Eça Fradique Mendes de Queirós
Em tempo de
massificação; em pleno império virtual e banal, obra de Pavlov cujo cachorro amestrado
nos formatou a nós; quando, alarvemente, corremos atrás das ementas
publicitadas e engolimos congelados de vitela ou de cavalo estafado, sem
preocupações e com a alegria dos patetas –talvez nos sirva de vomitório ou antiparasitário
o perfil de Fradique, que nos deixou o Eça, descrevendo o próprio duplo real e
ideal
Quero eu dizer: talvez
ler e reler, meditar a passagem que aí vai abra janelas às nossas alminhas
atrofiadas e deixe entrar a luz maravilhosa do mundo que teimamos em destruir.
Ora oiçam lá...:
“Não
conheci jamais espírito tão impermeável à tirania ou à insinuação das ‘ideias
feitas’: e decerto nunca um homem traduziu o seu pensamento original e próprio
com mais calmo e soberbo desassombro. “Apesar de trinta séculos de geometria me
afirmarem (diz ele numa carta a J. Teixeira de Azevedo) que a
linha recta é mais curta distância entre dois pontos, se eu achasse que para subir do Hotel Universal à porta da Casa
Havaneza, me saía mais directo o breve rodear pelo bairro de S. Martinho e
pelos altos da Graça, declararia logo à secular geometria –que a distância mais
curta entre dois pontos é uma curva vadia e delirante!”
Eça de Queirós in A Correspondência de Fradique Mendes, Edições
«Livros do Brasil», Lisboa

É tão redutor seguir sempre o mesmo caminho... quanto mais não vale andar por curvas vadias um mundo inteiro por descobrir...Tem razão o Eça... que se lixe a geometria! :)
ResponderEliminarÉ assim mesmo, caro cuish mon!
ResponderEliminarDevemos aproveitar a vida e de preferência que seja o mais diversificada possível.
ResponderEliminarUma vida bem vivida!
Mesmo que o caminho a percorrer seja o mais longo.
Bravo, Eça!
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