quarta-feira, 30 de junho de 2010

Nem pedagogia nem moral

...nascemos, crescemos e emburrecemos dentro de um centro comercial...



“a população com "baixas qualificações" intelectuais e culturais representa entre nós mais de dois terços (69,1%) da população activa total, o triplo da média da EU”.

Disso nos informa o melhor, mais independente, íntegro e corajoso comentador da nossa imprensa: o admirável escritor Manuel António Pina.

E isso é gravíssimo.

A que se deve o trágico fenómeno?

Ao PDC: ao Processo de Desculturação em Curso.

O ensino é o que é, os professores trabalham nas condições que todos conhecem.

A produção cultural justifica o nome monstruoso que tem: a “cultura” passou a produto que se explora no mercado.

Assim, o produto tem que reunir as condições indispensáveis à venda.

A qualidade do produto é a sua capacidade para se comercializar.

Não importa outra qualidade –isto é, a qualidade realmente cultural.

O empresário paga o fabrico desse produto; o artista produz de acordo com a exigência do empregador; o comprador recebe o produto de nenhuma qualidade realmente cultural –e imbeciliza, alegremente.

A preocupação pedagógica não assiste aos empresários-produtores do produto cultural comerciável.

Não há moral nenhuma: há ganância, corrida ao lucro.
E penso nas televisões, em certa imprensa, em muitas casas editoras.

terça-feira, 29 de junho de 2010

PDC: o Processo de Desculturação em Curso

...alegremente analfabetos...



Pobretes mas alegretes

por Manuel António Pina


Um estudo do ISCTE revela que 20% de portugueses vivem abaixo do limiar de pobreza e que isso só não acontece a outros 20% porque as ajudas do Estado ainda os vão mantendo à tona.
Mais: 31% das famílias estão no escalão logo acima do da pobreza, à bica para se tornarem também pobres; 21% vivem no limite, sem margem para qualquer despesa inesperada; e 12% não conseguem sequer comprar os medicamentos de que precisam. E, no entanto, mesmo dizendo-se "desconfiados", esses portugueses consideram-se "felizes".

Um outro estudo divulgado no mesmo dia, agora do Ministério do Trabalho, talvez ajude a perceber a sempre tão cantada e portuguesíssima "alegria da pobreza": a população com "baixas qualificações" intelectuais e culturais representa entre nós mais de dois terços (69,1%) da população activa total, o triplo da média da UE.

Ou seja, o "desconfiado" e "feliz" bom povo português estará, em termos culturais, algures a meio caminho entre o homem natural de Rousseau e o de Hobbes. Talvez aconteça, pois, que seja infeliz, pelo menos "de vez em quando" como Alberto Caeiro; só que, se calhar, não o sabe.

transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje

Esta bela portuguesa merecia um seleccionador não um alucinado


É o dia da gentil e destemida padeira de Aljubarrota, a Srª Brites de Almeida... oremos pro nobis...


Irá esta mulher destemida levar os nossos heróis à vitória (postado às 16:27; mais logo já saberemos tudo)?????

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Vai ser muito difícil parar o Brasil!

Esta alegria e confiança reaparece na selecção brasileira que joga magistralmente...

A ironia sã de Manuel Pina levanta a moral, o pessimismo retorcido de Cavaco aterroriza o pessoal...

De qualquer maneira, já vencemos muitas tempestades (óleo de Turner)!...


"Ao menos não tem chovido"

por Manuel António Pina


O pessimista diz que "há bastante tempo que o país se encontrava numa situação económica insustentável". O optimista que "nos primeiros três meses o crescimento da economia portuguesa foi muito positivo, nos primeiros cinco meses a execução orçamental foi muito encorajadora e devemos deixar uma palavra de confiança a todos os empresários e agentes económicos", até porque, se são já 285 mil as pessoas que recorrem diariamente ao Banco Alimentar Contra a Fome, há, desde o ano passado, mais 600 milionários em Portugal, ou, postas as coisas à maneira de Cesariny, "se há gente com fome/assim como assim ainda há muita gente que come". Talvez um pessimista como Cavaco seja um optimista bem informado, sobretudo se sabe do que fala pois, não tão "há bastante tempo" como isso, contribuiu activamente para a "situação insustentável". E um optimista como Sócrates? Será só um pessimista mal informado? Ou alguém como aquele personagem de Woody Allen que, mesmo quando tudo se desmorona à sua volta, e até os Giants perderam o "Super Bowl", ainda encontra por que alegrar-se: "Ao menos não tem chovido..."?

transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje

domingo, 27 de junho de 2010

Alemanha-Inglaterra: o golo que o árbitro não viu...

Nesse exacto momento, os alemães venciam por escasso 2-1...


Veja neste link:

A bela alemã

Consta que é amiga do árbitro (o tal golo inglês que entrou... e saiu... e o homem não viu)

Cascais, aviso à banhação: vá veranear para outro sítio!




"A praia dos Pescadores, Duquesa, Rainha e Conceição continuam a não estar próprias para os banhistas, porque não reúnem as condições necessárias [em termos de qualidade da água] para que sejam consideradas zonas balneares”, afirmou Paulo Diegues, também membro da Comissão Técnica de Acompanhamento para aplicação da directiva que designou as praias de boa qualidade existentes nesta época balnear.

Na lista de "praias e banhos marítimos para o ano de 2010", publicada no dia 18 de Junho em Dário da República, não constam as quatro praias referidas, apesar de, no início do mês, o vereador do Ambiente e vice-presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, ter anunciado que todas as praias do concelho estão com “excelente” qualidade de água, estando próprias para os banhistas, após realizadas obras na ribeira das Vinhas."

in Público de hoje

Afinal... Alemanha 4 -Inglaterra 1, ora... bolas!

O derby segundo Forges, in El País

Alguém quererá ouvir em Toronto o que diz Sampaio?

...o que sairá daqui?...



"A crise que estamos a viver é um produto do neoliberalismo e da subserviência aos mercados, mas a social-democracia não conseguiu tirar dividendos desta crise e tem-se mostrado relativamente incapaz de propor soluções alternativas que sirvam as pessoas. É preciso assumir esta limitação, que, aliás, começa a ser visível nos resultados de recentes actos eleitorais."

