domingo, 31 de março de 2013

Faz 25 Anos!



O Pássaro de Vidro, Editorial Caminho, 1988, dentro os meus livros, o que prefiro, volume de 350 páginas, complicada história romântica -em 2001, quando do lançamento d’A Mulher Nua, em hebraico e em Israel, por sua vez cá e lá esgotada..., o poeta Nathan Zach, que apresentou a novela, definiu-me como “o último romântico”…-, O Pássaro de Vidro, romance ousadamente situado em Veneza, ficou-se pela 1ª edição, esgotada…

O meu caro amigo Leonel Cunha explicou assim a desventura:

“Olhe: bateu asas e voou…”

Quem o agarra? 

Páscoa Feliz!

"Ressurreição", 1304-1306, fresco de Giotto (1266-1337)

sábado, 30 de março de 2013

A anunciação



"Janela", 1886, óleo de Victor Borisov-Musatov

Páscoa

Depois da morte, a vida,
Páscoa florida!
Que eu bem a sinto
Por cada árvore em flor:
Eu bem a sinto
Primavera de amor!

Já as aves não comem
O fruto mais pulcro:
-Foi dado ao homem!
E, por cada ovário,
Jesus no Calvário,
Jesus no sepulcro.

Afonso Duarte, in NA MÃO DE DEUS. Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, Organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958


o pintor:

sexta-feira, 29 de março de 2013

A paixão



Hoje, é sexta-feira de paixão, que recordamos, a partilhar a nossa –de portugueses em tempo de sofrimento e ofensa. Lá para onde foi, ou não foi, sim?, não?, talvez?, vela-nos o estranho poeta Pessoa?… O homem superinteligente, o jongleur,  o sábio dos astros e do vazio. Encomendo-me a ele, sabendo-o pessimista e desamorado… mas revoltado que atirou à cara do mundo injusto o sacrifício metódico da própria vida.  

segunda-feira, 25 de março de 2013

Atenção a este catálogo!


Riso amarelo... é o que nos resta

in Público de hoje

Ser ou não ser... carneiro...

Stendhal


“Continuamos a não entender por que razão Stendhal se vendeu tão pouco, durante a vida; por que haja caído no esquecimento total , logo a seguir à morte; por que tenha sido preciso esperar quarenta anos para o redescobrir. Por que viveu tão isolado? Por que não se aperceberam imediatamente do seu génio? Etc. A resposta a estas perguntas encontra-se numa simples frase de “Recordações d’égotismo”: Eu não sou um carneiro, daí que não exista.

Dominique Fernandez in Dictionnaire amoureux de Stendhal, Plon/Grasset, 2013

sábado, 23 de março de 2013

Abre e ouve e vê como isto aconteceu e está a acontecer




Essencial para entenderes a agonia do povo português: 

http://vimeo.com/40658606

Está enganado: a Educação não se fez para isso!

O mundo em que vivemos...


“Vivemos no mundo em que vivemos”

justifica-se piláticamente, a assobiar para o lado, e com toda a lata de Chico Esperto, o responsável pelo ME: o dr. Crato.

Não pega: as pessoas estudam para corrigir e melhorar o  mundo em que vivem –não estudam para marcar passo, no mundo do crime organizado, do capitalismo financeiro amoral, da sociedade partida em milionários e pobres.

Se é isso que o ME quer acatar -a injustiça imposta aos professores e a desigualdade de oportunidades imposta à juventude e tudo o resto que faz a infâmia da miséria em que vivemos e que envergonha o próprio mundo- só há uma solução:

correr com quem é seguidor dessa pilatice e limpar e recompor o ministério. 

Notícia:

Mercado=Carrasco

"-A pretendida eficácia do Mercado era, apenas, Marketing

El Roto in El País de hoje 

A pouca distância do Mosteiro da Batalha e da jóia que são as Capelas Imperfeitas, apesar de imperfeitas… corre irresponsável a A1 –a autoestrada, o betão, o gasóleo, a maré de carros a buzinar e a acelerar… É destino do nosso país? O seu futuro? Assim ficaremos “per secula seculorum”, condenados a ver abortar todas as tentativas de ir mais além?

Capelas Imperfeitas, Batalha

Notícia: 

sexta-feira, 22 de março de 2013

A beleza, a memória... a M.J.F.

El-Jadida, Mazagão: a cisterna

Confias neste homem?

Anuncia o Público: "Debate quinzenal no Parlamento"

Bom dia... e acredita que hoje começou já o esperado dia de amanhã: livre, justo

Obra de Francisco Relógio (1926-1997)


Amanhã

Na hora que vem ao longe,
cresce e vem, cresce e vem,

-os que tiverem frio hão-de lançar os meus versos ao lume
e a chama há-de subir…
-os que tiverem fome hão-de lançar os meus versos à terra,
como se fossem estrume,
e a terra há-de florir…

Os meus poemas de tragédia são degraus
da hora que vem,
-cresce e vem…-
-cresce e vem…-
Nos meus poemas cresceu, e sofreu, e aprendeu
nos meus poemas revoltos,
por isso vem de longe, nua, nua,
e traz os cabelos soltos…

Hora que vens de longe,
de longe vens, de rua em rua:
-hás-de passar e parar em toda a parte,
Nua, formosamente nua,

-para que já não possam desnudar-te.

Sidónio Muralha, Bêco, Lisboa, 1941

quarta-feira, 20 de março de 2013

A ONU declarou que hoje é o Dia da Felicidade

Em Portugal, a felicidade é esta: apanhar uma esmola...

