segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O dia de hoje: os pseudosociaisdemocratas vão mostrar ao eleitorado como é bom ser pobre... um gesto de solidariedade social?

...um português alegre...
O PSD vai fazer uma campanha à altura do eleitorado: pobrezinha, modesta, discreta. Toda caseira. Uma caravanazinha, um discursozinho, um encontrozinho... Tudo em inho porque Portugal é um paízinho muito pobrezinho... mas alegre! Até dá gosto olhar para ele!

O PSD fará uma campanha alegre. Vai mostrar ao povo que se pode ser pobre... mas honesto! Mas feliz! Sem necessidade de ir assaltar a mercearia, de ir roubar bicicletas, de bater na autoridade.

Quando o PSD, o nosso partido pseudosocialdemocrata, for autoridade... ah!, então, o nosso povo, será ainda mais feliz e beneficiará das mordomias de que beneficiou, quando dos 10 anos do governo Cavaco, dos meses dos governos Durão/Santana Lopes! E vai passar a dar beijinhos nos senhores donos dos bancos, a lavar os Ferrari, sem pedir esmola, a aplaudir quem o salvou: o PSD, o nosso partidinho dos pseudosociaisdemocratazinhos...

Isto é, o nosso povo vai ter, outra vez, boas pensões, reformas d'oiro, assistência médica gratuita, ensino básico, secundário e superior à disposição, empregos a saldo (que o subsídio de desemprego é coisa para se rever, talvez para extinguir, porque é a mina dos mandriões!), etc., etc., etc., nem é preciso dizer mais porque já se sabe, já se conhece e não se esqueceu o maravilhoso exemplo desses anos cavaquistas, duranistas, santanistas e, acima de tudo, ninguém esqueceu a competentíssima ministra das finanças, Manuela Ferreira Leite!

Porém, a felicidade dos portugueses não será feita de loucuras, de excessos, de mudanças faraónicas! Não! Lá isso não! Será à medida da nossa pobreza –uma coisinha de remediados da fome. Porque assim é que é governar com tino!

E o exemplo aí estará ou já está: a caravana dos modestos, dos sem ambições (eh! eh! eh!), dos escravos do dever da solidariedade (hi! hi! hi!) a confraternizar com o povo que não aguenta com um gato pelo rabo... a caravana do PSDêzinho, do partidinho dos pseudodemocratazinhos (um querido), a piscar o olho à miséria e a aconselhar: ‘nem de mais, nem de menos, vista-se com a roupinha que tem..., se está rota, cosa!”

O milagre da antecipação ou segredo de Polichinelo...

...vista do edifício do Le Monde, em Paris

Certamente, já perceberam as razões de poderem ler hoje a Editorial do Le Monde de amanhã...

O jornal antecipa, online, durante a tarde de cada dia, alguns dos artigos que publicará no dia seguinte...

Simples magia caseira...

No fim e ao cabo também há-de haver alguém que leia francês e aqui fica a Editorial do 'Le Monde'... de amanhã...

...vista de Tóquio...


Editorial de Le Monde que aparecerá na edição impressa de amanhã...


Les Japonais ont choisi le changement. La victoire écrasante du Parti démocrate (centre gauche) lors des élections législatives du 30 août est historique, après plus d'un demi-siècle d'exercice du pouvoir monopolisé par les seuls conservateurs du Parti libéral-démocrate (PLD) et les "batailles au sabre de bois" entre ses différentes factions. Ce succès devrait se traduire par des changements profonds dans l'Archipel.

L'inexpérience du pouvoir des démocrates, conjuguée à d'éventuelles scissions au sein du PLD, en plein désarroi après sa déroute, pourrait entraîner une certaine confusion politique dans un pays habitué à la stabilité. D'autant qu'en donnant la priorité à une croissance tirée par la demande interne - et non plus par les investissements et les exportations - et à la protection sociale, les démocrates bousculent le modèle "Usine Japon" qui a prévalu depuis les années 1960.


Les élections du 30 août ont tourné au référendum sur le PLD : au-delà des programmes, c'est une pratique du pouvoir et une logique économique et sociale qui ont été rejetées. Les démocrates entendent inverser les priorités en faisant de l'amélioration des conditions de vie l'objectif fondamental de leur gouvernement. Pour leurs adversaires, cette politique "à la Robin des bois" risque de compromettre la compétitivité industrielle de l'Archipel et va déstabiliser les finances publiques.


Depuis l'éclatement de la "bulle spéculative", au début des années 1990, la société japonaise a été déstabilisée : un relatif égalitarisme des chances, un éventail des salaires réduit, un quasi-plein-emploi et une amélioration du niveau de vie par une redistribution des dividendes de la croissance ont fait place à la montée des inégalités, la précarité de l'emploi, un système des retraites en quasi-faillite et un appauvrissement relatif de beaucoup. Autant de phénomènes à l'origine du malaise social qui a été la toile de fond des élections.
Le programme des démocrates est audacieux : en donnant la priorité à la protection sociale, il tend à s'inscrire dans la ligne du "capitalisme démocratique" des pays scandinaves. Mais il lui faut définir une voie japonaise de croissance qui permettrait, en tenant compte de l'héritage socioculturel national, de surmonter l'alternative néolibéralisme/Etat providence : autrement dit, refonder le modèle qui fut à l'origine de l'expansion des années 1960-1980. La rupture avec le passé pour laquelle ont opté les Japonais a un salutaire effet de catharsis. Il reste aux démocrates à être à la hauteur des attentes.

O dia de hoje: o Japão grande potência económica reconheceu que a governavam mal e correu com os neoliberais que comandavam há mais de 50 anos...

...o homem antes de tudo o mais...'


O resultado as eleições japonesas é emblemático e lição a meditar: depois de 54 anos no governo, o Partido Liberal Democrático perdeu, estrondosamente, as eleições... e, no seu lugar, subirá ao poder o Partido Democrático do Japão.

Em suma: os responsáveis pela crise que atingiu todos os países -até os economicamente mais poderosos-, os neoliberais, os neoconservadores, praticantes de um liberalismo selvagem e defensores de um Estado mínimo, foram despedidos.

E o que é o PDJ (Partido Democrático do Japão)? É um partido de centro-esquerda cujo lema, durante campanha eleitoral, se resumiu à frase que a “nova economia" neoliberal, de rabo assente na convicção da “morte da ideologia”, tinha riscado do mapa...,

é um partido cujo lema é a simples e preciosa seguinte frase: “o homem antes de tudo o mais”.

Ora, para a respeitar, o eleitorado japonês não hesitou em correr com os neoliberalistas-canibais, não tremelicou diante da palavra “esquerda” e mandou a direita para onde ela tinha andado a mandar, sistematicamente, o Estado social, o idealismo, a solidariedade e o humanismo: às ortigas.


Atenção! As nossas eleições estão à porta -e o que é que estará primeiro: o homem ou o caçador de dinheiro... dos outros...?

domingo, 30 de agosto de 2009

O primeiro camarada que ficou no caminho...

...em Paris, no Louvre, a pirâmide de vidro de Ieoh Ming Pei, chinês de Cantão naturalizado americano...


O primeiro camarada que ficou no caminho -título de um conto de Manuel da Fonseca, em Aldeia Nova-, ensinou-me certa luz da vida. Pertencia a uma espécie já extinta, a dos românticos dos anos 40/50 do século passado, o XX.

