quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Se não quer ter maçadas, não se meta onde não é chamado...




...ou o visitador indesejado

Erasmus de Roterdão escreve, no ‘Elogio da Loucura’, estas palavras duras como pedras:

‘É sabido que todas as coisas humanas têm, como os Silenes de Alcibiades (cf. Platão, O Banquete, 215 A), duas faces muito diferentes.

(...) Os actores estão em cena e representam o seu papel. Alguém tenta tirar-lhes a máscara, para mostrar aos espectadores os seus verdadeiros rostos. Não irá estragar a peça e não merecerá esse irresponsável ser expulso? O seu acto deita abaixo todas as aparências: a mulher em cena revela-se um homem; o jovem, um velho; o rei, um escravo; o deus, um bom-serás. Destruída a ilusão, toda a obra se desmancha: o travesti, a maquilhagem constituíam o seu encanto. Assim é a vida. O que é ela senão uma peça de teatro em que cada um de nós, debaixo da máscara, representa a sua personagem até que o coreógrafo mande descer o pano?

(...) Tal qual dizer uma verdade intempestiva é extremo disparate, é a maior asneira ser lúcido fora de tempo. (...) Rema contra a corrente aquele que não sabe acomodar-se às coisas como elas são, não obedece aos usos e esquece esta lei dos banquetes: “Bebe ou vai-te embora”

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