domingo, 30 de novembro de 2014

Outros caminhos, outros tempos, artistas esquecidos


Tentações de Santo Antão, 1921

http://es.wikipedia.org/wiki/Stanis%C5%82aw_Ignacy_Witkiewicz



"Satanás semeando", 1882, Félicien Rops

https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9licien_Rops

Bom dia longe da multidão que enlouquece e perto das coisas verdadeiras...

sábado, 29 de novembro de 2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

As coisas da vida ou um breve amor




Fotografia de Lélo Fiaux (á direita), provavelmente tirada por Alberto Moravia, e fotografia de Alberto Moravia (à esquerda), provavelmente tirada por Lélo Fiaux. Roma 1934



"No Bar", s. d., obra de Lélo Fiaux




"Lettres d'amour à Lélo Fiaux", de René de Ceccaty, 2014, Editora ZOE, Paris


Lélo (Hélène) Fiaux e Alberto Moravia dividiram um grande amor.

Lélo, pintora suíça, era uma jovem mulher de personalidade forte e carácter independente; Moravia, um escritor a lançar-se na fama, homem complicado, prepotente, melindroso, e misógino talvez sem o saber (ainda que transpareça em vários dos seus romances).

A ligação entre os dois não suportou as contradições e durou pouco.

Mas deixou marcas no escritor italiano.

De 1934, ano da ruptura, até 1947, trocaram cartas, correspondência de que restam, apenas, as de Moravia, agora editadas em França.

Estas linhas de uma delas denuncia a intensidade com que tudo foi vivido:

“Um dia hás-de agradecer-me, histórias como a nossa são raras na vida.”

Nem por isso as paixões de ambos deixaram de acontecer com outros.

As de Moravia sempre agitadas e difíceis, quando não infelizes, violentas; as de Lélo não sei.

Interessou-te a história? Compra o livro e lê-o –vale a pena.

Talvez prove que o instante é, sempre, único e irrepetível.

Notas: 

http://fr.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9lo_Fiaux


Giorgio de Chirico (1988-1978): criador da escola metafísica

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Só falta isso… E admiravas-te?


Forges in El País de hoje, 28.11.14



"-Nestes tempos há que pensar que o melhor do presente é o futuro

"-...a não ser que o privatizem

"...e essa é outra...

E a Literatura no Alentejo? Eis 6 nomes que aconselho leiam, alguns conhecidos outros atirados para o esquecimento imperdoável…


Bernardim Ribeiro (1482?-1552?)




José Duro (!875-1899)


Brito Camacho (1862-1934)




Capa de um admirável romance: "Terra Campa", de Noel Teles (impossível a foto e as datas de nascimento e morte; certa a grandeza do autor)



Florbela Espanca (1862-1934)



 Manuel da Fonseca (1911-1993)

Aqui está ele

O "Cante" alentejano reconhecido como pertence à humanidade



O Comité intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) reconheceu hoje o cante alentejano como património cultural imaterial da humanidade.

Declaração de José Sócrates à comunicação social: o arguido também tem direito a falar




Declaração de José Sócrates

Em 26 de Novembro de 2014

Há cinco dias “fora do mundo”, tomo agora consciência de que, como é habitual, as
imputações e as “circunstâncias” devidamente seleccionados contra mim pela acusação
ocupam os jornais e as televisões. Essas “fugas” de informação são crime. Contra a
Justiça, é certo; mas também contra mim.

Não espero que os jornais, a quem elas aproveitam e ocupam, denunciem o crime e o
quanto ele põe em causa os ditames da lealdade processual e os princípios do processo
justo.

Por isso, será em legítima defesa que irei, conforme for entendendo, desmentir as
falsidades lançadas sobre mim e responsabilizar os que as engendraram.

A minha detenção para interrogatório foi um abuso e o espectáculo montado em torno
dela uma infâmia; as imputações que me são dirigidas são absurdas, injustas e
infundamentadas; a decisão de me colocar em prisão preventiva é injustificada e
constitui uma humilhação gratuita.

Aqui está toda uma lição de vida: aqui está o verdadeiro poder – de prender e de
libertar. Mas, em contrapartida, não raro a prepotência atraiçoa o prepotente.

Defender-me-ei com as armas do Estado de Direito – são as únicas em que acredito. Este
é um caso da Justiça e é com a Justiça Democrática que será resolvido.

