sábado, 30 de abril de 2011

A cultura é o alicerce da casa comum

Mundo parado



Se espreitarmos o século XX português, encontramos dois movimentos culturais de importância e influência inestimáveis. Malgrado 48 anos de ditadura salazarista.


Refiro-me à “presença” e ao neo-realismo.


Contra ventos e marés, tentaram, através da Cultura, obviar ao anacronismo intelectual vigente. Obstar ao empobrecimento do espírito.


Esses movimentos salvaram-nos da cegueira total.


Hoje, da afirmação de individualidades, resvalámos para a descaracterização da cultura, entregando-a nas mãos do mercado.


E, daquilo mesmo que ainda é público, os governos preferem, à qualidade, a quantidade rentável.


Ora a cultura não é um produto, sujeito a leis de compra e venda. A cultura é o coração de um país, é o aríete do progresso. O homem evoluiu, graças às aquisições culturais.


Na febre de destruir o Estado Protector -a grande conquista da segunda metade do século XX- menosprezam os governos uma obrigação essencial: privilegiar ensino e cultura.


Há que investir nos ministérios da educação e da cultura.


Há que reclamar, da TV pública, a difusão -a horas de grande audição- de programas culturais semanais.


Tem, também, o governo de subsidiar as iniciativas que brotam, aqui e ali, no Interior esquecido.


Urgentemente, deve o governo rever as condições de trabalho dos professores das escolas públicas, impossibilitados de exercerem pedagogia frutuosa e de se actualizarem.


Tem que defender a escola pública e impedir a sua degradação –e a consequente elitização do ensino: ao privado não chegam todos, cada vez menos...


Porque nos arriscamo a ser uma sociedade, anquilosada e condenada a desconhecer-se.


A definhar.


publicado da Página de Cultura do Jornal de Notícias de hoje

Bom dia!

De onde saiu este bicho?

É tal qual..., quem lhe paga?


"Carrapatoso quer responsabilizar Governo pelo “estado de coma” do país"


in Público de hoje

Basta de vigaristas



Um coelho iluminado





"Eu sei que o Governo vai mudar"


disse Coelho, em Vila Nova de Famalicão


O pessoal agradece o esclarecimento e admira o visionário que só tem rival em Américo Tomás, quando o grande homem de estado afirmou:


"-Aveiro é uma grande cidade, mas ainda há-de ser maior!"


E, a meio desta trágica comédia, capaz de fazer inveja ao melhor do Parque Mayer, o Zé aperta o cinto...

Na morte de um homem diferente: Ernesto Sabato (24. 06.1911-30.04.2011)

"Sou um anarquista! Um anarquista no melhor sentido da palavra. O povo julga que anarquista é o que põe bombas. Anarquistas foram os garndes espíritos, como Leão Tolstoi, por exemplo." (entrevista ao diário "O Tempo", Bogotá, 22 de junho de 1997)

O bem em cada um

Um homem



Ainda que não seja da minha responsabilidade, uma vez que não sou católico...


a polémica por causa da beatificação de João Paulo II, traz-me aqui.


Há, nesse pequenino burburinho, qualquer coisa de futebolístico:


eu sou do Benfica, tu és do Porto, santa era a minha avó, não era a tua.


E a avó dele -diz ele- curou-o de feridas mais vezes do que a minha me curou a mim...


Uma fez mais milagres do que a outra. Uma pôs mais nercuriocromo do que a outra.


Não me lembro de onde li a seguinte frase:


“O que importa é AQUILO QUE TU PODIAS TER FEITO”.


O que estava dentro de ti.


Aquele que tu, realmente, eras.


O acaso e a necessidade propiciaram-me o encontro com João Paulo II, na Igreja dos Portugueses, em Roma.


Eu, entre o público anónimo, ele a celebrar a missa.


Eu, por profissão que me obrigava a estar ali, e por uma imensa curiosidade (o Outro, seja ele qual for, interessou-me, sempre).


Ele, com a sua fé.


E a imagem que eu guardo é a de um Homem com muitas coisas dentro de si.


E um Homem -expressão tão cara a Unamuno- raras vezes, raríssimas, se encontra.

Gustav Mahler (7.07.1860-11.05.1911)

...E, daqui a dias, passam 100 anos sobre a morte de um compositor muito especial... (esta ilustração, tão feliz!, roubei-a ao Blog 'Bella Vita')

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Bom dia!

