segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Racismo, racismo, racismo...

As fronteiras do ódio


Todos somos os outros
por Manuel António Pina


Olho com reserva a invocação dos versos do pastor Niemoeller ("Primeiro vieram buscar os comunistas, / e eu calei-me pois não era comunista. /A seguir vieram buscar os sindicalistas, /e eu calei-me pois não era sindicalista. / A seguir os judeus,/ e eu calei-me pois não era judeu ./ Agora vêm buscar-me a mim, /e já não há ninguém para falar") a propósito de situações como as deportações de ciganos em França e outros países da UE. Embora já os tenha usado, não gosto da moral mesquinha desses versos, a de que devemos levantar-nos em defesa dos outros porque pode chegar a nossa vez. Não, devemos levantar-nos em defesa das vítimas de injustiças pelas vítimas e não por nós. O que é intolerável nas deportações de ciganos não é o facto de, um dia, podermos também nós vir a ser deportados ou que o valha, é sermos testemunhas (alguns em silêncio) de uma "limpeza étnica". De facto, confirmou-se a falsidade das justificações securitárias (tratar-se-ia de "criminosos") dadas por Sarkozy para as deportações: nenhum dos ciganos recentemente deportados tinha cadastro policial quer na França quer na Roménia.

transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias, 31/08/10

2 comentários:

  1. É isso mesmo.Grito porque me sinto cigano.Aqui.Nesta nação? que se diz democrática.
    mário

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  2. Meu Caro Trepadeira: se quer que lhe diga, e até na sequência do meu artigo sobre a alterofobia, publicado no 'Jornal de Notícias' (há sempre conversas de café e telefónicas...), senti as pessoas crispadas em quanto diz respeito aos ciganos... Será um preconceito (só isso?) que vem de séculos?... Em suma: para muitos, cigano é... cigano... Que tristeza!

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