domingo, 25 de dezembro de 2011

Senhor, eu te agradeço esta noite...

Presépio popular, anónimo: e o presépio não pode morrer...

Senhor, eu te agradeço esta noite,
Esta noite leal, tímida, boa,
Após as horas baças do café,
A discutir o Lawrence e o Pessoa.

Senhor, eu te agradeço esta noite
Com tanta estrela pelo espaço,
Esta noite leal, límpida, mansa,
Que se me dá como um regaço
Onde a alma descansa.

Senhor, eu te agradeço esta noite
Toda incensada dos olores
Das árvores que fremem de desejos
E se recobrem de flores,
As flores, os seus beijos...

E eu te agradeço a graça de ser só
Nesta leda e serena madrugada;
E o rouxinol que canta ao desafio
Com as águas que correm na levada...
E o silêncio macio
Como um penso numa ferida...

Senhor, eu te agradeço a vida...

Fausto José, poema transcrito in Na Mão de Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958


sobre o poeta (tão pouco conhecido...):


http://gremio.cm-vilareal.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=153&Itemid=54

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