O presente que a cidade de Londres ofereceu aos príncipes





Boris Johnson, o excêntrico Mayor de Londres, ofereceu ao casal um tandem, para passearem e ajudarem a uma monarqui sustentável...


http://www.london24.com/news/video_boris_johnson_gives_bike_as_royal_wedding_gift_1_879102

A infâmia

Somos pessoas sem rei nem roque, nas mãos dos que escondem, pessoas sozinhas





O desumano é infame: e é desumano não responsabilizar os verdadeiros responsáveis pela desgraça que nos espera.


Eles chamam-se neo-capitalismo, falsa social-democracia, medo do socialismo.


Assassinos do Estado Social.


É infame esconder o que se negoceia.


É criminoso manter um povo nesta angústia de não saber se vai poder comer, amanhã.


Isto não são políticos: pessoas que se preocupam, com a polis, a cidade.

São covardes e interesseiros.


Tratam da vida deles, não da nossa.

De Leonardo?

'O Salvador adolescente', 1490-1495, obra pertencente ao Museu Lázaro Galdiano, Madrid, cuja autoria se discute: de Leonardo ou de Giovanni António Boltraffio, seu discípulo? A 7 de Maio, a obra fará parte de uma exposição temporária, na National Gallery, Londres

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Coelho quer mais presentes de páscoa






"Passos pede que dêem ao PSD a mesma oportunidade que teve o PS


in Público de hoje

Bom dia!



A música que estás a ouvir é cantada em Yiddish, abre o link para saberes mais


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Coelho não vai com todos...

Em plena carestia, o coelho é mais caro do que o bacalhau...



"Passos Coelho não aceita acordo com PS de Sócrates

Depois de Sócrates ter anuido, em entrevista à TVI, num entendimento pós eleitoral com o PSD, Passos Coelho já afirmou hoje que não está interessado nesse entendimento com Sócrates à frente do PS"


in Público de hoje

André Derain: por sugestão do amigo Manuel Cardoso

terça-feira, 26 de abril de 2011

Bom dia!

O assalto





Deudas atacadas

Europa necesita una autoridad económica estable para evitar las tormentas financiera



Las convulsiones en los mercados de deuda han reaparecido para seguir castigando a Grecia, Irlanda y Portugal y amenazar brevemente a los activos españoles, si bien en este último caso la tormenta parece haber pasado. No obstante, aparecen sensibles novedades en la situación de la estabilidad financiera internacional. Moody's y el FMI han subrayado la debilidad de la situación financiera de Estados Unidos, una economía que soporta un elevado déficit público y una deuda a la que la agencia de calificación ha degradado la tendencia, si bien mantiene el nivel de triple A. Hasta China se ha permitido el gesto de regañar paternalmente a Obama por los desequilibrios financieros. Casi al tiempo, el ascenso electoral de la ultraderecha finlandesa, hostil a los rescates de deuda, amenaza con diferir el plan de salvación de Portugal; y la OCDE acaba de rebajar las previsiones de crecimiento de Japón. Prevé para la tercera economía mundial una etapa de dificultades antes de concluir la reconstrucción del país asolado por el tsunami y el accidente nuclear de Fukushima.
Obama ha reconocido la debilidad de los parámetros financieros del país. Pero existen dificultades para aplicar la receta del FMI (la misma de siempre, reducir el déficit mediante un recorte de gastos) debido a la poca expectativa de acuerdo entre la Administración demócrata (que ha sido incapaz de corregir las ventajas fiscales de las rentas más altas aprobadas por Bush) y la oposición republicana. Los republicanos han resucitado los métodos jurásicos de la llamada economía vudú, es decir, la fe ciega en que aplicando rebajas de impuestos se lograrán aumentos de recaudación. Un error de grueso calibre, del que son fervientes partidarios los economistas del PP.


Las dudas sobre la deuda se mantienen en ebullición en Europa. Las tensiones no van a desaparecer por completo sencillamente porque la gestión de la política económica europea, pilotada hoy por Alemania y Francia, deja mucho que desear. En primer lugar, por la chirriante contradicción que surge de aplicar unos programas de ajuste presupuestario que dificultan el crecimiento económico y que, por tanto, debilitan las posibilidades de devolver la deuda contraída. La obsesión alemana por el déficit cero es un pesado lastre para las economías europeas, embarcadas en un proceso de ajuste sin fin que nunca llega a cumplir las expectativas de Angela Merkel y Wolfgang Schäuble.


