terça-feira, 31 de agosto de 2010

O novo rosto de uma América diferente e generosa: a página que se virou...

Obama, com a mulher e as duas filhas: hoje anunciará o regresso das tropas americanas no Iraque

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Racismo, racismo, racismo...

As fronteiras do ódio


Todos somos os outros
por Manuel António Pina


Olho com reserva a invocação dos versos do pastor Niemoeller ("Primeiro vieram buscar os comunistas, / e eu calei-me pois não era comunista. /A seguir vieram buscar os sindicalistas, /e eu calei-me pois não era sindicalista. / A seguir os judeus,/ e eu calei-me pois não era judeu ./ Agora vêm buscar-me a mim, /e já não há ninguém para falar") a propósito de situações como as deportações de ciganos em França e outros países da UE. Embora já os tenha usado, não gosto da moral mesquinha desses versos, a de que devemos levantar-nos em defesa dos outros porque pode chegar a nossa vez. Não, devemos levantar-nos em defesa das vítimas de injustiças pelas vítimas e não por nós. O que é intolerável nas deportações de ciganos não é o facto de, um dia, podermos também nós vir a ser deportados ou que o valha, é sermos testemunhas (alguns em silêncio) de uma "limpeza étnica". De facto, confirmou-se a falsidade das justificações securitárias (tratar-se-ia de "criminosos") dadas por Sarkozy para as deportações: nenhum dos ciganos recentemente deportados tinha cadastro policial quer na França quer na Roménia.

transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias, 31/08/10

As pátrias proibidas

Crianças ciganas: as almas recusadas...


"Três em cada quatro roma vivem em pobreza na Roménia
Romenos que não são vistos como cidadãos"

título/notícia do Público de hoje




A conclusão que se tira é a seguinte: expulsos da França, da Itália, da Alemanha, da Suécia e de outros países, excluídos na Roménia, recusa-se aos ciganos mais do que a pátria: recusa-se-lhes a existência, pois lhes é dito que não podem viver em nenhum sítio.

Onde cresceu Clarice...

Recife, no início dos anos 30



Clarice Lispector, a menina a descobrir o mundo das pessoas crescidas...

domingo, 29 de agosto de 2010

Leia Clarice Lispector!

Clarice Lispector, adolescente: os olhos que nos entram dentro...

Solidão, ai solidão!...




Uma escola que fecha mata uma aldeia ou acelera o inevitável?

Por Graça Barbosa Ribeiro, Natália Faria



Apesar de não questionarem a necessidade do reordenamento da rede escolar, especialistas em Geografia Humana dizem-se preocupados com o impacto do encerramento de escolas na coesão territorial. "Se abrir uma escola do Ensino Básico não inverte a tendência para a desertificação, fechá-la, em determinadas circunstâncias, pode ser o suficiente para matar uma aldeia", alerta João Ferrão, investigador da Universidade de Lisboa e ex-secretário de Estado do Ordenamento do Território.


Governo e autarquias negociaram o fecho de 700 escolas (Paulo Pimenta)


Em teoria, tudo foi acautelado. Depois do encerramento de 2500 escolas com menos de 10 alunos, numa primeira fase, o Ministério da Educação (ME) e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) acordaram que a decisão de fecho daquelas que têm menos de 21 crianças, este ano lectivo, teria de passar pelo crivo do aval das Direcções Regionais de Educação (DRE) e dos municípios, para evitar "cortes cegos"."Na generalidade dos casos, pelo menos aparentemente, a negociação terá sido efectiva no que respeita à identificação dos estabelecimentos a fechar", admite António Ganhão, dirigente da ANMP. Há protestos pontuais, mas são mais os autarcas que se congratularam por terem conseguido manter em funcionamento escolas com menos de 20 alunos e o próprio ME anunciou que continuam a existir no país 200 estabelecimentos naquelas condições. Por outro lado, a lista de escolas a encerrar cresceu das 500 (previstas pelo ME) para as 700, porque, explicou a ministra da Educação, os próprios autarcas acrescentaram outras, cujo fecho não era exigido.É neste contexto que os geógrafos se questionam sobre os critérios de escolha das escolas que vão encerrar. "Não terão sido apenas o do número de alunos e o do tempo de transporte, espero", preocupa-se Fernanda Cravidão, especialista em Geografia Humana da Universidade de Coimbra. E João Ferrão não considera garantia suficiente o cumprimento do acordo entre a ANMP e o Governo. "Até poderia ter algum significado se as DRE tivessem uma visão e uma capacidade de actuação estratégicas e se os municípios administrassem sempre o território com base em planos, numa perspectiva de médio e longo prazo. Mas, infelizmente, isso nem sempre se verifica," avalia.Um mundo abandonadoA situação é especialmente grave "em territórios de baixa densidade populacional", concordam João Ferrão e Fernanda Cravidão. "Podemos sempre dizer que o encerramento da escola só acelera a morte do lugar, porque a falta de crianças se encarregaria de conduzir ao mesmo resultado em poucos anos. Mas isso só é verdade porque há muito que o Poder abandonou por completo o mundo rural", critica.João Ferrão frisa a necessidade "de qualquer decisão deste género ser tomada no quadro de políticas multissectoriais de ordenamento do território" e de atender a casos específicos. "Nalgumas situações o desequilíbrio provocado pelo encerramento de uma escola pode ser fatal para um trabalho de anos, feito a nível local, contra a desertificação", alerta.Fernando Ruas, presidente da ANMP, não tem resposta em relação a casos concretos, mas diz ter "a certeza" de que os municípios "agem de acordo com o que consideram ser o melhor para as populações". Mas isso não significa o mesmo para todos os autarcas.Há quem pense que a desertificação se combate com o fortalecimento das sedes de concelho. É o caso do social-democrata Francisco Lopes, presidente da Câmara de Lamego, o município que vê fechar o maior número de escolas: 21. "Daqui a 10 anos os centros escolares que agora estamos a construir serão grandes demais - esse é o drama", enfatiza, para questionar se "o processo de extinção das comunidades rurais não acabará por ser a maneira de manter as cidades, de lhes dar dimensão, evitando que a sangria seja ainda maior".O presidente da Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, Jorge Pulido Valente, não pensa o mesmo - há anos que luta "para manter vivo um território que está no limiar da ruptura por falta de população", reivindica."Como presidente de câmara de Mértola cheguei a promover o fecho de algumas escolas, mas para fortalecer localidades vizinhas rurais", explica o socialista, hoje presidente da Câmara de Beja.


