Encontrei a poesia de Umberto Saba, num alfarrabista veneziano, onde me levou Aldo Zari, em 1976. E daí em diante, o grande triestino nunca mais saiu de ao pé de mim.
Foi-me difícil entrar na obra de Saba cuja aparente simplicidade –rigorosamente trabalhada- enraíza no puro clássico. Considerava mestres Dante e Petrarca. Cheguei a seguir uma antologia anotada, do ensino secundário, para o entender. E, pouco a pouco, consegui.
Saba é um poeta visceralmente independente e cioso da sua visão da vida.
Escreveu: “Entre os literatos, sinto-me como Cristo entre os padres”; e: “sou um individualista, um anarquista, um selvagem”.
De Leopardi, irmão de sofrimento dolorido, diz: “faltou-lhe o espírito religioso “.
O que não o impede de considerar o governo da Democracia Cristã, no após-guerra italiano, “um regime de padres casados com a finança americana” e de se aproximar, abertamente, dos comunistas de cuja sensibilidade poética duvidava.
Não se contradizia, decidia por si. Era visceral e inabalavelmente independente.
Queixava-se da incompreensão: “muitos anos depois da minha morte se avaliará o que dei à poesia italiana”. E acertava: só quando festejaram o ano 2000 (Saba morreu em 1957), os compatriotas, o julgaram ex aequo com Italo Svevo (dois triestinos, particularidade a puxar ao debate), o melhor escritor italiano do século XX, o que é verdade.
Ter a Assírio & Alvim editado a excelente antologia bilingue “Umberto Saba, Poesia”, apresentada e traduzida com talento e competência, por José Manuel de Vasconcelos, representa acontecimento importante. É urgente apreciar o génio de Saba.
publicado na Página de Cultura de Jornal de Notícias, 10/04/11
Gosto muito da poesia de Umberto Saba.
ResponderEliminarSinto-a apenas à minha maneira.
Um bom domingo
Isabel
E é essa -a sua maneira- que interessa!
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