Europa tiene que disponer de una autoridad económica compacta que sea capaz de disuadir de eventuales ataques contra la deuda. Hoy, Alemania y Francia, electoralmente agobiadas, han ocupado el puente de mando de la gestión de la crisis, y sus decisiones son discutibles. La Unión está obligada también a perfeccionar los mecanismos de rescate financiero. No es razonable que un país rescatadoreciba préstamos con un coste similar al que, en su mala situación, le facilita el mercado. La ayuda no puede convertirse en un freno para el crecimiento. Pero Alemania y a su estela Francia no parecen entenderlo así.


transcrito, com a devida vénia, de El País de 22/041

E depois da Páscoa?




"Apesar de agnóstico, sou leitor contumaz, todos os domingos, dos artigos de Frei Bento Domingues, sempre extremamente interessantes. Mas não creio que seja suspeito, apesar de ser seu amigo e admirador. Na passada Páscoa, escreveu, como de costume, no Público um artigo, cuja parte final me permito citar, para concluir esta breve e desastrada crónica:


"Em Portugal, e não só, todas as notícias da Quaresma foram motivadas pelos efeitos do capitalismo selvagem, especulativo, sem regras, abrigado nos paraísos fiscais, mergulhando os pobres no desespero. Perante o império do dinheiro, da corrupção e da imprevidência que semeiam a morte, a mensagem da Páscoa, deste ano, deve servir para convocar a energia de toda a gente de boa vontade para que não haja indigentes entre nós (Act 4, 34). Esta seria uma Santa Páscoa!"


Mário Soares, in Diário de Notícias de hoje

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O esquecido por medo

António Lopes Cardoso



"A cara lavada do 25 de Abril", escreveu Artur Portela.

O nome que ninguém lembra.


Sobretudo, quem tinha a obrigação de lembrar: os manda-chuva do PS.


Obviamente, os outros também não lembram.


Têm medo.


Da honestidade.


Da coerência.


...do 25 de Abril.

Traz outro amigo também...



Quero trazer à festa o meu amigo Aldo Zari.


De onde está, ele que amava Portugal, manda-nos “aquele abraço”.


Recordo-o, numa manifestação do PS e aliados, da qual sairia um PS derrotado.

Recordo-o, com a blusa PS, as barbas, a alegria.

De participar.


De ser Amigo.


Aldo era, como todas as pessoas de bem, um homem à esquerda.


Do quê?


Dos plutocratas, dos mentirosos, dos agiotas.


Aldo era um homem que decidira dar a vida.


À sua verdade.


À sua forma de estar com os outros e ser homem irmão dos homens:


criando.


Morreu pobre. Era o pintor mais pobre de Veneza.


Hoje, quando me sinto feliz por viver a liberdade que me ofereceram no dia 25 de Abril de 1974,


quero trazer este irmão.


No regresso, no comboio, perguntei-lhe:


“-Vamos ganhar, não achas”


E Aldo, de cima dos óculos de caixilho metálico, redondos, disse-me o que me iria fazer bem:


“Vamos”.


Passo a palavra de Aldo: VAMOS GANHAR!


Somos mais verdadeiros do que eles.

Canta quem cantou

Isto está tão vivo como tu, se não te deixares matar

As lágrimas dos crocodilos




Há muita lágrima que chora o 25 de Abril.


Há as lágrimas dos que viram adulterar uma intenção.

Há as lágrimas –essas de crocodilo- dos que regozijam com o que julgam ser o fim da intenção: da revolução.


Revolucionar é mudar o que está.

E isso aconteceu.


O português é livre, o português vive em democracia.

A maioria dos portugueses vive hoje melhor.


Acesso ao ensino, serviço de saúde, ordenado mínimo, subsídio de desemprego & etc.


Nada disso existia antes.


Vivem mal?


Vivem.


Por que razão?


Tudo se estragou, quando a Assembleia da República foi (desnecessariamente) dissolvida e Cavaco tomou conta do poder, em 1987, com maioria absoluta, votada.


Aí se instalou o desastre que hoje sofremos.


