'Madonna del parto', de Piero della FrancescaEm cima da minha mesa,
Da minha mesa de estudo,
Mesa da minha tristeza
Em que, de noite e de dia,
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo,
A mim,
Também,
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retrato, Mãe!
À cabeceira do leito,
Dentro dum lindo caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora...
Ai minha Nossa Senhora
Que se parece contigo,
E que tem, ao peito,
Um filho
(O que ainda é mais estranho)
Que se parece comigo,
Num retratinho,
Que tenho,
De menino pequenino...!
No fundo da minha mala,
Mesmo lá no fundo, a um canto,
Não lhes vá tocar alguém,
(Quem as lesse, o que entendia?
Só riria
Do que nos comove a nós...)
Já tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa...
Três maços –e nada leves!-
Atados com um retrós...
Se não fora eu ter-te assim,
A toda a hora,
Sempre à beirinha de mim,
(Sei agora
Que isso de a gente ser grande
Não é como se nos pinta...)
Mãe!, já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido algum tinteiro de tinta!
José Régio, in As Encruzilhadas de Deus
Da minha mesa de estudo,
Mesa da minha tristeza
Em que, de noite e de dia,
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo,
A mim,
Também,
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retrato, Mãe!
À cabeceira do leito,
Dentro dum lindo caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora...
Ai minha Nossa Senhora
Que se parece contigo,
E que tem, ao peito,
Um filho
(O que ainda é mais estranho)
Que se parece comigo,
Num retratinho,
Que tenho,
De menino pequenino...!
No fundo da minha mala,
Mesmo lá no fundo, a um canto,
Não lhes vá tocar alguém,
(Quem as lesse, o que entendia?
Só riria
Do que nos comove a nós...)
Já tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa...
Três maços –e nada leves!-
Atados com um retrós...
Se não fora eu ter-te assim,
A toda a hora,
Sempre à beirinha de mim,
(Sei agora
Que isso de a gente ser grande
Não é como se nos pinta...)
Mãe!, já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido algum tinteiro de tinta!
José Régio, in As Encruzilhadas de Deus
Mais uma vez tenho de lhe agradecer estas palavras que, embora não sejam suas nem minhas, são de todos nós. ... e quando nós formos grandes iremos continuar a gostar de ter sempre e a nossa mãe bem perto de nós para nos aconchegar. Um abraço
ResponderEliminarAlgo me dizia que ia encontrar este poema, também belo.
ResponderEliminarA escolha da imagem é magnífica.Um dia feliz!
Abraço!
Muito lindo este poema de José Regio.
ResponderEliminarJá o soube de cor e emocionou-me a sua leitura.
Não o lia há muito tempo.
Tenha um bom dia
Isabel
Parabéns pela sua ternura Manoel, para um homem que escreve o que pensa ... você pinta o que sente.
ResponderEliminar5 bjs
5 Amigas: juntei um grande poeta e um grande pintor. 5 beijos!
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