Lia, de Stefan Zweig, Carta de uma desconhecida, vibrava com António Nobre, a quem chamava “o purinho”, não perdia nenhum filme francês, acarinhava as poesias de Mário de Sá-Carneiro, ameaçou os pais que iria alistar-se na Legião Estrangeira, era um boémio incorrigível da noite lisboeta e foi amante involuntário de mulheres que se chegavam ao brilho da sua juventude desprevenida. Apaixonou-se, fatalmente. Lia e relia Cartas que me foram devolvidas, de Botto.

O que terá sido feito das cartas que lhe foram devolvidas? E das poesias que escreveu e se perderam, porque, nómada de quartos alugados, ia deixando tudo atrás de si, bagagem inútil, o mais levava-o dentro de si. Guardo, religiosamente, os voluminhos da Colecção ‘Novela’, que se vendiam a três escudos e cinquenta centavos e Ele lia e, depois, me oferecia...

Um vez, disse-me que Alida Valli, a actriz italiana que Visconti recuperou em Senso, era a mais bonita do mundo (muitos anos depois, cruzei-me com ela já de muita idade, na Piazza Navona, na esplanada do Tre Scalini; Ele, se a visse, voltaria a dizer-me que ela era a mulher mais bonita do mundo, porque, realmente, a beleza se mantinha imaculada em Alida Valli, diáfana, aristocrática..., astral, como Ele gostava de dizer). Outra vez, recomendou-me Marguerite de la Nuit, o filme de Claude Autan-Lara, adaptação da novelinha de Pierre Marc Orlan. Juntos, vimos, no velho Cinema da Guarda, Limelight, de Chaplin. Não calhou partilharmos Le Carrosse d’ Or, de Jean Renoir... A verdade é que ela, Alida, e eles, esses filmes, desenhavam o seu universo: a mulher inatingível, a noite e os vagabundos, o amor impossível, o ritmo fantástico de vidas sempre breves –como foi a sua.

Adorava Paris e trauteava a canção Sous le ciel de Paris, interpretada por Edith Piaf. Conheceu Paris a quinze dias da morte: lá lhe confirmaram uma leucémia galopante, que o vitimou com a idade de Cristo. Sempre o temeu, era um supersticioso ou um visionário. Bernardo Santareno, grande, nosso fraternal amigo, quando me abraçou, disse-me que Ele tinha uma estrela azul na fronte. Tudo isso, há 49 anos.

Hoje, calhou lembrar e procurar Piaff e lembrá-lo a Ele. E lembrar, porque lhe passei ao lado, Georges Brassens cuja expressão do olhar tem muito da humanidade aberta do amigo perdido...
Juntei, aí em baixo, duas canções que desejo dividir. É só abrirem.

(...coisas de um romântico sobrevivente, duplo do último moicano, como me definiu o poeta (astral...) Nathan Zach, em Telavive... )


http://www.youtube.com/watch?v=uOXzGtlLGgw

http://www.youtube.com/watch?v=YQd0YPfQcNw

O surrealismo no futebol português?... ou pobrezinhos mas... mas o quê?... honestos?...

... Óscar Cardoso o Cristiano Ronaldo da 2ª circular...




... Angulo: quem não tem cão caça com gato...

O Benfica valorizou Cardoso em 60 milhões de euros... depois de ter gasto 25, 8 milhões de euros em aquisições (noticia A Bola)...


Bem..., pelo menos, ultrapassa os preços que o Porto pede pelos seus atletas e quase iguala o Manchester United... E faz movimentar dinheiro... em tempo de crise, reage virilmente: investe!... e não sei mesmo se não foi mais corajoso do que o Porto!...


O Sporting cujo treinador Bento já avisou que o clube está nas lonas (por isso é que o Sporting não ganha a Champions nem ganha o nosso mais modesto campionato ou a tacinha de Portugal, etc., não é porque lhe falte a ele, Bento, génio mourinhesco ou, porventura, génio até mais que extraordinário do que o mourinhesco, génio bentesco, pois então!...) limitou-se a contratar, a custo zero, Miguel Angél Angulo, que o Valência mandou para casa...


Vamos a ver se o Zé Povinho vai poder investir nos bilhetes...

Sabe muito bem transcrever esta notícia que ilustra a luta entre o futuro e o passado...

...viver é deitar fora os trastes velhos e andar em frente...




Sócrates garante que a lei das uniões de facto será aprovada
por Alexandra Marques

"José Sócrates elegeu as "leis progressistas" aprovadas pelo PS desde 2005 como exemplo da visão de "modernidade e de futuro" contra "a visão passadista"da líder do PSD. E prometeu aprovar a lei das uniões de facto.
O secretário-geral do PS passou em revista, no encerramento da Festa de Verão da JS, em Torres Vedras, todos os diplomas de costumes, mais controversos, alguns dos quais vetados pelo presidente da República, Cavaco Silva. A Lei de Procriação Medicamente Assistida, "para nunca mais estarmos nas mãos dos preconceitos ideológicos e retrógados" e os casais não terem de sofrer com a infertilidade, referiu. Mas também a Lei da Paridade e "uma nova lei do divórcio", à qual se opôs Cavaco Silva. Foi apresentada, justificou, "para terminarmos com o espectáculo degradante, de dor e sofrimento, e da exibição dessa dor e sofrimento de tantos casais nos tribunais", sublinhando por que "o divórcio litigioso não tinha e não tem razão de ser".
E deixou um recado a Cavaco Silva, que esta semana devolveu ao Parlamento a lei das uniões de facto, não a promulgando, por não ser oportuna a tão pouco tempo das eleições. "Não foi possível aprová-la nesta legislatura, mas aprová-la-emos na próxima", garantiu.
Minutos antes, uma imensa vaia tinha ecoado no recinto quando o presidente da JS, Duarte Cordeiro, referiu a congratulação da líder do PSD com o veto de Cavaco à lei das uniões de facto, dizendo ainda que "quem votar no BE ou no PCP está a votar em Manuela Ferreira Leite".


Andar para a frente


Numa alocução - mais breve do que é habitual -, Sócrates demonstrou uma atitude destemida, assumindo um ataque aberto às convicções da presidente social-democrata: "Aqui ninguém acredita que o casamento deve servir apenas para a procriação ou que uma lei do divórcio deve dificultá-lo. Aqui acredita-se na tolerância e na abertura". "Aqui ninguém diria que as obras públicas são para dar emprego a cabo-verdianos", rematou.
Se havia dúvidas do propósito que move o secretário-geral socialista, ele próprio o anunciou: "Estamos aqui para lutar contra uma visão passadista". "Neste arranque da caminhada, o que nos une é a confiança em nós próprios, no país e nos portugueses. É a atitude de quem quer andar para frente", resumiu.
in Jornal de Notícias, 30/08/09


Nota- Sabe de facto bem verificar que há uma alternativa aos espíritos tacanhos e mumificados que tentam, por todas as formas, opor-se à evidência e ao arejamento de um país que ainda sofre as consequências de quase 50 anos de salazarismo, a ditadura mais "estreitinha" e mais ferozmente inimiga da Cultura que por cá aconteceu...




O dia de hoje: aí está a Feira Franca no Sabugal grande vitória do Interior esquecido quando os portugueses devem lembrar-se da sua identidade...

...Sabugal uma chama que nunca se apagará...


Emigrante à força, o português fica para sempre ligado ao sítio onde nasceu. “Ó vida da minha vida,/ Minha vida, e eu aqui!/ Os anjos do céu me levem/ Para a terra onde nasci”; e logo: “Daqui para a minha terra/ Tudo é caminho chão:/ Tudo são cravos e rosas/ Dispostos por minha mão” (transcrito por Afonso Duarte, em “Um Esquema do Cancioneiro Popular Português”, obra preciosa, que nem o Ministério da Cultura, nem o Instituto Camões, nem a Gulbenkian, se dão ao trabalho de reeditar; já aqui o sublinhei mas nunca é demais insistir...).

