sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A derrocada cultural



O implacável Eça

A ler A Correspondência de Fradique Mendes, e a ler, encantado, Memórias e Notas, em que Eça apresenta o seu alter-ego, o milionário diletante e culto, topei uma frase que me regalou.

Informa e engorda o autor a posição de Fradique diante da nossa imprensa:

Lia (…) com cuidado os jornais portuguese (que chama algures ”fenómenos picarescos de decomposição social”), sempre característicos, mas superiormente interessantes para quem como ele se comprazia em analisar “a obra genuína e sincera da mediocridade” e considerava Calino tão digno de estudo como Voltaire.”

Passados mais de cem anos sobre o transcrito, vejo-me obrigado a reconhecer sabedoria e olho clínico no Fradique e no Eça, ou no Eça-Fradique: nada mudou –se é que não se agravou…     

Um dos músicos preferidos por Stendhal

As previsões de Gaspar

in Público de hoje

Breve história de Sebastiano Ricci

"Baptismo de Cristo", obra de Sebastiano Ricci





Bom dia com Sebastiano Ricci e o maneirismo veneziano

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Brevíssimo perfil de Giorgione o revolucionário que morreu jovem

"Os três filósofos", 1508, óleo de Giorgione


Foi Aldo Zari quem, no mês de Julho de 1976, me aconselhou a obra preciosa: Venezia e il suo estuário, Guida Storico Artistica, de Giulio Lorenzetti –meu livro de cabeceira, desde essa data.

Transcrevo poucas palavras do Lorenzetti, sobre Giorgione:

“A arte de Giorgione, primeiro pintor essencialmente moderno, tornou-se arte universal.

(…)

Com íntimo fervor contemplativo, que o levava a procurar inspiração e matéria em plenos campos, exaltando a beleza de quanto o circundava, sentindo viver em cada ser criado, homem ou planta, sentindo em tudo uma alma própria, compartilhou o apaixonado movimento espiritual que se desenvolvia, especialmente em Veneza.

(…)

Giorgione, foi, além de pintor, poeta e músico.

(…)

A figura histórica de Giorgione chegou até nós ao modo de um mito: escapam-nos elementos seguros acerca da sua curta vida. Nasceu em Castelfranco por volta de 1478 e, jovem, com pouco mais de trinta anos, morreu em 1510, dizem que de peste ou de um desgosto de amor.”

Antes de vos deixar outras pistas, mais uma vez sublinho, aqui, o muito que devo a Aldo Zari: ele me apontou, explicou, abriu o grande Giorgione.






Bom dia com o grande Giorgione

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sotheby's dá bronca


O quadro em questão: avaliado e vendido por 60 000 euros, vale, afinal, 11, 6 milhões de euros

Notícia incrível mas verdadeira:


Imprensa ibérica? Este é também o nosso pãozinho de cada dia...

Erlich in El País de hoje

Quem era Cima da Conegliano


"Adoração dos pastores, pormenor", 1509-1510, óleo de Cima da Conegliano

Notícia:

Bom dia com um grande pintor e o mundo que ainda espera por nós

Do mundo absurdo em que vivemos


Apocalipse caseira...

Diz Eça Fradique Mendes de Queirós:

“O homem do século XIX [o homem do século XX, digo eu], porque só ele é essencialmente do século XIX (diz Fradique numa carta a Carlos Mayer), vive dentro de uma pálida e morna infecção de banalidade (…).

Para que um Europeu lograsse ainda hoje ter algumas ideias novas, de viçosa originalidade, seria necessário que se internasse no deserto ou nos pampas; e aí esperasse pacientemente que os sopros vivos da Natureza, batendo-lhe a inteligência e dela pouco a pouco varrendo os detritos de vinte séculos de literatura, lhe refizessem a virgindade. Por isso eu te afirmo, oh Carolus Mayerensis, que a inteligência, que altivamente pretenda readquirir a divina potência de gerar, deve ir curar-se da civilização literária por meio de uma residência tónica, durante dois anos, entre os Hotentotes e os Patagónios.”

Eça de Queirós in A Correspondência de Fradique Mendes, Edição «Livros do Brasil» Lisboa

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A lição de Fradique

Eça Fradique Mendes de Queirós

Em tempo de massificação; em pleno império virtual e banal, obra de Pavlov cujo cachorro amestrado nos formatou a nós; quando, alarvemente, corremos atrás das ementas publicitadas e engolimos congelados de vitela ou de cavalo estafado, sem preocupações e com a alegria dos patetas –talvez nos sirva de vomitório ou antiparasitário o perfil de Fradique, que nos deixou o Eça, descrevendo o próprio duplo real e ideal

Quero eu dizer: talvez ler e reler, meditar a passagem que aí vai abra janelas às nossas alminhas atrofiadas e deixe entrar a luz maravilhosa do mundo que teimamos em destruir.

