quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um soneto de Nunes Claro, que nasceu, em Lisboa, no ano de 1878 e faleceu, em Sintra em 1949

Vieste tarde, meu amor! Começa
em mim caindo a neve devagar;
morre o sol, o Outono cai depressa
e o Inverno, finalmente, vai chegar;


e se hoje andamos juntos, na promessa
de caminharmos toda a vida a par,
daqui a pouco, o teu amor tem pressa
e o meu, daqui a pouco, há-de cansar.


Dentro em breve, por trás das velhas portas,
dando um ao outro só palavras mortas,
que rolam mudas pelas nossas vidas,


ouviremos, nas noites desoladas:
tu, a canção das vozes desejadas;
eu, o chorar das vozes esquecidas.
é provável que desse poeta discreto pouco mais fique do que este belo soneto...

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