Jorge Sampaio, Diário de Notícias, 26-06-2010

A bela inglesa

É claro que, hoje (ou sempre?..., mas hoje é o dia do Inglaterra-Alemanha...), estarei (quem dera!) ao lado desta inglesa...

sábado, 26 de junho de 2010

Os mistérios de Veneza

Veneza, 'Palazzo da Mula', óleo de Claude Monet



CORAÇÃO CABEÇA E ESTÔMAGO

Marcel Proust, em “A la recherche du temps perdu”, dividiu o conhecimento dos lugares da seguinte maneira: “Nomes de países: o nome”; e “Nomes de países: o país”. A maioria dos que calcam e agridem Veneza, a vulgarizam e tornam insuportável, ficam-se pelo guia turístico e não vão além dos nomes constantes destes. Proust e outros mais exigentes quiseram-lhe a alma. Por exemplo: se falo de Burano, jóia da laguna, o turista entende Murano e vidros à venda; da Ponte dos Suspiros e do Rialto, sabe; fotografa-se com as pombas de São Marcos. E a “Trattoria a La Colomba”? E a “Osteria La Vedova”? Hemingway esperava a sua condessinha, Adriana Ivcancic, no recanto do Harry´s Bar (supra-sumo da boa cozinha), a imaginar “Across the River and into the Trees”, o romance citado por Tessa Kiros no aliciante “Veneza, petiscos” (Civilização Editores), excelente obra que junta preciosas receitas e belas fotografias. Camilo achava que os humores ferviam em três partes, coração, cabeça e estômago, acerca do que escreveu um romance. Ora parece-me que as três partes se devem unir, para entender a realidade. Ai de quem passe por Veneza, desconhecendo-lhe as entranhas –onde alma, subtileza e boa comida andam de braço dado! Visitar as Galerie dell’Accademia é tão importante como beber um “prosecco”, a discutir as poesias bocagianas de Giorgio Baffo ou a música maravilhosa de Benedetto Marcello, enquanto se saboreia um “baccalà mantecato” cuja qualidade surpreenderá o mais entendido na arte de tratar o ex-fiel amigo. A Cultura habita no espelho de múltiplas faces de cada civilização. Tessa Kiros ilustra-o e confirma-o.


Publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias de hoje

Gana vence por 2-1 os Estados Unidos

África continuará presente, agora nos quartos de final (Gyan festeja depois de marcar o segundo golo do Gana)

Deixemo-nos de graças, meus amigos, ou arriscamo-nos a acordar driblados...

Entra em jogo o futuro do país




Já não se pode andar a brincar. Aos cowboys? Sim, por exemplo. É tempo de distinguir. As eleições presidenciais estão à porta e a recondução de Cavaco seria muito grave. Um desastre? Mais que isso: mais um desastre, porque tê-lo elegido já o foi. Carece de cultura, de sentido dos problemas sociais, é, infelizmente, um primário.

Só num país, real e culturalmente deficiente, é que o primeiro-ministro que baralhou os nossos valores sociais durante 10 anos, que, em 1995, mandou bugiar o referido país e despachou para um amigo -Fernando Nogueira- o ónus de defrontar a oposição; só num país civicamente ignorante é que o dito Cavaco -é eleito PR...

...e corremos o risco que o dito seja reeleito.

Quando Cavaco diz: “há bastante tempo que o país de encontra numa situação económica insustentável”,

Pergunta-se: não será desde o seu tempo de primeiro-ministro?

E mais: o senhor não anda a atirar gambuzinos, frasões, lugares-comuns, para cima do zé povinho, à cata de votos?

O senhor é o PR ou um candidato à Presidência da República?

E usa os privilégios de um PR, para quê?

Quando José Sócrates diz que anda sozinho a puxar pelo país, ou diz que “a tarefa de um político é dar uma palavra de confiança”,

eu fio-me muito mais do que diz José Sócrates do que diz Cavaco, alarmista, ameaçador, defensor de um sebastianismo cujo sebastião só poderia ser ele.

José Sócrates não faz campanha, Cavaco não faz outra coisa.

As convicções de José Sócrates nem sempre coincidem com as minhas; mas eu sei que ele tem ideias –e duvido que as tenha Cavaco, em tudo o que vá além da tabuada.

José Sócrates nunca delegará no vizinho, como fez Cavaco, a responsabilidade do leme; nem escapará, como Guterres ou Durão Barroso (e não interessa averiguar o que a escapadela lhes rendeu).

É inteligente e culto. É fiel a si próprio e à suas convicções.

E isso é muito.

Depois, não há dúvida que não nasceu em Boliqueime.

E há um candidato apoiado pelo PS de Sócrates.

E mais: um candidato apoiado por outras forças que pensam que o regresso de Boliqueime a Belém representaria, como sublinhei, um trágico atraso de vida.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Um soneto de Ruy Belo




Árvore Rumorosa

Árvore rumorosa pedestal da sombra
sinal de intimidade descrente
que a primavera veste pontualmente
e os olhos do poeta de repente deslumbra

Receptáculo anónimo do espanto
capaz de encher aquele que direito à morte passa
e no ar da manhã inconsequentemente traça
o rasto desprendido do seu canto

Não há inverno rigoroso que te impeça
de rematar esse trabalho que começa
na primeira folha que nos braços te desponta

Explodiste de vida e és serenidade
e imprimes no coração mais fundo da cidade
a marca do princípio a que tudo remonta

in Homem de Palavra(s)

Mário Cesariny de Vasconcelos algures em Londres

Incêndio em Londres, óleo de Turner





Soneto

Nada sobre esta mão nada na outra
De um lado o cais do outro a maresia
Para os lados do rim a luz é pouca
E uma vez sem exemplo é o que eu queria

José Sebag em Hong-Kong toca
Um psaltério roído pela traça
Dá as mãos amarelas a uma foca
Que evoca uma descida até à Graça

Dos dois elevadores lança-se a louca
Paço por paço constroi-se o tapume
Deita-se o sexo à beira da tua boca

O cardial Tardini vai ao lume
O teu cabelo sobe pela praça
Anunciam-se abraços de garoupa

in Poemas de Londres

O que eu não percebo

Saudades para o comboio amigo...



Autoestradas, scuts & etc. O país do alcatrão. Quem paga? Quem ganha? Etc., outra vez.

O que eu não percebo é porque se pôs de parte a ferrovia e seja, em Portugal, um drama ou uma impossibilidade deslocar-se de comboio um cidadão (ou uma cidadã) que não acedeu a milionário (nasceram mais 600 milionários, no último ano) –isto é: ir de uma terra a outra.

Põe para o lado o TGV, amigo, já conhecemos o discurso...

E, aliás, valerá a pena andar a pedir comboios, que não criam portagens, não alimentam as empresas do alcatrão, não vendem automóveis, nem pneus, nem etc. outra vez?

O passado bate à porta...

Desenho de Leal da Câmara: o português espera e desafia os séculos...



"Portugal ganhou 600 novos milionários em ano de crise"

título do Diário de Notícias de hoje

'E agora, José?' perguntava o poeta José Gomes Ferreira em tempos de peste...

O português encara o futuro...




Entregues à bicharada


por Manuel António Pina


Em 1998, era Guterres primeiro-ministro, Portugal tinha o mais baixo poder de compra da Europa a 15 calculado em termos de PIB por habitante, honroso lugar que perdemos em 2004 e 2007 com o alargamento da UE aos países "pobres" do centro e leste europeus. De acordo com dados do Eurostat, o poder de compra dos portugueses andava então pelos 79% da média europeia. Guterres foi entretanto desta para melhor (muito melhor), veio Durão, que igualmente se foi para (muitíssimo) melhor, depois Santana, depois Sócrates e, 12 anos mais tarde, o poder de compra dos portugueses, em vez de aumentar... diminuiu, sendo em 2009 já só de 78% da média europeia. Como Groucho diria, partimos do nada e, numa dúzia de anos, conseguimos chegar à mais extrema miséria. Isto enquanto, tirando Malta, todos os países que em 1998 tinham, como Portugal, poder de compra inferior à média europeia convergiram com essa média ou a ultrapassaram. Durante esses gloriosos anos, fomos governados ora pelo PS (de 1998 a 2002 e de 2005 a 2009) ora pelo PSD e CDS coligados (de 2002 a 2005). Não há dúvida de que estivemos bem entregues.

transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Esta jovem mulher assistiu a um treino da nossa selecção...