A emigração compulsiva da nossa juventude

"É preciso estimular os jovens para que saiam do país, não vão eles querer mudá-lo"

El Roto in El País de hoje

segunda-feira, 18 de março de 2013

Nós, as nossas economias e os bancos...

"Quando vires as poupanças dos cipriotas "merkelear", tira as tuas do banco e guarda-as debaixo do sofá"

"-CORRE!

Forges in El País de hoje

Os sinais do fogo purificador





"Os quatro cavaleiros da Apocalipse", 1498, desenho sobre madeira de Albert Dürer

O que acontece em Chipre, e, disfarçadamente, já começou a acontecer por outros lados, é sinal de guerra incontrolável.

O que se passa em Chipre: às cegas e com a ganância de agarrar o dinheiro, congelam-se e assaltam-se contas de inocentes. Atingem-se pequenas, insignificantes poupanças que, apesar de irrelevantes, são essenciais para a classe média alta e baixa e para os que nem à classe média pertencem.

Corta-se, saca-se, rouba-se, a torto e a direito.

De cabeça perdida.

É o capitalismo financeiro está á arder e entrou em pânico.

Perdeu a vergonha e os escrúpulos, se alguma vez os teve, que a moral, essa desconheceu-a sempre.

O capitalismo financeiro tem medo.

Está aterrorizado: por mais que esfole, não consegue recompor-se nem relançar o sistema que o alimentou e engordou durante as últimas décadas –e agora, falha.

Faliu.

Os cavaleiros do Apocalipse –as terríveis figuras do Novo Testamento- galopam na sua direcção.

E eles -os agiotas do capitalismo financeiro- sabem-no.

Reconhecem os quatro cavaleiros do Apocalipse, e ao que vêm.

Isso aterroriza-os, gela-os –e, em pleno estertor da agonia, os usurários espadeiram, assassinam, rasgam.

Vingam-se nos fracos, nos indefesos, suas vítimas, da morte que se aproxima pronta a ceifá-los.

domingo, 17 de março de 2013

Humilhados e ofendidos

"A nossa imagem hoje", 1947, David Siqueiros

Anoche soñe que oía
a  Dios, gritándome: Alerta!
Luego era Dios quien dormia,
y yo gritaba: Despierta!

António Machado in Proverbios y Cantares, Campos de Castilha (1907-1917), POESÍAS COMPLETAS, Espasa-Calpe, Madrid, 1973

sábado, 16 de março de 2013

As boas notícias ou o sadismo de um incompetente

E é esta gentalha que vai continuara a afundar o país?

Acorda!



"O revoltado", 1957-1965. obra de David Siqueiros

Antes que seja tarde

Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e que falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada!
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barcos ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Manuel da Fonseca in Poemas Completos, 3ª edição, Portugália Editora, 1969   


sexta-feira, 15 de março de 2013

Um poema esquecido de José Régio

"Primavera", óleo de José Malhoa


Esmolas

Todos os dias, de manhã, passando
Na sua rua, a encontro já erguida,
Sem estender a mão, mas esmolando,
No xalinho sem cor quase sumida.

Tem dez…, quinze…, vinte anos?
Seu corpito parou… ficou assim.
Mas nos seus olhos, que cresceram, cabe
Todo o oceano azul dos céus sem fim.

“-Deus lhe pague!” –diz-me ela, em paga dessa
Envergonhada esmola que lhe dou.
E o seu olhar, que nada há que meça,
Já me pagou! Já me pagou…

in 16 Poemas Dos Não Incluídos em COLHEITA DA TARDE, breve antologia organizada por Alberto de Serpa, Tipografia Camões da Póvoa do Varzim, 1971, tiragem limitada de 250 exemplares (este poema foi publicado em “pastinhas de quintanistas” de Coimbra, 1943)

domingo, 10 de março de 2013

O sonho cavacal

in Público de hoje

Bom dia!

"Madonna della Segiolla", 1513-1514, óleo dobre madeira, Raffaello Sanzio, Palazzo Pitti, Florença

sexta-feira, 8 de março de 2013

No teu dia, mulher, o Senhor está contigo!

"A senhora do parto", Piero della Francesca

Bom dia: enquanto o pau vai e vem, viva a beleza!

Algures, em Cascais, Aldo e Natasha, duas obras de arte de continentes diferentes...

domingo, 3 de março de 2013

"Grândola, Vila Morena" no Terreiro do Paço, ontem

¡EL PUEBLO UNIDO JAMÁS SERÁ VENCIDO!

1 milhão de pessoas? 1 milhão e 500 mil pessoas? 1 milhão e 800 mil pessoas? Um país em pé!

Terreiro do Paço, dia 2 de Março de 2013: o regresso dos cravos: a sede da iberdade, da justiça, da fraternidade

2 de Março de 2013, ontem, foi o dia da ressurreição de um povo.

Trouxe de volta o 1º de Maio de 1974.

Foi o grito de um povo de humilhados e ofendidos, de espoliados e desprezados.

Foi a revolta de um povo farto de ser mal governado, abusado, tratado como acéfalo e sem vontade própria, sem direitos nem cidadania.

Só pode ignorar esse facto quem estiver de má fé, quem for irresponsável –só podem ignorá-lo aqueles que querem assistir ao enterrar de um país, e disso tiram proveito.

Hoje, já é outro dia, hoje é já diferente de ontem -custe ao oco de Belém ou ao incapaz de São Bento.