sexta-feira, 31 de maio de 2013
Ainda a mestria de Herberto Helder
presumir não das grandes partes da noite mas entre elas apenas de uma risca
de luz
alguém lhe chamaria
plausível?
por um lado vem a noite
das águas,
pelo outro vem o dia
das colinas e das matas bravas:
e na luz suposta ao
meio, alta, sumptuosa,
morro da sua risca
exacta,
ou morro da minha vida
nenhuma
ah quem tem o tempo
todo para vivê-lo e morrê-lo
assim:
turvo no rosto e nas
mãos através
do mais limpo do mundo?
Herberto Helder in Servidões, Assírio & Alvim, 2013
p.s. segundo me informou quem sabe, este livro está já esgotado em Lisboa, no Porto, em Coimbra e... na própria editora
quinta-feira, 30 de maio de 2013
"Servidões" o novo livro de Herberto Helder
That happy hand, wich hardly
did touch
Thy tender body to my depp
delight
Anon, 1560
versão errática:
mão tão feliz de ter
tocado
teu corpo atento ao meu
desejo
Herberto Helder in Servidões, Assírio & Alvim, 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
Na roda da vida
"A coroação da Primavera", óleo de Marcel Janco***
“Seja
quem for que chegue, deve saber: é tudo ou nada. Demorei a compreendê-lo. Odeio
os cálculos mesquinhos: levam-nos direito à trafulhice. É preciso ousar. Aquele
que não ousa condena-se a ser comido pelo medo.
(…)
Deves saber que, sem audácia, não se conquista nada. Sem audácia, o ser perde a
própria imagem.”
Aharon Appelfeld in Língua de Fogo, (Ritspat Eshe), Keter,
1988
*** https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcel_Janco
*** https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcel_Janco
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Passam 50 anos sobre a morte de Mestre Aquilino
Aquilino Ribeiro (Sernancelhe, Carregal, 13 de Setembro de 1885-Lisboa, 27 de Maio de 1963)
Las brujas no existen, pero que las hay las hay!..., dizem os espanhóis.
Esta manhãzinha, folheando
um caderno do meu Diário, topei, no dia
28 de Janeiro de 2003, com a passagem de Os
avós dos nossos avós, que voltou a impressionar-me e transcrevi no post
abaixo.
Por que veio Aquilino
ter comigo?
Por que me confiou ele -hoje- as palavras que afloram a poesia, o mistério, o terrível, insuportável e
mudo gelo da solidão humana?
E foi há pouco, graças
ao blog mágico da mágica Livraria Lumière, que soube que passa o cinquentenário da
morte do grande, genial escritor, Mestre entre os Mestres…
Não haverá mais mundos…, pero que los hay los hay!
Segredo
Óleo de Arkhip Kuinji
Aquilino Ribeiro in Os avós dos nossos avós, Bertrand, 1943
“No limbo do espírito, os céus eram
inanes e vazios.”
Aquilino Ribeiro in Os avós dos nossos avós, Bertrand, 1943
Os estripadores de Berlim
Erlich in El País de hoje
"-Alemanha considera emprestar dinheiro às PMEs de Espanha e Portugal.
"-E qual seria o negócio?
"-Continuarmos a dever-lhes.
domingo, 26 de maio de 2013
Um romance que é um crime ignorar
Capa da 1ª edição, 1940
Sobre Pântano, escreveu Eduardo Lourenço, em
Fevereiro de 2003 (Revisitar João Gaspar
Simões, artigo publicado no suplemento Mil
Folhas, Público, 1 de Março
do mesmo ano):
“(…)
é um dos mais belos romances de amor do passado meio século.”
Provavelmente; mas é,
também, testemunho único de toda uma época –os anos 30.
João Gaspar Simões
escreveu a obra em Lisboa, 1938-1939, e a saudosa e admirável Inquérito editou-a em 1940.