transcrito, com a devida vénia, de Público, 29/08/10

sábado, 28 de agosto de 2010

Nós e os outros

...para certos homens, certos outros homens não são homens: não existem


O que me inquieta vai além da perseguição aos ciganos, cidadãos búlgaros e romenos e, por consequência, da UE. Aquilo que se engendra, sobretudo na Itália e na França, é a ponta dum icebergue. Quando falta o dinheiro e há desemprego e insegurança, descobre-se o bode expiatório, o “outro” por excelência. E o “outro” é o invasor do “nosso espaço”. A Europa atravessa a maior crise económica dos últimos 80 anos, para a qual não se encontra saída, e o “outro” cai do céu. A alterofobia -o medo de quem é diferente de nós- referve. Voltam nacionalismos e populismos, sempre irracionais, xenófobos e cruéis. Ao longo dos séculos, assim foi, fruto de problemas sociais e religiosos. Declarou-se a caça ao judeu, o ódio ao árabe, a degradação do negro, o perigo amarelo... Infiel ou apenas pela cor, o “outro” pagava tudo. Mas a alterofobia prescindia do drama social, ainda que esse a beneficiasse. No fim e ao cabo, as razões partilham subjectivo e objectivo. A Inquisição socorreu-se do dogma religioso; nazismo e fascismo, de ignorância e convulsões internas. Certo que todos nós tivemos o nosso judeu, o nosso preto, o nosso árabe, o nosso árabe, o nosso cigano. Porque os há bons e maus. Os nossos são os bons. E é o que me aflige: o reaparecimento -continuação- da tara milenária: o racismo (leitor: é disso que estamos a tratar). É urgente recusá-lo: combatê-lo, opondo-lhe a Cultura humanista, brasão da Europa. Bento XVI já se pronunciou contra a discriminação rácica, e ainda bem: a Igreja não repetirá os silêncios de Pio XII, enquanto ardiam os fornos dos campos nazis e ardiam, neles, judeus, ciganos (imaginem!) e os homens livres.

publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias, 29/08/10

O que viam os olhos de Anne Frank...

...morreu o castanheiro que marcava o tempo...


Da janelinha do seu esconderijo, na Prinsengracht, 263, em Amesterdão, os olhos de Anne Frank alacançavam, apenas, um castanheiro centenário e, graças às cores em mudança, seguiam a passagem das estações.

Um vendaval derrubou, há poucos dias, o castanheiro.

Mas, ao longo dos anos, as castanhas, oferecidas a colégios espalhados pelo mundo, deram origem a outros castanheiros, que lembram a jovem judia, morta no campo de concentração de Bergen-Belsen.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O mistério de Wall Street

Hitchcock e uma crise em suspense...



Wall Street, il regista è Hitchcock

por Francesco Guerrera


Il film della ripresa economica americana doveva essere una storia edificante di caduta e risurrezione tipo «Rocky», ma gli avvenimenti degli ultimi giorni l’hanno trasformato in un giallo. Secondo il copione hollywoodiano scritto da mercati, politici e banchieri centrali dopo la crisi, ormai dovremmo già essere nel secondo tempo, nel mezzo del clamoroso ritorno di fiamma di una nazione temprata da difficoltà senza pari. Ma dopo un’estate di mosse politiche maldestre, dati catastrofici e mercati nervosissimi, la più grande economia del mondo si trova ingarbugliata in una trama alla Hitchcock, dove niente è quello che sembra e il pericolo è sempre dietro l’angolo.Ricapitoliamo i fatti. Martedì mattina, per colazione, gli operatori di Borsa a New York hanno dovuto digerire la notizia-bomba che le vendite delle case sono crollate di più del 27 per cento a luglio, il peggiore risultato in 15 anni.La frana del settore immobiliare è arrivata quando Wall Street aveva appena finito di assorbire la decisione-choc della Federal Reserve di ricominciare a intervenire nei mercati finanziari, cinque mesi dopo aver gridato ai quattro venti che l’economia non aveva più bisogno di tali stimoli artificiali. I banchieri centrali hanno tentato di spiegare la mossa come una bagatella tecnica, una manovra di routine per tenere i tassi di interesse bassi e facilitare la ripresa, ma i mercati non hanno abboccato.Gli investitori hanno scaricato i titoli azionari come se fossero materiali tossici, leggendo la mossa come un segnale che Washington è preoccupatissima per le sorti della ripresa. I mercati erano già in stato di fibrillazione da quando Ben Bernanke, il capo della Fed, aveva confessato al Congresso che la congiuntura economica è «insolitamente incerta», e le ultime vicissitudini hanno avuto un peso determinante per spingere il Dow Jones Industrials, l’indice guida, sotto il livello chiave dei 10.000 punti. Come mi ha detto uno dei grandi «fund manager» della costa Ovest, un tipo che ha studiato ad Harvard che di solito parla come un libro stampato: «Siamo proprio fregati. Se neanche Bernanke sa cosa fare, siamo proprio fregati».Il mio amico di Los Angeles ha ragione a perdere la calma. Lo stillicidio di brutte notizie sta aumentando le probabilità del famigerato «double dip», il doppio tuffo nella recessione. Perfino ottimisti inveterati come David Wyss, il capo economista Standard & Poor’s, ora predicono un lungo periodo di ristagno economico à la japonaise. Altro che giallo hitchcockiano, se continua così, la saga dell’economia americana si trasformerà in Nightmare on Main Street con Bernanke nel ruolo di Freddy Krueger. Il dilemma è semplice ma non di semplice soluzione. Ogni Paese caduto nelle sabbie mobili della recessione ha bisogno di una forza trainante che lo trascini sulla terraferma, ma l’America di oggi non ha né trattori né locomotive a disposizione. I consumatori, che costituiscono circa il 70 per cento del Pil statunitense, mancano all’appello per ovvi motivi: hanno pochi soldi e ancor meno voglia di spenderli.La caduta vertiginosa nelle vendite delle case nonostante il fatto che i tassi dei mutui siano a livelli bassissimi e che il governo abbia lanciato non meno di otto programmi di stimoli per incoraggiare gli acquisti, è veramente preoccupante. A meno di un miracolo, il mercato immobiliare americano è sull’orlo del «doppio tuffo» - un altro calo dei prezzi da aggiungere al crollo del 30 per cento visto durante la crisi. Con le case al ribasso e la disoccupazione intorno al 10 per cento, i consumatori rimarranno fuori dal gioco per parecchio tempo.L’onere della ripresa dovrà dunque ricadere su altri due attori economici: il settore privato e quello pubblico. Le aziende e le banche non stanno male: gli ultimi risultati trimestrali sono stati positivi, i conti sono in nero e le esportazioni tirano. Il problema è che il mondo dell’industria è ancora in una posizione di difesa, anzi catenaccio: tagliare costi e non spendere nemmeno un centesimo più del dovuto. I capi aziendali con cui parlo utilizzano sempre lo stesso refrain: gli investimenti e gli acquisti arriveranno solo quando l’economia migliora - un discorso sensato in teoria ma contraddittorio in pratica, visto che la congiuntura non migliorerà se gli investimenti non si materializzano. A meno che... A meno che lo Stato non arrivi su un cavallo bianco a salvare l’economia sparpagliando miliardi di dollari freschi di zecca.Una soluzione keynesiana - spendere adesso, tassare dopo - sembrerebbe ideale in questo frangente e non certo aliena alla mentalità di centro-sinistra di Barack Obama e i suoi. L’amministrazione ha già speso più di 700 miliardi di dollari per far ripartire l’economia e quasi tutti gli uomini del Presidente vorrebbero fare di più. Purtroppo, però, la realtà politica non lo permette. Con i Democratici in gravissima difficoltà nella campagna elettorale per le elezioni parlamentari di novembre, una nuova ondata di spese governative accompagnata dall’implicita promessa di tasse più alte in futuro, sarebbe un assist perfetto per i Repubblicani.Obama potrebbe avere mano più libera dopo le elezioni, ma dipenderà da quanti seggi vinceranno i suoi avversari, soprattutto gli esponenti della corrente estremista di Sarah Palin. Il federalismo rampante degli Usa consentirebbe ai governi locali di soppiantare Washington nel ruolo di stimolatore dell’economia, ma molti Stati sono con l’acqua alla gola e devono tagliare i costi al più presto per evitare la bancarotta (anzi, visto che abbiamo parlato di cinema, la California di Schwarzenegger in bancarotta già ci è andata).Rimane ovviamente la Fed. Un paio di alti funzionari con cui ho parlato questa settimana mi hanno accusato di essere un «profeta del disastro», ricordandomi che la Banca centrale ha molte frecce al suo arco per evitare una ricaduta nella recessione o un ristagno stile Giappone. E’ vero che la Fed può esercitare un controllo quasi totale sui prezzi di titoli, azioni e altri beni finanziari e ha le risorse per comprare mutui, obbligazioni e perfino titoli azionari qualora volesse immettere liquidità nei mercati. Ma è anche vero che la Fed, come tutte le banche centrali, ha poteri limitati sulla domanda economica - la voglia di consumatori, aziende e governi di spendere invece di risparmiare - ed è proprio questo che all’America manca oggi.Forse l’unica soluzione sarebbe ristampare quei poster dell’esercito americano durante le guerre mondiali con una piccola chiosa sotto la faccia arcigna del vecchio signore. «Lo Zio Sam ha bisogno di te... e dei tuoi soldi».Francesco Guerrera è il capo redattore Finanza del Financial Times a New York.