Aí, a intenção de criar um Estado livre, social, deu com os burrinhos na água:


no neo-liberalismo à moda de Boliqueime, que foi piorando.


E que os governos socialistas de 3ª ou 4ª via não corrigiram o bastante.


O que disser, hoje, Cavaco -o pai, não da História mas,sim, da nossa desgraça-, eleito PR em eleições a que só foram às urnas 23% dos eleitores,


e em que perdeu 550 000 votos, em relação à sua eleição anterior (igualmente, um desastre),


o que disser o homem de Boliqueime é “igual ao litro”:


balelas.


A realização do 25 de Abril, da intenção de erguer um Estado livre, social, onde todos cabem mais os seus direitos,


está aí:


pode ser votada no próximo dia 5 de Junho.

domingo, 24 de abril de 2011

Viva o 25 de Abril!



Um herói do nosso tempo

Américo Rodrigues



Sofremos a crise que atravessamos porque, há séculos, nos deixamos usar mal.

Frei Luís de Sousa pôs na boca de Bartolomeu dos Mártires esta frase actualíssima, apesar de escrita há quase 400 anos: “a gente, de seu natural, era inclinada ao bem; e, dos males que havia, os mais procediam de falta de mestres”.

Pouco mudou a mentalidade dos governantes.

Educação e Cultura foram menosprezadas. Há muito carecem os portugueses de mestres e lhes sobejam agiotas.

O nosso litoral está atulhado de robôs, novos escravos de consciência congelada. Homens despersonalizados, resta-lhes cumprir os rituais duma sociedade desumanizada e esperar a consumação da morte que os devora.

Outro morbo nos rói: amargamos as consequências de duas vagas emigratórias: a que nos rouba gente e a atira para o estrangeiro e aquela que nos esvazia a província.

O Interior abandonado, resiste, como pode, ao deserto do espírito e da terra, que lhe batem à porta. E nasce, dir-se-ia do nada, a reivindicação da identidade cultural, tal o atraso sobre que se implanta. É heroísmo. E luta pela sobrevivência.

Não estivesse a agricultura de rastos; não comandassem o betão e o sonho tolo do turismo volátil e dependente da paisagem nas mãos dos vândalos –ainda assim, perigaria esse mundo esquecido. A foice do neo-liberalismo selvagem desconhece a “intellighenzia”.

A Ministra da Cultura distingue, amanhã, com a Medalha de Mérito Cultural, um dos heróicos lavradores de campos desprezados: Américo Rodrigues, director do Teatro Municipal da Guarda. O muito que lhe devem a cidade e a Cultura não cabe aqui. Maria Gabriela Canavilhas em boa hora decidiu.

O dia

'Ressurreição de Cristo', c.1450, de Piero della Francesca (1405-1492)




'Maria Magdalena', 1500, de Pietro Vannuci Perugino (c.1450-1523)

E Jesus, tendo ressurgido de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Magdalena, da qual ele tinha expulsado sete demónios.

Foi ela noticiá-lo aos que haviam andado com ele, os quais estavam aflitos e chorosos.

Mas eles, ouvindo dizer que Jesus estava vivo e que fora visto por ela, desconfiaram.”

Evangelho segundo Marcos, XVI, 9, 10, 11

sábado, 23 de abril de 2011

Imagem de Veneza dedicada à amiga Maria Fernanda

'San Giorgio, Veneza', 1981, óleo de Virgilio Guidi (Roma, 1891-Veneza, 1984)

Dia Mundial do Livro



Neste dia, cabe recordar o poema-chave do maior poeta português do século XX -convite à independência e à verdade interior

Bom dia!

'Vista de Burano, com vinha', 1912, óleo de Umberto Moggioli (1886-1919)



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Coelho pascal

Descanso nas festas: dura há 48 horas...



Dos jornais:


"Coelho reprovou tolerância de ponto na véspera de Páscoa"

A visita

'O poeta e o anjo', 1938, óleo de Mário Eloy(1900-1951)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A livraria mais antiga do mundo




"Desde que abriu em 1732, a Livraria Bertrand do Chiado nunca deixou de funcionar. É por isso que entrou para o Guiness como a livraria mais antiga do mundo ainda em actividade."


in Público de hoje


abre link:


Um amante de Veneza

'San Lorenzo', Veneza, 1934, óleo de Filippo de Pisis (1896-1956)

Um pintor de Veneza

'O canal', 1921, óleo de Guido Cadorin (1892-1976)

Um pintor da escola de Burano

'A rapariga da flor', óleo de Gino Rossi (Veneza,1884-Treviso,1947)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Páscoa Feliz!

