de chegar à vida e aos outros.


Logo ao lado de Bellini, reparo nas Virgens de Cima da Conegliano, na sensualidade. Tão diferentes das do veneziano! E... aproximo o renascentista Cima da Conegliano do impressionista Renoir... A figura que reproduzo não transmite a força campesina do Mestre veneto... No entanto, se abrirem o site da National Gallery, encontram outras mais representativas dessa ‘carnalidade’ dulcíssima.


Amigos, um salto a Londres e à National Gallery, vale o risco da gripe... Então, comparem Bellini e Cima. E admirem o meridional Antonello da Messina, Mestre entre os Mestres... Ou, já que falei nele, o estupendo Renoir, La prémière sortie ou Les parapluies... E etc., um etc. que não acaba...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Querem recuperar Caxias e a zelosa e prestável Pide?



Nunca fui comunista. Poderia estar aqui a queixar-me das indelicadezas ou injustiças de alguns comunistas. Nada devo ao PCP, muito pelo contrário. Não sou militante do Bloco de Esquerda. Há quase 34 anos que deixei de ser militante do PS. Votei, sempre, à esquerda: no PS e, ocasionalmente, na extinta UEDS –isso é verdade.
Mas, exactamente por isso, porque aspiro a um estado social e democrata, aspiração de socialista (e nunca votei, nem poderia votar no PSD porque o PSD nunca foi sequer social-democrata e sempre foi e é um partido neo-liberal) –recuso a caça às bruxas, a intolerância, o facciosismo, que, na Alemanha deu no Hitler; na Itália, no Mussolini; na Espanha, no Franco...; entre nós, em quase 50 anos de salazarismo-imobilismo-castração. Exactamente por defender a democracia, recuso anatematizar o PCP e BE. E, porque quero ver afirmar-se um país cada vez mais livre e aberto, moderno, quero dialogar com eles, comunistas ou bloquistas.
Confrange, repugna a raiva que anda por aí e o medo aos “comunistas” (com mil demónios! que diriam espanhóis, franceses, italianos, que convivem em diálogo e debate com partidos comunistas???). Para não dizer que é indecente usar o termo como insulto..., e é dessa maneira que o usam e, por isso -e também pelo tal medo absurdo e gagá- juntam, no mesmo insulto, o PCP e o BE, aliás, partidos muito diferentes.
Esse medo abre a porta ao regresso da repressão e da ditadura.

domingo, 19 de julho de 2009

As férias impossíveis para quem fez do diálogo a meta de uma vida...


O meu amigo bloguista de Ar da Guarda deseja-me boas férias, lá da sua montanha, no 'Alto monte da Sagrada Beira' (Augusto Gil dixit)... Bem haja! Mas há um problema: disponho, aqui, de um computador... Ora como pode quem como eu que, há mais de 50 anos, escreve para os jornais e aos 8 já publicava um jornal e o distribuía aos irmãos -em suma: um que acredita na palavra e no diálogo-como pode essa avis (rara? em vias de extinção?) resistir à chamada? Ao apelo da... internet?


A cidade onde estou é fabulosa, em movimento, criadora, uma cidade do futuro. Um lugar onde se sonha o futuro. Porque:


é urgente o futuro!


E o futuro constrói-se em diálogo. Ora, por isso..., por isso, caros amigos, não se livram de mim...

Os alicerces de cada um



Nunca pesou, como pesa hoje, o mercado e a obsessão do lucro. Reclamou Benedito XVI, em “Caritas in Veritate”, o respeito pela moral. Prega no deserto? À moral, substituiu-se a ganância do ganho. E aquilo a que assistimos, no plano da Cultura, tem um nome: retrocesso. Edita-se o livro medíocre, aconselha-se o livro medíocre –e muito simplesmente porque, sendo o que mais se vende e a incultura aceita, o mercado o impõe. O público desinformado atem-se ao que se molda e agrada à própria ignorância –e quem investe quer o retorno e não está disposto a perder tempo com a educação do ignorante: nivela por baixo. Não só quem publica, também os pseudo-críticos, acolhidos em pseudo-páginas de artes e letras. O fenómeno atingiu tais proporções, tal amplitude, que o ensino mesmo da Literatura e os programas de leitura aconselhados, em vez de o atalhar, servem-no. E, à urbanização monstruosa, soma-se o processo de analfabetização em curso (PAC).