transcrito, com a devida vénia, de La Stampa, 27/08/10

Clarice Lispector, Bernanos e a senilidade precoce... ou quem não arrisca não petisca: não vive: é morto-vivo...

Clarice Lispector: a beleza, por dentro e por fora



“(...)abrindo um jornal e lendo um artigo de um nome de homem que infelizmente esqueci, deparei com citações de Bernanos (...).

Em determinado ponto do artigo (só recortei esse texto) o autor fala de que a marca de Bernanos estava na veemência com que nunca cessou de denunciar a impostura do “mundo livre”. Além disso, procurava a salvação do risco -sem o qual a qual a vida para ele não valia a pena- “e não pelo encolhimento senil, que não é só dos velhos, é de todos os que defendem as suas posições, inclusive ideológicas, inclusive religiosas” (o grifo é meu).

in Aprendendo a Viver, p.112, Editora Rocco, 2004, Rio de Janeiro

Preparem-se, leitores e admiradores da grande escritora brasileira: a Civilização Editora, vai lançar, durante o próximo mês de Setembro, Clarice Lispector, Uma Vida, biografia de Benjamin Moser.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

À consideração dos que não são cegos e não vêem... ou não querem ver...

"-Bem, pelo menos agora são sinceros e mostram o seu autêntico espírito



Notícias do Estado Social
por Manuel António Pina

Nos primeiros seis meses deste ano, os cinco maiores bancos portugueses meteram ao bolso 7,7 milhões de euros por dia só em "comissões". Comissões são aquelas quantias que os bancos nos cobram a pretexto de tudo e de nada: para abrir ou fechar um processo, para "manter" uma conta, para obtenção de informações, para a "gestão" de contratos, para o "processamento" das prestações dos empréstimos, pelo seu reembolso antecipado, pela "finalização" dos contratos, pela emissão da declaração a dizer que o contrato acabou, e por aí fora, ilimitadamente, sobre cheques, cartões, transferências, cobranças, empréstimos, depósitos, tudo o que mexa. Quem se admirará que, apesar da "crise", os lucros da banca no mesmo período tenham aumentado escandalosamente em relação a 2009? De admirar (para quem acreditou que os sacrifícios iriam ser "para todos") será verificar que, enquanto os "todos" pagam mais IVA, IRS e IRC e os desempregados e pobres vêem reduzidas as prestações sociais, a banca pagou em 2009, segundo números da própria Associação Portuguesa de Bancos, menos 40% de impostos do que no ano anterior.


transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias, 27/08/10

É preciso denunciar esta violência racista! Aqui tens a notícia das violências infames

...condenados sem julgamento



Cinco países da UE expulsaram ciganos romenos


Nem só a França tem expulsado ciganos romenos do seu território. "Está a acontecer em diversos países da União Europeia, incluindo Itália, Alemanha, Dinamarca e Suécia", assegura Robert Kushen, director executivo do European Roma Rights Center, organização que se dedica a combater a discriminação desta minoria étnica em todo o continente. O movimento migratório dos roma tornou-se um "problema europeu".

Expulsões colectivas em França estão a causar indignação

Era um dos cenários mais temidos com a entrada da Roménia e da Bulgária na UE, em 2007: o êxodo dos nacionais ciganos. Ontem, a França pediu à Comissão Europeia para obrigar a Roménia a estancá-lo. O ministro francês da Imigração, Eric Besson, convidou quatro das outras grandes economias europeias (Itália, Espanha, Alemanha, Reino Unido) para uma reunião informal sobre imigração, em Paris, a 6 de Setembro. Também chamou a Bélgica, que preside agora à UE, a Grécia, país de trânsito de estrangeiros que tentam alcançar o espaço comunitário, e o Canadá, a braços com imigrantes ciganos oriundos da Hungria e da República Checa. "Espero que não se esqueçam que há livre circulação na UE", comenta Robert Kushen, ao telefone, desde Budapeste. "E que na base desta corrente migratória está a discriminação estrutural e a pobreza extrema que os roma suportam nos seus países."O primeiro-ministro francês, François Fillon, escreveu ontem ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Pediu-lhe que tome medidas para garantir que os quatro mil milhões de euros de fundos da UE que vão a cada ano para a Roménia são usados para integrar os roma. Vivian Reding, a vice-presidente da Comissão Europeia, já mandou um recado sob a forma de comunicado: "Acredito que os roma são uma parte importante da população da UE e é de primordial importância que estejam bem integrados." A também comissária da Justiça tem seguido a situação na França e o "debate inflamado" noutros países. Sabe que cabe a cada Estado-membro garantir a ordem pública, mas espera que o façam respeitando as regras da União. A livre circulação não foi um ganho automático para a Roménia e para a Bulgária. Entraram com a hipótese de encarar algumas restrições, como a exigência de um contrato de trabalho, até ao final de 2013. E lidam com elas na Bélgica, na Alemanha, na Irlanda, na França, na Itália, no Luxemburgo, na Noruega, na Áustria, no Reino Unido e em Malta. Para viver noutro país da UE mais de três meses, um cidadão tem de trabalhar ou de, pelo menos, ter meios de subsistência que não o convertam num fardo para a assistência social. Pode ser expulso se não satisfizer tal requisito ou se significar uma "genuína, presente e suficientemente séria ameaça [...] para a segurança pública"".Robert Kushen teme que os roma não estejam a ser tratados como indivíduos, mas como uma massa homogénea que urge eliminar - isso violaria a directiva da livre circulação e a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que proíbe as expulsões colectivas de estrangeiros. Todo o processo lhe parece duvidoso: "O que é que tem de voluntário a polícia, como se faz na França, dizer: "É melhor ires embora agora, que te damos algum dinheiro. Se não fores, voltamos daqui a um mês com uma ordem de expulsão." Estamos a entrevistar pessoas que estão a regressar para saber como é que tudo aconteceu. Já temos alguém na Roménia e vamos ter alguém na Bulgária a fazer isso."Vê uma nuvem xenófoba a atravessar a UE. A 12 de Julho manifestou preocupação com o que considera o discurso "anti-roma" oficial dinamarquês, do presidente da Câmara de Copenhaga, Frank Jensen, e do ministro da Justiça, Lars Barfoed. Jensen pedira ao Governo que tratasse de "livrar" a cidade dos "roma criminosos", culpando-os de roubo. E Lars Barfoed reagira, alegando que eram residentes ilegais. Na sequência destas declarações, 23 romenos foram detidos e deportados - "apesar da aparente ausência de investigação e condenação pelos tais roubos".