'O anjo', óleo de Reuven Rubin (1893-1974)

Uma preciosidade à venda na Livraria Lumière



A cada um o seu

Ramon in El País de hoje



De mãos atadas?






Dias de humilhação


por Manuel António Pina


Passos Coelho disse-o com despudorada clareza: o programa de governo do PSD será o do FMI. E o mesmo acontecerá necessariamente com o do PS e o do CDS, partidos que, juntamente com o PSD, continuam em reuniões com os mandatários do FMI, BCE e UE para receber instruções ("negociações", chamam-lhes eles: o FMI, BCE e UE ditam e PS, PSD e CDS tomam nota, atrevendo-se eventualmente a alguma sugestão respeitosa...). Restam os programas do BE e do PCP, que conterão certamente medidas alternativas, mas não poderão, seja numa improvável participação no Governo seja na AR, alterar nada do que já tiver sido decidido pela coligação FMI/PS/PSD/CDS.


Pode, pois, perguntar-se para que é que haverá eleições senão para, à falta de pão, oferecer ao país duas ou três semanas de circo. As políticas para os próximos anos estarão, de facto, determinadas antes das eleições e independentemente dos resultados eleitorais e, depois delas, qualquer medida com impacto orçamental, mínimo que seja, do Governo ou do Parlamento, terá que ir a despacho aos tutores do país.


A suspensão da democracia sugerida por Manuela Ferreira Leite durará pelo menos três anos, durante os quais nos caberá tão só eleger capatazes que executem as ordens de Washington (FMI), Frankfurt (BCE) e Bruxelas (Comissão).


Por muito menos foi a estátua de Camões, quando do ultimato inglês, coberta de crepes pelos antepassados políticos do actual PS.


transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 20/04/11

O dia à nossa espera

'Montagnes de Saint-Rémy', 1889, Van Gogh


"A vida...- que coisa contrastante e apesar de tudo irresistível!"


José Marmelo e Silva, in O Sonho e a Aventura, 2ª edição, 1965

terça-feira, 19 de abril de 2011

A felicidade de sermos como somos

'Arco-íris", 1900-1905, óleo de Arkip Kuinji (1842-1910)


E já agora que andamos de costas viradas uns para os outros e nos ensinam o medo do futuro, estas palavras de Montaigne, a refrescarem a alma:

"A virtude é uma qualidade agradável e alegre.”


E cita, de fonte desconhecida:


‘Não tenhas vergonha de dizer aquilo que não tens vergonha de pensar.’


Para acrescentar:


“Odeio o espírito quezilento e triste que passa ao lado dos prazeres da vida e se engalfinha e alimenta com a infelicidade”.



in Ensaios, Livro III, capítulo V

Sê tu!



Acrescenta um grão de loucura à tua sensatez!”


Horácio, Odes, IV, 12, 27

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A burla

Com força para avançar: basta querer



Falam de nós, assim:

“é um país frágil, produz pouco”.

E fazem-se caros para nos ajudar e aumentam os juros e as penalizações.

Produzimos pouco?

Que novidade!

Na fome de dinheiro dos que chegaram ao governo e de quem lhes pagou para isso, produzir foram duas coisas:

construção civil, grata à Banca dos empréstimos tão simpáticos, que se transformaram em impossíveis, quando a banca se viu em vias de falência: eram só papeis onde havia um número...

e os construtores civis, a construírem no trapézio, sem o saberem.

A outra?

O turismo: volátil sempre, especialmente num país que não é monumental e onde o betão vai dando cabo da paisagem.

Da paisagem: o nosso único bem, na beleza dele, a nossa única particularidade.

E a agricultura? E a pesca? E a indústria?


Não há.

Como podemos ser um país que produz?

A resposta só pode ser uma:

dizendo que não! Exigindo aquilo que é nosso! A terra em que nascemos e AINDA vivemos. E sermos nós a governá-la.

Sem amochar.

Agora, esfomeados que estamos da verdade, cansados da mentira

Em cada um de nós, dorme Cristo, apertadinho à criança que dorme em nós... sonhadora e sincera...