E a juventude, especialmente atingida, não avança, retrocede, o jovem leitor, que busca a resposta às suas inquietações, encontra conversa fiada. A juventude procura, em vão, pontos de apoio, Mestres. Em vão, porque os Mestres foram riscados do “menú do mercado”: não rendem: não reúnem as condições que o mercado exige e o público desinformado pede: superficialidade ou pornografia ou as duas coisas juntas. Os jovens são órfãos à força. Honra às excepções: assinalo e saúdo a excelente iniciativa das “edições-nelsondematos”: a “Biblioteca Juvenil”, que relança autores fundamentais: Defoe, Swift, Rider Haggard (magnificamente traduzido por Eça) e Mark Twain. Porque Robinson Crusoe, Gulliver, Tom Sawyer e Hucleberry Finn são referências de há muito, que enriquecem. Cada um se constrói e se afirma sobre os próprios alicerces. Mas quais, ao acordar no deserto do espectáculo vazio, irresponsável e (obviamente) lucrativo? Nunca, como hoje, se vendeu tanto gato por lebre.

Ingovernáveis uma ova! Mesmo em férias as asneiradas revoltam e o Bordalo acorda e... faz o tal gesto!




Pois... não resisto... Nenhum português esquece a pátria, humilhada e ofendida, há tantos séculos!, e onde vive a alma boa, generosa, franca de um povo único...
E logo me irritei, me incomodei, me revoltei, ao ler, na nossa imprensa, patacoadas que são, obviamente, lugares comuns... Adiante.
Qual défice de cidadania, qual ingovernabilidade, qual carapuça!
O que aconteceu e acontece é o seguinte: o nosso “défice de cidadania” não passa da nenhuma importância que os governos têm dado à Cultura, ao Ensino e à Investigação –agarrados, manhosa e interessadamente, à construção civil e ao turismo & etc..., marimbando-se, ainda por cima, para a agricultura, pescas e indústria...
Depois: Portugal e o seu povo não são ingovernáveis! Os governantes que nos foram saindo –de Salazar ao dia de hoje, 34 anos depois do 25 de Abril...- é que não estiveram nem estão à altura da tarefa de recuperar o nosso atraso cultural e social e nos enterram nas areias movediças das várias corrupções.
Mas há muitas escolhas e mil maneiras de cozinhar o bacalhau. O leque de escolha não se reduz a duas pessoas. Com certeza, nem a três, nem a quatro... nem a vinte!

sábado, 18 de julho de 2009

Porque a questão é grave e começam a dizer-se safadices interrompo o repouso e transcrevo peça essencial de Manuel Pina

Quem cala consente?

Jardim tem um mérito: diz o que pensa. O pior é que pensa o que diz. Como muita gente que correu a comprar uma casaca democrática após o 25 de Abril, tem a sorte que outros portugueses não tiveram: pôde dizer o que pensava e ocupar cargos nos ominosos tempos do "Estado Novo" porque pensava em conformidade com ele e pôde continuar a fazê-lo depois porque outros lutaram e morreram pela sua liberdade de expressão. A sua proposta de proibição do Partido Comunista é, pois, coerente. Como seria coerente se propusesse a criação de um Tarrafal na Madeira para os comunistas. Menos coerente é o silêncio da Direcção do PSD perante o que Jardim diz. A mesma Direcção que tem "lapsus linguae" como o de "rasgar" as políticas sociais e privatizar a Segurança Social e o SNS ou de "suspender" a democracia e que, depois, caindo em si, recua. Como no poema de Niemoller, estas coisas começam sempre pelos comunistas e nós, como não somos comunistas, ficamos em silêncio; depois vêm os sindicalistas, os homossexuais, quem sabe?, os judeus, até que chega a nossa vez; e já não haverá ninguém para levantar a voz.



in Jornal de Notícias de 17/07/2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Com o pé no estribo para ir de férias deixo esta excelente crónica de Manuel Pina no Jornal de Notícias de hoje...