Hoje, no Sabugal, raia beirã, há Feira Franca! Vendem-se enchidos, queijos, velharias e antiguidades, antigos instrumentos do trabalho dos campos. Oferece-se alegria, tão rara no Portugal cabisbaixo! A festa acontece à sombra da Torre de Menagem dum Castelo, que brilha com “a nitidez de uma iluminura de cancioneiro ou livro de horas”, diz o Guia de Portugal.

É um grito de amor à terra e protesto do Interior abandonado. Quem luta pelo que não quer ver abastardado e atraiçoado? Esta Feira tem atrás o amor e a coragem de Natália Bispo, da “Casa do Castelo”, e de Joaquim Tomé, de “O Bardo”. Natália recuperou um edifício em ruínas, seguindo a traça original e trazendo à luz uma bela ara romana e vestígios da cultura judaica; defende a culinária local em singelo restaurante; impõe artesanato e literatura. Joaquim criou um Cyber Café e ligou o nobre Sabugal ao Universo, abriu uma galeria de arte, promoveu exposições de pintura, escultura e concertos musicais.

E, bem a propósito, um entusiástico aceno ao “tremendo” livro de Manuel Leal Freire, sabugalense de Bismula, “Trovas de Escárnio em Vernáculo” (Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto). Se não falhar a Feira Franca, encontra-o; mas pode procurá-lo por aí: o homem e o livro. E como diverte lê-lo e relê-lo! Afasta as nossas justificadas tristezas neste tempo cinzento, em que é urgente reinventar a esperança.
p.s. é com muita satisfação que venho corrigir o dito no meu post de ontem: a Câmara Municipal do Sabugal suportou as despesas dos cartazes da Feira Franca.

sábado, 29 de agosto de 2009

O programa do PSD e os espinhos da democracia para os que não a estimam por aí além...

...isso de democracias repúblicas e etc. é o cabo dos trabalhos... para certa gente...


Pensar alto
por Joana Amaral Dias


Política do suspensório, Ferreira Leite aparenta desprezo pela propaganda, mas criou um inédito suspense em torno do seu programa eleitoral. Enfim, uma estratégia mediática arriscada já que, depois de tanta espera, se o programa não fosse arrojado e original, a demora acentuaria o vazio. E foi isso que aconteceu. A única inovação foi mesmo a delonga. O programa do PSD tardou. E falhou.
Depois, trata-se dum programa irrealista, vago. Até confuso. E, no essencial, igual ao do PS. O PSD não responde à crise, não define prioridades. Acenou com o papão da despesa mas só avança medidas que implicam gastos. Propõe menos Estado mas não diz como. Novo modelo económico, políticas sociais alternativas, medidas de combate à corrupção, nem vê-las.
Como é que se distinguem os programas do PSD e do PS? Em algumas propostas avulsas e, sobretudo, em novos adiamentos, recurso no qual Ferreira Leite se especializou. Aeroporto, TGV, modelo de avaliação dos professores são para protelar. É assim que o PSD pretende governar: debater o menos possível, adiar ao máximo o seu programa, resolver políticas polémicas varrendo--as para debaixo do tapete. Pois é. Agora percebe-se melhor do que falava Ferreira Leite quando elogiava a suspensão da democracia




in Correio da Manhã, 29/08/09

E para que viva este Sábado como realmente ele é um Sábado um instante irrepetível...

...Ella Fitzgerald a primeira dama do jazz...


... para que isso aconteça, deixo-vos aqui, ao modo que sei, a voz de um génio da canção e do jazz, capaz de encher cada instante de alegria: a voz de Ella Fitzgerald...




O dia de hoje: Portugal não é só peixeirada e amoralidade porque a sua alma não quebra e não desiste ora vejam...

vista do Sabugal com o seu nobre e elegante castelo ao fundo


Amanhã é Domingo e a todos os que puderem aconselho um destino, na raia beirã: o Sabugal.

Amanhã, no Sabugal, há Feira Franca! Música, artesanato, comida, livros, conversas, encontros, vinho e alegria!

Tudo isso graças a Natália Bispo e Joaquim Tomé, respectivamente, proprietários de duas jóias de bom gosto: “A Casa do Castelo” e “O Bardo”.

Será um dia-grito: o Interior, abandonado e em risco de perder o que lhe resta de seu, reafirma a própria identidade, a força, a sensibilidade e a humanidade inimitáveis.

p.s. não me consta que a Câmara Municipal participe do acontecimento. E esta?...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Se quiser ouvir música que lhe entre na alma abra o blog 'nada.niente' aliás na minha lista

Alfred Schnittke

O Zé Povinho sempre atento e de forma nenhuma criança crescida ou tolinho reage às intenções do PSD reveladas em manchete do 'Público'





Manchete do jornal 'Público':


PSD quer pôr fim ao "dirigismo asfixiante" do Estado




Nota-A reacção do Zé Povinho compreende-se: o Estado somos nós e nós é que escolhemos e vigiamos os governantes, não queremos ser levados por quem quer cavalgar à redea solta...

O dia de hoje: Paulo Rangel raras vezes duvida e não hesita tem a certeza dos iluminados...

...a amoralidade é o segredo do negócio!...


Para Rangel -a revelação política mais recente e brilhante do PSD, o partido pseudosocialdemocrático-, a política é como vender a banha da cobra na feira dos 30, ou... como o jogo das três cartas: um negócio sem espinhas.

A ‘espinha’ seria preocupar-se a gente com a moral!

Ora, para o iluminado Rangel, entre a moral e a política não há nenhum parentesco ou semelhança.

A política pode ser perfeitamente uma grandessíssima cabra... que isso não a desdoura; o que importa é chegar lá!

Onde? Chegar, por exemplo, o candidato a governante ao convencimento do eleitoral hipnotizado, tal qual consegue, graças aos dotes físicos e intelectuais, Paulo Rangel...

melhor ainda: chegar, na prática, o político (a palavra é puro eufemismo) ao bolso dos contribuintes...

Paulo Rangel é... the special one!!!!




Ora aqui está a prova provada de que Manuela Ferreira Leite tem boa memória e não esqueceu o desastre político que é...

...Manuela Ferreira Leite não tem ilusões sobre si própria...




Tempo de autocrítica


por Manuel A. Pina

É impossível não ver no programa eleitoral do PSD ontem apresentado, e no anúncio pela dra. Ferreira Leite de políticas de firme combate a medidas da dra. Ferreira Leite, a mão maoista (ou o que resta dela) de Pacheco Pereira, a da autocrítica.
Assim, se a chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001; a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19% ; promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003; consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004; e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros. No dia anterior, o delfim Paulo Rangel já tinha preparado os portugueses para o que aí vinha: "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política".




in Jornal de Notícias, 28/08/09

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

...e ajude-se quem é desgraçado a esquecer a miséria!...

Erlich, in El Pais, 27/08/09

O dia de hoje: e o que vai ficar disso tudo?

...depois do terramoto ou continuando a viver no terramoto da miséria?...


O tempo passa, o relógio marca as horas, as coisas mudam... E o que é que vai mudar, depois deste terramoto financeiro, resultado da especulação e do roubo, que deitou milhares de milhões de pessoas para o desemprego e para a miséria?

As grandes empresa fundem-se e despedem os trabalhadores de não precisam; as médias e pequenas empresas recompõem-se, à maneira das grandes, ou desaparecem; a taxa de desemprego estabiliza; as bolsas reequilibram-se.

