Sinto meu dever
aconselhar-vos este belíssimo livro de Isaac Bashevis Singer: Um dia de felicidade, histórias de um rapaz
crescendo em Varsóvia, publicado, pela primeira vez, em 1963.
Confesso que o li na
tradução italiana -as traduções italianas são excelentes- e vejo que o comprei,
na Piazza Navona, em 1977, meu segundo ano dos quinze que vivi em Itália. O meu
inglês era, à data, pobrezinho e, no
italiano, sentia-me já como peixe dentro de água.
Singer recorda a adolescência
no pequeno gueto da rua Krochmalna, ao longo da vida, tantas vezes evocada pelo
autor.
É, realmente, um livro
de poesia e de dor, pungente memória dos anos que vão e levam consigo a flor da
alma.
Singer recorda os
companheiros da descoberta da vida, da paixão e do abandono, perdidos para
sempre.
Escreve:
“Só
o tempo nos separou. O resto fizeram-no os assassinos alemães.”
À sua volta, movem-se
fantasmas.
Em Telavive, no
jardinzinho da Rehov Lassalle, frente
a nossa casa, há uma escultura, obra de Siona Shimsi, em cuja peanha se lê:
“Shadows
are memories.”