Divino ou não, que importa?

Por que é que este homem disse o que disse?

E morreu por causa disso?

Por que é que não teve o sentido da realidade –por que é que recusou a realidade em que vivia?

Por que é que deixou que queimassem a sua vida por causa das suas ideias?

Filho de Deus? Como todos...

Crucificado.

Ecce huomo.

Que se quis homem, na plenitude: no amor, na dificuldade, na verdade. O resto pouco importa.

Bom dia e boa semana!

domingo, 17 de abril de 2011

Coelho depois de ler a anedota do Público


A insustentabilidade da asneira

in Público de hoje

Uma pérola da novela portuguesa à venda na Livraria Lumière

Capa de 'Começa Uma Vida', de Irene Lisboa, ilustrada por Maria Keill, Seara Nova, 1940


Esta novela de Irene Lisboa, com certeza um dos maiores escritores da língua portuguesa, vale, para mim, à maneira de poema em prosa.

O que nada tem de estranho: Poesia é tudo aquilo que é Arte.

É uma pérola preciosa.

A 1ª edição, ora em venda na Livraria Lumière, Travessa da Cedofeita, Porto, ilustrada, magistralmente, por Maria Keill do Amarl, guarda o sabor... das primeiras edições...

Eu sei: coisa de bibliómanos e faço parte deles.

Trata-se de uma confissão:

“Reconstruo e não invento. Investigo a minha vida passada, sacudo-a com curiosidade, e às circunstâncias que a acompanharam. (...) Tudo isto esteve dormindo comigo longuíssimo tempo, à espera do minuto de despertar; para naturalmente se sumir depois para sempre...

(...) não estou trabalhando uma ficção, estou a desfiar sedimentos e raízes de uma vida; de uma ou de várias. (...) O amor das realidades simples domina-me, subjuga-me e talvez me enfraqueça...”,

diz ela.

E, página depois de página, nunca enfraquece: a simplicidade genial de Irene Lisboa consagra a dor de uma alma ofendida.

É uma obra-prima... tão incompleta como a vida de cada um acaba sempre por ser.

O crime nosso de cada dia

...os degredados filhos de Eva, gemendo e chorando neste vale de lágrimas...


Um homem que não ama é um homem morto. E o retrocesso, sinal do nosso tempo, impõe-nos sufocarmos os sentimentos.

Claudio Magris publicou, no “Corriere della Sera” 07/04/11), um artigo admirável, pertinente, corajoso, onde, acerca da vaga migratória, tão temida por toda a Europa, escreve: “O mundo inteiro é um impudico, ambíguo, teatro de desigualdade”. Explicita: um palco da “inaceitável desigualdade, à partida, entre os homens”.

A tolerância de tal barbaridade significa regressão. E a regressão é, sempre mais o alicerce daquilo a que os nossos egoísmo e indiferença chamam progresso.

Não há emigrantes voluntários: só emigra quem não está bem onde está. E, a quem está bem, cabe o dever de acolher os que o procuram e ajudá-los. Inclusivamente, apoiá-los na busca das condições de que não usufruíam e cuja carência obrigou ao exílio.

Recusar o outro é auto-desqualificação, degradação.

Magris fala dos “ danados da terra” (descritos, brutal e apaixonadamente, há cinquenta anos, por Franz Fanon), refere as vítimas da nossa recusa.

Nem seria preciso evocar Franz Fanon, trazer, aqui, Magris, para os mostrar aqui: só um cego não os vê. E é nossa obrigação denunciar esse crime, pois dele participamos. Consentimos no “progresso”, na marcha para a desumanidade, amoralidade, irresponsabilidade. Marcha que nos conduz à morte interior, à morte da alma e à solidão.

Ela autoriza o duplo crime: ignorar o outro e transformarmo-nos em objectos: peças da grande máquina fazedora de “produtos” destinados ao mercado onde tudo brilha e se desfaz. Onde os cadáveres se acumulam.

