sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A lição de Fradique

Eça Fradique Mendes de Queirós

Em tempo de massificação; em pleno império virtual e banal, obra de Pavlov cujo cachorro amestrado nos formatou a nós; quando, alarvemente, corremos atrás das ementas publicitadas e engolimos congelados de vitela ou de cavalo estafado, sem preocupações e com a alegria dos patetas –talvez nos sirva de vomitório ou antiparasitário o perfil de Fradique, que nos deixou o Eça, descrevendo o próprio duplo real e ideal

Quero eu dizer: talvez ler e reler, meditar a passagem que aí vai abra janelas às nossas alminhas atrofiadas e deixe entrar a luz maravilhosa do mundo que teimamos em destruir.

Ora oiçam lá...:

“Não conheci jamais espírito tão impermeável à tirania ou à insinuação das ‘ideias feitas’: e decerto nunca um homem traduziu o seu pensamento original e próprio com mais calmo e soberbo desassombro. “Apesar de trinta séculos de geometria me afirmarem (diz ele numa carta a J. Teixeira de Azevedo) que a linha recta é mais curta distância entre dois pontos, se eu achasse que para subir do Hotel Universal à porta da Casa Havaneza, me saía mais directo o breve rodear pelo bairro de S. Martinho e pelos altos da Graça, declararia logo à secular geometria –que a distância mais curta entre dois pontos é uma curva vadia e delirante!”

Eça de Queirós in A Correspondência de Fradique Mendes, Edições «Livros do Brasil», Lisboa

4 comentários:

  1. É tão redutor seguir sempre o mesmo caminho... quanto mais não vale andar por curvas vadias um mundo inteiro por descobrir...Tem razão o Eça... que se lixe a geometria! :)

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  2. Devemos aproveitar a vida e de preferência que seja o mais diversificada possível.
    Uma vida bem vivida!
    Mesmo que o caminho a percorrer seja o mais longo.

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