E à custa do quê?

devemos saber: à custas dos milhares de milhões de pessoas que irão ficar ou continuar sem trabalho e que o neoliberalismo arruma a um canto, e ficam a assistir à recuperação dos que já não precisam delas e a dar voltas à cabeça para arranjarem comida.

O que é que vai acabar: a crise em que milhares de milhões vivem ou o desequilíbrio do grande capital?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

o pseudosilêncio de um partido pseudosocialdemocrata... ou mais vale calado do que a dizer mentiras...

...macacões silenciosos...

Dizem, por aí, que o PSD escolheu o silêncio. Ficou mudo. Nem quer ver. Nem ouvir. Até dizem que não precisa de muito latim para limpar as próximas eleições. Saberá latim? Saberá governar?


Que não sabe nem nunca soube governar, sabemos nós, aqueles que se lembram do desastre cavaquista, dos disparates da ex-ministra das finanças (as nossas, meu Deus!, as nossas!) Manuela Ferreira Leite e da irresponsabilidades de muitos outros vendedores da banha da cobra. Mais vale não falarem e se não falam é porque nada têm a dizer.
Ou então repetem o blablabla que deixou, sempre, o povo à rasca!

O dia de hoje: o nosso povo e o amor ou os livros que se escondem...

...Cupido e Vénus bem carnais e com a espiritualidade do que é absoluto...

Carolina Michaëlis notou que o amor de origem divina ‘é mais insistente no nosso lirismo que em nenhum outro’. Afonso Duarte quem me ensina, no precioso, esgotado e abandonado “Um Esquema do Cancioneiro Popular Português”, editado pela ‘Seara Nova’, em 1944.

E logo cita esta quadra, cantada pelo nosso povo:

-Ai Jesus, valha-me o céu!
Não sei que céu há-de ser?
Há-de ser o céu do amor
Que outro não pode haver.

O sentimento é de tal maneira forte, o desafio à lei da vida e aos desígnios de Deus, tão decidido, que se canta, também:

O meu coração do teu
É mui ruim de apartar!
É como a alma do corpo
Quando Deus a quer levar.

E como isso do amor, o encontro de duas almas, bem-no dizia Montaigne!, é coisa que demora séculos a preparar-se:

-No ventre da tua mãe
Já meu coração te amava.

E, realmente, duas almas se juntam:

Chamaste-me tua vida
Eu tua alma quero ser:
A vida acaba co’a morte
A alma não pode morrer.

Ou, ainda:

Hei-de amar-te até à morte,
Até depois de morrer;
Inda debaixo da terra,
Meu amor, podendo ser.

E a verdade é que, depois da morte, pode voltar o fantasma do (a) amado (a):

Já morri, já me enterrei,
Agora já estou aqui:
Nem a terra me comia
Sem me despedir de ti.

E a angústia do amado ou amada, ‘perdidos’ por causa do seu amor?

Por amor perdi a Deus!
Por teu amor me perdi:
Agora vejo-me só
Sem Deus, sem amor, sem ti.

Nunca mais iria acabar... O livro é repositório da sensibilidade e da identidade portuguesas; da alma portuguesa, presente nos cancioneiros, consagrada em Camões e em Camilo... O amor absoluto, o amor pagão, à maneira das antigas romarias... o universo que se torna na coisa amada...

Subi ao céu e sentei-me
Duma estrela fiz encosto
Dei um beijo numa estrela
Cuidando que era em teu rosto.

E o mar? Nosso destino e nossa morte? Teria conhecido Fernando Pessoa estes versos recolhidos em Beduino, Estarreja?

Ó ondas do mar salgado
Donde vos vem tanto sal?
Vem das lágrimas choradas
Nas praias de Portugal.

E uma pergunta, que repito, há muito: para que servem o Ministério da Cultura, o Instituto Camões, a Imprensa Nacional, a Fundação Gulbenkian –se tantas obras como esta, pedaços de nós próprios, apodrecem, esquecidas, em bibliotecas ou em alfarrabistas, sujeitas ao bicho, e ninguém as reedita?!
ps. as quadras que não identifico não as identificou Afonso Duarte...


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Uma notícia mais que triste tristíssima acerca da casa de Amedeo Modigliani em Livorno...

Amedeo Modigliani: Jeanne Hebuterne


...As desavenças familiares fazem sempre razias... e, não por acaso, André Gide escreveu que detestava as famílias...

Não, desta vez não foi uma questão de partilhas... Mas foi, com certeza, um problema de invejas, ressentimentos... pequenos ódios, cevados sabe-se lá desde quando e durante sabe-se lá quanto tempo!

Os irmãos Giorgio e Guido Guastalia dirigiam a Casa-Museu e Centro de Estudos Amadeo Modigliani -casa natal do grande pintor impressionista- em Livorno. E quem era o proprietário? Nem o estado italiano nem o município de Livorno: uma sociedade detinha 50% dos direitos e Giogio 50% desses 50%; Guido, 50% da totalidade do valor.

Ora Guido amuou e mandou fechar as portas –que se fecharam.

Obviamente, isto irá para tribunal, mas não deixa de ser uma notícia triste. E mais uma contratempo no além da morte de Modligiani, pintor desgraçado.

Maneira irónica de olhar o Sol para a Terra condenada a fogos postos para recuperar a construção civil...

..."é natural que te deprimas com tanto incêndio. Se me dói a mim como não há-de doer-te a ti!"

Ramón, in El Pais, 25/08/09

Uma história muito mais do que bonita lindíssima que nos enche o coração em tempo de seca eleitoral...



...puríssimo cães vira lata abandonados ao destino...




Animais abandonados: 60 cães vivem num asilo criado por empresária de Famalicão

'Há dois anos que uma empresária acolhe, no Parque da Terra Nova, cães doentes, abandonados e maltratados e dá-lhes comida, medicamentos e liberdade. "Na prática, a minha casa é uma espécie de lar para cães doentes e abandonados", referiu Paula Ferreira, a criadora do Parque da Terra Nova, em Riba de Ave, Famalicão.
Empresária têxtil durante um quarto de século, Paula Ferreira começou a adoptar cães há cerca de dois anos. Primeiro tomou conta de cães que amigos encontravam abandonados. Depois alguns veterinários começaram a pedir-lhe receber cães com doenças graves ou abandonados pelos donos nos consultórios. "Actualmente tenho 60 cães e tenho a noção de que não posso aceitar mais nenhum. Implica um auto-controle muito grande", frisou a responsável pela quinta. Das seis dezenas, contam-se pelos dedos de uma mão os que não têm problemas de saúde. "Tenho vítimas de acidentes de viação, de acidentes de caça, de maus-tratos, tenho cães mancos, cegos, com AVCs e até um cão que foi abusado sexualmente", relatou.Nomes para todos Todos os cães têm nome e, tanto Paula Ferreira, como a prima Alexandra Oliveira, também responsável pelo projecto, sabem a história de vida de cada animal. No blogue Parque da Terra Nova (
http://parquedaterranova.com/), são contadas as histórias de vida de cada um dos cães e são pedidos "padrinhos e madrinhas" para os animais. Em 2010 deverá ser publicado o livro "Alma de Cão", com o relato das vidas atribuladas de cada animal. Para alimentar 60 cães, só em ração, carne e arroz, são gastos 350 euros por semana que saem do orçamento familiar da dona da quinta e das ajudas financeiras e em géneros que vão chegando a Riba de Ave. Todas as noites, Paula Ferreira com a ajuda da família e de um empregado, prepara três panelas de comida. "Os cães estão divididos por grupos e cada grupo tem a sua hora de comer, de andar à solta pela quinta e de recolher", disse. A ordem é mantida para criar rotinas e, sobretudo, por uma questão de organização do trabalho de alimentar, brincar e passear com 60 cães. Episódios de violênciaDe todas as histórias, algumas sobressaem pela violência. Em 2004, chegou ao parque um doberman com as patas arqueadas e definhadas. "Era um cão reprodutor que um criador manteve numa jaula pequena durante muitos anos e o animal não se podia esticar. Ficou com as patas tortas para toda a vida", revelou Paula Ferreira. No mesmo ano, o parque acolheu Julieta, uma cadela que estava no canil do Porto para ser abatida. "Disseram-nos que tinha mordido a um agente da PSP, que era muito perigosa e até tivemos que assinar um termo de responsabilidade para a trazer", recorda, enquanto afaga a cadela, "uma das mais dóceis da quinta". A Preta Grande (na quinta, há mais duas cadelas com o nome Preta), cruzada de pit-bull, é um exemplo de dedicação. "O dono era um toxicodependente que morreu com sida. Enquanto esteve no hospital, os amigos levavam-lhe fotografias da cadela e parecia ser o único estímulo a que o doente reagia", recorda a dona do asilo de cães. Do Parque da Terra Nova nenhum animal é vendido. "Já demos alguns cães para adopção mas seleccionamos muito bem as famílias onde vivem porque não fazemos negócio com a vida dos cães", garante Paula Ferreira.'



