sexta-feira, 15 de maio de 2009

O dia de hoje...


É uma confusão mansa. Uma intriguinha de escada. Uma campanha que nem é alegre –mas, sempre, queiroziana. Não escrevemos as páginas do Pobre homem de Póvoa do Varzim (afinal, talvez, quem sabe?, de Vila do Conde...). Mas, no fim e ao cabo, já estávamos lá, na tal Campanha Alegre, que o Eça escreveu n’As Farpas... Essa, sim, é alegre, faz rir, faz bem à gente, ajuda a digestão. Esta aflige: medíocre, pequenina, caseira –de porteira e mirone à janela, como se Portugal fosse só cinco letras... Anda por aí o desemprego, o susto, depressões e angústias, ninguém sabe do dia de amanhã. Vai haver pão? E as reformas??? E hospitais, urgências??? Os professores fogem, os professores minguam, os professores foram proibidos de pensar, ensinar... As crianças vão aprender a ler? E o banco não paga, a empresa faliu, o café fechou... E, agora, o Algarve? Mataram as férias? Mataram o verão, os fins de semana????
E o que preocupa os jornais, o que apregoam os noticiários radiotelevisivos é que Vital Moreira incomodou Sócrates...

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
Linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,

......................................................

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...



assim poetava, com azia a roer-lhe o estômago, Alexandre O´Neill, há 44 anos...

Sem comentários:

Enviar um comentário