Inês Sainz, jornalista mexicana, comenta para a TV, em altos gritos, um treino de Portugal... Isso foi antes ou depois dos 7-0 aos coreanos do Norte?


Notícias da vuvuzela

in Público de hoje

Como vai o mercado da Arte

'Nympheas', de Claude Monet (1840-1926), não encontrou comprador



El dúo Picasso-Monet desafina en las subastas de Londres

por Patricia Tubella


Pese a la aparente recuperación del mercado, decepcionan las pujas de 'El bebedor de absenta' y de uno de los célebres nenúfares del pintor francés


El Retrato de Ángel Fernández de Soto, un picasso de 1903, del periodo azul, objeto de litigios de propiedad en los últimos años, se confirmó anoche como estrella indiscutible de la gran subasta de arte impresionista y moderno de la casa londinense Christie's, con una cotización de casi 42 millones de euros. La más que considerable cifra no estableció ninguno de los récords que ha venido flanqueando el mercado de pujas en los últimos meses, pero sobresalió a lo largo de una velada en la que el martillo de la sala no halló comprador para un cuadro de Claude Monet (Nymphéas, 1906), cuyo valor estimado era idéntico al de la obra del malagueño.

El mercado del arte sigue emitiendo signos de recuperación, como revelaron las sólidas ventas de piezas de Matisse o Van Gogh o los números de la reciente feria de Basel, pero eso no significa que la era de las vacas gordas haya regresado definitivamente.

El lienzo de Picasso, conocido también como El bebedor de absenta, había generado una enorme atención por su turbulenta singladura. En 1995, la Fundación Andrew Lloyd Webber, del famoso compositor británico, adquirió la obra por 21,7 millones. Puesta en subasta 11 años más tarde, la pintura era retirada abruptamente dos días antes de la puja después de que el académico alemán Julius Schoeps, reivindicara la propiedad alegando que su tío abuelo se vio forzado a desprenderse de él en 1934 por la persecución nazi. Un tribunal de Nueva York rechazó la reclamación de Schoeps.

La cantidad obtenida finalmente ayer por el cuadro de Picasso está muy alejada de los más de 86,8 millones que un marchante neoyorquino pagaba en mayo por otra de las obras del artista malagueño, Desnudo, hojas verdes y busto (1932). Pero consiguió ejercer de atractivo cartel para una ambiciosa subasta en Christie's que reunía anoche hasta 63 obras de Magritte, Miró, Van Gogh, Klimt o Matisse, entre otros maestros, valorada conjuntamente entre 198 y 279 millones.

El acicate de Giacometti

Compradores procedentes de Estados Unidos, Rusia, los países del Golfo y potencias emergentes de Asia, además de europeos, han desfilado en los últimos días por la sede de Christie's. Recientes hitos como la venta de una escultura en bronce de Giacometti, El hombre que camina por más de 84,7 millones han ejercido de acicate para que los coleccionistas y vendedores privados se animen a sacar a la luz sus propiedades y tesoros.

"Vuelve a haber una gran demanda internacional de las obras de arte de máxima calidad", insiste Giovanna Bertazzoni, de Christie's. Le da la razón la adquisición de un autorretrato de Manet con paleta (1878) a razón de 26,5 millones en la subasta organizada el martes por la competencia de Sotheby's en sus locales londinenses, que registró una venta global de 136 millones.

Quizá no haya llegado la hora de lanzar las campanas al vuelo pero, frente a lo volátil de los mercados financieros y los bajos intereses que hoy pagan los bancos, las obras de arte vuelven a asomar como una de las inversiones más sólidas.


transcrito, com a devida vénia, do El País de hoje

A voz de José Régio, figura maior, se não a maior, do nosso séc. XX, figura superior da nossa Literatura

'Campo Vermelho', óleo de Maurice de Vlaminck (1976-1958)


Estação Término

Como um navio no mar
A meio da noite a casa,
E o vento e a chuva em redor.
Lá dentro, a um canto do lar
Onde o bom tronco se abrasa,
O homem sentado espera.
Se alguém chegar,
Terá luz, terá calor.
Batem á porta. Quem dera
Que fosse realidade!
Já teve tais decepções
O homem que há tanto espera!
Ma agora, alguém batera
Que chega da tempestade,
Que percorreu solidões...
”Entre quem é!” Pode ser
Alguém que venha roubar,
Assassinar, ofender...
“Entre quem é!” Não importa.
Se alguém vem que bate à porta,
O homem só quer abrir.
Chegou, por fim, a saber
Que, venha lá quem vier,
Seja quem for,
Só um dos dois pode ser
Desde que não a fingir:
A Morte, o Amor.

in Cântico Suspenso, 1968, último livro de versos publicado em vida do autor, que fecha com o poema transcrito

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Picasso vendido em Londres por valor abaixo do esperado

"O bebedor de absinto", óleo de Pablo Picasso foi vendido, em leilão, pela Christie's: 42.1 milhões de euros

Opiniões

O que se exige para fechar um negócio?



Pergunta [Público] -Ricardo Salgado proferiu uma frase que ficou como uma das frases chave deste processo: “Tudo tem um preço, menos a honra”. Para si, neste negócio, onde está a fronteira entre o preço e a honra?


Resposta [Henrique Granadeiro] -Nesta matéria eu prefiro balizar as coisas entre o preço e o futuro, porque é numa perspectiva de futuro que esta questão vai ter de ser decidida. O que é que os accionistas querem para a PT? Uma PT com escala? Com dimensão e capacidade de gerar tecnologia e inovação e de modernizar os países onde opera? A fronteira que se põe ao conselho de administração da PT não é entre o preço e a honra, mas entre o preço e o futuro.


in Público de hoje

A beleza e a alegria africanas vencem todas as eliminatórias...


Irene Lisboa foi onde poucos chegam e a sua obra tem lugar especial na Literatura Portuguesa



A amiga Redonda, em comentário ao texto breve transcrito abaixo –tomei a liberdade de o intitular Um morto na cidade, -, página magistral de Irene Lisboa, diz-se esperançada em que ‘talvez com o tempo’ a escritora venha a ser conhecida ‘como merece e para benefício dos seus futuros leitores’.

Alguns -alguns, muito menos do que, os que, realmente, ela merece- conhecem Irene Lisboa. O dia do seu sucesso ainda não chegou.

Cara Redonda: talvez nunca chegue.

Os sucessos fazem-se, quase nunca acompanham as verdadeiras obras-primas, os verdadeiramente grandes artistas.

Fazem-nos os editores que se atiram a isso, pagando publicidade, montras, cartazes, beberetes, páginas de jornais, comprando e pressionando plumitivos.

E tudo isso leva o público até ao artista/ escritor –porque a maioria do público não extirpou a maria-vai-com-as-outras, que traz desde a nascença.