Não tenho dúvidas que este caso tem também contornos políticos e sensibilizam-me as
manifestações de solidariedade de tantos camaradas e amigos. Mas quero o que for
político à margem deste debate. Este processo é comigo e só comigo. Qualquer
envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e
prejudicaria a Democracia.

Este processo só agora começou.

Évora, 26 de Novembro de 2014



José Sócrates

Mais de e sobre António Berni.

O pintor argentino vem-me ter às mãos através de um artigo no El País de hoje.

Segundo quem sabe, Berni afirmou-se no Novo Realismo da América latina, extensão do Social Realismo.

As suas obras não me parecem, infelizmente, “de outro tempo”; a injustiça que denuncia é aquela que vivemos, neste país forçado, por um governo lacaio do capitalismo financeiro, a regressar aos sofrimentos e aos abusos sociais dos anos 40/50 do século XX.

Há, para mim, uma diferença profunda entre a arte comprometida, dependente de regras externas à Arte, regras condicionantes, e o trabalho dos artistas que descrevem a realidade e, por arrasto feliz, ou intencional, ou triste, denunciam as iniquidades.


Antonio Bernin insere-se na segunda categoria.




Humilhados e ofendidos..., por António Berni



"Pietà", de António Berni




"A marcha", de António Berni




"Cabra Cega", q ue podes acrescentar: qual futuro para as nossas crianças?, de António Berni


Bom dia com o argentino Antonio Berni (1905-1989), um pintor actual

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014

Há esperança: a vigarice que rói Portugal não pode ser para sempre!

Coelho único

“Passos Coelho diz que políticos não são todos iguais”

in Público de hoje


Ainda bem!

Com esta gracinha cheia de fel, Coelho garante-nos um acontecimento extremamente  importante:

o que vier depois dele não será como ele.

Que alivio!



Mais sobre Alberto Burri (Citta del Castello, Umbria, 1915- Nice, 1995)


"Branco, 1952, obra de Alberto Burri


Notícia:

http://en.wikipedia.org/wiki/Alberto_Burri

Bom dia com um grande artista italiano

sábado, 22 de novembro de 2014

A detenção de José Sócrates



Toca à Justiça decidir: julgar.

Neste momento e enquanto a Justiça não decidir em contrário,

José Sócrates está inocente.


Assim o entendo e assim penso.

Um mestre de Umberto Moggioli



'Gondola na Laguna', 1881, Guglielmo Ciardi (Veneza, 1842-Veneza, 1917)



'Pôr do sol no Grande Canal", 1899, Guglielmo Ciardi


Notícia:

http://it.wikipedia.org/wiki/Guglielmo_Ciardi


http://en.wikipedia.org/wiki/Guglielmo_Ciardi


Ugo Valeri, contemporâneo de Umberto Maggioli


'Festa na arena de Lilão', 1909, Ugo Valeri (Piove di Sacco, 1873-Veneza,1914)

Bom dia com um músico nascido em Burano: Baltazar Galuppi

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Visas de oiro por dá cá cinco tostões eis a oferta do país mais pobre da União Europeia –o país que arde paulatinamente…


Portugal a arder

“Infelizmente, ninguém reparou na parte vergonhosa desta história: os preços que o Estado pede pelo país, ou partes dele, andam pelas ruas da amargura. Não acredito que a Suíça ou a Inglaterra levem 500 mil euros por um visto de residência. Levam com certeza dez vezes mais. Fora os que, para o povo os tolerar, se devem ao cuidado de financiar um clube de futebol, um Mourinho qualquer e meia dúzia de jogadores. Aqui nem se acharam na obrigação de ajudar o Sporting. Esta despromoção de Portugal a loja barata não deixa de ofender um verdadeiro patriota. Os saldos, espero bem, ainda não começaram. É preciso que o Governo estabeleça novas tabelas para os vigaristas desse mundo turvo da globalização. Nós somos pequeninos, mas muito bons.


Vasco Pulido Valente in Público de hoje

Se amas Veneza, se vais conhecer Veneza, se voltas a Veneza...



Eis aquele que me parece o guia essencial de Veneza:

Venezia e Il Suo Estuario, de Giulio Lorenzetti.