com a devida vénia, Público, 25/08/09

O dia de hoje: o cómico (trágico? covarde? ridículo? perverso?) medo da esquerda e de ser de esquerda ou os tremeliques de patrões e seus criados...

...quem tem medo do socialismo a sério?...


A expressão “radical de esquerda” é um dos lemas de certos políticos e de certos opiniadores, em tempo eleitoral. Mas já vem de antes... Agitam um fantasma, sem explicarem de que se trata –e não passa do terror que sentem, ao falar-se de socialismo: de política social...

Para eles, a esquerda radical será (e não o dizem claramente por que se envergonham...): querer uma sociedade em que as oportunidades sejam iguais para todos; recusar a acumulação do capital e os privilégios das minorias; querer um Estado suficientemente forte e capaz de garantir a segurança social e defenda a prática do direito ao ensino, ao trabalho e à liberdade de associação e expressão; querer um Estado que não se financie através de impostos que penalizam os mais pobres e permitem a acumulação do capital, as especulações e as corrupções dos mais ricos; querer um Estado que nacionalize o que deve ser nacionalizado... ou o não privatize: saúde, ensino, hospitais, transportes,..., por exemplo... e que aperfeiçoe o que, nesses campos, corre torto...

Evidentemente, os patrões entram em pânico e os seus (deles) empregados também... porque temem pelos empregos.

E toca de recomendar o patrão e de executar o empregado, todoas à uma acusam: isso não é sequer socialismo!, isso não é sequer social-democracia –isso é uma assalto, um crime, um atentado à nossa (deles, claro) liberdade: é a esquerda radical!

Contra que liberdade se levantam os tais ‘criminosos’, os tais Robespierres, os tais Dantons... os tais corta-cabeças... os tais ‘radicais’? Amigo, acho que se levantam contra quem contesta o seu (deles, claro) direito a roubarem o próximo –isso incomoda-os e incomoda os seus (deles, claro) peões de brega. Tremelicam. Espumam.

Não falam de socialismo... têm medo e vergonha de que os menos ignorantes, mais informados e fartos de ser espoliados os apodem do que, na realidade, são: radicais de direita, neo-liberais que defendem o mercado selvagem e a escravização do próximo, paladinos (ou Zés do Telhado?) de uma sociedade canibalista... E a verdade é que alguns dos seus (deles, claro) criados se fazem passar por socialistas... e esses têm ainda mais medo... o medo de se verem desmascarados.. Têm todos vergonha de negar ou renegar os princípios elementares da sociedade democrática e da política social, de toda a sociedade justa –princípios enunciados, acima, sucintíssimamente...

Com esse discurso insistente, constante, em televisões, jornais e intervenções deste e daquele líder, conseguirão eles fazer esquecer o tremendo desastre dos 10 anos (dez anos catastróficos de governo de Cavaco e mais o seu regresso ao palco político e à presidência, parece impossível mas não é...), conseguirão fazer que o português ignore o atraso de vida dos governos de Cavaco e as agressões aos direitos elementares dos cidadãos, perpetradas por Manuel Ferreira Leite, especialmente, quando ministra de Estado e das Finanças do XIV governo (2002-2004)?

Dizem que o português tem a memória curta? Talvez não. As dores que sente no corpo e no bolso e a miséria crescente que lhe sufoca a família, talvez o chamem à realidade.


domingo, 23 de agosto de 2009

E AGORA AS INGLESINHAS OU A IGNORÂNCIA ESTIMULADA

...engatar uma bifa...


É conhecida a frase de Eça de Queirós: “Portugal é um país traduzido do francês em vernáculo”. Alías, trocaria “vernáculo” por “calão”. Ele lá sabia...


Quando Eça escreveu o artigo, nunca publicado em vida, “O Francesismo”, era o século XIX e tudo muito diferente. No entanto, esse “francesismo”, com raízes antiquíssimas, que nos marcaram, por cá brilhou no século passado: o XX, que foi ontem. A nossa referência cultural, a nossa simpatia, a nossa agitação –chamava-se França. Liam-se escritores e jornais franceses, seguia-se, atentamente, a política de Paris e vibrava-se com ela. A verdade é que não podíamos vibrar com outra: o salazarismo fechara a torneira do pensamento e da opinião, sobretudo, no que dissesse respeito à terrinha. Salazar confessou que não sabia governar sem censura. E que censura! A do medo. A que levava escritores e jornalistas a autocensurarem-se: em certas coisas nem valia a pena pensar... Nós corríamos às livrarias do “clandestino”, às que vendiam por baixo da mesa os ‘frutos proibidos’, porque mesmo as coisas de França eram censuradas... Mas, ao menos essa, a Cultura francesa acabava por nos ajudar a não perder o indispensável hábito de treinar, de praticar as ideias. Hoje, o ensino do francês é matéria defunta –e é um crime, que, em grande parte, em grandíssima parte (atendendo à confusão lançada no ensino e à orientação que tentou dar-lhe) se deve à macabra firma “Lurdes & Lemos & Pedreira, Sociedade de Irresponsabilidade ilimitada’, cujos disparates o PS vai pagar, infelizmente, com língua de palmo. E esse desinteresse, esse pôr de parte o francês, a Cultura francesa, atingiu-nos na raiz.

Substituíram-lhe o ensino do inglês. Pergunto (e aconselho-te a averiguar, amigo): a juventude lê os clássicos ingleses? Segue os escritores modernos ingleses? Interessa-se pela realidade social inglesa? Não; a juventude aprende o “ingloide”, que lhe permite surfar na internet, escrever minutas comerciais... engatar uma bifa... E mais não lhe é exigido. Por ironia, o “Guardian”, londrino, em parangonas de primeira página, apontava uma geração perdida. Lá como cá? Não consola: aflige. O neoliberalismo criou a geração utilitária –aproveitável pela máquina do capital. E, em pleno século XXI, o progresso é retrocesso.


A desumanização progressiva do trabalho e a injustiça de fazer do homem uma peça de máquina...

... Antero um homem de espinha direita...
Antero de Quental foi um homem que se deu, totalmente, ao seu ideal, que era o desejo de uma sociedade justa. Lutou por ele. Prezou a coerência. O grande poeta trabalhou como tipógrafo, em Lisboa e em Paris. E é da capital de França que escreve a um amigo:

Este trabalho é triste como todo o trabalho moderno, forçado, partido e dividido, desnatural e injusto.’

