sábado, 31 de dezembro de 2011

Diante do dia



'Estrada de Saint-Siméon", 1864, óleo de Claude Monet


Estrofes II

Do largo e antigo imaginar profundo
Removam-se as proscritas maravilhas:
-As aparências fantásticas do mundo,
-Monstros do Mar sulcando à flor das ilhas.
Repassados de artísticos compassos
Aos flavos Sóis e aos tempos vos semeie,
Minha bátega fluida de pedraços,
Forte rima de versos que ideei.
Que o engenho do meu cântico se afoite
Às invocadas órbitas da Noite
Em que me envolve o espírito da vida.
E da força-mistério, no tormento
Da névoa, me desperte o Sentimento
Da grande fé que trago indefenida.

 Afonso Duarte, Estrofes Pagãs, in Cancioneiro das Pedras, 1912, Lisboa

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