Aconselhou-mo Aldo Zari, em Julho de 1976, data em que o adqueri… e nunca mais o larguei.

Procuro-o frequentemente, mesmo longe de Veneza: é completíssimo, ensina a história artística e social da cidade, descreve quanto devas ou queiras visitar.


Julgo que poderás comprá-lo mesmo através da internet.  

Um bom fim de semana, com Giovanni Antonio Canal, dito o Canalleto (Veneza, 1697-Veneza, 1768)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Será verdade que descemos tanto???


in Público de hoje

Na tempestade ouve Cesar Franck um dos autores preferidos de Marcel Proust..

Bom dia com Victor Pasmore (1908-1998)


Victor Pasmore, s.t., 1991



Victor Pasmore, s.t.



Victor >Pasmore, pormenor



Notícia:

http://www.tate.org.uk/art/artists/victor-pasmore-1744



Victor Pasmore

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"Maldita ideologia, mania de toda a gente!" -a srª Carioca diz que há ideologias a mais... mas a mais perigosa de todas é a dela...



Maria João Carioca, administradora da Caixa Geral de Depósitos, considerou que o "Estado está refém de um sistema político muito ideológico", adiantando que "há um caminho muito grande a fazer na despesa, no como é gerida a máquina".
in Jornal de Notícias de hoje.

A sr.ª Carioca ou não sabe o que quer dizer ideologia ou tem uma ideologia que pretende anular outras ideologias.

A sr.ª Carioca ignora que por detrás de cada gesto governamental está uma ideologia.

Eu explico: está “uma ideia humana”; mais amplamente: está “um conjunto de ideias presentes nos âmbitos teórico, cultural e institucional das sociedades”; e terra à terra, talvez mais fácil e talvez, assim, a srª Carioca perceba: “um entendimento dos deveres do governo para com os pensionistas”.

Claro que a srª Carioca tem uma ideologia, tem uma ideia!

No caso, as suas, dela, srª Carioca, estão presentes no modo de olhar os aposentados:


a ideia, filha da ideologia da sr.ª Carioca, é cortar aos pensionistas, aos aposentados, as vantagens que lhes são devidas e espremê-los segundo o desejo premente do governo de esconder o terramoto que originou na nossa sociedade.

A ideologia da srª Carioca é, pois, anti-social.   

E assim vivemos: rodeados de vigaristas de cima a baixo!


in Público de hoje

Pois,,, como recordar Veneza se não através desta maravilha?

Memória


A rua e a casa onde viveu, longos anos, Tiziano, em Veneza

Era de visita obrigatória, cada vez que íamos, eu e Aldo Zari, a Burano: ficava a caminho do vaporetto que nos conduzia à ilha maravilhosa.

Obra-prima de Tiziano


Pormenor de "Assunta", Convento dei Frari, Veneza, obra de Tiziano Vecelli


Naturalmente, foi Aldo Zari quem me revelou Tiziano… Com ele corri Veneza, em busca das obras do Mestre.

Ele me levou ai Frari, onde deparei com a extraordinária Assunta.

Essa obra-prima faz parte reveladora do meu romance O Pássaro de Vidro.

Descrevo-a e sei porquê. Tu compreenderás, se leres.

Mas seria um milagre: não encontras o livro em parte nenhuma –talvez numa biblioteca pública.

O melhor é ires a Veneza, aos Frari, contemplar um trabalho único e riquíssimo.

Bom dia com Tiziano Vecelli, Mestre entre os Mestres

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Passos & a sua banda aproximam-nos mais do Brasil mesmo naquilo que os brasileiros lamentam...

in Público de hoje

Graça Pina de Morais: a sua obra extraordinária marcou o nosso século XX e tem lugar invejável na Literatura Portuguesa








Dois romances que não podes deixar de ler: não são comparáveis a 99% dos romances que se publicam entre nós: ultrapassam-nos, gigantescamente


E aqui deixo as palavras, datadas de 1958, de João Gaspar Simões -o maior crítico literário português:

“Com o romance A Origem, Graça Pina de Morais entra, com o pé direito, na história da literatura portuguesa. Sejam quais forem as restrições que venham a fazer-se a este romance, é fora de toda a dúvida que A Origem pertence ao número das obras excepcionais da nossa ficção contemporânea.”

