segunda-feira, 30 de novembro de 2015

domingo, 29 de novembro de 2015

Ansiando por um verdadeiro novo ano...

Júlio Dinis 


Diante dos dias que aí vêm, neste país feito de gente boa e generosa, há oitocentos anos martirizado, violado, a pensar em nós todos que ainda cá estamos e precisamos da esperança como um abandonado no deserto anseia por água -confio-vos duas linhas de um grande e lúcido escritor, esquecido, desvalorizado, desentendido:

“Mas há em nós sempre um fundo de esperança que nos não deixa acreditar no mal senão quando nos achamos face a face com ele.”

Depois de quatro anos de injustiça esperemos o bem que andou fechado a sete chaves.

Júlio Dinis in Carta para Rita de Cassia Pinto Coelho, datada de 31 de Maio de 1863

  

Aproxima-se o novo ano! Não percas o melhor jornal português!


Uma curiosidade: como se divide Veneza em seis bairros (sestiere)


(Giudecca faz parte de Dorsoduro)

Um Outono feliz!

Outra cidade...


San Marco, Veneza, século XIX, por Giuseppe Bernardino Bison

sábado, 28 de novembro de 2015

Burano num tempo que já foi e longe ainda da invasão bárbara, turística...


"Burano", óleo de Bruno Gherri-Moro, pintor de Castelfranco, província de Veneza

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Governo de António Costa: um governo condenado à morte, segundo a comunicação social...




Já começou o assalto das televisões e dos jornais -em suma, da comunicação social- ao recentíssimo governo do PS liderado por António Costa.

Cavaco será -segundo eles- o carrasco: irá fazer em pedaços todas as iniciativas desse governo o qual, consequentemente, irá desaparecer do palco.

Estamos, pois, perante um governo com os dias contados. 

Desde ontem e do discurso de Cavaco, é um governo condenado a apagar-se em poucos meses, poucos dias, poucas horas.

A comunicação social, vendida e servidora da direita, cumpre o seu dever.

NÃO OS LEVES A SÉRIO: ELES DIZEM O QUE DIZEM PORQUE SEMPRE O DISSERAM: CONTINUAM A CUMPRIR ORDENS.


Retrato de uma adolescente pelo pintor triestino Virgilio Giotti



Obra Renoir



Figura de putela

Davanti una vetrina, 
che se spècia i colori
 
ciari de la matina,
 
’na garzona ghe xe, col scatolon
 
sul brazzo, co la fronte sul lastron.
 
Sun una gamba sola
 
la sta; e el pie de l’altra,
 
lassada cascar mola,
 
la lo nina. Le scarpe che la ga
 
xe quele che la mistra ghe ga dà. 
Dal viso solo un poco
 
se ghe vedi, un rosseto;
 
’na rècia, el colo, un fioco.
 
Sora el covèrcio, bela, xe una man
 
de pìcia, là pozada, una sua man.
 
Un pitor, co’l ga ciolta
 
zo ’na figura, altro
 
no’ ’l fa. Cussì stavolta
 
fazzo anca mi. Meto ancora un fiatin
 
de rosa su le calze, un cincinin 
quel nastro d’i cavei
 
fazzo ancora più scuro;
 
e meto zo i penei.
 
Altro de far, altro no’ go de dir:
 
che ben ghe vòio, ’nidun pol capir. 
La lasso parlar ela;
 
che sola la ve conti
 
quel che la varda in quela
 
vetrina, quel che la pensa, ormai là
 
ferma par sempre, quel che in cuor la ga.
 



Virgilio Giotti (1885-1957)

Bom dia com Alfredo Keil


O Grande Canal de Veneza visto por um pintor português: Alfredo Keil

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Um escultor triestino


Ruggero Rovan, "Jovem mulher", no Museo Revoltella, Trieste

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A arte e a bondade segundo Thomas Mann por sua filha Erika


Michelangelo in Capela Sistina, pormenor


“[meu pai] pronunciou-se explicitamente a favor da bondade, na qual acreditava: “ela pode existir sem fé e ser, precisamente, o resultado da dúvida”. Essa bondade ilumina, aquece uma actividade artística cujo princípio era “divulgar entre os homens um pouco mais de felicidade, de conhecimento e de alegria”.

Erika Mann in L’Ultimo Ano, Memória de meu Pai, Arnoldo Mondadori Editore, 1960


p.s.: pergunto: a dúvida, a incerteza do sentido da vida abordada e desenvolvida, através desta ou daquela obra de arte, deste ou daquele livro, então companheiros de viagem… Será o que queria dizer Thomas Mann?


Thomas Mann

sábado, 21 de novembro de 2015

O livro esquecido algures numa biblioteca..


Óleo de William Turner


Ao arrumar a nossa biblioteca, eis a minha companheira a esbarrar com um livro raro e por nós já esquecido: 

Tragédia Do Sol Posto. 