E, depois, há casos esquisitos: o dos artistas que congregam um família de apaixonados e, assim, atravessam os tempos. Veja-se Malcolm Lowry: 30. 000 leitores (número palpitado...) renovam-se e revezam-se, pelo mundo, na admiração à sua obra-prima, Under the Volcano, desde a publicação, em 1947, e não tendem a aumentar.

Nos idos dos anos 70, a extinta Unibolso lançou Voltar atrás para quê? e atingiu a venda de 13000 exemplares, ao tempo, muito –com apoio publicitário, é certo.

Esse número nunca mais premiou Irene Lisboa.

Voltar atrás para quê? é obra única e superior da nossa Literatura; mas do livro cuja capa reproduzo consta uma novela ímpar: O Amante. Comparo-a, na riqueza da análise psicológica, na tensão contida, no equilíbrio, na pungência, às extraordinárias Lettres Portugaises, da freira de Beja (aproveito para lembrar um estudo fundamental sobre as Cartas, que presumo esgotado e, a ser verdade, de urgentíssima reedição: Mariana Alcoforado, A Freira de Beja e as Lettres Portugaises, de António Belard da Fonseca).

No mesmo Esta Cidade!, encontrarás, amigo, muitas mais página extraordinárias, todo o retrato de Adelina, por exemplo.

Tal qual em outras obras de Irene Lisboa. Basta começar. E procurar, que os livros dela são raros...

O valor da Arte: quadro que atingiu os 27 milhões de euros...



Subastado un autorretrato de Manet por 27 millones de euros

El polémico cuadro de Picasso 'El bebedor de absenta' sale a la venta este miércoles en Londres con un precio estimado entre 33 y 44 millones

Un autorretrato de Edouard Manet de 1878 se ha vendido este martes por 22,4 millones de libras (27 millones de euros) en una
puja de arte moderno e impresionista de la casa de subastas Sotheby's . El Autorretrato con paleta tenía un precio estimado de salida de entre 24 y 36 millones de euros, y fue pintado por el artista francés en el momento cumbre de su carrera. Antes de la subasta, el vicepresidente de Sotheby's, Charles Moffet, justificó el alto precio de la obra al manifestar que se trata "del mejor autorretrato de la historia de la pintura".

El cuadro fue subastado en una importante puja en Londres con obras de Matisse, Derain, Picasso y Rodin, entre otros, que se saldó con ventas por un valor total de 135,3 millones de euros, una de las cifras más elevadas conseguidas hasta ahora por Sotheby's en Londres.

La obra, cuyo título completo es Portrait de Manet par lui-même en buste o Manet a la palette, es uno de los dos autorretratos del artista y el único que sigue en manos privadas: el otro está en el museo Bridgestone, de Tokio. Cuando se subastó por última vez, en 1997, como parte de la colección del filántropo estadounidense John Loeb, se vendió por unos 14,3 millones de euros al cambio de hoy.

Odaliscas jugando a las damas, de Henri Matisse, y Árboles en Collioure, de André Derain, fueron las otras dos grandes obras que subastó Sotheby's en Londres. La primera se vendió por 14,2 millones de euros y la segunda por 19,5 millones de euros. El lienzo de Matisse, pintado en 1929 y por primera vez a la venta en una subasta, es uno de sus trabajos más icónicos, perteneciente a la serie de trabajos realizados en su estudio de Niza (Francia) y caracterizados por los desnudos femeninos o por las representaciones de mujeres vestidas con prendas exóticas. Por su parte, Árboles de Collioure perteneció a Ambroise Vollard, legendario marchante del París de comienzos de siglo XX, pero no se supo de su paradero hasta 1979, cuando se encontró en una caja fuerte de la Sociedad General de París junto a otros importantes cuadros. Al parecer los depositó allí en 1939, poco después de la muerte de Vollard, Erich Slomoic, un joven yugoslavo amigo del coleccionista que murió a manos de los nazis en 1942 al regresar a su país natal, sin que revelara a nadie el paradero de los cuadros.

De Picasso se pudo pujar por tres lienzos, de sus últimos años de vida, y por tres dibujos que representan en modo muy realista a la fotógrafa Dora Maar, que fue una de sus musas y amantes. El lienzo que alcanzó un precio más alto fue Busto de matador, pintado por el artista español en 1970, vendido por 6,4 millones de euros. Los dibujos de Dora Maar se vendieron por 3,5 millones de euros.

Otras ventas millonarias fueron Bouquet de pivoines, de Manet, que se vendió por 9,1 millones de euros; Le petit déjeuner. Radiateur, de Bonnard, por 7,5 millones, y Étude pour 'nu rose', de Matisse, que alcanzó los siete millones.
Polémico Picasso

Tras la subasta de ayer, este miércoles la casa Christie's saca a la venta también en Londres El bebedor de absenta, cuadro pintado por Picasso, incluido en su periodo azul. El valor del lienzo, que retrata al artista y amigo de Picasso, Ángel Fernández de Soto, está estimado entre los 33 y los 44 millones de euros. Los beneficios de la venta serán destinados a la fundación del compositor Andrew Lloyd Webber. El cuadro fue adquirido por esta fundación en una subasta en Nueva York en mayo de 1995 por 29,2 millones dólares a la Colección Stralem.

La pintura, fechada en 1903, iba a haberse subastado en Christie's, de Nueva York, en noviembre de 2006, pero fue retirada de la puja por la propia fundación británica a raíz de una reclamación de los herederos del banquero judío Paul Mendelssohn Bartholdy, quienes denunciaron que la obra había sido vendida a la fuerza en 1934, durante la época nazi, a un marchante berlinés, y solicitaron suspender la venta.

En el lienzo, Picasso muestra a su amigo sentado en una mesa con una gran copa de absenta, la bebida favorita de muchos artistas de la época. Picasso retrató a su amigo Ángel Fernández de Soto en varias ocasiones, aunque la más celebrada es la que sale ahora a puja.
transcrito, com a devida vénia, do El País de hoje

Se queres saber da vida, lê o que escreveu esta mulher excepcional...

Irene Lisboa: ela lia nos olhos dos dias...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Um morto na cidade... ou a humanidade extraordinária de Irene Lisboa...

Rua de São Bernardo (obra de Carlos Botelho), em Lisboa, onde viveu a escritora



Esta pobre mulher vestida de preto, que me bateu à porta de manhã, e que anda a vender agulhas e alfinetes, era a mãe daquele infeliz rapazito...

O caso veio no jornal não há muito tempo. Mas eu ouvi-o da boca de um seu espectador, que ainda estava impressionado quando mo relatou.

O rapazito ia a fugir de um polícia, com medo da multa. Vendia limões. E um carro eléctrico colheu-o. Era no Aterro, onde os carros vão sempre desabalados. Depois o povo levantou o carro em peso, mas o pobrezito morreu.

Era um ladrão de riqueza pública, um contrabandista das leis. Fugia com a sua leve carga no braço para nos lesar...

A sua vida era uma bagatela. Como nada a defendia, um carro do acaso lha levou. Coisas de tão grande evidência!

