Queria tanto saber por que sou Eu!
Quem me enjeitou neste caminho escuro?
Queria tanto saber por que seguro
Nas minhas mãos o bem que não é meu!
Quem me dirá se, lá no alto, o céu
Também é para o mau, para o perjuro?
Para onde vai a alma que morreu?
Queria encontrar Deus! Tanto o procuro!
A estrada de Damasco, o meu caminho,
O meu bordão de estrelas de ceguinho,
Água da fonte de que estou sedenta!
Quem sabe se este anseio de Eternidade,
A tropeçar na sombra, é a verdade
É já a mão de Deus que me acalenta?
Florbela Espanca, transcrito in Na Mão de Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958

Bom dia
ResponderEliminarUm lindo poema, mas triste, como toda a poesia dela, não é?
É uma alma muito especial e trágica. Há um excelente ensaio do Régio sobre ela, em
ResponderEliminar"Ensaios de Interpretação Crítica", livro que contém outros três ensaios magistrais sobre
Camões, Camilo e Sá-Carneiro. Devia ler, Isabel.
A mao de Deus... será?
ResponderEliminarMaradona também falava dela, noutro contexto, como é óbvio...
Há tanta metáfora por aí...
Vou tentar encontrá-lo.
ResponderEliminarObrigada.