Ora oiçam lá...:

“Não conheci jamais espírito tão impermeável à tirania ou à insinuação das ‘ideias feitas’: e decerto nunca um homem traduziu o seu pensamento original e próprio com mais calmo e soberbo desassombro. “Apesar de trinta séculos de geometria me afirmarem (diz ele numa carta a J. Teixeira de Azevedo) que a linha recta é mais curta distância entre dois pontos, se eu achasse que para subir do Hotel Universal à porta da Casa Havaneza, me saía mais directo o breve rodear pelo bairro de S. Martinho e pelos altos da Graça, declararia logo à secular geometria –que a distância mais curta entre dois pontos é uma curva vadia e delirante!”

Eça de Queirós in A Correspondência de Fradique Mendes, Edições «Livros do Brasil», Lisboa

Quem era Crivelli?


"Maria Madalena", 1470, obra de Carlo Crivelli


Aqui está:

Bom dia, com Carlo Crivelli

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

São Valentino: o responsável


São Valentino e os discípulos, no trabalho: eis os obreiros do mais belo sentimento do mundo… e das suas complicadas consequências… 

O labirinto do amor

"O amor infinito", 1999, óleo de Aldo Zari

Léo Ferré - On s'aimera (1975)

Dia dos Namorados -para a M.J.


"O passeio", 1917-1918, óleo de Marc Chagall


Amor

Amo-te muito, muito!
Reluz o paraíso
Num teu olhar furtuito,
Num teu fugaz sorriso

Quando em silêncio finges
Que um beijo foi furtado,
E o rosto desmaiado
De cor de rosa tinges,

Dir-se-á que a rosa deve
Assim ficar com pejo
Quando a furtar-lhe um beijo
O zéfiro se atreve!

E às vezes te assalta
Não sei que ideia, jovem,
Que o rosto se te esmalta
De lágrimas que chovem;

Que fogo é que em ti lavra
E as forças te aniquila,
Que choras, mas tranquila,
E nem uma palavra?...

Oh! Se essa mudez tua
É como a que eu conservo
Lá quando à noite observo
O que no céu flutua;

Ou quando à luz que adoro,
Às horas do infinito,
Nas rochas de granito
Os braços cruzo e choro,

Amamo-nos! Não cabe
Em nossa pobre língua
O que a alma sente, à míngua
De voz… que só Deus sabe!

João de Deus in Alma Minha Gentil, Antologia da Poesia de Amor Portuguesa, Organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1957

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Amanhã é feriado por direito ancestral que um bando de regedores ridículos quer apagar

Ó Zé: ri-te deles!

Amanha é 3ª feira de Carnaval: não vás trabalhar! Eles que trabalhem, esses calões que nos roubam o dinheiro e vivem à nossa custa e do erário público!  

O mapa dos cardeais

in Le Monde de hoje

Habemus Papam ou a intuição de Nanni Moretti

Em tempo de mentira e incoerência, um Homem coerente

"Onde está o cristianismo?" -eis a pergunta que terá feito a si próprio e deixa em aberto.

O PAPA BENEDITO XVI RESIGNA

Abandona no dia 28 deste mês

Bom dia com Antonio Vivarini, pintor veneziano

"Virgem da Humildade", obra de António Vivarini

Quem era?:

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Onde tudo vive

Burano

O lugar

Laguna di Venezia

Carnaval de Veneza





O responsável foi Maurizio Scaparro, director da Bienal de Teatro, convidou-me a assistir à grande festa.

As ruas encheram-se de gente, abriram-se as salas de espectáculo, improvisou cada um o seu modo -e que se quereria original e novo- de tocar a vida. Eram os artistas, a música e a dança, o mimo, a caraça, o simples estar ali de outra maneira de quantos tinham demandado Veneza e traziam consigo quase só a juventude e a imprevidência.

Pejavam-se, outra vez, as praças e as calle de ruído, angústias e esperanças. Cada qual transportava às costas um saco de ilusões. Ombro a ombro com os viajantes de calças de ganga e blusões puídos que, além do Sidharta, de Herman Hesse, escondiam nos bolsos o desejo de capturar o cristalino encontro apto a resolver incertezas, viam-se turistas de compra-e-venda, mais ou menos mascarados.

Mascarados ou não, de ganga ou de olho feito à última moda insólita, aquelas pessoas iam entrando numa luz esquisita. Do palco e dos camarins, dos projectores e das pinturas dos comparsas, estendia-se à rua -aos bares e aos cafés- uma poeira fina que alterava os contornos da realidade.