Orgulho,diz ela
A Língua não é apenas um meio de comunicação, é também um instrumento de conhecimento e de pensamento. A Língua fala em nós tanto quanto nós a falamos, constitui o elemento fundamental da nossa identidade enquanto povo (e, sobretudo, enquanto "pátria", pluralidade de valores identitários que herdámos dos nossos país e que os nossos filhos herdarão de nós). São, por isso, dramáticas as notícias que dão conta de que, nos recentes exames nacionais do 9.º ano, o número de negativas a Língua Portuguesa aumentou 70%, apesar de o actual ME ter levado o nível de exigência dos exames ao grau zero. A falta de exigência a que se chegou é tal que, para se opor à opinião dos peritos para quem os exames do 12.º ano de Matemática foram este ano de novo "escandalosamente fáceis", o presidente da APM argumenta que o exame "tinha algumas coisas que exigiam alguma interpretação de (…) linguagem escrita". Ou seja, o exame não seria assim tão fácil porque… exigia "alguma" interpretação de linguagem escrita. Isto a alunos do último ano do Secundário! Diz a ministra que o país devia "encher-se de orgulho" com isto…

terça-feira, 14 de julho de 2009

O dia de hoje: páginas viradas



O hábito dos tempos de estudante continua a decidir o meu modo de virar a página de cada ano. É, pois, à beira das ‘férias grandes’, tão esperadas!, que pressinto a mudança e faço o balanço. Agora, especialmente, porque vou viajar e deixo, atrás, o cenário de muitos dias de luta, dúvida, alegria, desespero e ressurreição. Hei-de voltar um dia, como o herói fantástico de Branquinho da Fonseca, o mítico Barão, prometeu... E retomaremos a nossa conversa, amigos!

E, no instante -mínimo- de paragem, entre cá e lá, entre hoje e amanhã, entre a partida e o regresso, abri um singelo livro de um velho e sempre escutado Mestre: ‘Música Ligeira’, de José Régio, obrinha publicada póstuma e mal amada... como, brutal e vergonhosamente, o foi, nos últimos anos de vida, e por culpa de meia dúzia de literatos pelintras, o grande, enorme, único genial escritor.

Escolhi o seguinte poema, em que, mais uma vez, e à beira da morte, Régio canta o amor à vida, o desafio aos deuses mudos, a viril admiração pela coragem de opor, ao provável Nada, a beleza (e levo um tesouro, na minha nova viagem):

Canção do Velho Poeta

Moço aventureiro
Que os primeiros passos
Desprendes, ligeiro,
Com mira aos Espaços,
Velho pouco posso, tudo mal consigo,
Mas irei contigo.

Moço trovador
Que inda pelos dedos
Medes a rigor
Teus subtis segredos,
Nem que nenhum verso já persiga, -sigo:
Rimarei contigo.

Moço apaixonado
Que do amor nem sonhas
Que o menino alado
Tem manhas medonhas,
De amor já sei tudo! Mesmo assim te digo
Que amarei contigo.

Moço ilusionista
Que a vida resumes
A acender na pista
Teus fingidos lumes,
Nem que nem no Engano possa achar abrigo,
Fingirei contigo.

Velho grande atleta
Gasto já mas lutas
Por não sei que Meta
Que até fim disputas,
Mesmo se encolhido ao mais pueril perigo,
Lutarei contigo.

Nunca nada tive,
Menos tenho ao fim.
Nunca de si vive
Quem vem ao que vim.
Parto, mas cantando. Meu mundo inimigo,
Mesmo que me expulses, ficarei contigo.