E aproximam-se, a galope, as férias de cada um, a paz, o
tempo de viver a sério e da vida procurarmos novos ou verdadeiros caminhos. Há tempo
para tudo? Sim, há: tempo verdadeiramente nosso. Aqui vos deixo a abertura de
um romance, “Pântano”, publicado em 1940. Nele encontrarás Maria Helena Vieira
da Silva, José Bacelar, Mário Eloy… e outros. É a Lisboa da guerra e dos refugiados,
do medo que Salazar, apoiado, em Hitler e Mussolini, sobreviva à resposta
inglesa, à luta-esperança de um Portugal democrata, livre.
Dificilmente encontrarás o romance. E porquê? Porque o autor
já leva mais de vinte anos que o enterraram. Ele é ma dessas vítimas da
ganância e da desvergonha daqueles que quiseram todos os louros para eles;
quem?: João Gaspar Simões. Busca, porém, a sua obra.
Aqui te deixo, pois, a abertura do “Pântano”, um dos grandes
livros do condenado ao Progatório.
“Nas Ruas, Ao anoitecer: Caminhar ao acaso, numa grande
cidade, por entre desconhecidos, livre, perfeitamente livre, sempre se lhe
afigurara um sonho. Não desejava coisas impossíveis. Não tinha grandes
ambições. Mas aquela liberdade silenciosa dava-lhe asas. Que haveria de mais
invejável neste mundo?”
Bom dia, amigo.

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