E hoje a mãe do pobre, que exerce como ele um comércio de miséria, destes que enfadam criadas e donas de casa, responde à minha pergunta acerca do seu luto: ‘morreu-me o meu filho!’ E dá-me sinais dele. Como andava também por estes sítios... Ajuda-me ainda a identificá-lo: ‘era um que tinha a cara miudinha...’



in Apontamentos



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Irene Lisboa (1892-1952) é o caso de uma escritora cuja universalidade das suas obras, a mestria das novelas e contos, deveria atrair a fama e a glória. Nada disso aconteceu. Viveu quase desconhecida e, hoje, foi parar ao limbo onde vagueiam, esquecidos, outros nossos grandes autores. José Régio, que a estimava muito, dizia: “Chamasse-se Tchekov, porque está a essa altura, e era mundialmente admirada”. Silenciaram-na o arranjismo e o canibalismo literário? Em parte, sim. E, hoje, quando a qualidade deixou de interessar e a máquina do mercado impõe autores medíocres, banais vendedores de ideias alheias, que digerem mal e devolvem estragadas, quando os industriais do sucesso vestem de génios plumitivos ocos e os vendem por lebre a um público sempre mais desculturado –dificilmente a límpida genialidade de Irene Lisboa, a sua fabulosa riqueza interior, a força da sua poesia e o agudo entendimento da tragédia quotidiana dos homens, muito dificilmente chegará à ribalta.

Mas..., que vale esta ribalta de um dia a dia prostituído?

África do Sul: o adeus à França

(fotografia publicada em A Bola de hoje)

O fim da selecção francesa, segundo Forges, no 'El País' de hoje



Foto del mensaje

Agustina em três linhas deixa perceber o génio do (a) maior romancista (a) português(a) dos últimos 50 anos

Agustina Bessa-Luís é uma mulher sem tempo nem idade...



Portugal

De repente, cada um de nós vê um território banhado de mar agitado e frio, com manhãs verdes de nevoeiro e com os campos onde os nomes das mais pequenas ervas nos fazem humedecer os olhos.

In Dicionário Imperfeito

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nuno deixa o FCP... que futuro o espera?

Nuno Espírito Santo



Fiquei a saber a razão da minha simpatia por Nuno Espírito Santo, que vem de longe (recordo uma conversa, em Rabat, com Humberto Coelho, ao tempo, 2001, seleccionador de Marrocos, em que tecemos elogios a Nuno): ele é natural de São Tomé e Príncipe.

São Tomé, onde vivi 5 anos, ficou, para sempre, no meu coração, São Tomé é especial!

Mas a minha simpatia por Nuno liga-se ao respeito por um excelente guarda-redes, que talvez, até hoje, ainda não tenha tido o reconhecimento justo.

Deixa o Porto, vai para onde?

Gostaria de o ver à baliza de um grande clube. Merece-o.

Chile fénix renascida

A Fénix quando renasce...





Os chilenos (de vermelho e azul) vencem os suiços (sem relógio de cuco e vestidos de branco)...



E o Chile arrumou a Suiça, depois de arrumar as Honduras. Passou, quase certamente, à segunda fase: a das eliminatórias directas. Que não nos calhe a nós, se, como tudo indica, lá chegarmos... Não é pêra doce.

Pratica um futebol suave, inteligente, bonito. Eficaz.

O Chile para mim, é Salvador Allende, Victor Jara, para sempre, a voz de Violeta Parra.

O Chile é a noite de 11 de Setembro de 1973, em que soube do golpe de Pinochet e da morte de Allende. Do fim do governo socialista, no Chile.

Durante 17 anos, até 1990, a besta, Pinochet, mandou no Chile, espezinhou o Chile, humilhou o Chile, sobre milhares de cadáveres.

Mas, tal qual a Fénix, o Chile renasceu e é, hoje, um país livre.

É muito bom ver a selecção do Chile ganhar –seja ou não seja o futebol o disparate espectacular que é.

Versos de um poeta magistral

Herberto Helder



(...)

***

Pratiquei a minha arte de roseira: a fria
inclinação das rosas contra os dedos
iluminava em baixo
as palavras.
Abri-as até dentro onde era negro o coração
nas cápsulas. Das rosas fundas, da fundura nas palavras.
Transfigurei-as.
Na oficina fechada talhei a chaga meridiana
do que ficou aberto.
Escrevi a imagem que era a cicatriz de outra imagem.
A mão experimental transtronava-se ao serviço
escrito
das vozes. O sangue rodeava o segredo. E na sessão das rosas
dedo a dedo, isto: a fresta da carne,
a morte pela boca.
-Uma frase, uma ferida, uma vida selada.

in Última Ciência (Ofício Cantante, poesia completa)

domingo, 20 de junho de 2010

A face mais saborosa deste Campeonato do Mundo

Larissa Riquelme: a sul-americana que consola a tristeza de quem perde e sagra a alegria a quem ganha...


A mais bela do Mundial é paraguaia e é famosa

Se há fotos que marcam o campeonato do Mundo que se disputa na África do Sul, as de Larissa Riquelme são umas delas. Larissa quem? Explicamos já: Larissa Riquelme é a paraguaia que ficou famosa em todo o Mundo pela forma sensual como torceu pelo seu país no jogo com a Itália e cujas fotos foram difundidas por várias agências por todo o Mundo.

A beleza da modelo deu nas vistas e as suas fotos estiveram em destaque em vários jornais e sites. Também n’A BOLA online, na rubrica A Bela e o Mundial (clique aqui para ver) a jovem paraguaia deu nas vistas.

Na altura, o Mundo sabia apenas que uma bela paraguaia via os jogos da sua selecção em Assunção, capital do país. Hoje sabe-se quem ela é.

Larissa é modelo no Paraguai, mas conta aproveitar a fama conseguida em 90 minutos de um jogo de futebol, para se lançar a nível internacional.

Na sua página no Facebook, Larissa tem já mais de 6 mil fãs e disponibiliza várias fotos pessoais.

transcrito, com a devida vénia, d' A Bola de hoje

Franco, Hitler e os judeus





La lista de Franco para el Holocausto


por Jorge M. Reverte



El régimen franquista ordenó en 1941 a los gobernadores civiles elaborar una lista de los judíos que vivían en España. El censo, que incluía los nombres, datos laborales, ideológicos y personales de 6.000 judíos, fue, presumiblemente, entregado a Himmler. Los nazis lo manejaron en sus planes para la solución final. Cuando la caída de Hitler era ya un hecho, las autoridades franquistas intentaron borrar todos los indicios de su colaboración en el Holocausto. EL PAÍS ha reconstruido esta historia y muestra el documento que prueba la orden antisemita de Franco





Al final de la II Guerra Mundial, el régimen de Franco intentó con relativo éxito confundir a la opinión pública mundial con la fábula de que había contribuido a la salvación de miles de judíos del afán exterminador nazi. No solo era falso lo que la propaganda franquista pretendía demostrar. En la España del dictador hubo la tentación de contribuir a acabar con el "problema judío" en Europa.


La paciente labor de un periodista judío, Jacobo Israel Garzón, ha conseguido que aflorara el único documento conocido sobre el asunto, conservado por obra de la casualidad en el Archivo Histórico Nacional, y proveniente del Gobierno Civil de Zaragoza. Lo publicó en la revista Raíces. A partir de ese trabajo, EL PAÍS ha continuado la indagación y ha reconstruido la historia completa de la frustrada colaboración con el Holocausto. Quiénes fueron sus protagonistas y sus cómplices. Una historia que cambia la Historia.