transcrito, com a devida vénia, de Público de 26/08/10

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ante-estreia de Woddy Allen, em Oviedo

Woody Allen, em Oviedo, com Lucy Punch e Gemmma Jones


Esta noite, será apresentado, em Oviedo, Astúrias, o novo filme de Woody Allen, You Will Meet a Tall Dark Stranger (ante-estreia), que junta Gemma Jones, Lucy Punch, Naomi Watts, Anthony Hopkins e António Bandeiras.

Woody Allen reafirma a vontade de ‘ir ao invés do cinema sem consciência criadora’.

Isto é: contra os filmes sem nada dentro (nem sequer actores a serio), para além dos efeitos especiais...

Alarga-se ao turismo o drama da construção civil?

Hotel vazio...




'Sector chegou a empregar mais de 316 mil pessoas


Turismo perdeu 30 mil empregos nos últimos dois anos'



in Público de hoje





Há cerca de três anos, o primeiro-ministro espanhol, Zapatero, denunciava o excesso de investimento na construção civil e na hotelaria. A ganância e a corrida cega ao lucro imediato pagar-se-ia caro, dizia.


E pagou-se.


Por cá também –e nem a monumentalidade portuguesa concorre com a espanhola nem o nível de vida do nosso país poderia comparar-se, há três anos (e provavelmente hoje) com o da Espanha.

Entrou em agonia a construção civil; parece ir pelo mesmo caminho a hotelaria.

Por cá.

E, por cá, multiplicam-se as auto-estradas, continua muda a ferrovia, não melhorou nem a indústria (a pouquíssima que havia), nem a agricultura, nem a pesca...

Omitimos o desastre da educação e da investigação.

Em que futuro esperas?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Para que não se saiba...

...os nossos espiões a caminho do Afeganistão...


O agente duplo

por Manuel António Pina

Dir-se-ia a guerra de Raul Solnado, ou então o argumento de um episódio de "Get Smart"/"Olho vivo". Mas não, é uma entrevista do ministro da Defesa ao "i", onde Santos Silva, após citar Péricles, anuncia que "espiões militares [portugueses] seguem para o teatro de operações do Afeganistão no Outono" e que "também no Líbano - os militares portugueses participam na UNIFIL - deve haver este 'instrumento'". Faltou indicar nome, estado, profissão e morada, juntando fotos tipo passe, dos espiões que vão para o Afeganistão e para o Líbano, bem como as datas e os voos em que viajarão, mas, que diabo!, havia que deixar algum trabalho aos "talibans", ao Hezzbollah e demais personagens e intérpretes de ambos os "teatros de operações". Aliás, a entrevista pode ter sido uma acção de contra-informação e quando, no Outono, as forças da KAOS esperarem no aeroporto de Cabul o Maxwell Smart e a Agente 99 portugueses de chapéu, gabardina de gola levantada e óculos escuros, estarão eles a desembarcar no JFK, em Nova Iorque, para espiar os saldos da 5ª Avenida. Ou isso ou Santos Silva é, pelo menos, um agente duplo.

transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias, 24/08/10

Eça em Portugal

Eça de Queirós surpreendido com o que vê...



“De ano para ano, Eça de Queirós vem a Lisboa observar de quantos séculos Portugal retrogradou, desde a última visita que lhe fez. Traz sempre a lente do mesmo grau, a fim de não se atribuir a efeitos do vidro, a mesquinhez da imagem obtida.

E das suas janelas do Rossio, vê arrastar-se em baixo, a miserável gente, amarela e morna, que vai para o emprego público, ou vem da casa de penhores. A fealdade das caras amedronta-o e desconsola-o.

-Mas esta gente, foi então feita por curiosos! diz ele, parando às vezes na rua. No fundo da sua ironia, há uma bondade grave, talvez triste.”

Fialho de Almeida, in Figuras de Destaque, Eça de Queirós I

Todo o mundo festejaria!

Erlich in El País, 23/08/10

"-A segunda-feira deveria ser declarada spam.

Oportunismo, populismo, racismo... sobretudo, racismo...

Pieter Brueghel (1525-1569), 'A Matança dos Inocentes'




é urgente ler e meditar este texto: ninguém está a salvo, quando o medo e ódio ao outro movem aqueles que podem excluir, humilhar, expulsar o outro; o que se passa em Itália e França, pela mão de Berlsuconi e Sarkozy, pode alastrar por toda a Europa


"Editorial


Sarkozy tras Berlusconi


La expulsión de gitanos coloca a Francia en la estela populista de Italia


Un líder tan pendiente de los gestos como Nicolas Sarkozy no inicia la expulsión de rumanos de origen gitano decidida a finales de julio sin calcular las consecuencias. Y lo que, sin duda, ha valorado en ese cálculo son los beneficios de la medida para su maltrecha popularidad antes que cualquier otra consideración, incluido el objetivo declarado de luchar contra la delincuencia. Dejándose arrastrar por un populismo creciente en Europa, algunos de cuyos argumentos e iniciativas viene adoptando con la excusa de combatirlo, Sarkozy pretende exhibirse como ejecutor implacable de la ley, no para que esta sea respetada, sino para concentrar las miradas sobre él y su supuesta determinación política.

Sarkozy no está, simplemente, expulsando a varios cientos de gitanos que viven en improvisados campamentos, sino que está deportando a ciudadanos europeos de nacionalidad rumana cuya etnia debería resultar irrelevante, de acuerdo con los principios que defienden la Unión y la propia República Francesa. Al colocar la etnia en el origen mismo de la medida, Sarkozy y su Gobierno están vulnerando la mejor tradición de la que puede enorgullecerse Francia, que además contribuyó a extenderla por Europa y el resto del mundo.

Pero, además, están derogando la presunción de inocencia para un grupo de personas que no por residir ilegalmente en Francia son culpables de ningún delito. Aparte de estigmatizar a los gitanos convirtiéndolos en chivos expiatorios de la inseguridad ciudadana, Sarkozy está cometiendo un grave atropello contra la dignidad y el honor de ciudadanos concretos -incluidos niños nacidos y escolarizados en Francia-, expulsados como delincuentes sin que ningún tribunal haya establecido que lo sean. ¿O es que la dignidad y el honor se adquieren con los papeles y depende de que se viva o no en un campamento?

