domingo, 23 de outubro de 2016

Duas poesias... à despedida...




Antes de abalar, deixo-vos duas poesias de Eugénio de Andrade -meu saudoso amigo que conheci, via correio, em  1957.

São duas pérolas.

A primeira do livro proibido pela polícia salazarista -“Pureza”, 1945, que me ofereceu em 1959-; a segunda de 1948, que me enviou, sem data, “As Mãos e os Frutos”.

Eu era um adolescente, estudante na Guarda. Só nos viríamos a encontrar (e nunca mis nos encontrámos…) em 1972.

E o tempo nunca deixara nem deixa de passar, tal qual cada instante da viagem do Holandês Voador…

MADRIGAL

Coisinha frágil…:
Teu corpo perdeu-se
no meu coração.

Queres encontrá-lo?
-Tenho-o fechado
na minha mão.


a abrir AS MÃOS E OS FRUTOS

Só as tuas mãos trazem os frutos.
Só elas despem a mágoa
Destes olhos, choupos meus,
carregados de sombra e rasos de água.


Só elas são
estrelas penduradas nos meus dedos.
-Ó mãos da minha alma,
flores abertas aos meus segredos! 






(Todos os desenhos são da autoria de Manuel Ribeiro de Pavia e pertencem às primeiras edições de ambos os livros)

Olá! Na madrugada de amanhã parto. O destino? É tudo -meu mestre o Voador Holandês. Estejam bem! (pintura de William Turner)


sábado, 22 de outubro de 2016

Na morte de um criador: Louis Stettner

O artista


Louis Stettner, nasceu em 1922, em Brooklyn,  Nova-Iorque e faleceu, no passado dia 13 (o tal azar!), em Paris.  

Era filho de uma família judaica, originária da Áustria. Criador nato, homem atento aos bens e males deste mundo, foi pintor, escultor, poeta, dramaturgo –sobretudo fotografo, e que formidável fotógrafo!

Ele o disse: “pensei que, através da fotografia, seria capaz de criar qualquer coisa importante com sentido para os outros, tão essencial como a poesia, irmã dela.”

E, combatente que foi, durante a segunda grande guerra, escreveu:



“Não vivi a guerra como uma experiência negativa e contonuo a pensaar que combatemos por uma causa justa:  derrotar o fascismo.”


A juventude



Os meninos





Old Lady




A conversa...



O exílio


Old Man

O regresso a casa


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

domingo, 16 de outubro de 2016

Um dia especial... o dia de anos de Maria J. Falcão...

Parabéns, meu amor…



La bocca
che prima mise
alle mie labbra il rosa dell’aurora,
ancora
in bei pensieri ne sconto il profumo.

O bocca fanciullesca, bocca cara,
che dicevi parole ardite ed eri
Cosi dolce a baciare.


(do nosso amigo Umberto Saba, ao qual juntamos o nosso amigo Chagal…)

sábado, 15 de outubro de 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Um outro Nobel talvez desconhecido por cá... Quem sabe?


Samuel Joseph Agnon (1888-1970), fotografia de David Rubinger

Hoje, dizem, será atribuído o Prémio Nobel de 2016.

E lembrei-me de um Nobel, S.J. Agnon, um israelita cujo romance Ontem e Anteontem me deslumbrou em Outubro de 1996, há vinte anos. Acabara de tomar posse, do meu lugar diplomático, dois meses antes.

É um dos melhores romances que li até hoje.

Depois, li outros livros de Agnon.

E venho aconselhar-vos que o procurem –em português, em inglês, em francês… na língua que vos convenha.


Abrir-se-à, diante de vós, um mundo apaixonante.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

terça-feira, 4 de outubro de 2016