El 13 de mayo de 1941, todos los gobernadores civiles españoles reciben una circular remitida el día 5 por la Dirección General de Seguridad. Se les ordena que envíen a la central informes individuales de "los israelitas nacionales y extranjeros afincados en esa provincia (...) indicando su filiación personal y político-social, medios de vida, actividades comerciales, situación actual, grado de peligrosidad, conceptuación policial". La orden la firma José Finat Escrivá de Romaní, conde de Mayalde, el último día de su permanencia en el cargo, porque va a ser relevado por el coronel Galarza. De ese puesto va a saltar en pocos días al de embajador de la España de Franco en Berlín.


El conde es un personaje refinado y culto, y muy amigo de Ramón Serrano Suñer, el hombre fuerte del régimen [fue ministro de Interior y Asuntos Exteriores], que es quien le va dando los distintos cargos que ostenta. Ha prestado grandes servicios a Serrano y a Franco, como el de organizar a los policías que, en connivencia con el embajador Lequerica y la Gestapo, utilizando a un siniestro policía de apellido Urraca, consiguió traer a Companys y Zugazagoitia a España para sufrir una burla de juicio y ser fusilados.


José Finat hizo buenas migas con Himmler cuando este visitó España en octubre de 1940. Himmler pudo asistir a un espectáculo que le pareció cruel: una corrida de toros en Las Ventas. En esos días, ambos pusieron al día una vieja colaboración firmada por el general Severiano Martínez Anido en 1938. Gracias a ese acuerdo, la policía política alemana goza de status diplomático en España, y puede vigilar a sus anchas a los treinta mil alemanes que viven aquí.


Dentro de poco más de un mes, Finat va a ocupar su cargo de embajador en Berlín. Allí podrá entregar en persona a Himmler sus listas de judíos. Si España entra en la guerra, serán un buen regalo para los nazis. Antes va a tener tiempo suficiente para dar una paliza y emplumar por maricón a un cantante, Miguel de Molina. Le ayudará el falangista Sancho Dávila, primo del fundador del partido fascista.


El objetivo del Archivo Judaico no consiste en defender al régimen de la posible acción subversiva que puedan realizar los refugiados que pasan por España huyendo de la persecución nazi. Esos son conducidos directamente a Portugal para que se marchen a Estados Unidos, o internados en el campo de concentración de Miranda de Ebro hasta que se sepa qué hacer con ellos. De lo que se trata, sobre todo, es de tener controlados a los judíos españoles de origen sefardí:


"Las personas objeto de la medida que le encomiendo han de ser principalmente aquellas de origen español designadas con el nombre de sefardíes, puesto que por su adaptación al ambiente y similitud con nuestro temperamento poseen mayores garantías de ocultar su origen y hasta pasar desapercibidas sin posibilidad alguna de coartar el alcance de fáciles manejos perturbadores".


El trabajo no va a ser fácil por esa capacidad de adaptación que tienen los judíos. Sobre todo en lugares que no sean como Barcelona, Baleares y Marruecos, donde había antes de la guerra "comunidades, sinagogas y colegios especiales", y eso permite una mayor facilidad de localización.


La circular no oculta la urgencia de la acción. Hay que proteger al Nuevo Estado de la posible actuación de estos individuos, que son "peligrosos".


El coronel Valentín Galarza está poniendo patas arriba el ministerio que le ha dejado Serrano Suñer, infestado de falangistas revolucionarios. Pero no va a destrozar toda la obra de su antecesor. El Archivo Judaico se va a seguir completando con carácter de urgencia al principio y con metódica seriedad después.


¿No son acaso los judíos y los masones los enemigos fundamentales del Nuevo Estado?


Cuando haya pasado el tiempo, el Archivo Judaico será ocultado y sistemáticamente destruido, como toda la documentación comprometedora para el régimen franquista en relación con la persecución antisemita realizada en los años cuarenta. Cuando deje de ser urgente tener listas completas de israelitas y haya que justificar la patraña de que el régimen surgido del 18 de julio ayudó en todo lo posible para que se salvaran muchos judíos de la persecución nazi.


En mayo de 1941, cuando se envía la circular, resulta muy significativa la desaparición de las guardias de falangistas de la puerta del Ministerio de la Gobernación. Ya no se trata de que la represión la lleve la Falange por su cuenta, como si fuera un poder autónomo del Estado. Se trata de que el Nuevo Estado asume comportamientos que le identifican con los de la Alemania nazi, pero mediante las instituciones tradicionales, o sea, en este caso, la Policía y la Guardia Civil. Eso sí, "auxiliados por elementos de absoluta garantía".


Esos elementos son falangistas entusiastas de la represión, que hay muchos. Porque continúa en funcionamiento la Delegación Nacional de Información e Investigación, con sedes en muchos municipios españoles. Hay más de tres mil agentes del partido repartidos por toda la geografía nacional, que elaboran sin descanso expedientes sobre sospechosos. En el año anterior han escrito más de ochocientos mil informes y han elaborado fichas sobre más de cinco millones de ciudadanos. Los miembros de las delegaciones hacen informes constantes sobre la situación política en cada lugar, sobre el estado de la opinión pública, y sobre los antecedentes políticos de cualquier ciudadano que aspira a un puesto de trabajo. Y tienen el privilegio de participar en interrogatorios policiales y torturas en comisarías o cuartelillos.


A veces, fuera de las dependencias judiciales. El ricino y las palizas callejeras están a la orden del día.


Con el cambio de destino del conde de Mayalde, los falangistas dejan de ser los que encabezan este tipo de investigaciones, pero están. Siguen estando.


Los investigados para el Archivo Judaico no son gente de especial relevancia. Salvo en algún caso, como el del escritor Samuel Ros, amigo íntimo del revolucionario Dionisio Ridruejo, cuya condición de judío levantará las inquietudes de los funcionarios nazis instalados en España. Se da la circunstancia de que Ridruejo es también muy amigo del conde, con el que va a compartir muchas jornadas en Berlín durante su discontinua presencia en la División Azul, el contingente español que va a marchar a Rusia a luchar contra el comunismo a las órdenes del general Agustín Muñoz Grandes.


Los hombres de Himmler, a los que el conde de Mayalde ha dado el estatus oficial para que se muevan con soltura por el país, reclaman a la Policía española que les dé detalles sobre las actividades de Samuel Ros. Incluso se atreven a protestar porque se le permita escribir en medios oficiales como el diario falangista Arriba.


Otra de las circunstancias llamativas de la circular es que rompe con el antijudaísmo clásico de la católica España. Para la Iglesia, y por tanto para el régimen nacional católico amparado por los cardenales Pla i Deniel y Gomà, un judío deja de serlo si se convierte al catolicismo. Los nazis consideran que se trata de una raza, y el conde de Mayalde expresa claramente su concepción próxima a la de los seguidores de Hitler: los sefardíes, que por "su adaptación al ambiente y su similitud con nuestro temperamento poseen mayores garantías de ocultar su origen". Hay un temperamento español y un origen judío.


