A "morte" de France Soir, com 67 anos de vida (cf. Link no post abaixo), o arrumar das malas de um quotidiano que chegou a vender 2 milhões de exemplares por dia, levanta, mais uma vez, a dúvida sobre o futuro da imprensa.
O jornal de papel está condenado a desaparecer?
Entre nós, muitos quotidianos e semanários sentem, na pele, quanto arde a pergunta.
E muitos estrebucham.
Lay-off, despedimentos, dispensa de colaborações...
E buscam o eldorado: transformarem-se em tablóides.
Um eldorado com as calças rotas.
Não é por publicarem notícias desenvolvidas sobre assuntos realmente importantes e realmente da hora, do momento; não é por acolherem textos que analisam os problemas sociais e culturais,
em vez de mostrarem as calcinhas da Chica ou relatarem o apunhalamento do Silva, a história da sogra que violou o genro ou do cego que foi abusado,
não é por não insinuarem que a Lola anda com o Bentes ou que o Hipólito desviou dinheiros da empresa,
não é por falta dessa peixeirada apimentada que os jornais de papel agonizam.
É porque não se aguentam com os concorrentes: os novos modelos numéricos da escrita.
Porque tendem a degradar-se e a transformarem-se em tablóides -e, entre nós, já há que chegue...
Infelizmente.
Porque tendem a degradar-se e a transformarem-se em tablóides -e, entre nós, já há que chegue...
Infelizmente.
E, para quem seja vítima do PAC (o Processo de Analfabetização em Curso), que roubou o ensino do francês, transcrevo o final da Editorial do Le Monde de hoje:
“Os novos suportes numéricos da escrita –smartfones, iPad- não cessam de marcar pontos. O inquérito, o comentário, a análise, a reportagem têm o seu lugar. O futuro pertence aos jornais que sabem navegar no papel como a Web. O impresso é mais indispensável que nunca.”
No fim e ao cabo, tudo depende da Cultura, do ensino –escandalosamente desprezados, entre nós.
E, obviamente, da cultura e das intenções dos donos dos jornais...

Sem comentários:
Enviar um comentário