Pelas 289 páginas do
romance, desfilam personalidades marcantes da nossa Cultura –e Gaspar Simões
identificou-me algumas: Judite é Maria Helena Vieira da Silva; Levi, Mário
Eloy; António Eusébio, António Navarro; José Acúrcio, José Bacelar; Aires Dias,
José Osório d’Oliveira… e Juvenal, Gaspar Simões ele próprio…
E o leitor deparará
ainda com a figura símbolo desse tempo pasmado: o mitificado intelectual da bica e da beata, da perna
cruzada, eternamente à espera de nada, na velha Brasileira do Chiado: Gualdino Gomes…
Lisboa é a cidade onde,
da segunda guerra iminente, chegam os refugiados de todas as cores; é a cidade
adormecida -morta?-, bela, monótona, condenada ao silêncio: a ditadura salazarista
policia-a, Franco venceu em Espanha, Hitler e Mussolini precipitam a matança
sem fim… nazismo, fascismo, totalitarismo, triunfam.
E um grupo de pessoas,
com sonhos e ambições, revolta-se entre muros inexpugnáveis, discute, debate,
ama…
Mais uma vez, amigo, te
aconselho a leitura de Pântano –e,
consequentemente, a da vastíssima obra
de João Gaspar Simões, nome grande da nossa Literatura.
sábado, 25 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
O Holandês Voador
O Estrangeiro
-Quem
amas tu mais, homem enigmático? Teu pai, tua mãe, tua irmã, teu irmão?
-Não
tenho nem pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.
-Os
amigos?
-Dizes
uma palavra cujo sentido continua a ser-me desconhecido.
-A
tua pátria?
-Ignoro
em que latitude ela se encontra.
-A
beleza?
-De
boa vontade a amaria, deusa e imortal.
-O
oiro?
-Odeio-o,
tal qual odiais Deus.
-Afinal,
o que amas tu, extraordinário estrangeiro?
-Amo
as nuvens… as nuvens que passam… além… as maravilhosas nuvens!
Charles Baudelaire in Le Spleen de Paris, Oeuvres Complètes, Bibliothèque de La Pléiade,
Éditions Gallimard, 1961
quinta-feira, 23 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
A nova sociedade em construção -com a Troika e depois da Troika...
Erlich in El País de hoje
“-O
Estado do Bem Estar estava velho. Por isso o substituímos pelo Estado do Meu bem estar.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Solidão
Um cão branco
sujo
e cego
de um olho
Camões é
o seu nome
atravessa a rua
à procura de um
amigo
ou à falta deste
de
um osso
Américo
Rodrigues in Nome de cão com
pulgas, edição | Bosq-íman:os livros; tiragem 100 exemplares | 12 Páginas;
exemplares numerados e assinados pelo autor; capa: Américo Rodrigues;
impressão: Tipografia Beira Serra | Guarda (Composição manual com caracteres
móveis e zincogravuras)
sábado, 18 de maio de 2013
Dia Internacional dos Museus
Capela do Mileu, Guarda
Salvem esta jóia medieval portuguesa, sufocada entre uma bomba de gasolina a 50 metros e uns monstros
de betão e muitos andares ao redor!
O silêncio e a dor
"O sono do nómada", obra de Henri Rousseau
nem
mais
nem mais uma
palavra
sobre a morte
a não ser que
a palavra
morte
seja aquela que
objectivamente
procuras
para falares
de uma época
de esquecimento
de cegueira
de malvadez
e demência
Américo Rodrigues in o ponto cego, edição | Bosq-íman:os livros;
tiragem 100 exemplares | 140 páginas (exemplares numerados e assinados pelo autor); capa (em cartolina espelhada): Jorge dos Reis e Américo Rodrigues; impressão: Oficinas de São Miguel | Guarda
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Bom dia...
"Desenho", 1909, obra de Valentin Serov
Dona
Donzela Senhorinha
Põe-se
a falar com as estrelas.
Tem
sempre muito que dizer…
Que
ninguém há, ninguém, só elas,
Que
bem a saiba compreender!
Trata-as
por tu, chama-lhes: “minhas
Pombinhas
brancas, minhas flores,
Lindas,
queridas amiguinhas,
Luz
dos meus olhos, meus amores”.
A
esta diz: “Por que estás triste?...
Será
o amor que não te assiste?!”
E
àquela, a mais, mais pequenina
De
todas, mas que tanto brilha:
“Ao
ver-te, nasce-me o desejo
De
te afagar, de dar-te um beijo,
Como
se foras minha filha!”
Fausto José in Dona
Donzela Senhorinha, Imprensa Portuguesa, 1946
quinta-feira, 16 de maio de 2013
A boa companhia
Erlich in El País de 6ª feira, 17/05/13
"-Quais as cinco fortunas que levarias para um ilha deserta?