É a primeira edição e tem 91 anos… 

E a seguinte dedicatória: “Ao seu belo amigo Sebastião Centeno Fragoso, formoso e esclarecido espírito –of,ce Afonso Duarte, Coimbra, 28 de Abril de 1914.” 

Da obrinha retirei este soneto:


ORLA MARÍTIMA

Onda do mar na barra… Enorme vaga
De Terra e Céu vejo o horizonte raso…
As minhas mãos, em concha, o mar afaga…
E em flor ao peito, ponho o Sol do Ocaso.

Já a Saudade, aos ermos céus de mágoa,
Cai sobre mim a tarde ao abandono.
E naufrago, chorando à beira d’água,
Mau coração é um casal no Outono.

Noite caindo a um rumor de aldravas…
Crio meus versos quando o fim da Tarde
Dá espasmos de volúpia às rosas bravas;

Ou há gritos de espumas em cachopo
Quando o Sol cai ao mar… e lívido arde
Á lua-cheia, ermo perfil de choupo.

in  Afonso Duarte, Tragédia do Sol Posto, Coimbra, F. França Amado, Editor, 1914


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Esconder a superficialidade: mal de sempre, mal de hoje

Umberto Saba


“Quando não se consegue avançar na profundidade, dissimula-se e complica-se. É humano. Mas não se fazem filhos.”


Umberto Saba in Scorciatoie e Racontini, Arnoldo Mondadori Editore, 1946

terça-feira, 17 de novembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Pois... e sente-se mal...


in Público de hoje

Pedro Arroja o iluminado

Mudança. pureza, honestidade!



No meio da porcaria que nos rodeia -e nem a imbecilidade dos que a trazem os absolve-, os guinchos de um bando de neo-liberais sem carácter, furiosos pelo que lhes roubaram o poder de espoliar o povo, abri ao acaso o Diário de José Régio e topei as palavras que transcrevo e julgo oportunas e sãs (quanto precisamos de ar puro, em dias como este!):

“Considero-me eu próprio, em política, um avançado, pois me considero democrata, socialista e cristão: Três características, quanto a mim, do permanente avanço –as quais muita gente considerará inconciliáveis; mas eu não.”

in Páginas de Diário Íntimo, Círculo de Leitores, 1994



José Régio

Um grande pintor triestino especialmente admirado por Umberto Saba

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Tchekov e a simpliciade

Anton Tchekov



Num ensaio sobre Tchekov, Thomas Mann sublinhou:

“Confesso que escrevi estas linhas com profunda simpatia. A linguagem poética [de Tchekov] encantou-me. A ironia diante da celebridade, a dúvida do sentido e do valor da sua acção, a incredibilidade frente à própria grandeza, tudo isso traduz altura tranquila e modesta. “Ser descontente de si mesmo “ disse ele “constitui o elemento fundamental de todo o talento genuíno”.

in L’ultimo anno, de Erika Mann, Arnoldo Mondadori Editore, 1960



Thomas Mann

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Há 77 anos: a "Noite de Cristal", 9 de Novembro de 1938, matança de judeus na Alemanha e destruição de lojas e casas


Judeus a caminho da cadeia ou dos campos de extermínio, casas apedrejadas


O que aconteceu



Loja apedrejada



Sinagoga violada, queimada

A saber:

http://w3.memoshoa.pt/index.php/materiais-pedagogicos/outros-materiais/78-noite-de-cristal





A REPÚBLICA PORTUGUESA, A REPÚBLICA DO POVO, DEMOCRÁTIACA E FIEL À LIBERDADE, FRATERNIDADE E IGUALDADE ESTÁ DE VOLTA! QUEIRA OU NÃO QUEIRA O RETROCIDINHO DE BOLIQUEIME!


VIVA A DEMOCRACIA! VIVA A LIBERDADE! VIVA A IGUALDADE!

domingo, 8 de novembro de 2015

Um grande escritor triestino


Scipio Slataper (Trieste,1888-Monte Calvario,1915): "tu sabes que sou eslavo, alemão e italiano..."

“Penso que o simples seja o profundo, e o profundo é onde a raiz tem sempre água para a planta, mesmo quando o solo está seco.”


in Epistolario, de Scipio Slataper, Mondadori, 1950

para saber:

https://it.wikipedia.org/wiki/Scipio_Slataper

Umberto Lupi: um famoso cantor de Triste... do tempo que vai indo...

sábado, 7 de novembro de 2015

Trieste: o Hotel de Ville em que Thomas Mann se instalou e já não existe


Trieste e Thomas Mann



Piazza dell'Unità, Trieste



Thomas Mann, quando jovem


Sabias que Thomas Mann escolheu Trieste para se isolar e escrever grande parte de “Os Buddenbrooks” (presumo em 1899/1900)?