O que veio depois, Jerónimo e Eulália e outros livros, provaram quanto disse o Mestre.

A obra de Graça Pina de Morais é escassa, mas A Origem (1958) e Jerónimo e Eulália (1969) garantiram a sua perenidade.  


Breves dados:

http://www.antigona.pt/autores/graca-pina-de-morais/

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O estranho caso de Marilyn Monroe: ela era uma apaixonada pela leitura



O link abaixo conta o que talvez não esperasses…

http://elpais.com/elpais/2014/11/17/eps/1416222276_076944.html



Portugal em leilão


Toca a vender tudo que a mama acaba em Novembro 2015...


Não vou condenar nenhum daqueles que se  diz estarem implicados na imensa vigarice do inconcebível gold visa, e, em breve (?), serão submetidos a juízo.

Respeito um princípio que, infelizmente, quase por regra, se desrespeita em Portugal:

ao juiz cabe condenar o arguido, inocente até que se prove a sua culpa.

Mas há um réu cuja culpa, evidentíssima, justifica -mais que justificar, impõe- imediata condenação:

o governo.

Aplicado na venda de todas as fontes de lucro para o Estado, decidiu, agora, vender as terras de Portugal.

Basta-lhe gastar meio milhão de euros, em terrenos portugueses (mesmo as casas arrastam consigo terrenos e há casas dentro de terrenos enormes…), para que o estrangeiro goze de um especial gold visa.

Depois, fará o que entender, tomará posse de outros bens de terra alheia.

Bens dos que não têm casas, nem dinheiro para as comprar ou alugar, nem trabalho, nem, dinheiro para sobreviver -os que estão à rasca (e são milhões) e precisam de dinheiro: entregam, por tuta e meia, o que ainda tiverem

Já se venderam entre 1000 a 2000 golds visa.

Já se vendeu a nossa terra.

Em breve deixará de ser nossa.


E isso é criminoso: é roubar,  aos cidadãos, a terra em que nasceram.    

A vida à tua frente


"Banho", 1907, Pierre Bonnard


Colha-se o pomo do Amor
Inda em árvore proibida.

Olhe-se, palpe-se, morda-se,
Na comunhão dos sentidos.

E prazer sem penitência.

Perpetuada

Esta aventura da vida.

Arquimedes da Silva Santos, in Voz Velada, Coimbra, 1958, textos Vértice

domingo, 16 de novembro de 2014

Cada momento é único


" A rosa ninfa", 1888, obra de Claude Monet


'Uma só rosa vale o roseiral.
Porque me escreves longo o teu poema?
O inspirado instante sem igual 
Acaso não será a hora suprema?'

Afonso Duarte


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Bom fim de semana!

Quem é este homem que vende as suas obras por milhões de dólares?





Impôs-se nos Estados Unidos, expôs em Versailhes, agita leilões, galerias e  agentes de arte, os seus trabalhos são pagos a peso de oiro.

Na última edição, L’OBS, título de capa de Le Nouvel Observateur, dedica-lhe um pormenorizado artigo. 

E interroga:

“Escroque ou génio? Para os aplicados estudiosos da arte contemporânea, Jeff Koons, é o diabo, encarnaria todos os valores da de cadência: dinheiro, sexo e glória mediática.”

Tu que pensas?


Jeff Koons


Mais obras:











quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Cristovam Pavia

Cristovam Pavia


Cruzei-me com Cristovam Pavia uma vez única.

Há 51 anos, na redacção d’ O Tempo e Modo, onde colaborei brevemente e desde o primeiro número.

Foi-me apresentado no gabinete de Pedro Tamen.

Éramos muito jovens. Ficámos pelo tradicional aperto de mão e ele, olhos baixos, murmurou qualquer coisa.  

Depois, eu via-o, para lá, e para cá, inquieto, insatisfeito, apertado pelas palavras de que não se libertava.

Disse-as nos poemas admiráveis, belos e verdadeiros, que deixou.

Sim, era uma pessoa autêntica. Todo ele: dos pés à cabeça.

Sincero a viver a vida. Sincero consigo e com os outros.

Tem um preço.

Pagou-o.

Foi direito a ele e desafiou-o.


Óleo de Chagal


Notícia:

http://www.infopedia.pt/$cristovam-pavia




         

Memória

Bom dia com um pintor simbolista