Estava-se no ano de 1866 e o liberalismo navegava de vento em popa. Mais de um século passado, o trabalho mais e mais se tornou um pesadelo: trabalhador e o operário são escravos desrespeitados, humilhados, ofendidos –feridos na sua dignidade de homens.

Deixaram de ser homens: são, hoje, peças da monstruosa máquina neoliberalista. São produtos sociais, condenados a produzir outros produtos – que asseguram a riqueza de quem neles manda.
p.s. o termo 'produto' é dos mais miseráveis que o neoliberalismo inventou e usa, quando tenta eliminar a alma... o sonho.. o direito... a justiça...

Woody Allen o homem de talentos inesgotáveis filma em Londres... o 'El Pais' o jornal de qualidade insuperável dá uma ajuda...




En los dominios londinenses de Woody
por Freida Pinto

Woody Allen adora Londres porque es gris y lluvioso. De ahí que el solazo que caía en Notting Hill el pasado miércoles le pusiera de morros. "Es el tipo de día que odio. En mi vida y en el cine", gruñía en el rodaje de su nuevo largometraje, aún sin título.
Woody Allen adora Londres porque es gris y lluvioso. De ahí que el solazo que caía en Notting Hill el pasado miércoles le pusiera de morros. "Es el tipo de día que odio. En mi vida y en el cine", gruñía en el rodaje de su nuevo largometraje, aún sin título. Su desazón estaba provocada también porque filmaba una secuencia en la que Josh Brolin (No es país para viejos) y Freida Pinto (Slumdog millionaire) se encuentran en un café modernito, el Beach Blanket Babylon. "Todos sabemos que si la secuencia chico conoce a chica es lluviosa, hay lío. Pero si hay sol, el resultado es platónico", afirmaba el experto de 73 años. Una máquina de lluvia artificial intentaba apaciguar al director jarreando frente a los ventanales del local mientras sorprendía a los viandantes, que ni se habían dado cuenta del rodaje. Al neoyorquino le gustan los equipos reducidos, casi invisibles. Tampoco se hubieran percatado de la presencia de Allen si no fuera porque, a pesar de los 30 grados que hacía en la calle, organizaba el rodaje vestido a su estilo: pantalones caquis, calcetines de lana, camiseta blanca bajo la camisa de manga larga y el omnipresente gorro de tela de gabardina. "Fue igual en Barcelona, donde siempre hace sol", decía aceptando su destino.Le queda ya poco rodaje de su nuevo filme, porque estamos en la jornada 28 de un plan de 35 días. Como es habitual, prefiere no dar detalles, y no tendrá título hasta el montaje. "Es una comedia dramática sobre vidas maritales, amorosas, profesionales...", dice lacónico. "Como Vicky Cristina Barcelona, donde tienes una historia seria con la que te ríes", advierte.
Azorado, aclara que, "como ciudadano", le interesan temas como "la integración racial, la legalización del aborto o los condicionamientos sociales". Pero, como cineasta... "Ya sabes, lo de siempre, la edad, la muerte, la religión". En esta ocasión la motivación procedió de Pinto. "La película es una excusa para rodar con Freida", confiesa como niño pillado en falta. Una excusa en la que también participan Brolin, Anthony Hopkins, Naomi Watts, Antonio Banderas... "Me he llevado con él de miedo, aunque llevaba un poco de susto en el cuerpo", reconoce el español tras rodar con Allen durante 10 días. Interpreta al dueño de una galería de arte "poderoso, encantador y muy guapo, con ese aire internacional suyo", describe Allen. La frase vale tanto para el actor como para el personaje.
Sin embargo, en Londres hay huellas claras que refutan la leyenda de que Allen no dirige a sus actores. "Lo que ocurre es que es de una sutilidad increíble", comenta Banderas. El director, que rara vez se sienta detrás del monitor, se pasea por entre las mesas como un curioso en su propio rodaje, acercándose a Brolin o a Pinto entre tomas para decirles algo al oído. "¡Cómo voy a cambiar las palabras de Woody Allen! Pero es lo que te pide", dice Pinto un poco cohibida. Brolin, que trabajó con Allen en Melinda y Melinda, es ya un experto. "Te dice que hagas lo que quieras y, cuando lo has hecho, vuelve con eso de haz lo que quieras pero no lo hagas así", dice con indignación fingida.
El último plano ha hecho sudar a Brolin. Recurre a un ventilador de mano entre tomas mientras repite la secuencia una y otra vez. Adiós a otro mito, el de que Allen es de los que en la primera toma tiene lo que quiere. "Sigue siendo un número muy pequeño comparado con otros. Sin embargo, hoy tenemos el problema de la lluvia", se resigna con ironía ante el sol.
El director de fotografía Vilmos Zsigmond hace lo que puede para salvar el día. Se le ve agobiado. Tanto, que una pareja de turistas de Vigo que pasa cerca le toma por el director. Vienen de curiosear la librería que se hizo famosa con el filme Notting Hill y se han encontrado con esto. Después de un rato, siguen su camino. "Los rodajes no son tan placenteros. Uno se levanta temprano y se pasa el día esperando a que Vilmos ponga las luces durante dos o tres horas; y a mí me da 30 segundos para hacer la secuencia antes de pasar a la siguiente", se queja Allen.
Al menos, mientras tuvo a Banderas por aquí, el neoyorquino aprovechó para charlar con el español de música (John Pizzarelli) y de teatro (Adulterios). Donde más disfruta este vampiro es en la sala de montaje, en un clima controlado a salvo del sol. "El próximo domingo ya estaré de vuelta en Nueva York", anticipa con ilusión. Allí también encontrará el título, algo que nunca decide hasta saber qué película le ha salido. "Si no es muy buena, le doy un título nada llamativo ni prometedor. Así evito los desengaños. Pero si es buena le pongo un nombre agresivo, seguro, y espero lo mejor", dice malicioso. No, no da ejemplos pero pone cara de esperar lo mejor.



in El Pais, 23/08/09

O dia de hoje: é falta de vergonha acusar quem não tem trabalho de não gostar de trabalhar!

...à procura de emprego: são centenas e centenas de milhares!...

Um lugar-comum indecente, as mais das vezes, usado por quem tem a barriga cheia e não apenas por ignorantes: ‘o português não gosta de trabalhar’. Só há uma resposta: dêem-lhe trabalho. Porque é isso que falta: postos de trabalho. O desemprego galopante prova-o. E também a emigração, mais do que galopante: galopantíssima, e sempre mais qualificada.

Se o português não gosta de trabalhar, o que foram fazer, nestes últimos dez anos, mais de 2 milhões de portugueses, que andam espalhados pelo mundo, à caça, precisamente, de trabalho, casa, comida e de uma vida digna?

Às estatísticas de desemprego, deveria juntar-se esse número arrepiante -mais de 2 milhões de homens e mulheres, saídos de um país que, muito provavelmente, probabilíssimamente já não contará 10 milhões!-: eles são também desempregados portugueses que foram procurar trabalho alhures.

Que o português que ainda por cá anda não respeite os empregadores, é mais que natural: roubam-nos nos pagamentos e roubam, aliás, o Estado (que vem a ser roubarem todos os cidadãos que constituem o Estado), empregando imigrantes, clandestinamente, isto é: não os declarando à segurança social.

Depois..., é o que se sabe: a vida não é igual para todos: impostos, taxas, etc., dependem... a maioria apanha com eles, a minoria enche a burra, sem dar satisfações a ninguém.