E, dentro da nossa vida morta, ignoramos a tragédia daqueles que se afogam, algures, no Mediterrâneo, emigrantes desesperados, “apagados pelo mar, como se nunca tivessem existido, sepultos sem um nome”.


publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias, 17/04/11

sábado, 16 de abril de 2011

Um retrato, uma dedicatória, Elisabeth Taylor



Este retrato autografado de Elisabeth Taylor, avaliado entre 2.500 e 3.000 dólares (1.700 e 2.000 euros) faz parte dos 600 lotes de manuscritos, fotografías e outros objetos de la colecção que Charles Williamson y Tucker Fleming juntaran ao longo de 54 años.


Bonhams & Butterfields leiloará os lotes no próximo dia 20, simultaneamente nas agências de Nova-Iorque e de Los Angeles.

Um dia de beleza

Carta a um jovem poeta

Obra de Kazimir Malevich (1878-1938), s.t., 1916: o artista viu e expressou, do que surpreendeu, o essencial, o coração do objecto do seu olhar

Aquilo a que chamo “Carta” não a escrevi: fui buscá-la a um livro de João Gaspar Simões, Crítica I, p. 247, Livraria Latina Editora, 1942.

O grande crítico, diz (e pensei que aquilo que escreveu tem valor de mensagem aos que escolhem a expressão artística e iniciam a aprendizagem).:



“(...) o dom da expressão literária (...) Flaubert, para ensinar Maupassant a descobrir o seu estilo, mandava-o passear para o campo, recomendando-lhe que olhasse para uma árvore tanto tempo quanto fosse preciso para ela se lhe apresentar na imaginação diferente de todas as outras. Só então, segundo Flaubert, Maupassant poderia descrever por palavras suas –com estilo. Aqui está, grosseiramente, o que significa ser escritor: ter um estilo e fixar literariamente uma imagem do mundo diferente de todas as outras.”


Se, em vez de expressão literária, leres expressão artística; em vez de escritor, leres artista; e, em vez de literariamente, leres artisticamente; aqui tens a Carta a um jovem poeta, uma vez que Poesia abarca toda a Arte, ou vice-versa, Arte abarca Poesia.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Happy Friday!

A Literatura no Portugal salazarista




Em 1960:

-Qual é para si o principal problema do escritor português?

-O poder realizar-se livremente.

in O mágico pressentimento do artista, Entrevistas com José Marmelo e Silva, p. 36, Edição de Ernesto Rodrigues, CEJMS, 2011

Nas mãos do sinistro "mercado" e das famigeradas "agências"



La crisis del euro

España vuelve a sufrir en los mercados de deuda

La prima de riesgo española vuelve a tocar los 200 puntos básicos un mes después.- Moody's deja a Irlanda a un paso del bono basura.- Grecia anuncia más medidas de ajuste ante el acoso de los mercados

La agencia de calificación Moody's ha recortado hoy en dos escalones la nota de solvencia de la deuda irlandesa hasta dejarla a un paso del bono basura (Baa3) por las dificultades para reducir el déficit con las débiles previsiones de crecimiento que afronta el país. La decisión de Moody's sobre Irlanda, uno de los tres países rescatados por la UE y el FMI ante el acoso de los mercados, ha reavivado las tensiones sobre la deuda de los llamados periféricos del euro, con España en un lugar destacado. Junto a la rebaja de rating, los analistas también están pendientes hoy de Grecia, que anunciará un nuevo plan de ajuste para aplacar el acoso de los mercados que eleverá los recortes a 23.000 millones de euros.

"Se acercan dificultades", ha vaticinado Juan Ignacio Crespo, director de Thompson Reuters al recordar las "desafortunadas" declaraciones de ayer del ministro de Hacienda alemán, Wolfgang Schaeuble, que respaldó la posibilidad de un corte de pelo o reestrcuturación de la deuda de Grecia si Atenas no toma medidas adicionales. "Los mercados van por rachas y cuando les da por ir mal, van mal", ha añadido antes de insistir en que "cuando se empeñan en que tienes un problema, tienes un problema".

Irlanda, además, podría acabar cayendo al nivel de inversión especulativa o bono basura en tres meses, ya que Moody's ha dejado su calificación en perspectiva negativa. En opinión de la agencia, también ha influido en su decisión la incertidumbre generada por los exámenes de solvencia ligados a la concesión de fondos por parte del próximo Mecanismo Europeo de Estabilización (ESM).