La medida de Sarkozy guarda una estrecha semejanza con la adoptada en Italia por Silvio Berlusconi y puede anticipar las de otros Gobiernos de la Unión. La exclusión social de los gitanos es generalizada en Europa, hasta el punto de que su condición de ciudadanos parece estar pasando progresivamente a segundo plano. El Gobierno francés ha asumido una grave responsabilidad en este proceso, no menor que la del italiano en su día; una responsabilidad que consiste en poner el Estado de derecho, no al servicio de la igualdad y la justicia, sino de las necesidades políticas de los líderes en cada momento."

transcrito, com a devida vénia, de El País, 23/08/10

abrir, também, o link:

http://falcaodejade.blogspot.com/2010/08/de-onde-vem-quem-sao-para-onde-vao-os.html

domingo, 22 de agosto de 2010

Afinal Van Gogh ainda não voltou...

O quadro de Van Gogh, 'Vaso de Flores', roubado ontem no Cairo, continua desaparecido e o verdadeiro é esta... peço desculpa mas alguém me deu uma informação errada...

Van Gogh foi e voltou...

Este quadro de Van Gogh, 'Vaso com flores', foi roubado, ontem, de um Museu do Cairo e recuperado horas depois...

As férias não são para todos

Erlich, in El País, 22/08/10


"-Pobre Domingo. Tão longe de Deus e tão perto de segunda-feira.

As boas intenções

Orlando, de Virgínia Woolf (fotos acima), Relógio de Água, um romance admirável


A “Correspondência” de Gustave Flaubert representa, para muitos, uma espécie de breviário. Perante a riqueza das cartas Gide interrogava-se acerca do valor da obra do normando. Exagerava, mas a leitura prende; ora veja-se o que Flaubert escrevia a George Sand: “a literatura é mercadoria, o vendedor explora-a e respeita apenas quem a compra, se o cliente não aprecia o objecto, diz ao autor que a sua mercadoria não lhe agrada.” Na crueza dos termos, a denúncia é actualíssima: aqui tenho ligado a importância do livro à dos produtos oferecidos no mercado... Desde sempre -e respeito a acusação do autor de “O vermelho e o negro”, datada de 1872-, certos editores marimbaram-se para a qualidade literária e privilegiaram a comercialidade. Não lhes interessa o que vai lá dentro, interessa-lhes o que se vê por fora; não conta a riqueza do texto, comanda a negociabilidade. Acelerou-se o aviltamento das coisas da Arte? Sem dúvida: o nosso tempo é da agonia moral, do império do lucro e do colapso da pedagogia. Semeiam o analfabetismo? Com certeza. O provérbio “de boas intenções está o inferno cheio” justifica essa pouca vergonha? Não; o inferno é aqui e ergueram-no aqueles que traficam a morte da alma. Uma empregada de livraria indignava-se: “Só aparece literatura de cordel, é o que se vende!” É o que o mercado impõe, e, consequentemente, o leitor derrapa no palco publicitado, recebe a incultura, imbeciliza. Excepções? Sim, e merece sublinhar-se a coragem de “Relógio d’Água” que, ao invés, lançou, entre outros, Flaubert, Dostoievski, Kafka, Faulkner e, agora mesmo, o extraordinário “Orlando”, de Virgínia Woolf.



Publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias, 22/08/10


sábado, 21 de agosto de 2010

Condenar a tortura tauromáquica

Hoje, em Bilbau, Museu Guggenheim: centenas de pessoas dizem não à matança dos inocentes

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Uma obra-prima da poesia portuguesa

Capa da 1ª edição de "Fado", de José Régio, com desenhos de Júlio, Arménio Amado Editor, Coimbra, 1941


No fim de férias e enquanto não regressas à realidade dura do quotidiano, lê os estupendos versos de José Régio. Lá encontrarás muito do destino e do perfil português, do nosso sonho, da nossa tragédia... da nossa delicadíssima e tão complexa sensibilidade...

Abre o link e ouve Amália, a cantar o Fado Português, de Régio:

Ladrões arriscaram a vida por Salvador Dali...

O quadro de Salavdor Dali, "La femme aux tiroirs" (50x30 cm, 10 kg. de peso), exposto temporariamente, em Bruges, Bélgica, foi hoje roubada, à luz do dia...

O imperdoável racismo do governo de Sarkozy: "quem não é como eu não entra em minha casa!"...

Uma jovem cigana romena: o governo francês decidiu expulsar os ciganos romenos... os ciganos romenos são cidadãos da UE, mas, para o governo de Sarkozy, cidadãos de 2ª ... portanto: nem todos os cidadãos da UE são iguais!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A revolta que é o grito das mulheres assassinadas

...mulheres de Teerão pedem ajuda e denunciam um regime desumano



Pedras para o Irão

por António Manuel Pina

Cem cidades de todo o Mundo, entre elas Lisboa, serão no próximo dia 28 palco de protestos contra a selvajaria (como nomear o inominável?) das execuções por lapidação no Irão, onde, nas últimas décadas, 150 pessoas, a maior parte mulheres, foram apedrejadas até à morte e mais 25 aguardam actualmente idêntico destino, entre elas Sakineh Ashtiani, de 43 anos, mãe de dois filhos, acusada de adultério. A iniciativa "100 cities against stoning" é do International Commitee Against Execution e o protesto de Lisboa, nascido na Net, visa chamar ainda a atenção para as sentenças de morte aplicadas no Irão tanto a opositores políticos como a homossexuais ou adúlteros "por um sistema de justiça que não respeita os mais elementares direitos de defesa das suas vítimas". O protesto está marcado para as 18 horas, no Largo Camões. Eu teria preferido a sugestão do leitor de um dos blogues que divulgaram a iniciativa: levar à embaixada do Irão um monte de pedras conformes ao artº 104º do Código Penal iraniano, isto é, "não tão grandes que matem à primeira nem tão pequenas que não mereçam a classificação de pedras".

transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 19/08/10

Billy the Kid vai ser perdoado!...


Os artistas "Da-da" também dialogaram com as crianças...

'Cabeça Da-Da', obra de Sophie Taeub-Arp (1889-1943)



Brinquedos de vanguarda


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Coisas de coelhos...



O "querido mês de Agosto"

por Manuel António Pina

Contrariamente ao que se possa pensar, aprendem-se coisas extraordinárias na chamada "silly season" (se o que se aprende tem qualquer espécie de serventia já é outro assunto). Este fim-de-semana, por exemplo, gente como eu, que não tem por hábito ler a "Caras" nem o "Expresso", aprendeu que Pedro Passos Coelho mora algures a 38º 45' 24.36'' de latitude Norte e a 9º 16' 29.41'' de longitude Oeste, sendo um dos 28 176 habitantes (censo de 2001) da freguesia de Massamá, criada pela lei nº 36/97, de 12 de Julho, por desanexação da freguesia de Queluz. A boa nova foi dada em primeira mão pelo poeta e organizador de eventos Mendes Bota ao povo reunido na festa da "rentrée" (palavra ela própria "silly" que baste) política do PSD no Pontal. E, à falta de mais uma proposta de revisão constitucional do líder laranja, tornou-se o prato jornalístico do dia, juntamente com o facto de Passos Coelho, além de ter, segundo os jornais, conseguido cumprimentar pessoalmente todos os 3 000 festivos sociais-democratas presentes, ter ainda exigido não sei quê ao Governo até 9 de Setembro, senão também não sei quê.

transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 17/08/2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Felizmente, nem tudo está à venda!

