sábado, 30 de abril de 2011

A cultura é o alicerce da casa comum

Mundo parado



Se espreitarmos o século XX português, encontramos dois movimentos culturais de importância e influência inestimáveis. Malgrado 48 anos de ditadura salazarista.


Refiro-me à “presença” e ao neo-realismo.


Contra ventos e marés, tentaram, através da Cultura, obviar ao anacronismo intelectual vigente. Obstar ao empobrecimento do espírito.


Esses movimentos salvaram-nos da cegueira total.


Hoje, da afirmação de individualidades, resvalámos para a descaracterização da cultura, entregando-a nas mãos do mercado.


E, daquilo mesmo que ainda é público, os governos preferem, à qualidade, a quantidade rentável.


Ora a cultura não é um produto, sujeito a leis de compra e venda. A cultura é o coração de um país, é o aríete do progresso. O homem evoluiu, graças às aquisições culturais.


Na febre de destruir o Estado Protector -a grande conquista da segunda metade do século XX- menosprezam os governos uma obrigação essencial: privilegiar ensino e cultura.


Há que investir nos ministérios da educação e da cultura.


Há que reclamar, da TV pública, a difusão -a horas de grande audição- de programas culturais semanais.


Tem, também, o governo de subsidiar as iniciativas que brotam, aqui e ali, no Interior esquecido.


Urgentemente, deve o governo rever as condições de trabalho dos professores das escolas públicas, impossibilitados de exercerem pedagogia frutuosa e de se actualizarem.


Tem que defender a escola pública e impedir a sua degradação –e a consequente elitização do ensino: ao privado não chegam todos, cada vez menos...


Porque nos arriscamo a ser uma sociedade, anquilosada e condenada a desconhecer-se.


A definhar.


publicado da Página de Cultura do Jornal de Notícias de hoje

2 comentários:

  1. Não podia estar mais de acordo!

    Lamentável, é vivermos em democracia o alimento da ignorância, tal como foi imposto por 48 anos de ditadura. Isto é, em vez de superarmos voltamos a cair no erro.
    Boa noite!

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  2. Ana: não caímos: empurram-nos para a ignorância. Porque um homem culto é perigoso e recusa-se a ser um novo escravo.

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