A corrupção é prato do dia. A imunidade dos ladrões é a flor dos privilegiados.

Diante de tanta desvergonha, de tanta ofensa, de tanta falta de pudor, de tanta imoralidade, apetece dizer: não responsabilizem, irresponsavelmente, o povo, seus calões! ‘O português não gosta de trabalhar...’ Francamente! Respeitem o povo, protejam os que precisam, limpem o país dos verdadeiros parasitas: os que nada fazem, além de chupar os que não têm quem os defenda. Pratiquem uma verdadeira política social: igualdade de oportunidades, ensino gratuito, assistência médica competente, um regime fiscal que não penalize quem já não aguenta com uma vaca pelo rabo. Uma política socialista.

Há, com certeza, quem saiba seguir esse caminho –basta saber escolher no dia 27 de Setembro.



sábado, 22 de agosto de 2009

As escolhas felizes

...as escolhas dizem muito de quem escolhe e Turner é estimado por Bicho do Mato...


Fui ao blog Bicho de Mato por aí -e encontrei belíssimas escolhas. Essa alegria quero partilhá-la com todos vocês amigos... Façam o mesmo: vão até lá.

Aliás, basta procurá-lo na lista que publico neste blog...

Quem será que teve a pachorra de visitar este blog e vive numa cidade tão bonita????

... vista de Lowestoft, Inglaterra...


Atiramos o que escrevemos, já sabemos, uma garrafa ao mar... e fica a curiosidade: quem nos leu?


Fui espreitar Lowestoff... tão bonito! quem saberá português? quem teve a paciência de ler este blog???
Tantas vezes nos apetece perguntar o mesmo...

Um artigo excelente sobre as relações entre a democracia e a fome ou onde começa a hipocrisia?...

... uma família em Kabul...

Democracia es comer como nosotros
por Ramón Lobo

Winston Churchill dijo que EE UU y Reino Unido eran dos países separados por un mismo idioma. Sucede también con los padres y los hijos; los hombres y las mujeres. Desde las palabras se pueden crear malos entendidos que después generan enfrentamientos, divorcios, fracasos políticos y guerras. En Afganistán, por ejemplo, Occidente llama democracia, y la celebra como un éxito, a una votación en la que la principal irregularidad es la pobreza que padecen sus habitantes, gentes valerosas que por el hecho de acudir el jueves a un colegio electoral se han jugado una porción de su vida, porque el resto de la vida se la juegan a diario.
Estas elecciones en un país en el que el 50% de los varones y el 85% de las mujeres son analfabetos no se pueden llamar libres ni justas porque la libertad nace del conocimiento y la capacidad de elección. Para disponer de una democracia como la nuestra hay que comer como nosotros. O desplazar levemente la muñeca de la mano derecha o izquierda por las mañanas -o por las noches, que sobre gustos no hay nada escrito, dicen- y que salga de la ducha un largo, agradable y cálido chorro de agua potable y no tener que caminar horas por caminos polvorientos y peligrosos en busca de un líquido insalubre, como sucede en muchas aldeas afganas y en casi toda África.
Cuando todo gira en torno a la pobreza, al acto agotador de sobrevivir a cada segundo de la existencia, no hay tiempo para la educación, la cultura y el ocio. Democracia no es todo lo que sale por nuestras televisiones.
Da la impresión de que el proceso electoral afgano está dirigido más a calmar las opiniones públicas occidentales que podrían empezar a preguntar por el uso dado en este país al dinero de sus impuestos: 64.000 millones de dólares en ocho años de los que un 14% ha llegado a los verdaderos afganos, y por los soldados muertos: 1.300 desde 2001. El precio es altísimo y los errores numerosos, como en Irak. Se blande cuando conviene la corrupción para señalar al Gobierno corrupto de Hamid Karzai, pero se olvida la larga lista de empresas y contratistas occidentales que están haciendo su agosto en cada guerra por la libertad que se libra en el mundo. ¿Para cuándo una investigación sobre los nuevos Halliburton?
Churchill y las palabras que separan y generan conflictos y ocultan la realidad. No somos los únicos con problemas en el lenguaje. Los afganos, por ejemplo, han tardado muchos años en comprender que a los que se llamaban reverencialmente señores de la guerra, como si fuera un título nobiliario, no son más que unos vulgares criminales y narcotraficantes que deberían estar presos en La Haya. En lugar de la cárcel es muy posible que acaben de nuevo en el Gobierno o en sus aledaños, que también engordan.
Todo lleva su tiempo, ellos necesitan el suyo con las palabras; nosotros, el nuestro para intentar corregir errores que se repiten. En Afganistán se han perdido ocho años. Toda la estrategia, si es que alguna vez la hubo, estaba equivocada. No sólo se han desperdiciado tiempo, dinero y vidas (de civiles sobre todo), sino que también se ha perdido prestigio. Ya no somos inocentes, si es que alguna vez lo fuimos, ahora somos parte del conflicto.
in El Pais, 22/08/09

Alberto João Jardim garante que Manuela Ferreira Leite traz um novo ar ao país...




O amor e a crise segundo Erlich no 'El Pais' de ontem...


O dia de hoje: o que vem aí não é a brincadeira de tolos ou de oportunistas o que vem aí pode ser uma escolha séria...

... que raio de campanha alegre!...
Qual é o mundo que vamos construir? Qual é o mundo que fomos construindo? Eu sei que ninguém acredita, mas daqui a um mês, o nosso gesto contribuirá para a evolução ou estagnação da sociedade em que vivemos. Ninguém acredita porque os comparsas desta campanha infeliz parecem bonifrates, porque isto tudo parece um circo perverso, onde o mais fraco é espezinhado e o mais forte enche a burra...

Este nosso mundo ocidental... esta nossa Europa... a grande América! Hoje, mais uma empresa, a Groundforce, põe no olho da rua 400 trabalhadores e, como se falasse de gado, explica que lhe bastam 2400..., ‘de acordo com os parâmetros europeus’...!

E, depois, festejam o fim da crise...

Não, não é a crise que nos despe e esfomeia que acaba! É a tremidela do grande capital, a topar a luz ao fundo do túnel -luz que só a ele ilumina: a sobrevivência, à custa da miséria e do desemprego estabilizados no número certo!

Em 1862, Dostoievski viajou pela Europa e escreveu, acerca do conceito de fraternidade, por estas bandas:

na natureza do ocidental a fraternidade não está disponível porque domina o princípio pessoal, o princípio do indivíduo, da autoprotecção, da autocomercialização...’

Três anos mais tarde, 1865, o nosso Antero, olhava à volta e reclamava:

A morte da consciência! O que [foi] então a expansão do ideal, a vida da alma, o voo, enfim, do espírito à busca desses astros que só encerra a altura do céu, e se chamam lei moral, sentimento do belo, ‘religião’, para tudo dizer?!...’

Esse egoísmo, indiferença, autodefesa de covarde, autocomercialização de prostituído, esse virar costas aos ideais, esse fechar os olhos à própria alma -ao próprio sonho-, essa morte da ética... tudo isso assistiu ao canibalismo que o neoliberalismo pratica... tudo isso está na raiz da crise que nos sufoca.

Deixemos os mais ou menos ridículos palhaços da feira eleitoral traulitarem-se à vontade. Estão mortos e não sabem. Cabe-nos tratar dos vivos –dos biliões de homens que sofrem e choram. A começar pelo que está mais perto: aquele, ali...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O dia de hoje: os pecados de Sócrates ou as acusações de uma senhora para a eternidade...

... múmias relativamente bem conservadas...