Portugal: um povo estafado

Obra de José Malhoa


Será que o retorcido homem de Boliqueime deixará Portugal ter um  novo governo capaz de levantar o povo desgraçado e já sem forças?

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O homem que quer mamar



Ei-lo, em pelo protesto: Francisco Assis


As recentes afirmações e excitações deste homem cuja ambição e, simultaneamente a flexibilidade mental -para não dizer ambiguidade mental-, são despropositadas, anacrónicas e infelizes.

Entre o mais, um inconcebível -inconcebível num filiado do PS- horror a um governo de esquerda.

Em primeiro lugar, FA dá um grande abraço de apoio à coligação PSD-CDS: a favor destes melhor jogo não poderia acontecer.

Em segundo lugar, dá uma canelada no seu (diz ele que é) PS.

Em terceiro lugar empurra ainda mais o povo português para a ruína.

O socialismo de Assis é de feira da ladra: justifica-se com os Blair e outros para esconder o socialismo liberal (fenómeno suicida) que o inspira.

Mas o que o inspira de facto e verdade é o sonho, já velhote -os anos passam…- de liderar o PS.

Se o liderasse, matava-o: o PS seguiria o caminho do PASOK (grego) e do PSOE, ambos a pagarem o preço de se terem amanhado com um socialismo liberal e consensual

Em suma: Assis vem, na pior altura, pedir mama.

E quem pagaria a fome do Assis seria a fome do povo.   


HOMENAGEM A UM POETA ASSASSINADO


Óleo de Arturo Cordon, pintor chileno


PARA MI CORAZÓN…

Para mi corazón basta tu pecho
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estava dormido sobre tu alma.

Es en ti la ilusión de cada dia.
Llegas como el rocio a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausência.
Eternamente en fuga como la ola.

He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto, como un viaje.

Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.

Pablo Neruda in 20 POEMAS DE AMOR Y UNA CANCIÓN DESESPARADA, Editorial Losada S.A., Buenos Aires, 1954




Pablo Neruda (12.Julho.1904-23.Setembro.1973)




quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A quadrilha de Coelho brinca a governo...


in Público de hoje

O resto é silêncio

Jacques Brel - Quand on n'a que l'amour. (live)

Veneza, Trieste e o Corvo de Allan Poe


As razões do corvo


O regresso a Veneza -o breve, brevíssimo regresso- que não durou mais de quatro dias do passado Outubro, foi um choque brutal, a magoar-me fundo.

Há 30 anos que ali não vinha; onde estava tudo o que fora: a cidade, os amigos, as osterie, a soberana beleza?

Aquilo que me rodeava era um circo pobre, uma insuportável feira.

Centenas e centenas de gentes, de tendas, de cafés e restaurantes.

Veneza, onde estava?

Onde a paz, o silêncio, o mistério?

Caira-lhe em cima o exército de barbari, há tanto tempo denunciados por Alberto d’Amico na canção -Arriva i barbari-, palavras que arrepiavam os amantes da cidade?

Sim: tinham chegado os bárbaros.

Não só os meus mortos eu chorava: chorava Veneza –chorava-me a mim próprio.

Roubaram-me a jóia.

Não via o corvo de Allan Poe, mas ouvia-o –e de que maneira!

“Never more!”

Ligaram-me ao passado e à violada Veneza, as duas únicas pessoas que encontrei: Rosanna Marcato e Nicoletta Trentin, ambas com a memória de dois grandes amigos mortos: Aldo Zari e Giorgio Trentin. O resto era-me nada –Veneza ausentara-se.

Arrisquei a visita a Burano: a ilha dos pescadores, dos merletti, das casinhas pintadas, de Umberto Moggioli, da escola artística de Burano, ei-la a vender merletti e bordados importados da China, ei-la sufocada pelos turistas, que tudo destroem, pelos restaurantes e cafés inumanos, apontados à bolsa de cada um.

“Never more.”

Refugiei-me noutro lugar: em Trieste, a cidade que Jan Morris recorda muito bem, no livro Trieste and the Meaning of Nowhere.

Já a visitara duas vezes: em 1975 e em 1983. É a cidade de Italo Svevo e Umberto Saba; a cidade mestiça de italianos, austríacos, judeus, eslavos…

A cidade que esconde o tesouro que pressentimos e jamais possuímos –mas, desde o primeiro instante, entra em nós.

É arriscado falar dela: arriverano i barbari, que já a espreitam.

Direi, apenas, que me acalmou e afastou o corvo.


Never more? Nunca mais o quê?

A vida está aí, à tua frente –e este instante é eterno, como todos, e disso terás consciência enquanto viveres.

Jane Morris cita o poeta americano Wallace Stevens:

“Sou o mundo que percorri: aquilo que vi, ouvi e experimentei desabrochou em mim próprio.”


As meninas de Trieste