La fecha en que se emite la circular tampoco es casual. En España se debate desde hace meses la posibilidad de que el país entre en guerra al lado de Alemania. Y los más furibundos partidarios de esta opción son los falangistas revolucionarios, los nacionalsindicalistas que admiran a Hitler y comprenden su política de liquidación del judaísmo.


En Francia, las autoridades de Vichy han puesto en marcha, sin necesidad de que los ocupantes alemanes se lo pidan, un Estatuto Judío que incluye un censo. Ya hay muchos miles de judíos franceses o apátridas recluidos en campos de concentración en la zona de Vichy y en la zona ocupada. En todos ellos la autoridad le corresponde a la policía francesa. De esos campos saldrán los trenes de la muerte que conducirán a casi todos los judíos franceses al exterminio en Auschwitz.


El más importante está al lado de París, en una localidad llamada Drancy, donde catorce sefardíes españoles han sido recluidos. Un diplomático llamado Bernardo Rolland de Miota, cónsul general en París, intenta, contra las órdenes del embajador Lequerica y del ministro Serrano Súñer, salvarles. No lo consigue, aunque sí puede actuar a favor de otros dos mil que reciben protección de su consulado. Serrano Suñer le hará pagar por su desobediencia destinándole a un oscuro puesto africano. Será declarado por la Fundación Wallenberg "justo entre las naciones", un título al que se harán acreedores otros diplomáticos españoles, como Sebastián de Romero, Eduardo Propper, Julio Palencia, Ángel Sanz Briz o Carmen Schrader.


La reunión de Wannsee


A las afueras de Berlín hay un plácido barrio de casas residenciales donde muchos berlineses de posición económica acomodada pasan los fines de semana. Antes para alejarse del estruendo de la gran urbe. Ahora para eludir la incomodidad de las alarmas aéreas. El barrio se llama Wannsee, y está construido a las orillas del lago del mismo nombre.


Allí se solazan y descansan los responsables de la Seguridad del Estado hitleriano. Los jefes de los Eisantzgruppen, estresados, se recuperan del pesado trabajo de matar en masa a tantos judíos, a tantos partisanos y comisarios bolcheviques. Lo hacen en una casa adquirida por la Seguridad del Reich, que dirige un asesino en masa llamado Reinhardt Heydrich.


Heydrich, el virtuoso violinista que, a las órdenes de Himmler, desarrolla la matanza de los judíos, ha hecho balance, y este no es nada bueno. Con gran esfuerzo y un enorme gasto de munición y recursos, se ha conseguido matar solo a un millón de judíos en números redondos, de los más de once que se calcula que están en los territorios del Reich o en las zonas conquistadas. Y lo que no cabe ya, a la vista de la reacción del Ejército soviético, que ha detenido la ofensiva sobre Moscú y Leningrado, es pensar en expulsar a todos los hebreos hasta los montes Urales para que allí se extingan.


Hasta octubre de 1941, se ha conseguido que quinientos treinta y siete mil judíos se marcharan de los territorios del Reich. Unos quinientos mil, de Alemania y Austria; los treinta mil restantes, de Bohemia y Moravia. Pero esta política está realmente acabada, porque trae muchos problemas, en plena guerra, negociar transportes, destinos e itinerarios.


Mientras a los de las repúblicas bálticas se les mata en bosques o se les enrola por la fuerza en destacamentos de trabajo, en Varsovia sigue habiendo un gueto poblado por decenas de millares de judíos polacos que absorben recursos alimenticios, que obligan a dedicar numerosas tropas a controlarles. No es barato liquidar el problema judío. Los responsables de cada área ocupada se las ven y se las desean para cumplir con una orden muy vaga, la de que cada uno se las tiene que arreglar para matar a sus judíos. Pero eso no es fácil. Hans Frank, el gobernador general de Polonia, ha mostrado su desesperación hace pocas semanas: "No podemos fusilar a esos tres millones y medio de judíos, no podemos envenenarles, pero tenemos que ser capaces de dar pasos para encontrar una forma de llegar al éxito en el exterminio".


Es 20 de enero y en el palacio de Wannsee, junto al lago de aguas cristalinas, Heydrich ha reunido a los quince mejores expertos en matanzas porque ha recibido la orden de poner de una vez en marcha la "solución final" de ese problema. Hay que tomarse en serio el asunto, y ordenar los métodos, convertir el empeño en un sistema industrial eficiente en resultados concretos y en términos de economía. Y la consigna debe carecer de elementos que permitan la duda. A partir de ahora está claro que lo que procede es matar a todos, absolutamente todos, los judíos que se encuentran en territorios del Reich o en zonas conquistadas. No solo en esas áreas, sino también en el resto de Europa. Porque quedan muchos judíos en países rendidos o aliados. En casi ninguno de ellos se va a encontrar ningún problema para aplicar la solución. Sí en Italia, que es un aliado dubitativo en este asunto, pero no hay quejas sobre la actitud de Francia.


Hitler ha hecho hincapié varias veces en su "profecía" de que, si se produjera una nueva guerra mundial, los judíos desaparecerían de la faz de la tierra. Ahora ya no puede haber vacilaciones. Ya hay una guerra mundial desde que Estados Unidos se han enrolado en ella. Dentro de diez días, en un sitio público, el Sportpalas de Berlín, el Führer va a insistir en ello: "Esta guerra no tendrá un final como imaginan los judíos, con el exterminio de los pueblos arios de Europa, sino que el resultado de esta guerra será la aniquilación de la judería. Por primera vez, la antigua ley judía será aplicada ahora: ojo por ojo y diente por diente".


No hay constancia documental de que en Wannsee se hable de España. Se hace notar, simplemente, que allí hay seis mil judíos. Pero su destino está claro, para cuando se pueda atender la relación con este país. Lo seis mil están censados por algún organismo del Gobierno, que ha pasado nota a los representantes alemanes en la Embajada de Madrid. El censo que inició el 5 de mayo de 1941 José Finat, conde de Mayalde, ahora embajador en Berlín. Están todos localizados.


Una compleja serie de razones impedirá que España entre en la guerra al lado de Alemania. Eso evitará que los nombres incluidos en el Archivo Judaico pasen a formar parte de los listados de Auschwitz.


A finales de 1945, los archivos de los ministerios de Gobernación y de Asuntos Exteriores serán expurgados para que no quede nada que demuestre que la mayor actitud de piedad de Franco hacia los judíos fue dejar pasar a algunos, o soportar en ocasiones la acción individual de los pocos diplomáticos que se la jugaron por salvar vidas humanas.


El Archivo Judaico habría sido un hermoso regalo para Hitler. Su conservación, una repugnante prueba de lo que los falangistas de Ramón Serrano Suñer pretendían hacer con los judíos españoles.


El cinismo franquista llegó al extremo cuando tuvo que negociar con los aliados vencedores en la guerra la liquidación de las deudas con Alemania. La delegación española se atrevió, ante el escándalo de los representantes aliados, a pedir compensación por los daños patrimoniales causados por los nazis a los sefardíes de Tesalónica. El representante inglés McCombe tuvo que recordar en la reunión que España jamás había protestado por la persecución nazi contra sus compatriotas.


transcrito, com a devida vénia, do El País de hoje

Os pescadores furtivos

...à caça de peixe miúdo...


