"O passeio", 1917-1918, óleo de Marc Chagall
Amor
Amor
Amo-te muito, muito!
Reluz o paraíso
Num teu olhar furtuito,
Num teu fugaz sorriso
Quando em silêncio
finges
Que um beijo foi
furtado,
E o rosto desmaiado
De cor de rosa tinges,
Dir-se-á que a rosa
deve
Assim ficar com pejo
Quando a furtar-lhe um
beijo
O zéfiro se atreve!
E às vezes te assalta
Não sei que ideia,
jovem,
Que o rosto se te
esmalta
De lágrimas que chovem;
Que fogo é que em ti
lavra
E as forças te aniquila,
Que choras, mas
tranquila,
E nem uma palavra?...
Oh! Se essa mudez tua
É como a que eu
conservo
Lá quando à noite
observo
O que no céu flutua;
Ou quando à luz que
adoro,
Às horas do infinito,
Nas rochas de granito
Os braços cruzo e
choro,
Amamo-nos! Não cabe
Em nossa pobre língua
O que a alma sente, à
míngua
De voz… que só Deus
sabe!
João de Deus in Alma Minha Gentil, Antologia da Poesia de
Amor Portuguesa, Organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália
Editora, 1957

Lindo o poema e a prova de amor!!
ResponderEliminarBem retratado por Chagall.
Um beijinho aos dois "pombinhos"!:))
É bonito ver um amor assim.
ResponderEliminarUm beijinho aos dois.
Cláudia e Isabel, muito obrigado.
ResponderEliminar