quarta-feira, 6 de abril de 2011

Paul Gauguin, o mágico








Foi, nos idos de 60, foi José Régio quem me aconselhou a ler um dos mais inteligentes e subtis ensaístas franceses do século XX de que transcrevo dois parágrafos de um admirável texto sobre Paul Gauguin:



"Vejo-o, tal qual ele se pintou. A grande figura irónica é a de um aventureiro que seria um mágico. Não sei que força plena de sagacidade o alimenta. É o homem que descobriu os segredos da natureza e, porque deles sabe servir-se, eis que aflora nos seus traços, a modo de um sorriso, a inteligência. Ama as coisas pois as compreende e as domina. E, sentindo-se só nesse império, dir-se-ia reservar o conhecimento.

(...)

Em certas telas, demasiadas flores, uma riqueza demasiado presente... O quadro de Gauguin que prefiro é o grande painel, esse estranho Paraíso de meditação, ‘Quem somos nós? Dde onde vimos nós? Para onde vamos?’. Encerra espaços claro-escuros, certos envolvimentos. A noite tépida banha a paisagem. E não é ela que se apresenta, ao fundo, como uma mulher velada e distante?"


in Études, Gallimard, 1944

6 comentários:

  1. Amo Gauguim - o texto é apaixonante e o bom gosto do autor ... com este já estamos nos acostumando.

    5 bjs

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  2. Manuel Poppe,
    Todas as telas são bonitas e o painel que escolheu também é o meu favorito, mistura duas culturas, duas formas de religiosidade.
    Gosto da cor com que se exprimiu e da vida que ele viveu Apesar de morrer pobre e doente julgo que aproveitou bem a vida.

    As suas questões interessam-me sobremaneira.
    Reli há pouco tempo o livro sublime do vencedor do Nobel, Vargas Llosa, com o título: "O Paraíso na outra Esquina".
    Fez-me recordar a beleza. Obrigada!

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  3. Obrigado Manuel Poppe,

    Fez-me viajar no tempo, o privilégio de ter um encontro com Paul Gauguin em Berlim...e foi algo sublime...

    Um abraço

    Blue

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  4. Blue: ainda bem! Fala-me de uma cidade que desejo visitar... apesar de tudo!

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  5. Vurdóns: muito obrigado pela vossa generosidade. % beijos!

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  6. Ana: vou desiludi-la mais uma vez:

    o Vargas Llosa não me interessa nada.

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