Num país -o nosso- onde estrebucha a pesca, multiplicam-se os “pescadores”. E isso apura-o quem meditar a obra-prima, actualíssima, “Sermão aos peixes”, de Padre António Vieira. Tristemente, infelizmente moderna, porque expõe injustiças deste tempo: desta crise, a atenazar-nos. Escrito e proferido há tantos séculos, atravessou-os e esclarece-nos acerca dos tubarões de hoje, que devoram, encapotados, o peixe miúdo. Diz Vieira: “comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os plebeus que são os mais pequenos, os que menos podem e os que menos avultam na república, estes são os comidos”. Diz, ainda, o padre que a plebe é “o pão quotidiano dos grandes” sempre prontos a multar, defraudar, comer, tragar, devorar. Falava António Vieira em pleno conflito com colonos que praticavam a extorsão de bens alheios, para encher a burra: não olhando a meios nem à moral, dizimavam quem os estorvava e chupavam carne e tutano de quem os servia. E Vieira denuncia a ganância, a inconsciência e a irresponsabilidade dos que “em vez de governar e aumentar o mesmo Estado, o destruíram”. Isso acontecia no ano de 1654, no Brasil –e, por terras portuguesas, concluímos que sofremos de mal comparável: no destino injusto da petinga, reconhecemos as ânsias do nosso dia a dia. Aqueles que Vieira exortava, gente de São Luís do Maranhão, ou acordavam comidos, ou arrotavam pescadas extorquidas a pobres. E, a continuar assim, o estado das coisas haveria de piorar –até à exaustão e à secura de terra queimada. Por cá, onde os deserdados da terra pagam a crise, quanto tempo vamos durar?

transcrito da Página de Cultura do Jornal de Notícias de hoje

Os músicos de Bremen e a pluma branca






Esta estátua, que recorda os músicos de Bremen cuja história todos mais ou menos conhecem, lembra-me coisas, diverte-me e interessa-me: em Bremen nasceu, nos idos de 1719 (1718?) Heinrich Gildmeester Poppe, do qual sou directo descendente e fundador da cepa dos poppes portugueses doc.

Respondeu ele ao convite do Marquês de Pombal, que procurava colaboração estrangeira, a fim de arrancar o país ao marasmo secular.

Mas o que me agrada é que os músicos de Bremen ali, em Bremen, tenham ido encontrar o lugar ideal, a cidade desejada –libérrima, no âmbito da libérrima Liga Hanseática.

Espírito irreverente e aberto ao avançar do mundo teria sido esse meu tetratríssimo avô, que decidiu ajudar ao pontapé que o Marquês deu no rabo do reaccionarismo português.

De facto, pouco tempo depois, mas já banidíssimo o Marquês e proibidíssimas as suas ideias, certo seu descendente, Jacob Poppe, seguidor, aqui, da Revolução Francesa, andou perseguido pelos esbirros do intendente Pina Manique, tal qual consta da Guerra Civil, de Luz Soriano.

Outros da mesma árvore -os bastantes para preservarem a pluma branca- continuariam a luta que irritou vários posteriores Pina Maniques...

sábado, 19 de junho de 2010

Eugénio de Andrade: a voz de um dos grandes do nosso lirismo contemporâneo

'Flor de lotus', quadro de Claude Monet (1840-1926)





Anunciação da Alegria



Devia ser verão, devia ser jovem

ao encontro do dia caminhava

como quem entra na água.



Um corpo nu brilhava nas areias,

corpo ou pedra, pedra ou flor?



Verde era a luz, e a espuma

do vento rolava pelas dunas.



De repente vi o mar subir a prumo,

desabar inteiro nos meus ombros.



E aprendia a falar na tua boca

mordendo cada palavra de alegria.


Sem muros era a terra e tudo ardia.



in Ostinato Rigore

As coisas mudaram e nada voltará a ser o que era... mas não sabemos o que virá a ser...

Atenção ao roubo globalizado!



Richesse des nations et gouvernance mondiale

On sentait bien que les cartes étaient en cours de redistribution dans l'économie mondiale. Les produits "made in China" sont trop nombreux dans notre quotidien et les délocalisations d'entreprises trop médiatisées pour que nous, Occidentaux, persistions à nous croire le centre du monde.

Mais les plus riches et les mieux lotis, si. Au large de Gibraltar, les noyades d'Africains attirés par les lumières de l'Europe et les flux d'immigrés qui sautent le "mur" américain à la frontière du Mexique nous renforcent dans cette conviction. A la rigueur, nous acceptons la Chine comme exception à notre prééminence, tant ses records en tout genre crèvent les yeux.

Voici qu'il faut déchanter : derrière la Chine et l'Inde, c'est une vaste cohorte de pays naguère dits "sous-développés" qui rattrape l'Occident : en vrac, Malaisie, Vietnam, Kazakhstan, Tunisie, Equateur..., mais aussi une surprenante Ethiopie. La dernière étude du Centre de développement de l'OCDE illustre de façon éclatante que ces pays convergent vers le niveau économique des pays riches. La crise a même accéléré ce rattrapage, alors que certains oracles avaient prédit que les pays en développement en seraient les premières victimes.

La suffisance du Nord est d'autant plus obsolète que le Sud et l'Est ont pris conscience de leurs jeunes forces. C'est flagrant en matière de commerce international. Depuis 2008, l'Amérique et l'Europe sont sur la défensive, et ce sont les Brésiliens et les Chinois qui réclament le plus vigoureusement un nouvel abaissement des barrières douanières. Avant 1995, les pays en développement représentaient 3 % des plaintes pour dumping devant l'Organisation mondiale du commerce. Depuis 1995, ils en déposent 64 %.

Qui bloque la création d'une taxe sur les institutions financières ? Le Brésil et l'Inde, notamment, qui refusent de pénaliser ainsi leurs banques puisqu'elles n'ont pas fauté comme leurs consoeurs américaines ou européennes. Le Nord trouve désormais à qui parler.

L'acte de naissance du G20, daté de septembre 2009 à Pittsburg, a entériné, en partie, la montée en puissance qui a résulté de cet enrichissement et le monde multipolaire en formation. Ce n'est pas suffisant.

Seul un multilatéralisme mieux structuré pourrait mener à bien les réglementations qui éviteront la répétition de la crise morale, économique et financière dont le Nord se tire malaisément. Seul le partage des expériences peut éviter les menaces que font peser sur le Sud l'inévitable montée des inégalités en période de croissance. Seule une surveillance mutuelle empêchera le regain de l'"égoïsme sacré des nations" et du protectionnisme, ravageur pour la paix et le développement.

Il faut donc espérer que la réunion du G20 à Toronto, du 25 au 27 juin, renforcera le rythme et la vigueur des réformes et que ses membres pauvres comme riches ne céderont pas aux facilités de la reprise chaotique en cours. La convergence économique est à l'oeuvre ; la gouvernance mondiale doit emprunter le même chemin.

transcrito, com a devida vénia, de Le Monde de hoje