Parecíamos entrados noutro mundo, ainda mais extraordinário do que o já de si extraordinário mundo de Veneza.

A cidade era uma arena gigantesca em que todos representavam a comédia do desassossego e onde aflorava o contentamento. O Carnaval repetia-se, de facto, e repetia-se a oportunidade de viver.

Quando se acendiam as luzes e a noite se oferecia –a noite que é o manto dos pobres, dos poetas, dos doidos bons e dos doidos visionários- batia o coração de quem queria deixar “…as farsas estafadas/ desse mundo de títeres cativos/ dessas mulheres ocas e pintadas,/ desses homens astutos mortos-vivos” (José Régio in Mas Deus é Grande).

Íamos ver Carlo Gozzi, Goldoni, íamos pasmar perante a sensualidade maravilhosa do teatro de Nápoles e, inevitavelmente, correr, deixar correr os olhos atrás do circo que começa a cavalo (Le cirque commence à cheval, Circo Gruss, ali, a meio do Campo Sant’Angelo). Se quiséssemos, tínhamos o aguilarre, Tauromachia, qual missa negra catalã, toca a andar (era em movimento) pelas estreitas calle venezinas.

E, porque não?, também leituras espirituais de Giorgio Baffo, libertino setecentista… Assim, lidas com as letras todas (T’ho pur trovà su letto/ Despoggiada, oh! Dio, che gusto,/ Poderte senza busto/ le tette bem palpar) no Teatro all’Avogaria (vinte lugares, para os lados de San Barnaba).

Mas, no fim e ao cabo, aquecíamo-nos pelos bares cheios de uma luz que cortava a humidade de Fevereiro. Era ali que, do pinot ao traminer, inventávamos a vida. Ou seja: tentávamos dizer uns aos outros que a solidão se podia destruir, que, da minha mão à tua, vai menos de um salto de cobra.

Chegavam do profundo Sul, da Lucânia, da Calábria, jovens toucados de escuro; do Norte, de Brescia e do Friul, chegavam outros, com os cabelos loiros, olhos azuis e vestidos com coisas de alpinos. A razão era a mesma: estar ali à espera de um milagre. Entretanto abria o dono do bar as garrafas e enchia os copos. E, do outro lado do balcão, abriam-se as almas.

Era, assim, Veneza, naquele tempo.

O meu amigo Scaparro continuava a inventar o Carnaval superando mil contrariedades; os navios estavam dentro da cidade; o sonho insistia. Alguns sentavam-se nos cais de Le Zattere, frente à ilha da Giudecca, e, agarrando na palma da mão o sol parco do Inverno, chegavam-no ao peito,.

Veneza cobria-se de oiro e trazia-lhes o que lhes podia trazer: a vontade de ser uma cidade onde o tempo se conta pelos passos dos homens. Eles compreendiam e, talvez por isso, na maneira como se ofereciam ao sol, havia tanta inocência.

*

Scaparro quereria, para mim, outra coisa, ou foi obra do acaso, o que aconteceu, na Piazza San Marco, deserta, gelada, às duas da manhã, dessa noite de Carnaval?

Encostara-me à entrada da basílica, a proteger-me do frio. Ao longe, vinda do extremo oposto, da ala napoleónica, começou a desenhar-se uma figura vestida de preto e foi-se revelando um corpo de mulher. O rosto claro era a máscara de um dominó. Parou à minha frente e, quando lhe falei, disse-me que a única realidade era a solidão, que nunca nos encontrávamos uns com os outros. E, como se eu já devesse sabê-lo, lembrou-me:

-Sou a Matilde…a menina  de Verona…

Tirou a máscara e apareceu-me cheia de seiva, os olhos em amêndoa, a boca vermelha. Fitou-me, irónica, e acrescentou:

-Vinte anos, estudante de medicina, em Pádua… Já não te lembras? Não te lembras de estarmos juntos a beber e a conversar, na “Vedova”? Anda! Puxa pela memória, faz lá um esforço!

E, depois, dizia-me aquilo, que preferia estar só, que era a maneira de se chegar a si, que não valia a pena procurar os outros. Sem tirar os olhos de mim, a espreitar a minha reacção.

-Gosto de estar só. É a maneira de possuir qualquer coisa e de iludir a infelicidade -continuou.

Vinte anos, os olhos em amêndoa, a boca vermelha. Ali, em Veneza, no Carnaval, quando as pessoas voltavam a acreditar que a solidão não é inevitável, ela desprezava o encontro com os outros. Enquanto as linhas do seu corpo se afirmavam harmoniosas, frescas, atraentes.