...um piano sagrado...


Foi retirado do leilão, na Casa Bonhams, de Londres, o piano que os Beatles utilizaram, nos estúdios de Abbey Road, para gravarem Tomorrow never knows e Paperback Writer.

Diga-se, de passagem, que os Pink Floyd também o usaram para Dark Side of Moon.

Ao que parece -e bem!- certas coisas não são leiloáveis: pertencem ao Património Cultural Mundial.

domingo, 15 de agosto de 2010

Não esqueças o Haiti!

..para te informares sobre mais um escândalo silencioso, aconselho-te a abrir o link:


Férias com baleia




Neste virar de página, entre o descanso e o trabalho, convém arranjar tempo para ler aquilo que nos console. De quê? Da incerteza do descanso (havendo quem descanse) e do trabalho (havendo quem ainda tenha trabalho). Em suma: dê-se cada um ao prazer de “falar” com um escritor que lhe diga alguma coisa. Herman Melville, por exemplo. Ele conheceu o mundo? Certamente; e avaliou os homens, dividiu com os outros a grande viagem: o tempo de atravessarmos a vida e assumirmos as contradições –o bem e o mal. Nasceu, em Nova-Iorque, no ano de 1819. O seu não era um berço de ouro e teve de amassar o pão de cada dia em suor e sangue. Trabalha num banco, nos campos, é professor primário. Em 1841, opta pela marinha mercante e, a bordo de um baleeiro, atravessa mares, chega à Polinésia, a Typee, nas ilhas Marquesas (as de Jacques Brel); deserta, torna-se amigo de canibais. No regresso à América (1844), decide escrever e interrogar as próprias experiências, publica Typee (1846) e Omoo (1947), sucessos que o revelam e impõem. Mas a obra-prima, que aconselho vivamente, data de 1851: é a história do combate entre o capitão Achab e a baleia branca: Moby Dick (1851); o relato da batalha sem repouso, comum de todos: a do homem frente ao destino de mortal abusado: não pediu para vir à vida, não sabe para onde vai e não lhe compreende a violência, a injustiça radical, dado que portadora da morte. E acontece o inacreditável: tido como um dos melhores romances de todos os tempos, Moby Dick representou um fracasso. Quando o leres, não entenderás, e, no entanto, foi assim. Sobrevive-se a quase tudo –e Melville morreu, quarenta anos depois, completamente esquecido.

publicado em Página de Cultura do Jornal de Notícias de hoje

sábado, 14 de agosto de 2010

Sartre em Veneza

Café Florian, em Veneza


Em 1976, Sartre, em Veneza, caminhava com dificuldade. Era o mês de Julho e a Bienal e eu estava ali com o Alberto Carneiro. Pela primeira vez -acontecera o 25 de Abril-, Portugal participava em pavilhão próprio. O comissário, Fernando de Azevedo, convidara Alberto Carneiro e este trouxera a transparência de uma obra cândida e intransigente e a robustez das barbas. Habituara-me à sua boa companhia, aos almoços no Da Raffaele (que óptimos pinot e arroz de peixe!) e à praça de San Marco, de que Alberto Carneiro apreciava a assimetria, até de madrugada. Depois, fazíamos as malas e recolhíamos ao Savoia & Jolanda, carregados de calor, esperando a brisa que deveria chegar do Adriático. O scirocco pesava sobre Veneza e quem por lá andava. Inesquecível a noite de 14 de Julho, com a temperatura desmedida e a humidade colada ao corpo. Da margem de Le Zattere os barcos desenhavam uma ponte que chegava à Giudecca, à Igreja de Palladio, a do Redentor. Era festa e os venezianos cozinhavam dentro dos barcos, encontravam-se a cantar e a viver. Havia-os impacientes que se atiravam para dentro dois canais. Manuel Corrales, Conselheiro Cultural de Cuba, abria o caminho interpelando as pessoas com a poesia herdada de Che Guevera; das barbas de Alberto Carneiro escorria água; eu levava, com algum embaraço, a minha asma pela mão.

Sarte apareceu debaixo das arcadas napoleónicas, devagarinho. Ia no meio da gente, sem pressa, sem olhar. Vestia uma camisa clara, a única mancha no pequeno corpo. Reconheceu que era ele, quando lhe perguntei se não era o Senhor Sartre. E aceitou que fossemos tomar café na esplanada do Florian. Julgo que nunca me viu, tão fortes as lentes que se metiam entre ele e o imediato. Sentado a cem metros da basílica, dir-me-ia:

“-Disto, já só me apercebo das cores, nem sequer dos volumes. Ali, deve ser San Marco e, do outro lado, as Procuradorias Velhas... Ando dentro de uma nuvem. Oiço as pessoas. As pessoas, as cores, o barulho da água. Há trinta anos que venho a Veneza. E, agora, é assim.

Assim, com a camisa clara, os óculos e o cabelo oleoso, a disponibilidade. Chegava-lhe a minha voz, de dentro da minha inexistência e ele aceitava-a. Não era um deus mas era um homem velho e meio cego. Podia falar-lhe porque ele me escutava. Tranquilo, consciente da própria decadência e assumindo-a, com humildade exemplar, diante de mim e do café. Um dos seus lábios imobilizara-se num esgar que parecia um sorriso. E era o seu naufrágio.

“-Esta praça... Daqui a pouco, começam as orquestras. A música vai entrar por aí... E há espaço.

O seu rosto vibrava diante das pessoas que ele sabia que o rodeavam e das coisas. Parecia-me perceber a expectativa. O que dizia não eram banalidades: era o que realmente sentia: o sofrimento físico e o desejo de comunicar a inquietação que o impedia de ser um bonzo.

“-Tentei entrar no ‘Harry’s’ e vim-me embora: estava cheiode alemães e de americanos, muito gordos...

Falava simplesmente. No entanto, via-o impertinente, decidido a perguntar-me tudo. Deixava-me tempo para lhe responder e isso lisonjeava-me. Talvez a minha voz lhe trouxesse uma mensagem de fora. E, talvez, também, por essa razão, André Gide lhe merecia o elogio:

“-Em França, a Literatura acabou: juntam-se palavras. Gide impunha-nos a insurreição: a recusa da renúncia. Teríamos de ser pessoas...