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Os andares da alma
Campo dè Fiori, Roma
Esta noite tive um
sonho… Ou um pesadelo?
Encontrei-me a
conversar com a Roberta, na sua Enoteca,
em pleno Campo dè Fiori.
Um sonho ou um pesadelo?
Esses segundos, esses
minutos, foram maravilha.
Onde os vivi –porque os
vivi, em alegria, paz de alma, felicidade…?
Acordar -acordei ou
mudei de mundo, tão vivos um como o outro?- doeu-me e muito.
E, contra todos os meus
hábitos, em honra da saudade, de Roberta, do fabuloso Campo dè Fiori, onde
queimaram Giordano Bruno e disseram o elogio fúnebre de Pier Paolo Pasolini,
sabes o que fiz?
Fumei o último Toscano.
Diz lá na caixa: Il Sigaro Italiano Dal 1818.
Encantavam o Ângelo de
Sousa, querido amigo perdido, e eu lá lhos mandava, por vias ínvias e com gente…
Fumei-o à janela, a
chuva oblíqua, ou molha tolos, a ver se apagava o sigaro, o mar ao fundo.
A roer-me, ainda, a Roma
que me roubaram…
terça-feira, 14 de maio de 2013
Quando o amor começa a morrer, arrastado pelo turbilhão da ganância...
AO MEU CÃO
Deixei-te só, à hora de
morrer.
Não percebi o
desabrigado apelo dos teus olhos.
Humaníssimos, suaves, sábios,
cheios de aceitação
De tudo… e apesar
disso, sem o pedir, tentando
Insinuar que eu ficasse
perto,
Que, se me fosse, a
mesma era a tua gratidão.
Não percebi a evidência
de que ias morrer
E gostavas da minha
companhia por uma noite,
Que te seria tão doce a
minha simples presença
Só umas horas, poucas.
Não percebi, por minha
grosseira incompreensão,
Não percebi, por tua
mansidão e humildade,
Que já tinhas perdoado
tudo à vida
E começavas a
debater-te na maior angústia, a debater-te com a morte.
E deixei-te só, à beira
da agonia, tão aflito, tão só e sossegado.
Cristovam Pavia in O Tempo e o Modo, nº 42
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Agarra o dia, virgem e único, como todos os dias!
"Primavera", 1898-1901, óleo de Victor Borisov-Musatov
Cancioneiro de João Bensaúde
Cancioneiro de João Bensaúde
Canção
de Primavera
Eu, dar flor, já não
dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides
de cores!
Que eu, dar flor, já
não dou.
Eu, cantar, já não
canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul,
calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não
canto.
Eu, invernos e outonos recalcados
Regelaram meu ser neste
arripio…
Aquece tu, ó sol,
jardins e prados!
Que eu, é de mim o
frio.
Eu Maio, já não tenho.
Mas tu, Maio,
Vem, com tua paixão
Prostrar a terra em
cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já
não.
Que eu, dar flor, já
não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e
amar..
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em
flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te
chamo?
José Régio in Filho do Homem, Portugália Editora, Lisboa, 1961
domingo, 12 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
O futuro do fuinha anunciado por Marques Mendes
Profissão Político: nessa carreira não há moral nem ideal: há ir de soldado raso a marechal -ir de sem cheta a argentário...
Notícia:
A frase deste dia
Obra de Nahum Gutman
“Pega no pincel e não fujas ao esforço; não és tu o que importa, o que importa é a tua obra; e não importa também que seja a tua obra –o que importa é que seja uma obra.”
Shmuel Yosef Agnon in Ontem
e anteontem, Schocken Publishing House Ltd., Tel Aviv, 1946
Quem foram:
http://en.wikipedia.org/wiki/Shmuel_Yosef_Agnon
http://en.wikipedia.org/wiki/Nachum_Gutman
Shmuel Yosef Agnon
Quem foram:
http://en.wikipedia.org/wiki/Shmuel_Yosef_Agnon
http://en.wikipedia.org/wiki/Nachum_Gutman
Shmuel Yosef Agnon
sexta-feira, 10 de maio de 2013
E parece natural e imparável...
“Quem continua em alta são os partidos à
esquerda que juntos somam mais de 20% dos votos”
Sondagem publicada no Expresso
de hoje
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