Capa da 1ª edição da obra-prima de José Marmelo e Silva (na 2ª edição, 1958, teve como título "Adolescente Agrilhoado") Da entrevista conduzida por Francisco Manuel A. Brandão e publicada a 12 de Dezembro de 1974, em Defesa de Espinho, a resposta de José Marmelo e Silva à primeira pergunta:
“-Numa perspectiva geral, quais as consequências mais importantes para a literatura portuguesa de quase meio século de ditadura fascista?
-Para a literatura como criatividade, as consequências foram pouco menos que paralisantes, só encontrando semelhança nos tempos da Inquisição. Quem acompanhava a história literária sabia perfeitamente que as verdadeiras grandes obras não podiam ser escritas. Humilhava-se o escritor, perseguia-se, escorraçava-se, torturava-se, privava-se, não apenas do pão da liberdade, mas até do próprio direito à vida. A literatura portuguesa sofreu um aviltamento vergonhoso jugulada pelos esbirros salazaristas. Quem pode esquecer-se do terrorismo que de livraria em livraria devastava o livro original de língua portuguesa.
transcrito do livro que acaba de ser editado O Mágico pressentir do artista, Entrevistas com José Marmelo e Silva, CEJMS, 2011
Já li o "Adolescente agrilhoado" e gostei.
ResponderEliminarUma época dura e uma forma dura de viver a adolescência.
Isabel
Eram bem duros aqueles tempos, Isabel!
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