E era uma pessoa o que eu tinha diante de mim: meia cega, com os lábios fixos no sorriso dorido. Velha pessoa, aberta. Eis o mistério das pessoas: aceitarem os outros. Nesse momento, começa a libertação do suicídio: quando as pessoas aceitam os outros e descobrem que os outros lhes trazem qualquer coisa. Sartre, naquela altura, receava ser um figurante: uma personagem a mais. E eu era português e Portugal representava um caminho. Portugal, depois de uma noite monstruosa, era a pureza, o excesso, a imprevidência. Sartre conhecera-o: em 1975, atravessara o Rossio de Lisboa. E, dessa sã indisciplina, ficara-lhe a esperança: os homens continuavam a recrear o dia. Não era eu o que lhe interessava: era o facto de a vida ainda o procurar e deixar que ele a procurasse. A vida chegava-lhe como onda cinzenta mas inevitável. Gide, Portugal, a liberdade livre... O desafio às estrelas, a recusa do repouso, a assunção do destino... talvez, por isso, me aceitasse, ali, na minha insignificância. Que, depois, era o único absoluto, porque não se podia viver -naquele momento- outro momento. Quem era eu mais do que uma voz? Uma espécie de sombra.

Veneza. San Marco. Do outro lado, as Procuradorias Velhas. As chávenas de café. A laguna. Os olhos apagados de Sartre. O meu entusiasmo.

(in Crónicas Italianas, Difel, 1984)

Literatura que não é de cordel (avis rara...)

Henri Beyle, Stendhal

Gustave Flaubert



Aproveita, estejas ou não em férias! A Editora Relógio d'Água tem no mercado dos raros livros que valem a pena (aliás, são duas obras-primas):


-O Vermelho e o Negro, de Stendhal


-Educação Sentimental, de Gustave Flaubert

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O dia de hoje: o caminho de cada um é o caminho de cada um

André Gide (1869-1951)



No tempo da confusão e da incerteza, quando evitamos as escolhas ou desistimos delas, desorientados e subjugados pelo frenesi do espectáculo, do breve, imediato e incompleto prazer –aqui te deixo as palavras que Gide, o de L’Imoraliste, de Les Nourritures Terrestres, de Thésée, escreveu, à beira da morte, em Ainsi soit-il ou Les jeux sont faits:

‘Não trago nenhuma doutrina; recuso-me a dar conselhos, e, apanhado numa discussão, afasto-me. Mas sei que, hoje, alguns procuram, tenteando, e não sabem em que se fiar; a esses venho dizer: acreditai naqueles que procuram a verdade, duvidai dos que a encontram; duvidai de todos, mas não duvideis de vós próprios.”


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Rússia está a arder



Les incendies en Russie : risques et responsabilités politiques de Vladimir Poutine

par Béatrice Giblin

Les incendies de forêt ont dévasté en Russie près de 668 000 hectares depuis le début de l'été. Les réactions de colère devant la lenteur des interventions des pompiers et parfois leur relative inefficacité peuvent donner à penser que les conséquences politiques de cette catastrophe environnementale pourraient être très négatives pour le pouvoir, ce qui serait probablement le cas dans une société réellement démocratique mais qu'en sera-t-il en Russie ?

DES RESPONSABILITÉS POLITIQUES À TOUS LES NIVEAUX

Au niveau central : la responsabilité de Vladimir Poutine. La chute de l'URSS en 1991 a entraîné la dislocation des rouages administratifs et politiques et un changement des modes de gouvernement des territoires, Boris Eltsine ayant permis aux différents responsables des "sujets" de la fédération de prendre autant de souveraineté qu'ils le souhaitaient. On sait que dès son arrivée au pouvoir en 2000 Vladimir Poutine s'est attelé à la recentralisation du pouvoir.

Or, paradoxalement, en 2006, il décentralise la gestion des forêts (809 millions d'hectares), en faisant voter à la Douma la réforme du code forestier mise en oeuvre en 2007 qui transfère la responsabilité de la protection des forêts aux autorités régionales. Cette réforme a pratiquement privé les forêts de protection en supprimant les postes de gardes-forestiers (70 000 postes) qui remplissaient une mission de surveillance et de protection des arbres et d'alerte en cas d'incendie, entraînant une dégradation rapide, les décharges publiques dans la forêt devenant de plus en plus fréquentes.

Cette réforme apparemment s'est faite pour le plus grand profit du groupe Ilim qui domine le secteur de la pâte à papier en Russie et en Chine, car toujours selon A. Iaroshenko, "cette loi est bonne pour les grandes entreprises jouissant de relations avec les autorités car elle leur permet d'abattre rapidement des arbres, de faire de l'argent et ensuite de se retirer".

Ilim group (premier producteur de pâte à papier et de papier en Russie) fut l'un des acteurs les plus influents dans l'adoption du nouveau code. Selon L'Express, le président Dmitri Medvedev a travaillé comme chef du département juridique d'Ilim, activité qui n'est pas mentionnée dans sa biographie officielle. En octobre 2007 soit la même année que celle de la mise en oeuvre de la réforme du code forestier, Ilim holding s'est associé à International Paper - premier groupe mondial de pâte à papier et de papier - pour créer , Ilim Group, une co-entreprise chacun ayant 50-% des parts. Il s'agit du partenariat le plus important du secteur forestier russe entre une entreprise étrangère et une entreprise nationale. Ilim Group emploie 20 000 salariés, possède trois papeteries et produit chaque année plus de 2,3 millions de tonnes métriques de pâte à papier, de cartons et de papier.

Au niveau local : les populations victimes des incendies dénoncent l'incompétence des responsables locaux et leur corruption et remettent indirectement en cause les nominations de Poutine. Dans un Etat aussi peu démocratique que la Russie, le premier ministre pourrait ne pas trop s'en alarmer.

Mais les incendies touchent les campagnes prospères de la région de Voronej. Dans cette région la classe moyenne se distingue par son mode de vie et des valeurs plus traditionnelles ; profondément patriote elle soutient Vladimir Poutine depuis sa première élection. Aussi l'enjeu est-il de taille pour le premier ministre qui s'est empressé d'annoncer que tous les villages seraient reconstruits avant l'hiver. En vérité il ne s'agit pas toujours de villages au sens classique du terme, mais de lotissements. À l'époque soviétique, les entreprises dotaient certains de leurs collaborateurs de petits terrains dont la taille ne dépassait jamais 600m2, et où poussèrent des petites résidences secondaires. Villégiature pour les plus aisés, jardin potager permettant de survivre aux disettes des années 1990 pour les autres, ces avatars des "datchas" de la belle époque font partie intégrante du paysage postsoviétique. Ces entreprises disparues pour la plupart, chaque lotissement possède un statut d'association et gère soi-même la protection anti-incendie.

Néanmoins, le caractère précaire des constructions et l'absence de toute mesure de sécurité rendent ce type d'habitat particulièrement vulnérable. Les autorités se montrent donc préoccupées par le sort des propriétaires de lots qui constituent le gros du corps électoral.

