terça-feira, 13 de junho de 2017

Um amigo de todos os dias


Umberto Saba



Descobri Umberto Saba (Trieste, 1883 -Gorizia, 1957) em 1976. Ou melhor: Aldo Zari apontou-mo, na banca de uma livraria barata de Veneza. A partir daí e até hoje, nunca mais o larguei: é um poeta genial, é um grande amigo. Foi difícil apanhá-lo: a poesia é muito difícil de abrir, quando se nos apresenta em língua não dominada e eu dava os primeiros passos de convivência com o italiano.

No ano seguinte, 1977, comprei um livrinho (Il Canzoniere, Scelta e Anotazione di Folco Portinari, Giulio Einaudi Editore) destinado a estudantes. E em estudante me tornei nos anos seguintes, sempre com o livrinho no bolso, em frequentes viagens a Veneza. Passados cinco anos ou sete anos, dispensei o livro e o fabuloso Il Canzoniere passou a ser a minha bíblia.

Hoje, muito cedo, fui às estantes e retomei uma obra de muito interesse: Il cerchio imperfetto, que apresenta Umberto Saba e Vittorio Sereni preparou, (Archinto, 2010).

Nas últimas páginas e, certamente, muito perto da morte, Saba, entrevistado por Sereni, disse:

“Bem gostaria, agora que sou velho, retratar com simplicíssima inocência o mundo maravilhoso.”

E, até ao fim, a obra de Saba cumpriu: recriou esse mundo maravilhoso que o poeta viveu e recriou.    

1 comentário:

  1. Fiquei curiosa com a sua admiração por U.Saba
    e descobri no Y.Tube muita informação sobre
    este personagem para mim desconhecido.
    Fiquei um pouco mais rica. Aproveito também
    para agradecer a sua simpatia.Boa noite.

    decerto um apaixonado por Trieste que o

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