La reaparición de las dudas se ha traducido en una prorroga del correctivo que sufrieron ayer los países del euro bajo sospecha, aunque con menos intensidad. El caso de España, sin embargo, era diferente. Aunque ya no se ve amenazada por la posibilidad de un rescate, hoy sus títulos de deuda eran los que peor estaban evolucionando.

Así, la prima de riesgo, que es el diferencial entre los bonos españoles a un año y los alemanes, de referencia ha vuelto a superar ¡los 200 puntos básicos por primera vez desde hace un mes, con lo que tira por la borda toda la mejora acumulada tras la decisión de Portugal de activar el rescate. La prima de España, también conocida como riesgo país, tocó un máximo en 260 puntos básicos a finales de noviembre tras el descalabro de Irlanda. "Lo vamos a pasar muy mal pero con un final feliz, no habrá rescate", ha descrito Crespo. Italia y Bélgica, los dos Estados que completan el grupo de los países bajo sospecha por sus altos niveles de déficit y deuda, veían empeorar su situación, aunque en menor medida que España.

En cuanto a la evolución que registraban los países ya rescatados, la prima de Portugal marcaba un nuevo máximo en 542 puntos básicos, siete más que ayer, tras el fuerte repunte que ha sufrido en las últimas dos jornadas. La de Irlanda repuntaba a 597, aunque se mantiene lejos del máximo de 686 que marcó tras activar la ayuda de sus socios del euro. En cuanto a Grecia, cuyo riesgo país aumentó ayer la friolera de 36 puntos básicos en una jornada en la que llegó a marcar un nuevo récord en 991 puntos básicos, hoy se mantenía ligeramente al alza. La República mediterránea paga ya intereses del 18% a dos años y del 13% a 10 por su deuda, cuyo principal acreedor es la banca alemana.


transcrito, com a devida vénia, de El País, 15/04/11

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Portugal durante o salazarismo

Era o tempo dos homens amordaçados...



Eis a frase de José Marmelo e Silva, que define, magistralmente, a nossa situação cultural, antes do 25 de Abril de 1974.

“Portugal era um cérebro anquilosado.”


(in O mágico pressentir do artista, Entrevistas deJosé Marmelo e Silva, p. 120, Edição de Eduardo Martins, CEJMS, 2011)


Uma das obras maiores de JMS intiula-se, precisamente, Anquilose (1971).

E não o esqueçamos: essa situação durou de 1926 até àquela dia de 1974: 48 anos.

As notícias da tv...

Erlich in El País de hoje

'-Alguma coisa de novo?

'-As baterías do comando.

A Literatura Portuguesa durante o salazarismo

Capa da 1ª edição da obra-prima de José Marmelo e Silva (na 2ª edição, 1958, teve como título "Adolescente Agrilhoado")

Da entrevista conduzida por Francisco Manuel A. Brandão e publicada a 12 de Dezembro de 1974, em Defesa de Espinho, a resposta de José Marmelo e Silva à primeira pergunta:


“-Numa perspectiva geral, quais as consequências mais importantes para a literatura portuguesa de quase meio século de ditadura fascista?

-Para a literatura como criatividade, as consequências foram pouco menos que paralisantes, só encontrando semelhança nos tempos da Inquisição. Quem acompanhava a história literária sabia perfeitamente que as verdadeiras grandes obras não podiam ser escritas. Humilhava-se o escritor, perseguia-se, escorraçava-se, torturava-se, privava-se, não apenas do pão da liberdade, mas até do próprio direito à vida. A literatura portuguesa sofreu um aviltamento vergonhoso jugulada pelos esbirros salazaristas. Quem pode esquecer-se do terrorismo que de livraria em livraria devastava o livro original de língua portuguesa.


transcrito do livro que acaba de ser editado O Mágico pressentir do artista, Entrevistas com José Marmelo e Silva, CEJMS, 2011

Este era o compositor preferido de Stendhal




Domenico Cimarosa (Oboe concerto C major)-1-Introduzione:Larghetto

Povo abandonado e traído que tem que aprender sozinho a tomar conta de si




Porque a gente, de seu natural, era inclinada ao bem; e, dos males que havia, os mais procediam de falta de mestres, poucos de malícia.”


Frei Luís de Sousa, in Vida de Frei Bartolomeu dos Mártires



E é essa falta de “mestres” e, consequentemente, de ensino, alicerce de bom governo, que é imperdoável.

Tal qual o é a abundância de trapaceiros.