La télévision russe a présenté le soir du 2 août un entretien du premier ministre Vladimir Poutine avec les sinistrés de l'oblast de Nijni-Novgorod. Au départ, les autorités avaient annoncé le versement de 50 000 roubles à chaque ménage sinistré. Durant cinq longues minutes, la foule manifeste son mécontentement face au premier ministre, chose rarissime de nos jours à la télévision russe. Jusqu'au moment, où Poutine annonce que la somme en question sera doublée et non par ménage, mais par personne. Suit ensuite une kyrielle de promesses : toutes les maisons détruites seront restaurées, de plus avec toutes les commodités même la où il n'y en avait pas avant l'incendie. On viabilisera, on construira des routes. Le tout avant l'hiver 2011. Les commentateurs ébahis se perdent actuellement en conjectures quant à la faisabilité de ces annonces, d'autant que la corruption dans les régions rendra le projet pratiquement irréalisable. Et ce, même si conscient du niveau de corruption des responsables locaux, Vladimir Poutine aurait dit à Dimitri Medvedev qu'il fallait mettre un contrôleur derrière chaque gouverneur pour s'assurer qu'il ne détourne pas les fonds du pouvoir central pour la reconstruction des villages : 5 milliards de roubles annoncés (100 millions d'euros). L'intervention de l'Etat est d'autant plus attendue qu'à la différence des pays occidentaux touchés par de graves incendies (Grèce, Australie, Californie), les habitations détruites ne sont pas assurées.

La catastrophe cristallise tous les tropismes du "système Poutine" : promesses populistes, solidarité face à un ennemi imaginaire, culte de l'Etat – tout-puissant et vulnérable à la fois. Le Patriarche prie pour la pluie, le jeune président-modernisateur convoque les conseils et réprimande les amiraux (le Chef de la Flotte russe fut sermonné publiquement par Medvedev pour avoir laissé brûler 13 hangars d'une base fluviale sur la Moskova), et le "leader national" sillonne les régions et rassure la base. Sorti de la rubrique des faits divers par les médias qui n'hésitent pas désormais à le comparer au joug tatare et à l'invasion nazie, le feu devient le nouveau dragon en passe d'être terrassé par le Saint George bicéphale du pouvoir russe.


transcrito, com a devida vénia, de Le Monde, 11/08/2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sobre a jovem afegã mutilada

...as dificuldades de ser mulher no Afeganistão...

Time abre el debate sobre la retirada de Afganistán
por Ricardo Iori

Una joven mutilada por los talibanes es el rostro del último número del semanal estadounidense, que se pregunta: "¿Qué sucederá si nos vamos?"

Bibi Aisha no tiene orejas, ni nariz. Los talibanes se las arrancaron hace un año por haber intentado huir de la familia de su marido. Su rostro mutilado ha sido escogido para la última portada del Time. El rostro de una mujer afgana de 18 años horrendamente mutilada por un poder patriarcal y misógino.
La imagen del semanal estadounidense famoso por sus portadas con las caras de personajes célebres ya ha desatado la polémica. La larga melena negra de Aisha cubre las mutilaciones en las orejas, pero nada oculta el agujero que tiene entre los ojos y la boca. La imagen es brutal e impactante, pero quizás no habría levantado un polvorín si no hubiera sido acompañada por un titular con fuertes implicaciones políticas: What happens if we leave Afganistán (Lo que pasa si abandonamos Afganistán). El redactor jefe del Time, Richard Stengel, ha escrito un editorial para explicar las motivaciones detrás de la elección. "Nuestra imagen de portada es potente, espeluznante y perturbadora. (...) La hemos puesto para enseñar cual es la situación en el terreno. (...) Nuestro trabajo es aportar contexto y perspectivas en uno de los temas de política exterior más complicados de nuestros tiempos".
Justamente la falta de contextualización es, sin embargo, la acusación que la revista ha recibido. El Muslima Media Watch, un forum en Internet en el que musulmanas feministas -como se autodefinen- se reúnen para hablar de la actualidad, salva el trabajo de la fotógrafa, Jodi Bieber, pero no la línea editorial. Una de las participantes en la discusión, Sara, después de haber destacado la semejanza entre la imagen de Aisha y el retrato del National Geographic del 1984 a Sharbat Gula, una niña afgana que se convirtió en un icono del sufrimiento del pueblo asiático, asevera que no hay nada "intrínsicamente equivocado en fotografiar a Aisha o en contar su historia". Pero lo que considera incorrecto es que detrás de este trabajo hay "un medio estadounidense con una larga historia que utiliza las vicisitudes y las fotos de las mujeres afganas para defender una acción política". Mucho más dura es otra usuaria, Krista, que escribe: "Salvar a las mujeres ha sido parte de la retórica occidental detrás de la invasión, pero las mujeres afganas raramente han representado una prioridad para las fuerzas de la coalición, que para conseguir el objetivo de derribar a los talibanes han trabado alianzas con muchos misóginos a lo largo de la ocupación. La foto perpetúa un mito, el del ocupante extranjero liberador de las mujeres, que no corresponde a la realidad".
La asociación Woman for Afghan Woman es la ONG que ha amparado a Aisha después de que ella fuera encontrada agonizando. Sus verdugos, entre ellos su marido, la habían dejado en las montañas de Oruzgan tras haberla mutilado. La directora de la organización, Manizha Naderi, asegura: "La portada del Time ha devuelto el tema de las mujeres afganas al centro del debate y yo estoy agradecida por esto. Aisha y yo estamos felices por la portada". Manizha ha confirmado a este medio que Aisha lleva diez meses bajo la protección de la asociación y que mañana 4 de agosto dejará Afganistán para ir a Estados Unidos. "Ahora Bibi está bastante bien. Está ansiosa y expectante por que le reconstruyan la nariz". Será la Grossman Burn Fundation, una organización humanitaria californiana que patrocinará la operación quirúrgica a la que Aisha se someterá.
El debate no se ha quedado solo en el mundo de las mujeres afganas. The Atlantic Wire, el sitio web vinculado con la prestigiosa revista americana The Atlantic Monthly, ha recogido las opiniones de diferentes medios estadounidenses sobre la foto del Time. Algunos, como el sitio neoyorquino The Awl, opina que la operación se presenta como "un pretexto por algo que suena a ocupación permanente o por lo menos de larga duración". Otros, como el blog de noticias y opiniones, Mediaite, respalda la decisión del Time: "Las cosas que son difíciles de mirar a menudo son las más necesarias. (...) El valor añadido de la impresión que provoca no puede ser negado". También hay quién opina, como el blog de impronta liberal Gulliver, sobre la conveniencia de llevar a cabo una guerra para mejorar la condición de las mujeres: "¿Debe la situación apremiante de las mujeres bajo un sistema teocrático condicionar nuestras decisiones políticas? ¿Qué pasa después de 1.000 muertos estadounidenses? ¿Y después 10.000? ¿Dónde está el límite? En otras palabras: ¿Cuál es la magnitud que necesita una tragedia humanitaria para que justifique una operación ruinosa económicamente y estratégicamente?".
Julio ha sido el peor mes para las tropas de EE UU en Afganistán, con 66 muertos. En mayo los fallecidos en las filas del Ejército estadounidense superaron la simbólica cifra de mil. En la reciente conferencia internacional en Kabul, el presidente del país, Hamid Karzai, ha confirmado la necesidad de negociar con los talibanes el futuro de Afganistán. Aisha se va mañana a Estados Unidos para que le devuelvan el aspecto que tenía antes de la violencia sufrida y las mujeres que viven en las provincias controladas por los talibanes siguen en completa sumisión. La solución al puzzle afgano no parece cerca de ser encontrada.
transcrito, com a devida vénia, do El País de hoje