No desespero de não ver chegar a hora do Benfica-Poltava -perdido por cem, perdido por mil, mantenho-me fiel à Tvcabo-, dei uma espreitadela à mais esquisita entrevista dos últimos tempos: a de Manuela Ferreira Leite, na RTP1.

Quem era aquela mulher?! De onde saíra aquela estranha figura? De que séculos vinha? De Gizé, da velhissíma pirâmide cairota? Das catacumbas de Roma? Do México?, alguma sacerdotisa de templo azteca resssuscitada? Vivi momentos exóticos.

Pouco a pouco fui traduzindo o que dizia... afinal, coisas de um discurso antiquíssimo e que tem dado frutos: tem consolidado privilégios e minorias da vida airada. Pouco a pouco, a figura estrambólica foi-se chegando à má língua dos nossos dias, num esforço sobre-humano -temi pela consistência da sua imagem- de updeitar-se... esforçando-se tanto, updeitando-se tanto que julguei perceber no olho vivo de Judite de Sousa a inquietação e a preparação espiritual para a receber nos braços...

E logo atacou ela o Sócrates e as tais fantasmagóricas escutas e as queixas e etc. e tal... Foi o prato forte. Aí, foi draconiana!

É a candidata de Cavaco? Possivelmente. Minha é que não é.

Amigos, um dia, daqui a muitos séculos, quando quiserem estudar este nosso tempo desgraçado, hão-de exumar-se os restos de dois comparsas: Aníbal Cavaco e Manuela Ferreira Leite. E que espanto! Que curiosidade! Que entusiasmo! Que alegria –a alegria de arqueólogos, a recuperarem espécies raríssimas, museologicamente valiosíssimas, isubstituíveis, inimitáveis!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O que o nosso tempo do retrocesso festivo vai deixar segundo Erlich no 'El Pais' de hoje...


O dia de hoje: as peixeiradas e o bom senso

...peixeiradas jacentes...

Sobre a necessidade (e urgência) de investigações policiais/judiciárias às badaladas escutas e seguimentos (aparentemente de sherlocks do PS...) de que teriam sido objecto membros da casa civil do PR, a Procuradoria Geral da República teve o bom senso de informar:

...neste momento não há lugar para qualquer tipo de investigação porque não existem factos concretos...

Todo este chinfrim, estas lágrimas e suspiros, não passa, afinal, de... nada...

Mas... estamos em campanha eleitoral, meu!!! Tudo isto faz parte da campanha? Diria que sim. E tu, amigo, o que dizes?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

No dia em que há 73 anos os falangistas-fascistas assassinaram Federico Garcia Lorca












Graças a um comentário do bloguista de Trepadeira, soube ser hoje o aniversário –73 anos!- do assassinato do grande poeta e dramaturgo Federico Garcia Lorca.

Nas palavras do bloguista sente-se amargura, pessimismo...

Não, não meu querido Amigo: nada voltará a ser como foi e os esbirros falangistas-franquistas-fascistas que mataram Lorca nunca mais existirão como eram.

Espanha, hoje, é um país livre. Portugal enterrou o salazarismo, há 35 anos. Obama é um negro, na presidência dos USA. O homem conquista a sua liberdade ao milímetro, eu sei; mas, depois, os muitos milímetros transformam-se no mar –num infinito de alegria, solidariedade, amizade, liberdade!

No seu comentário, pergunta, a propósito da recuperação das bolsas e de uma eventual recuperação do neoliberalismo da nova escravatura, da indiferença, dos privilégios -pergunta se não foi sempre assim.

Não, não foi sempre assim –hoje será diferente, amanhã será diferente. Porque o homem sabe. Porque o homem não quer. Porque o homem é cada vez mais um Homem
.

Dizem que a bolsa de Tóquio e outras estão a recuperar mas o que interessa é saber a favor de quem...



É uma atitude simpática dos meios de comunicação apontarem a recuperação de certas bolsas... Não quero vestir as roupas do Velho do Restelo... mas gostaria que nos explicassem onde e a quem vai parar o dinheiro recuperado...


E que nos dissessem se a recuperação é acompanhada de emprego e da subida de salários...


Ou se o neoliberalismo anda a arranjar maneira de sobreviver à custa da estabilização e do congelamento do desemprego e... da miséria...

Como é possível?! Com todos à rasca nem os espanhóis nem o Forges se lembraram de chamar o Quim Barreiros para nos aliviar a dor e a fome?!

...Forges, no 'El Pais' de hoje...


O dia de hoje: Portugal é uma aldeia onde a política é uma sopa de pedra...

...porque lhes dais tanta dor?! porque padecem assim?!


Ontem, num debate televisivo surrealista, na TVI, e depois de ver um húngaro (o árbitro, pois claro!) roubar a vitória e maçarocas da Champions ao Sporting, fui obrigado a concluir que o futuro do nosso torturado país depende dos humores de meia dúzia, das simpatias e antipatias dos políticos.


No caso, dependeria das preferências sentimentais de Manuel Ferreira Leite, José Sócrates e Cavaco e seus apaniguados e seguidores... Ferreira Leite não suporta Sócrates que não pode ver Manuela e o homem de Boliqueime estima a ‘mulher de ferro’ mas não estima o homem de Alijó (então, desde que parece que gente dele anda a espiar-lhe o pessoal do escritório!...). Ora uma vez que, após as eleições de Setembro, não haverá maioria absoluta, a querermos governar, a quererem os partidos formar governo... toca a mudar os dirigentes! O Ps e o PSD (os visados no discurso babosado dos opiniadores) vão à dispensa e sacam outros nomes..., outras figuras...

Assim discorrem os nossos opiniadores: à maneira das comadres de aldeia, das coscuvilheiras, mestras da intriga...

Tenho e continuo a ter Sócrates por inteligente e culto; não considero Manuela Ferreira Leite nem Cavaco atrasados mentais. E acredito que, zangados ou não com este ou aquele, os três decidam objectivamente. Que eu prefira -condicionadamente, é certo- as ideias de Sócrates à da ‘mulher de ferro’ e do homem de Boliqueime, que eu prefira os socialistas no governo aos liberais de direita, são coisas cá minhas e não influenciam os meus... afectos...

Agora que três opiniadores (com uma pivot, saudavelmente surprendida, faça-se-lhe justiça), que três iluminados, arrancados ao Martinho e à Campanha Alegre, do Eça, estejam mais de uma hora a perorar sobre a vida sentimental dos líderes políticos cá da terrinha... Francamente! Não há pachorra para isso! É demais, pensará o Zé Povinho sofredor, dolorido, à espera do fim do mês que não chega e a contar o dinheiro, cada vez menos!



terça-feira, 18 de agosto de 2009

UMA GRANDE FESTA VAI SE PUDERES!!!!







A Casa do Castelo do Sabugal organiza essa (acima) Feira Franca, 30 de Agosto (daqui a 12 dias...). Não faltes! É colaborar na divulgação da Cultura, é defender o Interior abandonado -é homenagear uma terra e uma Casa únicas!


SALVAR A NOSSA CULTURA, A NOSSA IDENTIDADE E O INTERIOR ABANDONADO, ESSE SIM QUE É UM ASSUNTO PARA LEVAR A SÉRIO!

...as eleições! que ferro menino que ferro! estou convencido de que andam a seguir-me e a escutar-me!!! é pá! é indecente!

... este tipo anda a vigiar-me...



... e este, tás a topar?, não se vê logo, pá?!, anda a escutar-me!!!...





estas andam a ouvir tudo e a gozar comigo... é indecente... é desleal...






olha: o gajo vai a todas agora tá atrás da porta...







é mesmo! ó meu se te apanho ficas levezinho!...