quinta-feira, 25 de junho de 2015

A poesia, a dor e a aventura da adolescência


Sinto meu dever aconselhar-vos este belíssimo livro de Isaac Bashevis Singer: Um dia de felicidade, histórias de um rapaz crescendo em Varsóvia, publicado, pela primeira vez, em 1963.

Confesso que o li na tradução italiana -as traduções italianas são excelentes- e vejo que o comprei, na Piazza Navona, em 1977, meu segundo ano dos quinze que vivi em Itália. O meu inglês era, à data, pobrezinho e, no italiano, sentia-me já como peixe dentro de água.

Singer recorda a adolescência no pequeno gueto da rua Krochmalna, ao longo da vida, tantas vezes evocada pelo autor.

É, realmente, um livro de poesia e de dor, pungente memória dos anos que vão e levam consigo a flor da alma.

Singer recorda os companheiros da descoberta da vida, da paixão e do abandono, perdidos para sempre.

Escreve:

“Só o tempo nos separou. O resto fizeram-no os assassinos alemães.”

À sua volta, movem-se fantasmas.

Em Telavive, no jardinzinho da Rehov Lassalle, frente a nossa casa, há uma escultura, obra de Siona Shimsi, em cuja peanha se lê:


“Shadows are memories.”


Sem comentários:

Enviar um comentário