PSD arremata Fernando Nobre
por Manuel António Pina
Fui dos que receberam com alguma expectativa a notícia da candidatura de Fernando Nobre, que apenas conhecia da AMI, à Presidência da República. Aparentemente tratava-se de alguém exterior ao regime, sem carreira partidária e talvez sem os compromissos sobre que se constroem as carreiras nos partidos.
As informações que davam Nobre como uma mera marioneta de Soares contra Alegre, deixaram-me de pé atrás, até porque o próprio viria a confirmar os encontros com Soares.
Mas o seu discurso de apresentação tirou-me todas as dúvidas. Não existia ali algo minimamente parecido com uma ideia, só um arrazoado de "slogans" em volta da questão da "cidadania" e a tentativa grosseira de capitalizar o descontentamento geral com os partidos reclamando-se, frase sim frase não, "apartidário" e contra o "sufoco partidário".
Testemunhos sobre o seu passado em Bruxelas e as suas anteriores posições políticas fizeram-me finalmente concluir que estávamos diante de um desses demagogos e oportunistas em que os tempos de crise são férteis.
Há cerca de 15 dias Nobre mantinha ainda o discurso antipartidos, garantindo que nunca integraria uma lista partidária. A fazer fé no seu ex-director de campanha, estaria já na altura a leiloar-se entre PS, CDS/PP e PSD.
Pelos vistos foi o PSD quem deu mais. Arrematou o candidato dos "valores" e dos "princípios" com a promessa da presidência da AR. E Nobre fez o negócio da sua vida.
transcrito, com a devida vénia, de Jornal de Notícias, 12/04/11
É uma pena termos que encontrar pessoas assim. Tinha a mesma ideia: que Fernando Nobre era um homem afecto a Mário Soares para derrubar Alegre. Velhas quezílias...
ResponderEliminarAgora tudo é possível... ontem o Mário Soares também me deixou perplexa!
Não queria acordar corrosiva mas é o que vejo que assim me torna.
Pena não se transformarem em chocolate amargo, ao menos esse é delicioso!
Bom dia, Manuel Poppe!
Bom dia!
ResponderEliminarAs coisas acontecem...
Também me surpreendeu. Mais: chocou-me.
Olhe: estas coisas sempre se repetiram e, no entanto, ao longo dos tempos, surgiram homens sincera e honestamente preocupados com a "pólis" e com a política, que ajudaram muito.
Muitos, aparentemente, perderam: D. Pedro, o Conde de Coimbra, assassinado em Alfarrobeira; Pedro V cuja morte continua envolvida em dúvidas; o Santo Antero... Afonso Costa...
E, depois do 25 de Abril... poderia nomear alguns...
Aparentemente perderam, porque deixaram marca e empurraram a realidade para diante.
Não acordei aborrecido: acordei com a certeza renovada que a luta nunca pára.
Transcrito de El País?!
ResponderEliminarBem haja!
ResponderEliminarA gralhona não me perdoou...
Já está corrigido.
Mande sempre.