Batia-lhe o vento de Fevereiro na capa negra que ia bem com o tricórnio da mesma cor. Em Veneza, o silêncio é especial: ouve-se. San Marco, àquela hora, as poucas luzes, o nevoeiro discreto a envolver as arcadas e a diluir as formas da basílica, era um palco onde o nosso desconcerto pareceria caricato, nada. E, como se me lesse nos olhos, Matilde murmurou:

-Sim, nada… O nada que somos.

“Grotesco”, "ridículo", pensei-me, em frente dela, a ver-lhe a juventude e a desolação. Veneza era outra coisa, não era aquela criança envelhecida.

Incomodava-me o frio, incomodava-me Matilde. Hesitei, não a beijei, ao separarmo-nos, toquei-lhe apenas um dos ombros.

-Procuro chegar até mim, através dos outros –disse-lhe.

-Essa é a maneira mais fácil –respondeu.

Parecia enviada do diabo, alguém destinado a destruir a quimera que nos trouxera. Uma pessoa cheia de morte. Jovem, falava do desespero, tranquilamente. Veneza era outra coisa. Deveria ser outra coisa. Isso eu tinha de pensar.


Nunca mais a vi. Mas acompanhou-me durante aqueles dias. E quando, do lado de cá do balcão, aceitava o gesto do homem do bar e, ao pegar no copo, lhe abria a alma, Matilde ia, com o vinho, pela minha garganta, e acidulava-o. Rasgava-me a sua monstruosa segurança. Ali, no meio do fumo, das vozes, do calor da gente sentada em redor, que continuava a esperar.

Roma, Julho de 1981

(publicado in Crónicas Italianas, retocado, neste Carnaval porque a saudade é para sempre)

Sobre Gentile Bellini

"Milagre da Cruz, ponte di San Lorenzo, Venezia", s.d., obra de Gentile Bellini

Quem era?:

Bom dia com Gentile Bellini, veneziano

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Do lado da abelha amiga!

Lê:


De facto...

in Público de hoje

Um frenesim de mortos-vivos


A multidão é um monstro sem nome...

Em 1981, o Director da Bienal de Teatro, Maurizio Scaparro, decidiu recuperar uma tradição: o Carnaval de Veneza.

Foi um sucesso, de que participei, a convite de Scaparro.

Essa euforia, pura e espontânea, durou três anos.

Todos sabemos: o Carnaval de Veneza continuou e continua, transformou-se num acontecimento internacional –num  acontecimento turístico.

Da última vez que lá estive, nos idos de 1983, a cidade acrescentara, aos setenta mil habitantes, 200 000 turistas.

200 000 abomináveis turistas!

Era o começo do fim –perdia-se a verdade, a identidade, a genuinidade, referidas no contarelo que amanhã publicarei, aqui.

Voltei a Veneza, muitas vezes –mas de preferência no Inverno, quando não seduz os turistas, praga homicida do nosso tempo…

***
p.s. amanhã publicarei, aqui, uma espécie de contarelo, memória desse ano já tão longe, 1981, e o retomar do Carnaval de Veneza... que se perdeu, comercializado e só isso...

Quem foi Pisanello

"Retrato de Princesa", s.d., obra de António Pisano, dito Il Pisanello


Notícia:



Bom dia com Il Pisanello que discretamente anuncia o Renascimento

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O grande Puccini "roubado" a uma amiga...

Giacomo Puccini, provavelmente a acender uma cigarrilha "Toscano", que fazia as delícias de Ângelo de Sousa e que eu lhe enviava de Itália...

Abre e ouve:

O cinismo também não paga imposto?


Uma questão de dentadura?

O sr. Relvas falou. E disse. Não sabe o que diz. Mas diz. Sai-lhe da boca. O povo acha que são palavras perdoáveis, saem da boca. Serão. Mas quando Relvas, sem jardineiro, diz que choram os avós e as mães, saudosos dos filhos emigrantes –e maridos- que fogem, diz que tem pena deles, o que quer dizer a boca aberta do Relvas não aparado? Quer dizer que é uma pena, uma grande pena –mas, assim, o país fica aliviado? Sem greves, sem contestações, sem pancadaria? E etc.? E tudo tranquilo, o imposto em força, o roubo organizado em paz. Mas do que é que vai comer o sr. Relvas, quando já cá não houver gente nem ninguém a quem ir arrancar os cêntimos -os últimos cêntimos!-, com taxas, impostos, e etc., porque o sr. Relvas e a companhia alcapoteana tem sempre mais uma no bolso. Até que já lá não haja nada e tenha de pedir a quem lhe pagou um lugarinho no capital, que lhe agradeça o esforço, lhe perdoe a estupidez e lhe dê a esmola de continuar a coçar os tomates, de olho na criada do snack.

E a propósito...

Erlich in El País de hoje